Como Marie Tharp mudou a Geologia para sempre

Marie Tharp utilizou centenas de perfis sísmicos para reconstruir a topografia do fundo do mar

Marie Tharp nasceu em 30 de julho de 1920, na cidade de Ypsilanti, Michigan. Quando jovem, ela acompanhou seu pai, um agrimensor do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, em suas atividades de campo. Ela também adorava ler e queria estudar literatura no St. John’s College, em Annapolis, mas mulheres não tinham permissão para participar dos cursos. Então, ela foi para a Universidade de Ohio, onde se formou em 1943.

Ela trabalhou por um curto período na indústria petrolífera, mas achou o trabalho pouco gratificante e decidiu retomar seus estudos na Universidade de Tulsa, Oklahoma. Em 1948, formou-se em matemática e conseguiu um emprego no Laboratório Geológico Lamont, na Universidade de Columbia.

Na época, a Marinha dos EUA estava interessada em mapear o fundo do mar, considerado de importância estratégica para a futura guerra submarina. Marie iniciou uma colaboração prolífica com o geólogo Bruce Charles Heezen, especialista em dados sísmicos e topográficos obtidos do fundo do mar. Por ser mulher, Marie não tinha permissão para embarcar nos navios de pesquisa. Em vez disso, ela interpretava e visualizava os dados coletados em seu laboratório, produzindo grandes mapas do fundo do mar desenhados à mão.

Ao interpolar e plotar as ecossondagens do fundo do mar coletadas pelos navios de pesquisa e após meses de trabalho detalhado e cuidadoso, em 1957, Marie Tharp observou uma série de vales e cristas no meio do Oceano Atlântico.

A existência de uma única crista sob o Oceano Atlântico foi descoberta durante a expedição do HMS Challenger em 1872, realizando medições de profundidade através do oceano. Em 1925, foi confirmado por sonar que a crista de origem desconhecida se estende ao redor do Cabo da Boa Esperança até o Oceano Índico, tornando-se uma das maiores cadeias de montanhas da Terra. Marie Tharp sugeriu que a dorsal mesoatlântica era, na verdade, uma série de vales em fenda, correndo paralelamente ao longo de um eixo central onde a nova crosta oceânica se forma, separando blocos de fundo marinho mais antigo, formando a topografia da crista. Sua ideia foi inicialmente rejeitada como “conversa de menina”. Até mesmo Heezen se recusou teimosamente a aceitar essa explicação para a dorsal, alegando que ela se assemelhava à hipótese “desmascarada” da deriva continental, proposta por Alfred Wegener em 1912.

Entre 1959 e 1977, ela continuou a trabalhar em vários mapas de grande escala, mostrando que as dorsais meso-oceânicas se estendiam por todo o planeta. Pintados por Heinrich C. Berann e baseados nos dados compilados por Marie Tharp e Bruce Heezen, uma série de cinco mapas batimétricos foi publicada na edição de outubro de 1967 da revista National Geographic, popularizando os primeiros conceitos de tectônica de placas. Ao plotar os epicentros dos terremotos nos mapas do fundo do mar, Tharp também conseguiu demonstrar que as cristas são sismicamente ativas, dando ainda mais crédito à sua interpretação das cristas como centros ativos de expansão. Essa observação provou que as placas continentais estão de fato se movendo.

Na década de 1960, o geólogo canadense John “Jock” T. Wilson introduziu, com as dorsais meso-oceânicas (onde a nova crosta se forma), as zonas de subducção (onde a crosta antiga afunda de volta no manto terrestre) e as falhas transformantes (que acomodam movimentos laterais), todos os elementos necessários para a tectônica de placas moderna. Harry Hammond Hess, comandante da Marinha dos EUA em Iwo Jima, garimpeiro na Zâmbia e posteriormente professor em Princeton, publicou em 1962 um artigo que se tornaria um dos trabalhos de geofísica mais citados de todos os tempos. Ele formulou a hipótese de que os movimentos da crosta são impulsionados por correntes de rocha derretida no manto terrestre, alimentadas pela energia térmica resultante da decomposição radioativa de minerais, fornecendo também um mecanismo convincente para a tectônica de placas.

Ao contrário de Alfred Wegener, que morreu em 1930, Marie Tharp viveu o suficiente para ver sua pesquisa se tornar uma parte fundamental da geologia moderna.

“Poucas pessoas podem dizer isso sobre suas vidas: o mundo inteiro se estendia diante de mim (ou pelo menos os 70% dele cobertos por oceanos). Eu tinha uma tela em branco para preencher com possibilidades extraordinárias, um quebra-cabeça fascinante para montar: mapear o vasto fundo marinho oculto do mundo. Foi uma oportunidade única na vida – uma oportunidade única na história do mundo – para qualquer pessoa, mas especialmente para uma mulher na década de 1940. A natureza da época, o estado da ciência e eventos grandes e pequenos, lógicos e ilógicos, combinaram-se para fazer tudo acontecer” (Marie Tharp, 1999, “Connect the Dots: Mapping the Seafloor and Discovering the Mid-ocean Ridge”. Lamont-Doherty Earth Observatory of Columbia: Twelve Perspectives on the First Fifty Years 1949-1999, chapter 2).

Based on Tharp’s work, later geologists will quickly accept and expand on the continental drift hypothesis.

