Moscas com “neurônios Jedi”

Estudo recentemente publicado na revista Nature aponta que neurônios vizinhos em uma antena de mosca das frutas podem parar (ou “bloquear”) um ao outro mesmo quando não compartilham uma conexão direta. Isso ajuda o inseto a processar cheiros. Esse tipo de comunicação, chamada acoplamento efáptico, acontece quando o campo elétrico produzido por um neurônio silencia o seu vizinho, em vez de enviar um neurotransmissor por uma sinapse. “O acoplamento efáptico já está na literatura científica há um bom tempo, mas existem poucos casos nos quais estas interações afetam o comportamento de um organismo”, aponta John Carlson, biólogo da Universidade de Yale (Connecticut, Estados Unidos), primeiro autor do estudo. A presença dessas interações em órgãos de sentido foi prevista em 2004, mas conseguir demonstrar que elas realmente aconteciam exigia um experimento difícil, engenhoso e completo.

Nas antenas da Drosophila melanogaster, os neurônios olfativos estão agrupados em pelos preenchidos por fluidos, chamados sensilas. Cada um contém dois a quatro neurônios, que estão todos sintonizados em diferentes cheiros e agrupados de formas específicas. “Um neurônio para o morango é sempre pareado com um neurônio para a pera, por exemplo”, explica Carlson. “Todos esses neurônios já foram bem caracterizados, então sabemos como são organizados.”

O estudo focalizou uma sensila chamada ab3, que contém dois neurônios: o ab3A, sensível ao metil-hexanoato das frutas, e o ab3B, que detecta o 2-heptano do cheiro da banana. Quando os pesquisadores expuseram as moscas a um fluxo constante de metil-hexanoato, o neurônio A disparou continuamente. Se as moscas eram expostas a uma breve explosão de 2-heptanona, o neurônio B entrava em ação, e o A de repente desligava. O contrário também aconteceu: uma breve explosão de atividade em A silenciou a atividade constante de B.As mesmas interações foram vistas em quatro outros tipos de sensilas na mosca da fruta, bem como no mosquito da malária Anopheles gambiae. Apesar dessas interações claras, os neurônios em uma sensila não compartilhavam nenhuma sinapse. O comportamento se repetiu mesmo que fosse usado um químico bloqueador de sinapse, mesmo quando os padrões de disparo não se coordenavam, e mesmo se as antenas fossem decepadas, separando-as do contato com qualquer neurônio central.

A conclusão é de que, em vez de sinapses, os neurônios provavelmente se comuniquem através do fluido que os cerca. Quando um deles dispara, cria um campo elétrico que muda o fluxo dos íons até o outro e desliga a sua atividade elétrica.

O experimento ainda mostrou que essa atividade é forte o suficiente para alterar o comportamento da mosca. Para tanto, os cientistas usaram uma sensila com dois neurônios: um que leva à atração de uma mosca por vinagre de maçã, e outro que a faz evitar dióxido de carbono. Em seguida, a equipe bloqueou o neurônio da atração por vinagre, mantendo o da repulsão por dióxido de carbono. As moscas foram colocadas em um labirinto com duas vias que cheiravam a dióxido de carbono, mas somente uma que também cheirava a vinagre. As moscas escolheram o lado aromatizado com vinagre. Porém, não escolheram o cheiro de vinagre na ausência do cheiro de dióxido de carbono.

Isso sugere que o neurônio da atração ao vinagre, mesmo bloqueado no cérebro, podia ainda inibir o neurônio de dióxido de carbono vizinho. Quando ambos os produtos químicos estavam no ar, as moscas não se sentiam mais repelidas pelo dióxido de carbono.

Segundo os cientistas, esse tipo de interação neuronal é importante para a mosca, que pode estar com o olfato inundado com um cheiro forte, mas ainda assim precisar perceber um odor de comida, por mais fraco que seja.

Outra coisa que o experimento mostrou é que o cérebro não é o único responsável pelo sentido do olfato: os neurônios que fazem sua detecção também têm papel importante. Isso, possivelmente, também acontece com os seres humanos – mas tal implicação ainda não foi investigada.

