O núcleo da Terra está girando ao contrário? É o fim do mundo?

Nos últimos tempos, manchetes alarmistas sugeriram que o núcleo interno da Terra teria “parado” e passado a girar no sentido oposto – o suficiente para alimentar temores apocalípticos. Mas o que as pesquisas realmente dizem? A resposta curta é: não é o fim do mundo (pelo menos não por causa disso). Trata-se de um fenômeno natural, cíclico e já esperado pelos geofísicos.

O estudo sobre a multidecadal variation of the Earth’s inner-core rotation, publicado na revista Nature Geoscience, analisou dados sísmicos acumulados ao longo de décadas. Terremotos fortes produzem ondas sísmicas que atravessam o planeta inteiro. Ao comparar o tempo de chegada e a forma dessas ondas em estações sismográficas ao redor do mundo, os cientistas conseguem “ver” o que acontece no interior da Terra – inclusive no núcleo interno, uma esfera sólida de ferro e níquel do tamanho aproximado da Lua.

Quando ondas sísmicas percorrem o mesmo trajeto em anos diferentes e chegam com diferenças mínimas de tempo, isso indica mudanças na posição e rotação do núcleo interno em relação ao manto e à crosta.

Ele parou mesmo?

Não exatamente. O que os pesquisadores observaram foi que o núcleo interno reduziu sua rotação relativa, atingindo um ponto de quase sincronia com o manto, e depois passou a girar levemente no sentido oposto. Isso não significa uma inversão brusca ou caótica, mas uma oscilação suave, como um pêndulo que desacelera, para, e muda de direção.

Por que isso acontece?

O núcleo interno não está isolado. Ele sofre a influência de forças gravitacionais do manto, interações eletromagnéticas com o núcleo externo líquido, e da própria dinâmica térmica do planeta. Essas forças geram ciclos naturais de aceleração e desaceleração da rotação, com períodos estimados em décadas (aproximadamente 60–70 anos). Ou seja, isso já aconteceu antes – e voltará a acontecer.

Há riscos para a vida na Terra?

Não. Nenhum risco conhecido. Essas variações não causam terremotos, não afetam o campo magnético de forma perigosa, não alteram o clima, não representam ameaça à vida.

O campo magnético da Terra, que nos protege da radiação solar, é gerado principalmente pelo núcleo externo líquido, não pelo núcleo interno sólido. As mudanças observadas são sutis demais para provocar qualquer colapso magnético ou ambiental.

Há implicações práticas?

Sim, mas todas científicas, não catastróficas. Esses estudos ajudam a refinar modelos do interior da Terra, compreender melhor o comportamento do campo magnético, melhorar a interpretação de dados sísmicos, avançar no conhecimento sobre a história térmica do planeta. Em outras palavras, é ciência de ponta – não sinal de desastre iminente.

Então, por que tanto alarde?

Porque fenômenos complexos costumam ser simplificados (ou distorcidos) quando chegam ao público. “O núcleo da Terra mudou de direção” soa muito mais dramático do que “detectamos uma oscilação cíclica na rotação relativa do núcleo interno”.

O núcleo interno da Terra não entrou em colapso, não parou de funcionar e não ameaça o planeta. O que a ciência identificou foi mais uma peça no quebra-cabeça fascinante da dinâmica terrestre: mudanças lentas, previsíveis e cíclicas, que ocorrem muito abaixo de nossos pés.

O “segundo zero” da vida: quando a ciência observa a ordem no início da existência

Pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) conseguiram algo notável: observar com altíssima precisão o que acontece nos instantes iniciais após a fecundação. Não minutos depois, nem horas depois, mas logo no início, quando o óvulo fertilizado é ativado e o processo da vida começa. O que eles viram foi tudo, menos simples. Pouco após a fecundação, ondas bioquímicas percorrem o óvulo, como se um interruptor invisível tivesse sido acionado. Longe de qualquer reação aleatória ou caótica, os cientistas descrevem esse momento como um verdadeiro “segundo zero”: o instante em que os mecanismos fundamentais do desenvolvimento embrionário entram em funcionamento.

O aspecto mais impressionante da descoberta está no padrão dessas ondas. Elas não se espalham de maneira desordenada. Pelo contrário: seguem ritmos definidos, sequências estruturadas e até padrões em espiral, semelhantes àqueles observados em fenômenos naturais altamente organizados, como redemoinhos, galáxias ou sistemas químicos auto-organizados.

