A descoberta de colágeno em ossos fossilizados por pesquisadores de Liverpool pode fornecer novos insights sobre os dinossauros
Close do osso do quadril de um Edmontosaurus. Crédito: University of Liverpool
Durante anos, os cientistas acreditaram que o processo de fossilização destruía todas as moléculas orgânicas originais, deixando os fósseis desprovidos de seu material biológico original. No entanto, um estudo inovador liderado pela Universidade de Liverpool forneceu fortes evidências de que fósseis mesozóicos, incluindo ossos e dentes de dinossauros, ainda contêm materiais orgânicos preservados. Usando espectrometria de massa avançada e outras técnicas analíticas, pesquisadores detectaram restos de colágeno no osso do quadril de um Edmontosaurus, um dinossauro com bico de pato. Essa descoberta ajuda a resolver um debate de longa data que persiste há mais de 30 anos.
O estudo, publicado no periódico Analytical Chemistry, usou várias técnicas, incluindo sequenciamento de proteínas, para detectar e caracterizar o colágeno ósseo no fóssil de 22 quilos. O fóssil é um sacro de Edmontosaurus excepcionalmente bem preservado, escavado em estratos do Cretáceo Superior da Formação Hell Creek de Dakota do Sul. Ele faz parte das coleções da Universidade de Liverpool e oferece uma oportunidade única para análises de ponta.
O professor Steve Taylor, presidente do Grupo de Pesquisa em Espectrometria de Massa do Departamento de Engenharia Elétrica e Eletrônica da Universidade de Liverpool, disse: “Esta pesquisa mostra, sem sombra de dúvida, que biomoléculas orgânicas, como proteínas e colágeno, parecem estar presentes em alguns fósseis. Nossos resultados têm implicações de longo alcance. Primeiro, eles refutam a hipótese de que quaisquer compostos orgânicos encontrados em fósseis devem resultar de contaminação. Em segundo lugar, sugere que imagens de microscopia de luz polarizada cruzada de ossos fósseis, coletadas por um século, devem ser revisitadas. Essas imagens podem revelar manchas intactas de colágeno ósseo, potencialmente oferecendo um tesouro pronto de candidatos fósseis para análise de proteína posterior. Isso pode revelar novos insights sobre dinossauros – por exemplo, revelando conexões entre espécies de dinossauros que permanecem desconhecidas. Por fim, as descobertas informam o intrigante mistério de como essas proteínas conseguiram persistir em fósseis por tanto tempo.”
Osso do quadril de um Edmontosaurus. Crédito: University of Liverpool
A pesquisa não apenas parece resolver um antigo debate científico, mas também abre novos caminhos para o estudo da vida antiga, oferecendo um vislumbre da preservação bioquímica de fósseis de criaturas extintas.
O estudo reuniu especialistas de diversas disciplinas:
Pesquisadores da UCLA contribuíram para o estudo, usando espectrometria de massa para detectar e quantificar – pela primeira vez – o aminoácido hidroxiprolina, que é específico do colágeno quando encontrado no osso, confirmando assim a presença de colágeno cariado.
Pesquisadores do Grupo de Pesquisa em Espectrometria de Massa da Universidade de Liverpool conduziram testes de sequenciamento de proteínas e espectrometria de massa.
Especialistas da Fábrica de Inovação de Materiais da Universidade realizaram análises adicionais para confirmar os resultados.
O Centro de Pesquisa de Proteoma da Universidade de Liverpool identificou fragmentos de colágeno alfa-1, a principal forma de colágeno no tecido ósseo.
Referência: “Evidência de colágeno endógeno em osso fóssil de Edmontosaurus” por Lucien Tuinstra, Brian Thomas, Steven Robinson, Krzysztof Pawlak, Gazmend Elezi, Kym Francis Faull e Stephen Taylor, 17 de janeiro de 2025, Analytical Chemistry.
Hoje é celebrado o Dia de Darwin. Neste dia, em 2008, postei o seguinte texto:
Que o povo brasileiro é dado à idolatria, todo mundo já sabe. Mas esta é demais: vamos entrar na onda idolátrica do culto a Darwin. Hoje (12/2) é comemorado o aniversário de 198 anos de nascimento do naturalista inglês Charles Darwin. O “Dia de Darwin”, segundo os organizadores, é uma data celebrada internacionalmente como uma “oportunidade para a divulgação científica em geral e da teoria da evolução em particular”. Mas o que se vê mesmo é muito pouca divulgação científica e muita louvação a um cientista cuja teoria vem enfrentando fortes críticas extra e intramuros.
Stephen Jay Gould (1980) e Lynn Margulis, mais recentemente (2005) na conferência sobre evolução nas ilhas Galápagos, disseram que o neodarwinismo já está morto há muito tempo, mas persiste como ortodoxia nos livros didáticos. “Por que William Provine, da Cornell University, mencionou a necessidade de outra teoria da evolução? Por que a grande mídia não destaca tudo isso?”, pergunta o ex-ateu e coordenador do Núcleo Brasileiro de Design Inteligente (NBDI) Enézio de Almeida Filho.
E pergunto mais: Por que só Darwin e não outro cientista merece esse destaque? Por que não há um dia para Einstein ou Newton, que deram muito mais contribuições à ciência? Segundo Enézio, essa seria uma grande oportunidade para a discussão de temas como a mutação e o mecanismo de seleção natural, o registro fóssil e as origens humanas, a função do “DNA lixo”, a complexidade integrada da vida, problemas na elaboração de filogenias, etc. Mas esqueça. Isso não será discutido. Darwin continuará sendo blindado e sua teoria “recauchutada” a cada 50 anos, sem conseguir explicar como se deu a evolução e muito menos a origem das espécies.
A grande prova disso foi a recusa da mídia nacional de divulgar um fato constrangedor para o darwinismo – talvez para não estragar a festa em memória ao Darwin-ídolo. O EurekAlert, serviço eletrônico de notícias científicas que todas as editorias de ciência do Brasil recebem (inclusive o JC e-mail, da SBPC, e o boletim da Fapesp, entre outros) divulgou no dia 9 a contestação da base fundamental da teoria da evolução por parte de um cientista darwinista.
Eis a “bomba”:
Jeffrey H. Schwartz, professor de antropologia na Faculdade de Artes e Ciências da Universidade de Pittsburgh, está trabalhando para demonstrar a falsidade de um principal dogma da evolução darwiniana. Schwartz crê que as mudanças evolutivas ocorrem subitamente opostas ao modelo darwiniano de evolução que é caracterizado pela mudança gradual e constante. Entre outras observações científicas, as lacunas no registro fóssil podem apoiar a teoria de Schwartz porque, para ele, não existe “elo perdido”.
Num exame que desafia bastante o modelo darwiniano, Schwartz e o coautor Bruno Maresca, professor de bioquímica na Universidade de Salerno, Itália, examinam a história e o desenvolvimento daquilo que os autores nomeiam de “Molecular Assumption” (MA) [Pressuposição Molecular] no artigo “Do molecular clocks run at all? A critique of molecular systematics” [Os relógios moleculares funcionam? Uma crítica à sistemática molecular], na edição da revista Biological Theory de 9 de fevereiro.