(Hypescience)

Nota: Um mecanismo com tamanha complexidade e tão necessário seria fruto de mutações casuais filtradas pela seleção natural? [MB]

Katherine Johnson: a matemática da Nasa que levou a humanidade à Lua

Em 2020, morreu Katherine Johnson, a matemática da agência espacial norte-americana que calculou a rota da Apollo que levou a humanidade até a Lua. Tinha 101 anos. A história de Katherine Johnson e das outras mulheres negras nos bastidores da missão lunar foi contada pela primeira vez no filme “Hidden Figures”, que chegou a ser indicado para o Oscar em 2017. Corria o ano de 1966 quando Katherine Johnson desenhou milimetricamente o percurso da missão Apollo até a Lua com o poder da mente e a ajuda de uma régua, um lápis, folhas de papel e calculadoras rudimentares. “Naquela época, os computadores vestiam saias”, chegou a dizer entre risos. Depois de ter construído os pilares matemáticos da missão Mercury de 1961, que fez de Alan B. Shepard Jr. o primeiro norte-americano a passear no espaço, Katherine Johnson foi uma das responsáveis pelo primeiro passo (talvez o mais popular de todos) que colocou os Estados Unidos na linha da frente da Guerra Fria pela primeira vez – a alunissagem.

Além dela, outras 29 mulheres afroamericanas compunham parte da equipe de matemática da Nasa na Divisão para Investigação de Voo – uma equipa que, em tempos de segregação racial nos Estados Unidos, era colocada à parte dos outros trabalhadores. A história desse grupo de mulheres e o contexto social em que viviam estão na base no filme de Theodore Melfi, em que Katherine Johnson é interpretada por Taraji P. Henson e tem um papel central no enredo.

Quando “Hidden Figures” foi indicado ao Oscar, Katherine Johnson era a única funcionária daquela equipe da Nasa que estava viva. Tinha 98 anos. A matemática foi convidada a assistir à cerimônia da Academia ao lado dos atores do filme e foi recebida no palco com a plateia a aplaudir em pé.

Pouco depois, a Nasa abriu um centro de investigação computacional batizado com o nome de Katherine Johnson. Dois anos antes, ela já tinha recebido a Medalha da Liberdade pelas mãos de Barack Obama. A Nasa lamentou a morte de Katherine Johnson. Num comunicado publicado na página da Agência, o administrador Jim Bridenstine considerou que a cientista “ajudou a nação a abrir as fronteiras do espaço”. E acrescentou: “Ela atingiu grandes feitos que abriram portas às mulheres e aos negros na aventura humana universal para explorar o espaço.”

Mas Katherine Johnson nunca quis colocar-se em cima desse pedestal. Nas entrevistas que se seguiram à publicação do filme que inspirou, a matemática norte-americana, natural de West Virginia, disse que era “tão boa quanto outra pessoa qualquer, mas não melhor”, embora ressalve que nunca teve qualquer “complexo de inferioridade”. Sobre todos os feitos que foram alcançados pela agência espacial norte-americana graças aos cálculos que fez, Katherine Johnson simplificava: “Estava só fazendo o meu trabalho.”

Um trabalho que exigiu muito da família da cientista. Filha de uma professora e de um agricultor, Katherine Johnson estudou no centro de um sistema educacional de segregação racial. Aos 10 anos ingressou na escola secundária e aos 14 anos estava graduada, após ter assistido a todas as disciplinas de matemática que a instituição tinha, desde álgebra, geometria, trigonometria, entre outras áreas. Katherine Johnson absorvia de tal modo essas matérias que William Claytor, o terceiro homem negro a obter um doutoramento nos Estados Unidos, criou aulas só para ela.

Cena do filme “Hidden Figures”

Impossibilitada de entrar no ramo da investigação, tornou-se professora e casou com um químico. Quando as ofertas acadêmicas universitárias começaram a ser abertas a negros, graças aos movimentos de defesa dos direitos civis que tinham despertado no país, Katherine Johnson entrou na Universidade de West Virginia para estudar matemática avançada. Desistiu no final do ano letivo ao descobrir que estava grávida. E passou a dedicar-se à família até a filha completar 12 anos.

Em 1952, no entanto, uma notícia despertou nela uma vontade de regressar aos livros: o Centro de Investigação Langley da Nasa – à época era chamada Naca – tinha aberto vagas para mulheres negras. Depois de ter feito isso para mulheres caucasianas com o objetivo de poupar os homens das tarefas mais repetitivas, começou a recrutar também mulheres negras por precisar de mais mão-de-obra.

Quando conseguiu o emprego, Katherine Johnson chamou atenção por ter quebrado as regras de segregação, segundo as quais mulheres negras só podiam utilizar os “computadores de cor”. Os banheiros para negras estavam identificadas como tal, mas muitos dos banheiros reservados para caucasianas não tinham qualquer sinalização que o indicasse. Por isso, Katherine Johnson usou um deles. E nunca deixou de fazer isso.