Isso revela que, desde o primeiro instante, o desenvolvimento embrionário obedece a regras precisas, cuidadosamente coordenadas. Já no estágio de uma única célula, o que se vê não é improviso, mas informação em ação. A observação direta desses processos reforça algo que a biologia moderna vem constatando há décadas: a complexidade da vida não surge gradualmente a partir do caos, mas se manifesta desde o início, de forma integrada e funcional. Uma única célula já contém sistemas de sinalização altamente sofisticados; coordenação espacial e temporal. Isso levanta uma questão inevitável: Como tamanha organização pode emergir sem direção, sem informação prévia, sem um princípio ordenador?

Os próprios pesquisadores descrevem o fenômeno com admiração científica. Ainda que não avancem para conclusões filosóficas, os dados observados dialogam diretamente com o debate sobre origem da vida e complexidade biológica.

Para o criacionismo bíblico, essa descoberta não é surpresa. A Bíblia descreve a vida como algo intencionalmente formado, não como produto do acaso: “Tu formaste o meu interior, Tu me teceste no ventre de minha mãe” (Salmo 139:13).

A ciência, ao olhar cada vez mais de perto, não encontra simplicidade primitiva, mas engenharia biológica em seu ponto de partida.

A ciência moderna está chegando cada vez mais perto do início – e quanto mais se aproxima, menos encontra acaso e mais encontra ordem. O chamado “segundo zero” da vida não revela um processo bruto esperando para ser moldado, mas um sistema finamente ajustado desde o primeiro instante.

Talvez a grande descoberta do nosso tempo não seja apenas como a vida começa, mas o quanto ela já começa extraordinariamente organizada.

Quando a vida valia pouco: infanticídio no mundo antigo e a revolução ética do cristianismo

Entre os papiros que sobreviveram ao tempo, há documentos que funcionam como espelhos incômodos de uma civilização. Um deles é a carta do soldado Hilárion à sua esposa Ális, escrita em 1 a.C. O conteúdo é direto e brutal: se o bebê que nascer for menino, deve ser criado; se for menina, deve ser descartada. Não se trata de um desvio moral isolado, mas de um retrato fiel da mentalidade dominante no mundo greco-romano.

Naquela cultura, o infanticídio não era visto como crime, mas como prática socialmente aceita, regulada por critérios econômicos, utilitários e patriarcais. A ordem de preservar o filho homem e eliminar a filha mulher revela valores profundamente arraigados: a primazia absoluta do pater familias, a desigualdade ontológica entre os sexos e a compreensão da vida humana como algo condicionado à utilidade social.

No direito romano, o pai detinha o ius vitae necisque, isto é, o direito legal de decidir sobre a vida ou a morte do recém-nascido. Crianças indesejadas, com deficiência, fruto de relações consideradas inconvenientes ou simplesmente do sexo feminino podiam ser “expostas” – abandonadas à própria sorte, geralmente à morte. O mais perturbador é que essa prática contava com respaldo intelectual. Filósofos respeitados como Aristóteles e Sêneca justificavam o descarte de crianças em nome da razão, da ordem social ou da estabilidade do Estado. A vida, portanto, não possuía valor intrínseco universal.

É nesse cenário que o cristianismo surge como uma ruptura ética e teológica sem precedentes. Desde seus primórdios, a fé cristã afirmou que todo ser humano é criado à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1:26, 27), o que confere dignidade inviolável à vida, independentemente de sexo, condição física ou status social. Essa não era apenas uma crença abstrata, mas um princípio com consequências práticas profundas.

Textos cristãos antigos confirmam isso. A Didachê, provavelmente escrita entre o fim do século I e o início do II, condena explicitamente o aborto e o infanticídio: “Não matarás o filho por aborto, nem o farás perecer depois de nascido.” Em poucas palavras, o documento desmonta a lógica dominante do mundo romano.

No centro dessa revolução está a própria encarnação. Em Jesus Cristo, Deus assume a fragilidade humana desde o ventre, passando pela infância e pela vulnerabilidade social. Ao acolher crianças e afirmar que “dos tais é o Reino de Deus” (Marcos 10:14), Jesus subverte frontalmente o utilitarismo romano. No cristianismo, o valor da pessoa não depende de força, sexo, produtividade nem cidadania, mas da graça.

Essa nova visão não ficou restrita ao discurso religioso. Historicamente, comunidades cristãs passaram a recolher crianças abandonadas, criando uma prática contracultural de cuidado, adoção e proteção dos mais vulneráveis. Com o avanço do cristianismo no Império Romano, especialmente a partir do século IV, começaram a surgir leis que restringiam ou proibiam a exposição de bebês. Ainda que de forma gradual e imperfeita, estava em curso uma transformação moral profunda.