A pressuposição MA tornou-se uma teoria científica verificável quando em 1962 os bioquímicos Emil Zuckerkandl e Linus Pauling demonstraram a semelhança de espécies através da utilização da atividade imunológica entre o soro sanguíneo e um antissoro construído. Após observarem a intensidade reatividade do soro e do antissoro entre o sangue humano, de gorila, cavalo, galinha e peixe, Zuckerkandl e Pauling deduziram a “relação especial” – quanto mais intensa a reação, mais proximamente aparentadas deveriam ser as espécies.
O sangue de peixe foi o mais dessemelhante, assim pensou-se que a linhagem dos peixes divergiu muito antes das outras espécies. O sangue humano e de gorila foram os mais semelhantes, significando que as duas espécies tiveram menos quantidade de tempo para divergirem. Finalmente, o modelo darwiniano de mudança evolutiva constante foi imposto sobre a observação estática feita por Zuckerkandl e Pauling. Até hoje a comunidade científica aceitou a pressuposição MA como uma verdade científica. É essa pressuposição que Schwartz está considerando: “Isso sempre me chocou como sendo uma coisa muito estranha – que esse modelo de mudança constante nunca foi desafiado.” Schwartz tem as suas próprias teorias relativas à evolução que são apoiadas por desenvolvimentos recentes em biologia molecular.
Os animais multicelulares têm grandes seções de genomas, o material genético de um organismo, que controlam o seu desenvolvimento. Schwartz argumenta que a estrutura do genoma não fica mudando, com base na presença de “stress proteins“, também conhecidas como “heat shock proteins“. Essas proteínas estão localizadas em cada célula, e a principal função delas é eliminar o potencial de erro e mudança celular pela manutenção da forma celular normal através do dobramento de proteína.
Essa manutenção celular regular é o que destaca Schwartz relativa à sua refutação da mudança celular constante. “A biologia da célula parecer ir ao contrário do modelo que as pessoas têm na sua cabeça”, disse Schwartz; e ele argumenta que se as nossas moléculas estivessem mudando constantemente, isso ameaçaria a própria sobrevivência, e animais estranhos estariam surgindo rapidamente no mundo inteiro. Conseqüentemente, Schwartz argumenta que a mudança molecular é realizada somente por stressors ambientais significantes, tais como mudança rápida de temperatura, mudança severa de alimentação, ou até a aglomeração física.
Se as “stress proteins” de um organismo são incapazes de suportar uma mudança significante, a estrutura genômica pode ser modificada. Todavia, Schwartz salienta, uma mutação também pode ser recessiva num organismo por muitas gerações antes de aparecer em seu descendente. Se o descendente sobrevive ou não é outra questão. Se sobrevive de fato, a presença desse organismo modificado geneticamente não é o produto de mudança molecular gradual, mas uma amostra súbita de mutação genética, que pode ter ocorrido milhares de anos antes.
Contudo, não é somente a atual teoria molecular que intriga Schwartz, mas a omissão da comunidade científica em questionar uma ideia que tem mais de 40 anos: “A história da vida orgânica é indemonstrável; nós não podemos provar muita coisa em biologia evolutiva, e as nossas descobertas serão sempre hipóteses. Há apenas uma verdadeira história evolutiva da vida, e se verdadeiramente nós iremos conhecê-la, é improvável. O mais importante de tudo, temos de pensar sobre questionar as pressuposições fundamentais, se estivermos lidando com moléculas ou qualquer outra coisa”, disse Schwartz.[1]
Schwartz é fellow da prestigiada American Association for the Advancement of Science e da World Academy of Art and Science. Ele é autor de vários livros, incluindo The Red Ape: Orang-utans & Human Origins (Westview Press, 2005) e Sudden Origins: Fossils, Genes, and the Emergence of Species (Wiley, 2000). Ele passou mais de 20 anos considerando os métodos, as teorias e a filosofia de anotar dados e tentar interpretá-los com propósitos de reconstrução de relações evolutivas.
A sonegação desse tipo de informação pela mídia vai ao encontro da opinião do coordenador do NBDI, para quem o “Dia de Darwin” não é uma “celebração ao conhecimento científico e à valorização da diversidade, mas a imposição de uma camisa de força epistemológica, um convite ao suicídio intelectual que leva à ‘síndrome do soldadinho de chumbo’: o pensamento uniforme. Ora, se todos estão pensando a mesma coisa, ninguém está pensando”.
O que a mídia também não divulga é que a lista dos dissidentes de Darwin já está com 700 cientistas (www.dissentfromdarwin.org) [na época]. Até da Academia de Ciência da Rússia! Alguns professores de universidades públicas brasileiras também já ousam figurar entre os dissidentes de peso, como o Dr. Michael Egnor, professor laureado de neurocirurgia e pediatria na State University of New York. Recentemente, o Dr. Egnor disse: “O darwinismo não desempenha nenhum papel na medicina. Ponto final. Os darwinistas não demonstraram nenhuma evidência de que a seleção natural seja capaz de gerar quantidades significativas de informação.” E esse pessoal não é criacionista…
Por esta Darwin não esperava: o “Dia de Darwin” já virou “dia de guarda” no calendário dos neoidólatras. Ironicamente, o ídolo, que está enterrado na abadia de Westiminster, era agnóstico.
Uma carta escrita pelo físico Albert Einstein ao filósofo alemão Eric Gutkind revela que o cientista desdenhava a religião. O documento reacendeu a polêmica sobre as crenças religiosas de Einstein já que, em declarações anteriores, ele havia dado a entender que acreditava, ou queria acreditar, na existência de Deus. Escrita em 1954, em resposta ao livro de Gutkind Escolha a Vida: O chamado bíblico para a revolta (em tradução livre), a carta passou 50 anos nas mãos de um colecionador particular. “A palavra Deus para mim é nada mais que a expressão e o produto da fraqueza humana; a Bíblia é uma coleção de lendas honradas, mas ainda assim primitivas, que são bastante infantis”, escreveu Einstein.
Na carta, o cientista também fala que não acredita que os judeus sejam “o povo escolhido”. “Para mim, a religião judaica, como todas as outras, é a encarnação de algumas das superstições mais infantis. E o povo judeu, ao qual tenho o prazer de pertencer e com cuja mentalidade tenho grande afinidade, não tem qualquer diferença de qualidade para mim em relação aos outros povos.”
(O Estado de S. Paulo, 14/5/2008)
Querem desconstruir o Deus da Bíblia
A matéria de capa da revista Galileu de maio de 2008 – “O Deus de Einstein” – é um indicativo da intenção de muitos de desconstruir o Deus da Bíblia. O artigo informa que livros de ciências naturais, matemática e filosofia, especialmente os de Immanuel Kant, tiveram forte influência sobre o físico alemão quando ele ainda era criança. “Foi essa experiência que o levou a se interessar por ciências e se afastar da religião. Mais tarde ele diria que foi ao ler esses livros que se convenceu de que muitas das histórias da Bíblia não poderiam ser verdadeiras”, explica Galileu, que cita ainda uma declaração de Einstein publicada no livro Albert Einstein – The Human Side: “Eu não posso conceber um Deus pessoal que influencia diretamente as ações dos indivíduos ou julgue as criaturas que ele mesmo criou.”