Ao fim de dois anos, Katherine Johnson foi então transferida para a Divisão de Investigação de Voos porque os engenheiros daquele escritório – todos homens brancos – já não se lembravam das regras de geometria. Foi nessa altura que a matemática começou a desenvolver os voos aeronáuticos, uma tarefa que a ajudou a superar a morte do primeiro marido, pai dos três filhos dela, vítima de câncer no cérebro. A matemática viria a casar novamente e a publicar dezenas de relatórios científicos relacionados com os cálculos secretos feitos naquela divisão. O segundo marido de Katherine Johnson morreu no ano passado.

Com a chegada da Guerra Fria e a impressionante capacidade da União Soviética em conquistar o espaço, Katherine Johnson participou no esforço norte-americano para fazer frente aos russos. Trabalhava 16 horas por dia, fazia comunicação de ciência para ensinar a importância da exploração espacial às crianças e participava em conferências de imprensa que ajudavam o governo a conquistar o apoio dos cidadãos no investimento na área aeroespacial.

Todas essas funções tinham ficado na sombra até serem contadas no filme “Hidden Figures”, mas esse é o legado de Katherine Johnson que fica agora na memória como uma das maiores contribuições para uma das épicas aventuras da humanidade. A morte da matemática norte-americana foi anunciada pela família.

(Observador)

Katherine Johnson trabalhando em 1962 na Nasa

Neste dia, há 170 anos, morria Carl Friedrich Gauss (1777-1855)

Quando criança, resolveu em minutos a tarefa de calcular a soma de todos os números inteiros de 1 a 100, usando raciocínio matemático, surpreendendo seu professor. Acho que você já deve ter escutado essa história. Ao longo da vida, alcançou grandes feitos: descobriu o método dos mínimos quadrados e o aplicou para calcular com precisão a órbita de corpos celestes, realizou estudos sobre o campo magnético da Terra, geometria não euclidiana, física teórica, álgebra e estatística (a curva de distribuição normal recebe o nome de “Gaussiana” em homenagem a ele). Mas e Deus? Como o “príncipe da Matemática” encarava o sobrenatural?

G. Dunnington, biógrafo de Gauss, escreve que “não é possível dizer com certeza quais eram as crenças de Gauss em relação à maior parte das doutrinas e questões confessionais. Oficialmente ele era um membro da Igreja de St. Albans (Luterana Evangélica) em Göttingen. Todos os batismos, funerais e casamentos de sua família ocorreram lá. Também não se sabe se ele frequentava a igreja regularmente ou se contribuía financeiramente. Um colega da universidade [de Göttingen] chamou Gauss de deísta, mas existem boas razões para crer que esse rótulo não se encaixa nele muito bem.”[1]

Muito comum entre intelectuais, cientistas e filósofos que buscavam conciliar crenças religiosas com os avanços da ciência e a visão racionalista do mundo nos períodos posteriores ao Iluminismo, o deísmo pode ser descrito como a crença em um Deus ou Criador que criou o Universo e suas leis naturais, mas que não intervém diretamente no mundo ou na vida das pessoas após a criação. De acordo com o biógrafo, o Deus de Gauss não era o “deus” dos deístas.

“O Deus de Gauss não era um fragmento frio e distante da Metafísica, nem uma caricatura distorcida de uma teologia amargurada. Ao homem não é concedida a plenitude do conhecimento que justificaria sua arrogância em acreditar que sua visão embaçada é a luz completa e que não pode haver outra luz que apresente a verdade como a sua. Para Gauss, não é aquele que balbucia sua crença, mas aquele que a vive, que é aceito. Ele acreditava que uma vida dignamente vivida aqui na Terra é a melhor, e única preparação para o Céu. Religião não é uma questão de literatura, mas de vida. A revelação de Deus é contínua, não limitada a tábuas de pedra ou pergaminhos sagrados. Um livro é inspirado quando ele inspira. A inabalável ideia de continuidade pessoal após a morte, a firme crença em um Regular Supremo das coisas, em um Deus eterno, justo, onisciente e onipotente, formou a base de sua vida religiosa, que se harmonizou completamente com sua pesquisa científica.”[2]

A presença de uma crença na “continuidade pessoal após a morte” é um atestado forte contra um possível deísmo de Gauss. Felizmente, um dos últimos episódios da vida do matemático lança luz sobre a compreensão dele sobre esse tópico. Dunnington registra uma série de visitas feitas a ele por Rudolf Wagner, um de seus amigos mais íntimos, durante seus últimos meses de vida.