O contraste é inescapável. Onde o mundo antigo via vidas descartáveis, o cristianismo passou a enxergar imagem de Deus. Onde havia cálculo utilitário, surgiu o valor intrínseco da pessoa. Assim, o cristianismo não apenas denunciou o infanticídio como pecado, mas reconfigurou a própria compreensão do que significa ser humano. É uma herança ética que continua a desafiar qualquer cultura que tente, novamente, medir o valor da vida por critérios de conveniência.

Especialista comenta estudo sobre dinossauros na Bolívia

Pesquisa realizada por adventistas no país sul-americano traz mais dados sobre os curiosos animais, a partir de pegadas que estão sob estudo.

Instituto de Pesquisa em Geociências (GRI) anunciou recentemente a publicação de um estudo de grande relevância conduzido por Raúl Esperante, cientista sênior do instituto, na revista de acesso aberto PLOS One. Foram documentadas mais de 16.000 pegadas de dinossauros no sítio Carreras Pampas, na Bolívia, atualmente considerado o maior sítio de pegadas de dinossauros já registrado.

A descoberta registra uma ampla variedade de atividades desses animais ao longo de uma antiga linha costeira, incluindo caminhada, corrida, natação, curvas acentuadas e marcas de arrasto de cauda. A pesquisa descreve pegadas que variam de menos de 10 centímetros a mais de 30 centímetros, deixadas principalmente por terópodes tridáctilos.

Para entender o que significa essa descoberta, a Agência Adventista Sul-Americana de Notícias (ASN) conversou com Michelson Borges. Ele é pastor, jornalista e pós-graduado em Biologia Molecular pela Universidade Cândido Mendes. É autor de vários livros sobre criacionismo, história e mídia e é editor da revista Origens, além de manter desde 2005 o blog www.criacionismo.com.br.

[Continue lendo.]

Leia também: Criacionistas fazem pesquisas sobre dinossauros na Bolívia

Arqueólogos encontram templo que confirma história de Paulo

Arqueólogos anunciaram a descoberta de ruínas de uma igreja antiga na antiga cidade de Listra – hoje sítio arqueológico na Turquia – que, segundo os pesquisadores, pode ser um dos vestígios físicos das viagens missionárias do apóstolo Paulo. A edificação mede cerca de 30 metros de comprimento, com mosaicos dourados e paredes ornamentadas, e estaria erguida desde o fim da Antiguidade (século V). Essa descoberta assume enorme importância porque Listra é mencionada diversas vezes no Novo Testamento como palco das pregações de Paulo – inclusive nos relatos em que ele e seu companheiro Barnabé são confundidos pelos moradores com deuses gregos, após praticarem milagres.

Por que esse achado interessa aos cristãos

  • Validação histórica da narrativa bíblica: Encontrar uma igreja cristã antiga exatamente no local onde as Escrituras situam Paulo fortalece a confiabilidade dos relatos bíblicos. Para quem defende a historicidade da Bíblia esse tipo de evidência reforça o argumento de que os eventos narrados não são meras lendas, mas aconteceram de fato.
  • Cristianismo primitivo concreto: A igreja não é um artefato isolado; a presença de mosaicos, ornamentos e sua dimensão indicam que Listra não era um ponto secundário, mas sim um centro de comunidade cristã antiga – o que confirma que o cristianismo se espalhou rapidamente e de forma organizada, desde os primeiros séculos.
  • História real por trás da fé: Muitos críticos afirmam que a fé cristã se baseia unicamente em tradições orais ou textos. Este achado mostra que há registros arqueológicos palpáveis que dialogam com os relatos escritos na Bíblia, mostrando que fé e história podem caminhar juntas.

Além disso, essa descoberta soma-se a outras recentes – como a de igrejas antigas no Egito, descobertas por arqueólogos e datadas de mais de 1.600 anos.

Fé confirmada, apologética fortalecida

Para nós que defendemos uma cosmovisão criacionista, a arqueologia é uma aliada poderosa – não porque dependa dela, mas porque, quando confirma relatos bíblicos, ela dá ainda mais confiança de que a Escritura retrata realidades históricas e fatos concretos.