Mas num ponto as convicções do físico se aproximavam da verdadeira compreensão bíblica do que seja a alma. Einstein adotava as ideias formuladas por Espinoza: alma e corpo sempre estão juntos. Logo, quando o corpo morre, a alma termina junto, o que contraria a doutrina não bíblica (mas tida por muitos como bíblica) da imortalidade da alma. Segundo a Bíblia, a morte não é o fim, apesar de a alma (que no hebraico quer dizer simplesmente pessoa) morrer. Einstein disse: “Eu definitivamente não acredito nisso [imortalidade]. E, para mim, uma vida já é o suficiente.” Segundo Galileu, o físico pode ser considerado deísta, ou seja, alguém que crê que um deus impessoal criou o Universo e não interfere em seu funcionamento.
Galileu aponta também a discordância de Einstein com a doutrina bíblica do livre-arbítrio: “Para Einstein, qualquer ação humana, por mais banal que fosse, como escovar os dentes, já estava previamente determinada. Logo, em seu modo de ver, o livre-arbítrio é uma ilusão. […] O curioso é que Einstein, apesar disso, era um grande defensor da liberdade individual.” O problema aqui é a confusão que se faz entre onisciência e determinação. Galileu pergunta: “Como esse livre-arbítrio pode ser real se Deus conhece o futuro, já sabe o que vai acontecer?” O fato de Deus saber o que vai acontecer não significa que Ele determine o que vai acontecer. Digamos que houvesse dez caminhos diferentes para um motorista escolher. Deus sabe o que ocorreria em cada uma dessas vias, mas não escolhe pela pessoa (se bem que é muito difícil entender a onisciência estando infinitamente longe de ser onisciente).
A reportagem informa também que há várias pesquisas sobre a crença das pessoas em Deus. E que há pesquisas “para todos os gostos, dizendo que há mais ateus ou mais crentes”. Só que, curiosamente, Galileu menciona apenas uma dessas pesquisas, publicada pela Nature, segundo a qual a maioria dos membros da Academia Nacional de Ciência não crê num Deus pessoal. Parcial, não?
A matéria conclui o seguinte: “A posição de Einstein, antes rejeitada pelas pessoas de fé, agora é acolhida. Há uma corrente que defende que as visões religiosas e científicas são complementares, inclusive na explicação de fenômenos naturais.”
Creio que a posição de Einstein é bem-vinda hoje porque os céticos, não podendo negar a realidade espiritual e a existência insistente da fé, estão abraçando um “deus” impessoal com o qual não precisam se comprometer e cujos princípios de vida prescritos na Bíblica são vistos como empecilho para o estilo de vida dissoluto do mundo atual. É uma “fé” bem conveniente.
(Michelson Borges é jornalista, pós-graduado em Biologia Molecular e mestre em Teologia)
Um estudante de graduação do Instituto Politécnico Rensselaer, nos Estados Unidos, desenvolveu um biochip capaz de construir moléculas de açúcar complexas e altamente especializadas, imitando o funcionamento de uma das mais importantes estruturas celulares do organismo humano, o Complexo de Golgi. O Complexo de Golgi é uma organela celular que finaliza o processo de síntese das proteínas, recobrindo-as com açúcares em arranjos altamente especializados. A molécula acabada, recoberta com os açúcares, é então despachada para a célula para ajudar na comunicação celular e na determinação da função da própria célula no interior do organismo.
O Complexo de Golgi artificial, construído por Jeffery Martin, funciona basicamente da mesma forma. O biochip se parece com um tabuleiro de xadrez, onde os açúcares, enzimas e outros materiais celulares básicos são suspensos em água, podendo ser transportados e misturados aplicando-se uma tensão elétrica nos quadros de destino do tabuleiro.
Esse processo permite a construção de açúcares de forma automatizada, utilizando ampla variedade de enzimas encontradas no Complexo de Golgi natural. Eles podem então ser testados em células vivas, seja no interior do próprio biochip ou em outros equipamentos no laboratório, de forma a se determinarem seus efeitos.
Com a capacidade oferecida pelo biochip, de processar inúmeras combinações de açúcares e enzimas, de forma rápida e automatizada, os pesquisadores poderão acelerar o processo de descobrimento de novos compostos químicos e de novos medicamentos.
Um dos campos promissores de utilização do novo biochip é na produção de heparina, um ácido produzido naturalmente no Complexo de Golgi, e um importante medicamento anticoagulante.
A principal fonte de heparina hoje são os intestinos de porcos, animais que também produzem o composto naturalmente. Artigos científicos recentes, contudo, alertaram sobre o risco de contaminação da heparina quando ela é extraída de animais. Por isso, cientistas do mundo todo estão trabalhando contra o relógio em busca de formas de produção da heparina que evitem sua contaminação.
Nota: É interessante notar que sempre que o ser humano tenta copiar algum aspecto ou processo presente na criação, isso demanda tempo, dinheiro, tecnologia de ponta e… design inteligente. No entanto, alguns acreditam que a natureza poderia casualmente e de forma não dirigida/inteligente dar origem a esses processos supercomplexos. Incoerente, não? [MB]
Resenha publicada na Folha Online: “A origem da vida é um tema que atrai o interesse do homem. A curiosidade em saber como a existência começou e como os diferentes seres vivos se tornaram o que são hoje é uma das principais questões da biologia. Para a maior parte dos cientistas a resposta está na evolução.
“No livro Evolução, da ‘Série Mais Ciência’, da Publifolha, o autor David Burnie discute o processo evolutivo, explica o desenvolvimento das espécies, oferece evidências e explicações sobre as causas da evolução e os mecanismos da seleção natural. Em linguagem simples e de fácil entendimento, o volume ilustrado apresenta conceitos científicos de maneira acessível e prática.
“‘A evolução é um processo gradual de mudanças químicas e físicas que começaram antes mesmo do surgimento da vida propriamente dita, e continua até hoje’, explica o autor.
“As adaptações dos animais, a evolução de parasitas e hospedeiros a extinção de espécies são outros assuntos abordados ao longo do livro. Sobre a origem da vida o volume traz um capítulo especial que discute os diferentes posicionamentos de especialistas. ‘Uma possibilidade é que os primeiros seres vivos da Terra já tenham chegado do espaço formados, mas a maioria dos cientistas não está convencida disso e acredita que a vida na Terra surgiu a partir de matéria não viva.'”