“Quando Wagner foi embora, Gauss lhe deu o livro de Whewell para ler [William Whewell, Of the plurality of worlds, 1853]. Enquanto Wagner atravessava o pátio do observatório, notou na capa de papel branco do livro várias referências bíblicas, na caligrafia cuidadosa de Gauss. Ele percebeu imediatamente a que se referiam e decidiu perguntar a Gauss sobre elas na próxima vez. ‘Permita-me uma pergunta: na capa, você anotou várias trechos da Bíblia. Gostaria de saber de qual fonte vieram e com que propósito?’ Gauss respondeu: ‘Ah, você quer dizer estes?’ Ele apontou para eles. ‘São trechos que se referem à imortalidade. No momento, não consigo dizer de onde veio essa coleção de textos. Mas acho que esses trechos não são tão marcantes e coerentes. Em geral, caro colega, acredito que você acredita mais na Bíblia do que eu. Eu não acredito, e’, ele acrescentou, com expressão de grande emoção interior, ‘você é muito mais feliz do que eu. Devo dizer que, muitas vezes, em tempos passados, quando via pessoas das classes mais baixas, simples trabalhadores manuais que podiam acreditar tão verdadeiramente com seus corações, eu sempre os invejei, e agora’, ele continuou, com voz suave e aquele jeito ingênuo e infantil peculiar a ele, enquanto uma lágrima surgia em seu olho, ‘diga-me, como se começa isso?’

“Wagner foi tomado por uma grande emoção e sentiu-se um tanto constrangido quanto à forma de responder. Ele relata que percebeu toda a seriedade e grandeza do momento. A maneira como Gauss fez a pergunta o lembrou da antiga e frequentemente mencionada questão: ‘O que devo fazer para herdar a vida eterna?'”[3]

Dunnington registra as tais referências bíblicas nas notas de rodapé, oferecendo-nos um vislumbre do teor do possível estudo bíblico que Gauss tinha realizado sobre o assunto:

Daniel 12:1-3 – “Nesse tempo, Se levantará Miguel, o Grande Príncipe, o defensor dos filhos do povo de Deus, e haverá tempo de angústia, como nunca houve, desde que existem nações até aquele tempo. Mas, naquele tempo, o povo de Deus será salvo, todo aquele que for achado inscrito no livro. Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, outros para vergonha e horror eterno. Os que forem sábios resplandecerão como o fulgor do firmamento, e os que conduzirem muitos à justiça brilharão como as estrelas, sempre e eternamente.”

Jó 19:25 – “Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim Se levantará sobre a terra.”

Salmo 17:15 – “Eu, porém, na justiça contemplarei a Tua face; quando acordar, me satisfarei com a Tua semelhança.”

Salmo 49:15 – “Mas Deus remirá a minha alma do poder da morte, pois Ele me tomará para Si.”

Salmo 16:9-11: “Por isso o meu coração se alegra e o meu espírito exulta; até o meu corpo repousará seguro. Pois não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção. Tu me farás ver os caminhos da vida; na Tua presença há plenitude de alegria, à Tua direita, há delícias perpetuamente.”

Eclesiastes 12:6, 7 – “Lembre-se do seu Criador, antes que se rompa o fio de prata, e se despedace o copo de ouro, e se quebre o cântaro junto à fonte, e se desfaça a roda junto ao poço, e o pó volte à terra, de onde veio, e o espírito volte a Deus, que o deu.”

Isaías 26:19 – “Os teus mortos e também o meu cadáver viverão e ressuscitarão. Despertem e cantem de alegria, vocês que habitam no pó, porque o teu orvalho, ó Deus, será como o orvalho de vida, e a terra dará à luz os seus mortos.”

Todos os textos coincidem em tratar, de certa forma, da doutrina bíblica da ressurreição dos salvos, por ocasião da segunda vinda de Cristo. Será que, em seus últimos momentos de vida, Gauss foi tocado pelas palavras das Escrituras e confortado pela esperança do breve retorno de Jesus?