Esse tipo de evidência arqueológica ajuda a combater a narrativa de que a Bíblia seria mera mitologia ou metáfora. Ajuda a mostrar que os eventos da vida dos primeiros cristãos – as viagens missionárias, os testemunhos, a fundação de igrejas – realmente aconteceram. E, por isso, fortalece a fé, reforça a credibilidade da Palavra de Deus e dá base racional ao criacionismo histórico.

Se a fé já é companheira da esperança, da convicção espiritual e da confiança no Criador, quando arqueologia e ciência corroboram a historicidade dos textos sagrados, a fé se torna também uma convicção informada e consciente.

Cada ruína, cada mosaico, cada descoberta arqueológica que confirma a Escritura é uma pontada de esperança. É um lembrete de que não vivemos de mitos, mas de verdades reais, que atravessam séculos. E que a história que cremos – do Gênesis até a nova criação – continua sendo registrada, fragmento a fragmento, evidência a evidência.

A parte do corpo humano que os evolucionistas não conseguem explicar

A narrativa evolucionista costuma apresentar o corpo humano como uma máquina montada “aos trancos e barrancos” ao longo de bilhões de anos. Segundo essa visão, cada detalhe – das células aos órgãos complexos – teria surgido de adaptações acumuladas ao acaso. No entanto, quando analisamos características específicas do corpo humano, percebemos que algumas delas permanecem profundamente enigmáticas, mesmo para os cientistas mais comprometidos com o paradigma evolutivo. Uma delas é o queixo humano, uma estrutura única entre todos os mamíferos e que até hoje não encontra uma explicação convincente dentro da biologia darwinista.

Mesmo com avanços consideráveis, pesquisadores admitem que ainda existem enormes lacunas sobre o porquê de muitas características terem surgido. O professor Max Telford, da University College London, destaca isso em seu livro A Árvore da Vida: embora se pense que é possível reconstruir a suposta “ordem histórica” em que certas estruturas teriam surgido – intestino antes de coluna vertebral, pelos antes de unhas, etc. -, explicar o propósito evolutivo de cada traço continua sendo um desafio persistente.

Convergência: quando a evolução repete a história (ou deveria repetir)

Os evolucionistas contam com um recurso chamado evolução convergente para tentar explicar certas características. Se uma mesma estrutura aparece em espécies de ramos diferentes, supõe-se que ela tenha evoluído repetidamente devido a pressões semelhantes. Isso serviria como uma “experiência natural” para testar hipóteses.

Um exemplo frequentemente citado é o tamanho dos testículos entre primatas e outros mamíferos.
Espécies mais promíscuas tendem a ter testículos maiores; espécies monogâmicas, menores. Chimpanzés e bonobos têm testículos volumosos e práticas sexuais grupais; gorilas, mais reservados, possuem testículos pequenos. Golfinhos chegam ao extremo – até 4% do peso corporal! A suposta relação entre comportamento sexual e tamanho dos testículos só pôde ser feita, segundo eles, pela repetição desse padrão em grupos distintos.

No entanto, esse mesmo método não funciona para algo como o queixo humano, porque ele simplesmente não existe em nenhuma outra espécie. Não há convergência. Não há “repetição” que permita comparação. Não há experimento natural. Não há como testar hipóteses evolutivas.

E é por isso que o queixo permanece um “mistério evolutivo”.

O que o queixo humano sugere?

Existem inúmeras hipóteses dentro da literatura evolucionista:

  • teria surgido para fortalecer a mandíbula em combates pré-históricos;
  • seria uma adaptação sexual (possivelmente realçando barba ou imponência);
  • seria um subproduto surgido sem função específica, ligado ao amolecimento dos alimentos com o advento da culinária;
  • seria apenas uma consequência de mudanças no crânio, sem qualquer propósito real.

O problema? Nenhuma dessas hipóteses pode ser comprovada. E mais: nenhuma outra criatura apresenta nada sequer semelhante ao nosso queixo projetado.

Se a evolução realmente funciona como um processo natural recorrente, por que ela não produziu nada parecido nenhuma única vez em outros ramos mamíferos? Por que uma característica tão marcante aparece somente no ser humano?

Do ponto de vista criacionista, porém, o queixo não é um acidente nem um subproduto. Ele faz parte de um projeto anatômico único, coerente com a ideia de que o ser humano não é apenas mais um primata, mas uma criatura singular, criada à imagem de Deus.

O ser humano continua sendo um caso à parte

Enquanto exemplos como o tamanho dos testículos permitem aos evolucionistas construir narrativas plausíveis (mas ainda assim especulativas), características únicas como o queixo humano expõem os limites explicativos da teoria.