Nota: Fiz questão de grifar dois trechos da resenha para chamar atenção para alguns detalhes curiosos: (1) o autor do livro afirma que a evolução é um processo que começou “antes mesmo do surgimento da vida”, ao passo que muitos darwinistas com quem dialoguei sustentam a tese de que a teoria da evolução só se preocupa com a evolução da vida propriamente dita. (2) O livro também diz que a maioria dos cientistas está convencida de que a vida na Terra surgiu a partir de matéria não viva. Isso é abiogênese (e eu discuto o assunto no vídeo abaixo). Falar é fácil; provar é outra história – clique aqui e saiba por quê. (3) O autor levanta a hipótese da panspermia cósmica, ou origem extraterrestre, que nada mais é que uma forma de jogar o problema para fora – é impossível explicar a origem da vida neste planeta a partir de matéria não viva, assim, dizem que a vida surgiu em algum ponto do espaço (impossível de ser investigado, diga-se de passagem) e veio para cá a bordo de um meteorito (veja o vídeo abaixo). Note bem: essa tal forma de vida (talvez algum tipo de bactéria) teria sobrevivido aos rigores do espaço sideral (radiações cósmicas, vácuo e frio), resistido às altas temperaturas da fricção com o ar, causada pela entrada do meteorito na atmosfera, e, finalmente, saído ilesa do impacto contra o solo (ou a água). Essa “bactéria kryptoniana” teria originado todas as formas de vida de nosso planeta! E eu que sou crente! [MB]
Cientistas dizem ter descoberto, no Iêmen, pegadas de dinossauros datadas de 150 milhões de anos [segundo a cronologia evolucionista]. Os rastros encontrados teriam sido feitos por um rebanho de 11 saurópodos e por outra espécie de dinossauro de duas patas que pertencia à família dos ornitópodes e comia plantas. Segundo a descoberta, publicada em 2008 revista científica Public Library of Sciences One, as pegadas não teriam sido identificadas antes pois estavam cobertas por escombros e entulhos. As pegadas foram observadas pela primeira vez na região de Madar, ao norte da capital, Sanaa, por uma jornalista iemenita. Posteriormente, foram classificadas como pertencentes a um ornitópode – dinossauro grande que existiu durante o fim do Período Triássico até o fim do Cretáceo. Em 2006, uma geóloga da Universidade de Sanaa descobriu que as pegadas mais redondas, similares à dos elefantes, pertenciam a outra família de dinossauros – a dos gigantes saurópodos.
Segundo Anne Schulp, do Museu de História Natural de Maastricht, na Holanda, que ajuda na investigação, “as pegadas estão muito bem preservadas”. “O mais impressionante é que temos várias pegadas dos saurópodos, 11 dinossauros caminhando na mesma direção”, afirmou Schulp à BBC News. “Trata-se de um grupo de animais de tamanhos diferentes, portanto, temos dinossauros de todas as idades vivendo juntos nesta localidade”, disse.
Até então, apenas alguns fósseis de dinossauros haviam sido encontrados na Península Arábica, incluindo alguns ossos no Omã e possíveis fragmentos de um dinossauro de pescoço comprido no Iêmen. “É a primeira vez que encontramos pegadas de dinossauros na Península, portanto trata-se mesmo de uma primeira descoberta”, afirmou Schulp.
Nota: Não sou especialista no assunto, mas a disposição das pegadas me sugere um tipo de migração ou fuga. Isso parece ser reforçado pelo fato de haver duas espécies caminhando juntas. Para que pegadas fósseis sejam preservadas, os animais têm que imprimi-las na lama e, depois, essas mesmas pegadas têm que ser cobertas por outra camada de lama, a fim de que sejam protegidas da ação das intempéries e a lama possa petrificar. Fósseis de dinossauros e de suas pegadas são encontrados em várias partes do mundo e sugerem que houve uma catástrofe hídrica responsável por esses vestígios. [MB]
Ellen White escreveu há um século: “É verdade que vestígios encontrados na terra testificam da existência do homem, animais e plantas muito maiores do que os que hoje se conhecem. Tais são considerados como a prova da existência da vida vegetal e animal anterior ao tempo referido no relato mosaico. Mas com referência a estas coisas a história bíblica fornece ampla explicação. Antes do dilúvio o desenvolvimento da vida vegetal e animal era superior ao que desde então se conhece. Por ocasião do dilúvio fragmentou-se a superfície da Terra, notáveis mudanças ocorreram, e na remodelação da crosta terrestre foram preservadas muitas evidências da vida previamente existente. As vastas florestas sepultadas na terra no tempo do dilúvio, e desde então transformadas em carvão, formam os extensos territórios carboníferos, e fazem o suprimento de óleos que servem ao nosso conforto e comodidade hoje. Estas coisas, ao serem trazidas à luz, são testemunhas a testificarem silenciosamente da verdade da Palavra de Deus” (Educação, p. 129).
Para alguns darwinistas, modificações sofridas pela lagartixa italiana Podarcis sicula nas últimas décadas são exemplo de “evolução”. Tudo começou em 1971, quando um grupo de pesquisadores transportou cinco fêmeas e cinco machos da espécie Podarcis de uma ilha do Mar Adriático para outra ilha do mesmo mar. Trinta e seis anos depois, Anthony Herrel e outros biólogos voltaram às ilhas para ver as lagartixas. Numa das ilhas, as lagartixas eram como sempre foram: pequenas, rápidas, comiam insetos e os machos lutavam para controlar o território. Mas, na outra ilha, uma surpresa esperava os pesquisadores.
Lá, além dos insetos, as lagartixas comiam folhas, principalmente na primavera e no verão. Essa foi considerada uma mudança muito brusca em apenas 30 gerações, levando-os a analisar o DNA para ter certeza de que se tratava da mesma espécie em ambas as ilhas. E eram, apesar de não mais lutarem por seus territórios.
Essa mudança de comportamento foi acompanhada por mudanças físicas. O crânio dessas “novas” lagartixas é maior e mais largo, o que faz com que as mordidas sejam mais fortes – o que se torna útil quando se tem que comer folhas duras em lugar de mosquitos.
Mas a mudança mais surpreendente estava no intestino das “novas” lagartixas. Elas se tornaram capazes de acumular a celulose das plantas por tempo suficiente para ser digerida pelas bactérias intestinais (algo semelhante ao que fazem os herbívoros).
O que ocorreu com o Podarcis sicula é bastante semelhante à “evolução” dos tentilhões observados por Darwin nas ilhas Galápagos (na verdade, quem estudou mesmo os tentilhões foi o ornitólogo John Gould). O que muitos livros-textos procuram é tentar induzir os alunos a crer que a variação dos tentilhões de Darwin explica a origem das espécies por meio da seleção natural. Mas o fato é que não ocorreu nenhuma macroevolução. Os tentilhões, apesar da variedade de bicos e costumes alimentares, continuam sendo tentilhões; assim como as lagartixas do Mar Adrático, apesar das modificações que sofreram, continuam sendo lagartixas.
Falando em tentilhões, note o que William Brookfield escreveu: “A ‘macroevolução’ é uma extrapolação da ‘microevolução’. A ‘microevolução’, por sua vez, é dependente da flexibilidade de cada espécie. Essa flexibilidade/adaptabilidade é em si um atributo de design positivo que exige uma explicação. Os tentilhões de Galápagos que sufocariam imediatamente e morreriam com as primeiras sementes endurecidas pela seca, são fáceis de ser planejados comparados com os tentilhões de Galápagos que podem adaptar e sobreviver diante de incontáveis ataques ambientais. Um programa de computador que mal pode rodar num único ambiente de computador é muito mais fácil de planejar do que um programa que pode se adaptar, autocorrigir-se, e prosperar em incontáveis ambientes de computadores (PC, Mac, Unix, Atari, etc.). Se as espécies vivas fossem mais pobremente planejadas, elas morreriam imediatamente em resposta a mais insignificante mudança ambiental – e não haveria ‘evolução’ darwiniana. A informação genética correspondente a cada mudança ambiental tem que estar no lugar antes que qualquer organismo possa ‘evoluir’ em resposta à pressão seletiva. Portanto, a teoria darwinista não tem validade em si mesma e é totalmente parasítica no design requintadamente competente. O fator mais importante é que as espécies adaptáveis são exponencialmente mais ricas em informação do que as espécies que não são adaptáveis. Assim, toda a ‘evidência da evolução’ (as mariposas de Manchester, resistência antibiótica pelas bactérias, etc.) é, na verdade, [evidência] a favor do design.”