Numa carta a outro amigo, Gauss, aos 69 anos, declarou: “É o triste destino da velhice ver gradualmente se afastar de nós tanto do que nos era próximo e querido, e nos vermos cada vez mais isolados, e não há consolo nisso, exceto a perspectiva de uma ordem mundial superior que um dia equilibrará tudo.”[4]

O apóstolo Paulo expressou a mesma verdade quando disse, em sua primeira carta aos Coríntios: “Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos as pessoas mais infelizes deste mundo.”[5]

Paulo continua: “Nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.”[6] Gosto de crer que Gauss compartilhava firmemente dessa esperança.

Carl Friedrich Gauss descansou há 170 anos, no dia 23 de fevereiro de 1855. Está sepultado em Göttingen, na Alemanha. É reconhecido como um dos maiores gênios da Humanidade, o “príncipe da Matemática”. Cerca de 20 anos depois, a Alemanha de Gauss receberia John N. Andrews e Jakob Erzberger, pregadores das três mensagens angélicas para o tempo do fim.

Estamos no fim desse tempo do fim. Logo veremos Cristo nas nuvens, trazendo consigo a consumação da promessa tão aguardada por milhares. Nesse dia, almejo estar, junto com Gauss, cantando a plenos pulmões: “Tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu aguilhão? Graças a Deus, que nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”.[7]

“A consciência religiosa de Gauss baseava-se em uma sede insaciável pela verdade.”[8] A Eternidade ao lado Daquele que declarou: “Se alguém tem sede, venha a Mim e beba” será um presente incalculável para ele…

(Thiago Somolinos Soldani é esposo da Rebeca, geólogo e adventista do sétimo dia)

Referências:

1. Dunnington, G. Waldo. 2004. “Carl Friedrich Gauss, titan of science”, The Mathematical Association of America, p. 300. Acesso via: https://archive.org/details/carlfriedrichgau0000dunn
2. Idem, p. 301
3. Idem, p. 304, 305
4. Idem, p. 313
5. 1 Coríntios 15:17
6. 1 Coríntios 15:51, 52
7. 1 Coríntios 15:54-57
8. Dunnington, 2004. p. 300

Nas pegadas de Moisés

O americano William Albright, uns dos maiores arqueólogos bíblicos de todos os tempos, costumava dizer: “A arqueologia não pode, e não pretende, provar milagres. Nosso objetivo é, por meio de novas descobertas, reconstruir a realidade histórica de tempos remotos.” A ideia se aplica perfeitamente à história de Moisés, o personagem mais notável e enigmático do Antigo Testamento. A epopeia que, segundo as Escrituras, o líder dos hebreus comandou para tirar seu povo do cativeiro egípcio e levá-lo à terra prometida inclui passagens fenomenais, como a travessia do Mar Vermelho, as dez pragas que assolaram o Egito e as tábuas da lei, com os dez mandamentos, que Moisés recebeu das mãos do próprio Criador. Como disse Albright, os milagres jamais serão provados – aceitá-los ou contestá-los será sempre uma questão de fé. Mas as controvérsias não são poucas. Até hoje, não se sabe ao certo se o Êxodo teria acontecido por volta de 1250 a.C. ou 200 anos mais tarde. Também não há nada que comprove se o Monte Sinai, no Egito, teria sido o local onde Moisés teria recebido as Tábuas da lei. Mas achados arqueológicos lançam um foco de luz sobre a vida desse obscuro personagem [sic].

Narrada no livro de Êxodo, a história mostra os hebreus escravizados no Egito e sua peregrinação para Canaã. Os críticos da Bíblia dizem não haver nenhum vestígio do cativeiro egípcio. Não é verdade. Uma ilustração gravada nas rochas de uma caverna no sul do Egito, por volta de 1450 a.C., mostra soldados de pele escura supervisionando o trabalho de homens de pele mais clara, vestidos de tangas de linho. A obra foi feita por ordem de um vizir – espécie de ministro – do faraó Thutmoses, que, acreditam alguns estudiosos, teria sido o soberano do Egito à época de Moisés. “É evidente a relação que a figura faz dos egípcios, de pele mais escura, com os hebreus, mais claros”, observa Oséias Moura, doutor em Antigo Testamento pela PUC do Rio de janeiro.

Outra descoberta que remete ao suposto cativeiro egípcio é o túmulo de Amose, comandante do exército de faraó. Nas paredes da tumba, numa vila nos arredores de luxor, os arqueólogos encontraram inscrições que falam da família e das conquistas do general egípcio. Depois de relatar suas vitórias sobre exércitos inimigos, Amose inseriu uma lista de alguns dos seus escravos. A maior parte deles tinha nomes tipicamente hebreus, como Mara, Miriam e Putiel.