E esse não é o único caso. Poderíamos citar:

  • nossa capacidade simbólica sem paralelos
  • nossa linguagem articulada
  • nossa postura totalmente ereta
  • nosso cérebro desproporcionalmente grande
  • e até nossa espiritualidade intrínseca

Todos esses elementos convergem para o quadro de uma espécie cuja origem não se encaixa facilmente nos mecanismos naturalistas.

Mistério para uns, evidência para outros

O texto do professor Telford termina com a conclusão de que algumas características humanas talvez “estejam destinadas a permanecer um mistério”. Mas, da perspectiva bíblica, elas não são mistério – são assinatura. São marca. São identidade.

O que aparece como enigma evolutivo é, para o criacionismo, mais um lembrete de que a complexidade e singularidade do ser humano apontam para um Criador inteligente, não para uma sequência de acidentes acumulados.

A ciência honesta continua observando o que muitos preferem não admitir: a evolução não explica tudo. E quanto mais estudamos o corpo humano, mais percebemos que ele reflete propósito, intenção e design, não acaso.

Origem da vida: um reexame crítico da retomada da Teoria Cosmozoica

A origem da vida continua sendo um tema enigmático e controverso. Estudos recentes têm questionado as hipóteses que sustentam a viabilidade de fatores abióticos para o surgimento, a manutenção e a evolução da vida no planeta, considerando os inúmeros fracassos nas simulações. Nesse contexto, observa-se a crescente retomada da Teoria Cosmozoica, ou Panspermia Cósmica, cujas propostas avaliam a possibilidade de que a vida tenha se originado em algum ponto do espaço e, posteriormente, precursores da vida, ou cosmozoários, tenham chegado à Terra em meteoros, asteroides e planetoides. O objetivo deste ensaio é analisar, por meio de revisão de literatura, o contexto pelo qual a Teoria Cosmozoica tem sido retomada, considerando a complexidade dos aspectos bioquímicos da vida e as dificuldades enfrentadas pelos pesquisadores na tentativa de compreender e explicar a origem abiótica da vida na Terra. A partir dessa análise, infere-se que a retomada da Teoria Cosmozoica evidencia a fragilidade dos modelos que sustentam a origem da vida exclusivamente por fatores abióticos.

[Leia o artigo completo aqui.]

Que marca Deus colocou em Caim?

Vamos analisar o texto de Gênesis 4:15-17, onde a bíblia nos conta qual a medida protetiva que foi colocada sobre Caim, após ele ter assassinado seu irmão Abel. Nesse texto, Deus protege Caim de qualquer punição além daquela que Ele mesmo ordenou. Se alguém vingasse a morte de Abel, matando Caim, seria punido sete vezes mais. Deus não queria mais mortes e vinganças na Terra. A parte mais intrigante do texto é quando Deus coloca uma marca em Caim para que ninguém o ferisse quando o encontrasse. Que marca era essa? A natureza do sinal em Caim tem sido um assunto de muito debate e especulação. A palavra hebraica traduzida como “sinal” é ‘owth e se refere a uma “marca, sinal ou símbolo”. Em outros lugares nas Escrituras Hebraicas, ‘owth é usado 79 vezes e é mais frequentemente traduzido como “sinal”. Assim, a palavra hebraica não identifica a natureza exata do sinal que Deus colocou em Caim. O que quer que tenha sido, era um sinal/indicador de que Caim não deveria ser morto. Alguns propõem que a marca era uma cicatriz ou algum tipo de tatuagem. Seja qual for o caso, a natureza exata da marca não é o foco da passagem. O foco é que Deus não permitiria que as pessoas se vingassem contra Caim. Qualquer que tenha sido esse sinal, seu propósito foi alcançado.

No passado, muitos acreditavam que o sinal em Caim era uma pele escura – que Deus mudou a cor da pele de Caim para preta a fim de identificá-lo. Já que Caim também recebeu uma maldição, a crença de que a marca era a pele negra levou muitos a acreditar que as pessoas de pele escura eram amaldiçoadas. Muitos usaram esse ensinamento da “marca de Caim” como justificativa para o comércio africano de escravos e a discriminação contra as pessoas de pele negra/escura. Essa interpretação da marca de Caim é completamente antibíblica. Em nenhum lugar da Bíblia hebraica ‘owth é usado para se referir à cor da pele. A maldição sobre Caim em Gênesis capítulo 4 foi no próprio Caim. Nada é dito da maldição de Caim sendo passada aos seus descendentes. Não há absolutamente nenhuma base bíblica para afirmar que os descendentes de Caim tinham a pele escura. Além disso, a menos que uma das esposas dos filhos de Noé fosse descendente de Caim (possível, mas improvável), a linhagem de Caim foi encerrada pelo dilúvio.