Como o termo “evolução” é de uma plasticidade semântica incrível, “evoluiu”, tanto no caso da lagartixa quanto no dos tentilhões, significa que houve algumas alterações limitadas. E só.
O que se observou em 33 anos de pesquisas com os tentilhões? Uma espécie se transmutando noutra espécie? Não, apenas a redução do tamanho médio de bicos em uma população de tentilhões-da-terra-médios (Geospiza fortis) que já tinham bicos pequenos. Isso é chamado de “deslocamento de caráter” (character displacement), quando uma espécie adquire características diferentes em razão da competição com outra. Em 1982, uma população de tentilhões-da-terra-grandes (G. magnirostris) invadiu a ilha de Daphne Maior, competindo por comida com a população dominadora de tentilhões-da-terra-médios (G. fortis). Confira esse estudo na Science.
Para complicar mais ainda, diversas espécies de tentilhões parecem estar se misturando por hibridização, em vez da diversificação através da seleção natural, como exige a teoria neodarwinista. (Peter R. Grant e B. Rosemary Grant, “Hybridization of Bird Species”, Science 256 [1992], p. 193-197)
Para finalizar, é curioso notar a facilidade com que a Podarcis sicula se tornou herbívora. Seria isso o “eco” de um passado distante, quando todos os seres vivos se alimentavam de vegetais? Portanto, trata-se de “evolução” ou uma espécie de “retorno às origens”? Dá o que pensar… [MB]
Quem lê as colunas de Drauzio Varella na Folha de S. Paulo já sabe o que esperar desta coletânea de ensaios [publicada] pela Companhia das Letras [Borboletas da Alma]. Quem não lê, terá o prazer adicional da surpresa. A maravilha desses textos é que eles são absolutamente informativos a respeito de temas científicos e médicos, mas são também muitas vezes de um lirismo que embala a alma.
“A vida na Terra é um rio que começou a correr há quase 4 bilhões de anos, e chegou até você e eu no meio de uma diversidade espetacular: leões, mosquitos, coqueiros, bactérias, algas marinhas e dezenas de milhões de outras espécies.” Assim começa o livro, e é por esse rio que Drauzio Varella nos conduz ao longo das mais de trezentas páginas que se seguem.
Alguns textos são cheios de poesia, outros mais pragmáticos descrevem mazelas de saúde e afins. Todos aumentam nosso conhecimento sobre o mundo, sobre o nosso dia-a-dia, sobre o funcionamento do corpo humano. E muito mais.
Tive a sorte de organizar o volume, o que quer dizer que li e reli todos os textos. O mundo ficou mais claro, e seus mistérios mais bonitos. Junto minha voz à do autor: “Com todo o respeito pelos que acreditam ter sido o homem criado por um sopro transcendental, a visão de que a vida surgiu aleatoriamente, há quase 4 bilhões de anos, a partir de moléculas capazes de fazer cópias de si mesmas e que, através da seleção natural, formaram seres tão díspares quanto bactérias, árvores e mamíferos encerra mais mistério e poesia.”
Nota: Admiro o Dr. Drauzio pelo trabalho sério que ele realiza no campo da medicina e pela popularização de tratamentos e de hábitos preventivos que ele promove na mídia. Mas discordo totalmente de sua “visão poética” da vida. Com todo respeito pelos que acreditam ter o homem se originado de matéria não viva num “mar primitivo” passando pela evolução não dirigida de seres primitivos ao longo de bilhões de anos, a visão de que a vida foi inteligentemente e amorosamente planejada pelo Criador que nos fez à Sua imagem e semelhança, criando dois sexos dotados de diferenças que se complementam e de suficientes semelhanças para se perceberem como iguais é muito mais bela e carregada de poesia. Basta ler os primeiros capítulos de Gênesis em comparação com qualquer livro que trate do surgimento da vida segundo a visão darwinista, para notar onde está, realmente, a verdadeira “poesia”. [MB]
“Os Dez Mandamentos”, “O Príncipe do Egito”, “Êxodo: Deuses e Reis”. Enquanto os dois primeiros filmes foram lançados em épocas em que o ceticismo contra o relato bíblico ainda era confinado às universidades e a poucos segmentos da sociedade, a mais recente versão da história bíblica do Êxodo surgiu como mais um ingrediente no debate envolvendo religião, violência, mitologia e antagonismo bíblico. O texto abaixo é uma reação à matéria de capa da revista Superinteressante de janeiro de 2015, sobre o principal evento da nação israelita, como registrado nas páginas sagradas. Antes de mais nada, devo parabenizar o autor da matéria pela maneira clara e descontraída com que descreveu a história do Antigo Oriente. Apesar de não concordar com muitas das opiniões dele sobre o Antigo Testamento, como será demonstrado abaixo, isso não tira o mérito de Alexandre Versignassi pelo seu texto. Porém, apresento aqui dois problemas metodológicos do articulista. Primeiro, em linhas gerais, ele traduziu para um português bem claro a chamada “hermenêutica da dúvida”, que sempre trata o texto bíblico “culpado, até ser provado inocente”. Isso porque muitos acadêmicos confundiram leitura crítica com leitura cética. Lidar com um texto antigo com o ceticismo do século 21 não é a melhor abordagem metodológica. E não estou falando do sobrenatural. Estou falando de uma reconstrução histórica do ambiente que o relato bíblico supostamente descreve. Por que não lidar com o texto antigo desta forma: “Inocente, até ser provado culpado”?
Em segundo lugar, o autor cita dois acadêmicos para falar sobre Israel no Antigo Testamento, Richard Freedman e Israel Finkelstein. Isso é para lá de tendencioso. Seria o mesmo que pedir para os líderes do Hamas e do Hezbollah opinarem sobre Israel e EUA. Não há como esperar uma visão equilibrada sobre o Êxodo e o surgimento da nação Israelita da parte deles. Não estou desqualificando o trabalho dos dois, o que estou dizendo é que existem opiniões diferentes e que deveriam também ser ouvidas e contrastadas.
Um deles é meu professor, James K. Hoffmeier, egiptólogo formado pela Universidade de Toronto, no Canadá. Dois dos seus livros lidam diretamente sobre o assunto: Israel in Egypt (1996) e Ancient Israel in Sinai (2005), ambos publicados pela Oxford University Press. Além de professor de Antigo Testamento, Hoffmeier leciona Egípcio Antigo há mais de 30 anos, o que lhe permite falar naturalmente sobre condições políticas, econômicas e militares do período do Reino Novo do Egito (Dinastias 18-20), a época em que a Bíblia situa o Êxodo.