Até algumas das pragas que Deus teria derramado sobre o Egito, para forçar faraó a libertar os hebreus, já foram trazidas à luz pela arqueologia. O papiro de Ipuwer, sacerdote egípcio, é um registro pessoal de suas preces ao deus Hórus. No texto escrito em demótico – o egípcio cursivo – e datado de cerca 1350 a.C., Ipuwer reclama: “O rio transformou-se em sangue, nossos animais estão morrendo. As plantações não produzem. A escuridão cobriu a terra.” Essas pragas são umas das dez que, segundo o livro do Êxodo, Deus lançou sobre o Egito. O achado mudou o posicionamento de muitos estudiosos que se referiam às pragas como pura ficção. “Eles passaram a acreditar que as pragas fizeram parte de uma grande catástrofe ambiental, que teria devastado a região do Rio Nilo naquela época”, diz Rodrigo Silva.

Deixando o campo minado dos milagres, um achado especial marcou a história da arqueologia bíblica e pode até posicionar Moisés e Êxodo na linha do tempo. Em 1896, nas proximidades de Tebas, no Egito, foi encontrada a Estela (uma placa de pedra) do faraó Merneptah, datada ano 1220 a.C. A peça traz uma lista das vitórias de Merneptah sobre povos inimigos. Israel é um desses povos. É a mais antiga referência não bíblica a Israel já encontrada. Entre outras citações, o texto diz: “A Líbia está devastada, Israel está aniquilado e suas sementes não mais germinarão.” Os sinais utilizados na inscrição sugerem Israel como pessoa ou povo, e não como lugar, como defendem alguns estudiosos.

(Revista Terra, maio de 2003, ano 12, n° 133)

Peixe vive sem sexo há [supostos] 70 mil anos

Cientistas da Universidade de Edimburgo, na Escócia, estão tentando descobrir como uma espécie de peixe conseguiu sobreviver sem reprodução sexuada há pelo menos 70 mil anos. A população da Molinésia-Amazona, ou Poecilia formosa na nomenclatura científica, é formada apenas por fêmeas e pode ser encontrada na região do Texas, nos Estados Unidos, e no México. A espécie se reproduz por um processo conhecido como ginogênese, que consiste em um tipo de “acasalamento” com machos de outras espécies. O espermatozoide, no entanto, serve apenas para estimular os óvulos da fêmea, não para fecundá-los. Por isso, os filhotes são sempre clones das mães e não herdam traços genéticos do macho. Segundo os cientistas, criaturas que se reproduzem de forma assexuada apresentam problemas genéticos e frequentemente são vítimas de extinção pela fraqueza da espécie, o que não teria acontecido com a Molinésia-Amazona.

Para entender o complexo sistema de sobrevivência desse tipo de peixe, os cientistas calcularam há quanto tempo a Molinésia-amazona deveria ter sido extinta, com base em cálculos das modificações genéticas pelas quais passaram várias gerações. Os resultados mostram que a espécie deveria ter sido extinta há 70 mil anos [sic]. No entanto, ela ainda pode ser encontrada atualmente.

De acordo com os cientistas, a espécie deve estar usando alguns “truques” genéticos para sobreviver e o próximo passo da pesquisa será entender quais são eles. “O que nosso estudo demonstra é que este peixe realmente tem alguma coisa especial e que existem alguns truques que ajudam a espécie a sobreviver”, disse Laurence Loewe, que liderou o estudo.

Uma hipótese levantada pela pesquisa é a de que, em alguns casos, o peixe pode estar pegando traços do DNA dos machos para estimular a reprodução e renovar sua combinação genética.

Segundo Loewe, as descobertas podem ajudar a compreender melhor os mecanismos de outras espécies. “O interessante é que podemos aprender mais sobre outras espécies que utilizam esses mesmos truques”, afirmou.

O estudo foi publicado na revista científica BMC Evolutionary Biology.