Qual foi a marca que Deus colocou em Caim? A Bíblia não diz. O significado desse sinal – que Caim não deveria ser morto – era mais importante do que a natureza do sinal em si. O que quer que tenha sido, não tinha conexão nenhuma com a cor da pele ou uma maldição sobre as gerações descendentes de Caim. Usar esse sinal como desculpa para o racismo ou discriminação é absolutamente antibíblico.

O que podemos dizer é que: (1) a marca de Caim era pessoal e intransferível; (2) a marca de Caim era visível e compreensível; e (3) a marca de Caim era um sinal da misericórdia de Deus.

Alexandre Kretzschmar

Noé e Caraíba: ecos do dilúvio entre os povos indígenas

É impressionante perceber como a memória do Dilúvio atravessou oceanos e culturas. Povos separados por línguas, oceanos e séculos guardam lembranças muito semelhantes de uma grande catástrofe aquática que quase pôs fim à humanidade. Um desses registros está nas tradições Tupi-Guarani, que falam de um herói civilizador chamado Caraíba – personagem que, curiosamente, apresenta vários paralelos com Noé, o patriarca bíblico que sobreviveu ao dilúvio universal.

Veja o quadro comparativo abaixo:

AspectoNoé (Bíblia – Gênesis 6–9)Caraíba (tradições Tupi-Guarani)
Evento centralDilúvio universal enviado por Deus como julgamento da humanidade corrupta.Grande inundação que devastou a terra, preservada na memória indígena como mito de origem.
Refúgio / meio de salvaçãoArca construída sob ordem divina, com dimensões específicas.Refúgio ensinado ou indicado por Caraíba – barco, ilha ou abrigo natural, dependendo da versão.
SobreviventesNoé, sua esposa, seus três filhos e noras, além dos animais.Pequeno grupo de pessoas preservadas, guiadas ou avisadas por Caraíba.
Preservação da vidaGarantia da continuidade da humanidade e dos animais.Continuidade da tribo e renovação da vida após o cataclismo.
Significado espiritualJulgamento de Deus, mas também manifestação de misericórdia e aliança (arco-íris).Purificação da terra ou advertência dos deuses/espíritos, associada à renovação do mundo.
Função do personagemJusto e obediente; mediador da preservação da vida.Figura sábia e protetora, relacionada à sobrevivência e recomeço do povo.
Memória culturalRelato escrito e preservado no texto bíblico.Transmitido oralmente por gerações, como mito fundador dos povos.

O pesquisador Guilherme Stein Jr., em sua obra A Origem Comum das Línguas e das Religiões (SCB), observa que o nome Caraíba, na língua tupi, está diretamente ligado a Noé, o guardião da memória do grande dilúvio. Assim como o patriarca bíblico, Caraíba é o homem sábio que sobrevive à destruição das águas e guia os sobreviventes para um novo começo. Stein argumenta que essas semelhanças não são meras coincidências, mas ecos de uma tradição comum que remonta aos tempos imediatamente posteriores ao dilúvio – quando os descendentes de Noé se espalharam e suas memórias se fragmentaram em mitos e lendas.

Outras narrativas indígenas também parecem guardar vestígios de eventos descritos no Gênesis: histórias da torre que chega ao céu (lembrando Babel), do primeiro casal em um jardim paradisíaco (o Éden) e até da luta entre linhagens humanas opostas (Caim e Abel). São recordações distorcidas de uma verdade original, preservadas pela tradição oral ao longo dos séculos.

Esses paralelos reforçam uma poderosa ideia criacionista: a Bíblia não é apenas um livro religioso, mas o registro mais antigo e confiável da história da humanidade. As tradições dos povos, embora fragmentadas, ainda ecoam o mesmo drama vivido por Noé – a queda moral da humanidade, o juízo divino e a promessa de renovação.

O arco-íris, símbolo da aliança de Deus, continua a brilhar sobre todas as culturas, lembrando que o Criador não mudou e que Sua misericórdia ainda se estende sobre os que O buscam. As lendas indígenas, como a de Caraíba, são testemunhas distantes desse mesmo Deus que julga com justiça e salva com amor.

Michelson Borges