Outro acadêmico que deu inúmeras contribuições para o estudo do Antigo Oriente e Antigo Testamento é Kenneth Kitchen, egiptólogo aposentado da Universidade de Liverpool, na Inglaterra. Seu domínio em mais de 15 línguas do Antigo Oriente lhe permite falar como ninguém sobre o dia a dia das cortes, dos templos e fortes militares durante a Idade do Bronze e do Ferro. Ele, inclusive, aprendeu português com a única finalidade de publicar o texto dos monumentos (estelas) de Ramsés II que estão no Museu do Rio de Janeiro, já que ele é uma respeitada autoridade no período Ramessida. E imagine só: tanto Kitchen como Hoffmeier são cristãos evangélicos! Eles não usam as publicações para converter pessoas ao cristianismo, mas, sim, para apresentar uma visão equilibrada sobre o mundo do Antigo Oriente e as páginas do relato bíblico.
Num debate intelectual, cristãos geralmente são chamados de preguiçosos. Fica aqui uma simples comparação: em seu livro E a Bíblia não Tinha Razão, Israel Finkelstein gastou 24 páginas para falar sobre o Êxodo, com onze sugestões de leitura sobre o assunto no fim do livro. Numa obra com a mesma temática, Kitchen escreveu 72 páginas e com um total de 145 notas de rodapé. Quantos leram as páginas de Finkelstein? Quantos leram o que Kitchen escreveu? Não tenho números exatos, mas sem dúvida a sede por informações rápidas e condensadas da nossa geração prefereriria o que Finkestein escreveu, e o pior, não se daria ao trabalho de ler opiniões contrárias.
A ausência de evidências diretamente relacionadas com Moisés, os israelitas e o Êxodo bíblico é a avenida principal para o ceticismo – ingênuo, eu diria – de muitos historiadores, curiosos no assunto, e até mesmo teólogos bíblicos, principalmente aqueles que gastam mais tempo estudando teorias literárias sem fundamento e esquecem de olhar o mundo ao redor do Antigo Testamento. Existem pelo menos três motivos pelos quais não disposmos de tais evidências:
Primeiro, o contexto geográfico de Êxodo 1–14 é a região do Delta do Nilo, uma região que por milênios tem acumulado lama das inundações anuais do Nilo. Estruturas de tijolos de barro tinham duração limitada e eram repetidamente substituidas por outras, devido a essas inundações. Afirmar que “nenhuma evidência dos israelitas no Egito jamais foi encontrada” é muitas ingênuidade, e esperar por essas evidências é perda de tempo. Até mesmo estruturas de pedra dificilmente foram preservadas na região.
Segundo, a situação se torna mais drástica quando se pensa em papiros. Na lama, 99% dos papiros desaparecem para sempre. Apenas um pouco dos papiros da região oriental do delta foi recuperada no deserto próximo a Mênfis.
Terceiro, faraós não registravam suas derrotas. Eles jamais deixariam um monumento ou registro nas paredes de um templo relatando a rebelião de um grupo de escravos que resultou na perda de carruagens e soldados, como na história bíblica do Êxodo. Os textos egípcios sobre a batalha de Qadesh, por exemplo, apresentam Ramsés II como o grande vitorioso. Já a versão hitita da mesma batalha tem o rei Muwatali como vencedor.
Portanto, para “confirmar” a história bíblica, é inútil esperar evidências que não estão lá no Delta. Se, como cavalos, limitarmos nossas viseiras para o pouco que a arqueologia pode trazer à luz, então não há nada a ser dito sobre o Êxodo. Há necessidade de uma abordagem mais contextual, tanto do relato bíblico como do ambiente histórico que ele supostamente descreve.
Dito isso, apresento abaixo algumas considerações sobre a matéria da Super:
“Os israelistas nao foram escravos e nunca migraram para o Egito”: o chamado Segundo Período Intermediário da história Egípcia (Ca. 1650-1550 a.C.) encaixa-se bem nas descrições da história de José, no fim do livro de Gênesis, e do primeiro capítulo de Êxodo. Os hekau khasut, também conhecidos como Hyksos, estavam dominando a região do Delta do Nilo. Eles eram de origem siro-palestina. Anterior a esse período, temos o famoso painel de Beni Hassan, que descreve um semita chamado Absha (ou Ibsha) chegando ao Egito com seu grupo de 37 pessoas e entregando seu “visto” em um dos pontos de imigração. Sendo assim, imaginar um grupo de aproximadamente 70 pessoas, a família de Jacó, entrando no Egito na mesma época, não é nenhum problema do ponto de vista histórico. Também dispomos de ilustrações de trabalho escravo no período da 18ª dinastia, exatamente o período em que o poder voltou para as mãos dos egípcios que reinavam a partir de Tebas, com uma política fortemente anti-hyksos, porque não antissemita. Numa das pinturas da tumba de Rekhmire, um vizir (i.e. primeiro ministro), é possível ver prisioneiros de guerra semitas e núbios fazendo tijolos. Em suma, não precisamos de uma fé extraordinária para imaginar grupos de semitas indo para o Egito e, depois de um tempo, se depararem com uma mudança radical nas políticas internas e enfrentar trabalho escravo.
Foto 1 –Mural de Beni Hassan: semitas entram no Egito
O número dos israelitas: somos informados de que o número de israelitas que saíram do Egito era de 600 mil homens, sem contar mulheres e crianças (Êx 12:27). Como o articulista calculou, adicionando uma esposa e uma criança para cada homem, temos quase dois milhões de pessoas. E aqui temos um grande problema. Há informações detalhadas sobre o exército egípico no período do Reino Novo. Era um total de aproximadamente 25 mil soldados, de acordo com Anthony Spalinger, uma das principais autoridades no assunto. A população egípcia era de aproximadamente dois a três milhões de pessoas. Se os israelistas fossem uma nação tão grande assim, eles não precisariam de um Moisés ou de Deus para libertá-los. Eles poderiam sair a hora que bem entendessem! Em lugar de descartar a informação bíblica, seria bom tentar entendê-la melhor. O que significa a palavra “mil” (heb. ‘eleph)? Ela pode significar unidade de mil pessoas, unidade militar ou pelotão, líder de um grupo, clã e tribo. Em algumas passagens do Antigo Testamento em que ela é utilizada, o significado “mil” não parece ser uma boa opção. Por exemplo, 2 Reis 13:7 menciona 50 cavalheiros, 10 carruagens e 100 mil soldados! Esse é um número discrepante, comparado com os dois anteriores. Em 1 Reis 20:29, 30, vinte e sete “mil” soldados foram mortos porque uma parede caiu sobre eles! Essa deveria ser uma parede enorme.
Kitchen, Hoffmeier e outros acadêmicos sugerem que ‘eleph, no contexto das passagens do Êxodo, deve ser entendido como um “pelotão” ou “líder militar”; e de acordo com a correspondência diplomática do faraó Akhenaten e reis de Canaã e Síria, as chamadas cartas de Amarna, um pelotão tinha nove soldados. Seiscentos líderes de pelotões ou unidades militares com nove soldados cada um são 5.400 homens.