(UAI)

Nota: Quando se pergunta a um darwinista como teria surgido o sexo na história evolutiva, aí é que vêm os truques (verbais). Afinal, como explicar a origem de mecanismos, órgãos e sistemas distintos e independentes (no macho e na fêmea), mas perfeitamente interrelacionados? Que “truque” é esse? [MB]

Descoberta arqueológica confirma história da Bíblia

Quem já leu a Bíblia provavelmente conhece a narrativa do rei Ezequias. Segundo conta a história do Livro Sagrado, ele reinou em uma cidade histórica e baniu dela todas as referências pagãs que ela possuía. Por muito tempo, especulou-se sobre a veracidade da cidade, que ficaria onde hoje é Israel. E um grupo de arqueólogos conseguiu provar que, sim, a história do rei Ezequias é realmente verdadeira. Em explorações na região, os arqueólogos fizeram a descoberta que especialistas da área e religiosos esperavam havia séculos. Lá encontraram um santuário e seu portal extremamente antigo. O portal, que foi desenterrado por inteiro pelo grupo de arqueólogos, está localizado no que hoje é a cidade israelense de Tel Lachish. Parte do portal já havia sido encontrada, mas só sua descoberta por inteiro confirmou a história.

“O que temos hoje é algo realmente muito especial, desenterramos o portal por inteiro. E podemos afirmar que o tamanho do portal coincide bastante com os conhecimentos históricos e arqueológicos que temos sobre essa história bíblica”, afirma Sa’ar Ganor, diretor da Autoridade de Antiguidades de Israel.

A porta encontrada é a entrada para uma área de 24,5 metros quadrados onde foram encontradas outras seis câmaras orientadas para a rua principal da antiga cidade. A descoberta foi muito comemorada tanto pela comunidade de arqueólogos como entre religiosos.

(Yahoo notícias)

Nota: Essa é mais uma das muitas descobertas arqueológicas que tornam a Bíblia o documento antigo mais confirmado e, surpreendentemente, mais questionado de todos os tempos. O pano de fundo histórico da Palavra de Deus é incontestável, o que faz de sua teologia um conteúdo que, no mínimo, deveria ser levado mais a sério. [MB]

O “pesadelo” do mapa metabólico

Sou estudante de medicina e também criacionista e adventista do sétimo dia [hoje os autores já estão formados]. Quanto mais avanço nos estudos, mais certeza tenho de que tudo foi planejado. A gigantesca complexidade, a total funcionalidade e harmonia de todos os componentes e processos da vida, acrescidos da falta de capacidade humana em simplesmente identificar esses processos e componentes, dão certeza absoluta de que Deus está no comando. Aliás, se a ciência é o estudo das coisas criadas por Deus, com certeza a ciência sempre revelará o Criador.

Um dos “pesadelos” dos acadêmicos das áreas biológicas é o estudo do mapa metabólico, justamente por causa de sua complexidade. Mas acabei vendo ali mais uma grande evidência criacionista (se quiser ver o mapa em detalhes, clique na figura acima).

Quem cursa alguma graduação na área da saúde certamente compreenderá o que eu vou falar agora. Esse é um mapa esquematizado do metabolismo humano, deveras resumido e apresentando apenas os produtos das reações; não chega nem aos pés do metabolismo humano completo. Existem mapas metabólicos muito, mas muito maiores do que esse. Para falar a verdade, grande parte dos processos metabólicos permanecem incógnitos.

Olhando pra esse mapa é possível entender o que tantos cientistas querem dizer com complexidade. É realmente muito complexo, com muitas substâncias que ninguém ainda sabe extrair do corpo ou sintetizar. Quando e SE um dia souberem, será um grande passo para a indústria farmacêutica.

As setas simbolizam o caminho das substâncias, e omitindo apenas uma, distúrbios graves serão desencadeados.

Fico pensando como pode algo tão gigantesco e complexo simplesmente “surgir”, já que a evolução ocorreu* por uma série de “acidentes” genéticos provocados pelo acaso e por fatores ambientais randômicos. O que me deixa perplexo também é o fato de todo esse mecanismo estar constantemente acontecendo em perfeita harmonia e estarmos vivos pela sua completa funcionalidade. O incrível é que esses acidentes isolados pelo mundo produziram um sistema idêntico em todo o globo.

Se, com inteligência, estamos sofrendo para compreender isso, imagine a dificuldade que o “acaso” teve em fabricá-lo! O acaso, que eu saiba, deveria ser “burro”, caso contrário seria uma entidade inteligente.

O “burro do acaso” construiu processos tão complexos que nós, igualmente frutos do “burro do acaso”, apesar de miraculosamente dotados com inteligência superior à “dele”, não conseguimos compreender suas obras.

(Roberto Lenz Betz e Jean Rafael Soares e Silva)

* Partindo do pressuposto acientífico que diz: não importa o quanto pareça ao contrário, a vida evoluiu, sim.