Atribuindo uma esposa e alguns filhos para cada um, temos aproximadamente 20 a 22 mil israelitas saindo do Egito. Sendo que a população de Canaã durante a Idade do Ferro (Ca. 1150 a.C.) era de 50 a 70 mil, esse número de israelitas se encaixa muito bem com o que se conhece por meio de estudos arqueológicos em Israel. Apenas a título de ilustração, a maior cidade de Canaã naquela época (13º século a.C.), Hazor, não era maior do que um quilômetro quadrado. As outras cidades que os israelitas conquistaram eram bem menores do que ela. Uma população de dois milhões de israelitas certamente deixaria um rastro muito claro e impossível de não ser notado em escavações feitas em Israel.
Note que não se trata de acreditar ou desacreditar o relato bíblico, mas, sim, de entendê-lo corretamente à luz de sua língua original e do seu contexto histórico.
Origens de Israel: esse é um dos tópicos mais discutidos em simpósios e fóruns bíblicos ao redor do mundo. Não temos espaço para discutir o assunto em um parágrafro, mas basta dizer que existem basicamente três teorias para a origem de Israel em Canaã: (1) o modelo bíblico da “conquista”, como numa leitura equivocada e exagerada do livro de Josué; (2) tribos nômades entrando naquele território pela região da Transjordânia, a região à direita do rio Jordão; e (3) Israel nunca saiu da “Terra Prometida”, eles se originaram e se desenvolveram lá. Uma quarta teoria tem sido defendida por Finkelstein, afirmando que os israelitas eram pastores cananeus que sempre viveram ali na região.
Se Israel se originou em Canaã, como o articulista sugere, e não de uma saída em massa do Antigo Egito, por que diversos elementos da religião israelita tinham um curioso reflexo da religião egípcia? O tabernáculo no deserto (Êx 25–40), por exemplo, segue o mesmo modelo da tenda de Ramsés II em suas campanhas militares, e os utensílios desse tabernáculo portátil, a arca da aliança, o candelabro, o altar de incenso, as cortinas, entre outros, têm uma clara influência egípcia.
Se Israel se originou em Canaã, por que a vemos proibição do porco na dieta israelita (Lev. 11), algo facilmente verificável em restos arqueológicos, enquanto os filisteus tinham carne suína como parte fundamental de sua dieta? Porcos eram considerados impuros no Antigo Egito, e até mesmo chamados de bw, abominar, detestar, ou bwt, abominação. Existem elementos na cultura e na religião israelita que não são explicados pela teoria de Finkelstein apresentada na Super.
Yahweh e as origens do monoteísmo: vemos traços de monoteísmo no Antigo Egito muito antes do polêmico faraó Akhenaten. No chamado “Hino a Atum” (Ca. 1500/1400 a.C.), Amun-Re é exaltado como criador de outros deuses e da humanidade. O conteúdo do hino parece ser mais antigo, tendo sido preservado em uma estátua produzida entre as 13ª e 17ª dinastias (Ca. 1790–1540 a.C.), muito próximo da época dos patriarcas. Por falar neles, Abraão, Isaque e Jacó usam os nomes divinos El e Yahweh de maneira intercambiável. Afirmar que o nome El é reflexo de influências pagãs na religião israelita pode ser uma conclusão apressada, já que nas narrativas patriarcais existe ausência de qualquer adoração a Ba’al, um deus que também fazia parte do mesmo panteão de que El era o líder. Quanto a Yahweh (ou Javé) ser uma divindade vinda de Midiã, realmente existem diversos poemas antigos no Antigo Testamento que parecem sugerir isso (Juízes 5; Habacuque 3, etc.), e o fato de Moisés ter passado boa parte de sua vida adulta ali parece favorecer a ideia de que o libertador israelita tenha aderido ao culto a Yahweh ali. O tópico é controverso, mas por que não considerar esses textos como uma descrição poética da marcha militar de Yahweh e dos israelitas saindo do Egito e passando por Midiã rumo a Canaã? Por que eles precisariam necessariamente ser uma declaração da origem do culto a Yahweh?
“Êxodo” na época da invasão dos “povos do mar”: a sugestão apresentada por Versignassi que o “Êxodo” na verdade foi a fuga de poucos escravos cananeus numa época onde o exército egípcio estava ocupado demais tentando proteger as fronteiras do império é interessante, mas requer uma grande ginástica histórica. Ramsés III lutou contra os “povos do mar”, entre eles os conhecidos filisteus, em 1180 a.C., logo no começo do seu reinado. Alguns anos antes, o faraó Merneptah deixou registrado um documento comemorativo (estela) de suas campanhas em Canaã, no qual ele menciona pela primeira vez um grupo étnico que ele chama de “Israel” e que vivia ali por volta de 1207 a.C. Nesse documento, Israel é descrito como um grupo nômade vivendo em Canaã, e essa é exatamente a informação que temos de Israel no livro de Juízes. Um povo sem rei e sem uma capital; apenas um centro religioso onde o tabernáculo estava localizado, Siló. Mas em vez de de se manter com esse cenário bem fundamentado, o articulista está pressupondo a teoria de Finkelstein de que os israelitas se originaram em Canaã, uma teoria que está longe de ser unanimidade nos círculos arqueólogicos.
Foto 2:Estela do faraó Merneptah
Abertura do “Mar Vermelho”: “Mar Vermelho” é uma tradução baseada na versão grega do Antigo Testamento, a Septuaginta (LXX). O texto hebraico de Êxodo simplesmente traz “mar de juncos” (heb. yam suph), região também conhecida em textos egípcios do Reino Novo como pa tufy, como sugerido pelo arqueólogo austriáco Manfed Bietak. Se reunirmos as coordenadas geográficas e os nomes dos lugares (topografia) mencionados em Êxodo 12:37 e 14:1-9 e compararmos com a documentação egípcia obtida nas inscrições de Seti I, pai de Ramsés II, no Templo de Karnak, em Luxor, podemos localizar com segurança o “mar vermelho”. Tradicionalmente pensa-se que este seria o Golfo de Suez, entre o Egito e a Península do Sinai. Na verdade, trata-se dos lagos el-Ballah, que não existem mais desde que o canal de Suez foi feito no século 19. Estudos naquela região em 1995 revelaram um porto no qual barcos ficavam estacionados. Ele tinha aproximadamente 15 km de extensão e uma profundidade de três metros. Seria perfeitamente possível comparar tamanha quantidade de água com um muro à esquerda e à direita dos israelitas (Êx 14:22).
Foto 3 – A proposta rota do Êxodo está marcada em vermelho. O “Mar Vermelho” são os lagos El-Ballah, no lado direito do mapa
Esse é o principal aspecto sobrenatural da história e é aqui que os céticos se apegam para desmentir todo o relato do Êxodo. Essa é outra discussão. Bastaria dizer por agora que ninguém no Antigo Oriente colocava uma roupagem histórica num mito para lê-lo como uma história real. Se você compartilha de uma visão de mundo onde Deus é real e Ele é o Criador, eventos miraculosos não são um problema, afinal é Ele quem governa toda a Sua criação.