Quando Época entrevistou Alister McGrath

Em maio de 2008, a revista Época (semanal da editora Globo) publicou uma entrevista com o autor do livro O Delírio de Dawkins, ALister McGrath. Segundo a revista, “Alister McGrath e Richard Dawkins, autor do livro Deus, um Delírio, têm trajetórias bastante parecidas. Ambos são cientistas de Oxford, estudiosos das ciências naturais e mostram-se abertos a novas formas de pensar, desde que as evidências os levem a isso. A diferença é que o raciocínio lógico levou Dawkins a pregar o ateísmo e McGrath a acolher a fé. Leia, nesta entrevista, como ele considera que a existência de Deus pode ajudar o conhecimento científico”.

Época – Quando você passou a acreditar em Deus?

McGrath – Na juventude estive apaixonadamente persuadido pela veracidade e relevância do ateísmo. Quando fui para Oxford estudar química, comecei a refletir sobre se aquilo faria sentido. Mais tarde conheci Joanna (sua esposa) e percebi que a força dos argumentos que levam a Deus é mais satisfatória do que a que leva ao ateísmo.

Vocês e Richard Dawkins são amigos?

Não, somos apenas professores da mesma universidade. Nós estamos presentes em alguns congressos e nos encontramos. Somos cordiais. Mas não posso dizer que somos amigos. Nós nos conhecemos mais pelas publicações que um e outro produziu. E nossas divergências também aparecem no que escrevemos.

Você diz que Dawkins se tornou um fanático. Qual a sua suspeita?

A agressividade de Dawkins é reflexo de sua frustração. Ele passou a ser mais agressivo porque sabe que a religião está cada vez mais presente na vida das pessoas. Ele convoca seus leitores para militar contra a religião e rompe com sua própria argumentação. Seu único argumento é de que a religião não descobriu nenhum indício sobre a existência de qualquer realidade que não seja a natural. É por frustração que ele afirma que toda a religião é perniciosa e deve ser banida da sociedade.

Quais seus argumentos para acreditar que Deus existe?

Neste meu livro, eu realmente não dou argumentos para acreditar em Deus, mas rebato os de Dawkins. A forma como você acredita em Deus dá sentido ao mundo. Acreditar em Deus traz esperança e motivação para se manter vivo e se relacionar com as pessoas.

Você acredita na evolução?

Eu discordo de Dawkins em sua insistência de que a evolução biológica exclui Deus do processo. Não entendo como ele chegou a essa conclusão. Na minha opinião, as duas coisas são compatíveis.

As pessoas religiosas têm a moral mais desenvolvida que os ateus?

Não quero dizer que ateus são pessoas ruins. O que quero dizer é que acreditar em Deus dá habilidade e ferramentas para tratar melhor deste assunto.

Dawkins diz que é importante submeter a fé a um exame crítico. Você acredita nisso?

Sim, acho que isso é uma importante coisa a se fazer. Acredito que todo mundo deveria submeter suas crenças a um exame crítico. Sempre. A razão pela qual sou cristão é porque submeti minhas crenças e descobri que elas não ficavam em pé. Para mim, acreditar em Deus tem razões muito mais robustas.

Quando a ciência não pode explicar Deus?

Penso que a ciência é extremamente efetiva para explicar o mundo natural. Mas quando tenta explicar questões como valores ou significados, não acredito que ela consiga com êxito. Dawkins diz que a ciência pode explicar todas as coisas. Eu digo que acreditar em Deus ilumina partes da vida que a ciência não pode explicar. As duas podem trabalhar muito bem juntas.

Você votaria em um candidato ateu?

Eu não escolheria meu candidato considerando a religiosidade dele. Dawkins exagerou no preconceito. Eu não cultivo o preconceito que ele próprio tem. Há um grande preconceito dentro da universidade, especialmente contra cristãos.

Nota: Em seu livro O Delírio de Dawkins, McGrath não entra no mérito (ou a falta dele) do darwinismo. Ele se limita a criticar o ateísmo estridente e preconceituoso de Dawkins. Assim como Francis Collins (autor de A Linguagem de Deus), McGrath pode ser classificado como evolucionista teísta, uma vez que crê ser possível conciliar o darwinismo com o teísmo. Se ele não fosse cristão, isso até que não seria incoerente. Mas se tratando de um cristão que provavelmente se pauta pela Bíblia Sagrada, essa posição é, no mínimo, contraditória. Leia a matéria “Mistura impossível” e saiba por quê.[MB]