Hoffmeier apresentou recentemente duas palestras sobre a geografia do Êxodo e as diversas teorias que circulam na internet. Uma delas foi com o geólogo Stephen Moshier. Você pode ter acesso a elas aqui e aqui. Vale a pena também ler um artigo publicado há alguns anos neste blog pelo Dr. Rodrigo Silva (confira).
Levitas: a teoria de que os levitas foram o único grupo que esteve no Egito não é nova. Desde muito cedo, acadêmicos reconheceram a presença de nomes egípicios entre alguns membros dessa tribo. Se esse é o argumento, deveríamos incluir a tribo de Naftali, já que um dos seus líderes se chamava Ahira, uma combinação das palavras “amigo” e “Rá”, em hebraico e egípcio, respectivamente (Nm 1:15; 2:29; 7:78; 8:3; 10:27). Também deveríamos incluir a tribo de Judá, já que Hur, que ajudou Moisés a manter seus braços erguidos numa batalha contra os amalequitas, muito provavelmente é o nomedo deus egípcio Hórus (hr). Recentemente, outro acadêmico, Richard Hess, fez um estudo dos nomes daqueles que saíram do Egito e a conclusão dele é a de que são nomes de várias etnias (egípcios, semitas, hititas e hurritas), no mesmo período do Êxodo, fortalecendo o relato bíblico que afirma que um “misto de gente” saiu do Egito com os israelitas. (Êx 12:38).
Leis do Pentateuco: a opinião quase generalizada de biblistas treinados única e exclusivamente em hebraico, e treinamento amador nas línguas do Antigo Oriente, é que o Pentateuco foi escrito na época do rei Josias, rei de Jerusalém, no sétimo século a.C., e não na época de Moisés. Mas os mesmos biblistas parecem se esquecer de que códigos eram comuns no Antigo Oriente, entre eles os textos sumerianos das leis de Ur-Nammu (2100 a.C.), Lipit-Ishtar (1930 a.C.), e o famoso código de Hamurabi (1780 a.C.), escrito em acadiano. A estrutura do livro de Deuteronômio, por exemplo, é idêntica à de tratados entre um suzerano e seus vassalos do século 13 a.C., muito comuns no Antigo Oriente, na época de Moisés e dos israelitas que saíram do Egito, não na época do rei Josias. Colocar a produção do Pentateuco na época desse rei é o mesmo que ignorar a vasta literatura do Antigo Oriente, disponível para ser comparada.
Escravidão: escrevi sobre escravidão no Antigo Testamento em resposta a outra matéria do mesmo autor (confira aqui). Se você assitiu ao recente filme “12 anos de escravidão”, deve se lembrar de uma cena em que o dono de uma fazenda começa o dia de trabalho lendo um trecho de Êxodo 21 para seus escravos negros. É inegável que muitas atrocidades foram cometidas em nome do cristianismo, apesar de seu Fundador jamais sancioná-las. Mas a pergunta é: O texto bíblico estava realmente autorizando essas práticas? No caso da escravidão, aí vão alguns breves comentários à luz de Êxodo 21:1-11: (a) por escravidão, entenda servidão. O trabalho de seis anos era para pagar dívidas; (b) o texto aparentemente sugere que a escravidão separava famílias, já que após o período de trabalho o homem deixaria a esposa e os filhos, caso houvesse começado solteiro seus seis anos de trabalho. Em outra passagem em que a mesma lei é repetida, é-nos dito que mulheres também estavam sujeitas ao mesmo período de trabalho (Dt 15:12). Ou seja, a mudança no status matrimonial não anulava o contrato de trabalho de seis anos. A esposa, que também seria escrava, teria que cumprir o período de servidão.
Essa foi a primeira lei que Deus deu aos israelitas após o pronunciamento dos Dez Mandamentos (Êx 20). Se você ler atentamente esse texto (Êx 21:1-11), vai notar a constante repetição de um verbo: “sair”. Esse é o mesmo verbo utilizado para falar da “saída” (Êxodo) dos israelitas. Em outras palavras, o Legislador de Israel, Yahweh, estava dizendo: vocês tiveram um êxodo como escravos, agora seus servos também devem ter um.
Conclusão
Quando convocado a deixar os israelitas saírem do Egito, faraó respondeu prepotentemente: “Quem é o Senhor para eu Lhe ouça a voz e deixe ir a Israel? Não conheço o Senhor, nem tampouco deixarei ir a Israel” (Êx 5:2). Sendo assim, Yahweh fez questão de se revelar a ele mostrando a impotência da religião egípcia. Diversos textos egípcios falam do “braço forte” de faraó, mas ironicamente o Deus hebreu usa essa expressão para falar do Seu poder. Por meio de um simples cajado de pastor Ele fez Seus grandes atos na terra do Egito, não com os cetros carregados de simbolismo e poderes mágicos usados pelo faraó. Nessa guerra entre Deus e um rei com complexo de divindade, faraó finalmente descobriu quem era Yahweh.
Numa era marcada pela mesma arrogância faraônica diante da existência de Deus, a história da libertação dos israelitas do Egito é um constante lembrete para nossa geração do perigo da exaltação do poder e da capacidade humanos. Ao invés de “Deuses e Reis”, a história bíblica é entre um Deus e um rei arrogante. Verseginassi diz ser grato aos israelitas pelas grandes histórias e pelos filmes. Creio que a história do Êxodo nos oferece algo mais importante para sermos gratos. Ela nos lembra da inutilidade do orgulho humano diante de um Ser mais poderoso.
(Luiz Gustavo Assis é teólogo e doutorando em Bíblia Hebraica, pastor da Igreja Adventista de Anaheim, Califórnia; texto produzido com exclusividade para o blog http://www.criacionismo.com.br)
Um grupo de cientistas australianos descobriu um fóssil de placodermo de 380 milhões de anos [sic] prestes a dar à luz. Os exemplos existentes de fósseis de animais no momento de procriar são extremamente raros, e este novo espécime retrocede em 200 milhões de anos [sic] a data recorde de um nascimento de que se tem conhecimento.
No espécime encontrado, observa-se um embrião ligado ao cordão umbilical de sua mãe, o que parece indicar uma nova espécie em si mesma. A descoberta, publicada em uma edição de 2008 da revista científica Nature, mostra uma biologia reprodutiva avançada, comparável a de alguns tubarões e raias de nossa época.
Os placodermos, extintos há muito tempo, eram um grupo amplo e diverso de peixes, que os cientistas consideravam como os vertebrados mais primitivos dotados de mandíbulas. No entanto, os fósseis encontrados pelo cientista John Long e seus colegas revelam que essas espécies não eram tão primitivas como para não poder gerar crias.
A descoberta pertence à Formação Gogo, na Austrália, e representa uma nova espécie de placodermo preservada no momento do nascimento.
Nota: Duas coisas: (1) as evidências de sepultamento repentino por lama (o que possibilita a fossilização) são cada vez mais abundantes; (2) as pesquisas e descobertas têm demonstrado que já no “início da vida” os seres vivos eram dotados de complexidade espantosa e irredutível. Ou os evolucionistas jogam a idade da Terra mais para trás do que já fizeram, ou terão que admitir a ideia absurda de que a vida já “surgiu” com toda a complexidade necessária. Que sinuca, não? [MB]