(Forbes)

O que há de ciência e de preconceito de classe por trás do criacionismo

Hoje em dia predomina a ideia de que ciência e religião não têm nada a ver uma com a outra. E, entre os mais esclarecidos, não é difícil encontrar quem tome o ateísmo como sinal de superioridade intelectual. Com o ativismo do cientista Richard Dawkins, somos levados a tomar a crença em Deus por mera demência ou puro delírio, decerto um demérito. Essa mentalidade que separa teístas atrasados de ateus científicos é recente e só prosperou no século 19. Seu primeiro expoente foi Auguste Comte, para quem a crença em Deus era uma fase da Humanidade a ser superada pela ciência. Tendo o amor como base, a ordem como meio e o progresso como fim, a Humanidade deixaria a crença em Deus para trás e adotaria a religião laica que cultua a Humanidade.

No mesmo século apareceu Marx, que também enxergava um futuro tecnológico e ateu para o homem. Para ele, a religião é ópio e a chave da história é a posse dos meios de produção, que são inventados e aprimorados por técnicos.

Essa visão, porém, encontra tão pouco amparo na realidade humana e na história da ciência que merece ela própria ser chamada de delírio ideológico. Um ateu científico que desdenhe da visão religiosa do mundo rechaçará, com razão, o criacionismo. Mas que explicação para a origem do Universo colocará em seu lugar? O Big Bang, a teoria criada pelo padre Georges Lemaitre, que deu uma contribuição à ciência maior do que a de qualquer ateu militante. Ser ateu não implica ter uma mente científica. Ser um religioso não implica ter uma mente anticientífica. […]

E a ciência é compreendida como uma escolástica ateia monopolizada por um grupo social de prestígio, localizado sobretudo na universidade pública. E, como os evangélicos são pobres ou nouveaux riches, a Ciência é monopólio de um grupo que necessariamente os exclui.

Perante um professor das universidades públicas, o brasileiro “esclarecido” terá deferência, pois nele vê o representante da ciência. Mas, se o professor universitário defender o criacionismo, serão irrelevantes todas as suas credenciais acadêmicas e até as da instituição. Isso revelará que ele é um crente, logo, uma pessoa sem nível, logo, um falso cientista.

O brasileiro, porém, não admitirá nunca o preconceito de classe. E, em vez de xingar os crentes de pobres e cafonas, preferirá xingá-los de obscurantistas e ignorantes, enquanto os pinta como homens brancos cis hétero para mascarar o classismo. No final das contas, o brasileiro “esclarecido” ouve bovinamente os cientistas dizerem que pesticida agrícola é machista, que ser homem ou mulher não tem nada a ver com biologia, que tribunais raciais são eficazes e morais, que o comunismo ainda não foi testado o suficiente, que a pobreza só existe por causa da maldade dos ricos e uma centena de outras bobagens – porque são bobagens autenticadas por pessoas de condição social prestigiosa.

Mas o criacionismo não, porque é coisa de pobre.

Para mostrar como é descabido o preconceito brasileiro, nada melhor do que apontar Isaac Newton, um evangélico fervoroso que pretendia enaltecer a obra do Criador com seus estudos. E que foi, inclusive, uma espécie de patrono intelectual do criacionismo.

Numa época em que teologia, filosofia (ou metafísica) e física (ou filosofia natural) eram todas vistas como conexas, a criação de uma nova física implicava um desacordo com teologias e metafísicas estabelecidas. A universidade católica e o mundo ibérico (Brasil incluso) se mantiveram os mais fechados possíveis na escolástica. Na França, porém, o cartesianismo conquistou físicos, matemáticos e teólogos. Assim, o surgimento da física newtoniana causou uma guerra de papel entre a Inglaterra e a França (à qual se aliou um bravo alemão, Leibniz, recrutado para as suas hostes).

Se os cartesianos derivavam o mundo de Deus a partir da lógica, Newton reivindicava a façanha oposta: a partir da experiência, derivar do mundo o seu Criador. Newton apresentava as maravilhas da ótica por ele descobertas e perguntava: “Terá sido o olho engendrado sem perícia em ótica? E o ouvido, sem o conhecimento dos sons?” Dando por certo que não, Newton concluía ser “manifesto que um Ser incorpóreo, vivente, inteligente, onipresente, que, no espaço infinito […] vê intimamente as coisas em si mesmas”.

Morto Newton, os teólogos ingleses insistiram na ideia de uma “teologia experimental” que usava as maravilhas da natureza para provar a existência de um grande Artífice. Nomes-chave para esse movimento são as Boyle Lectures e o Bispo Joseph Butler.

Vem daí o criacionismo cristão que é bradado por pastores das nossas periferias: do newtonianismo. O criacionismo hoje anda pelas favelas brasileiras, mas o seu berço é a Royal Society. E, se recuarmos mais no tempo, encontramos outra origem ainda mais nobre: a Grécia antiga.

A Renascença trouxe aos europeus uma torrente de filosofias antigas, das quais duas foram extremamente populares na Antiguidade tardia: o estoicismo, de Zenão de Cítio, e o epicurismo, de Epicuro. Os estoicos enxergavam uma natureza perfeitamente ordenada e tomavam a própria perfeição da ordem natural como prova do seu engendro racional por uma divindade muito sábia. Os epicuristas eram seus opositores.

Para eles, o mundo é caótico, os deuses são parte da natureza e vivem em eterno estado de gozo, indiferentes à Humanidade. No mundo, só há átomos em movimento e vazio, e tudo o que existe é fruto do movimento dos átomos. As formas mais resistentes que surgem duram mais, enquanto as outras perecem logo.

Era uma filosofia pré-darwinista e praticamente ateia, mas nada impediu que cristãos – até Newton – pensassem em átomos e acreditassem neles. Do mesmo jeito que ateus militantes acreditam na física newtoniana e no Big Bang.

Talvez Newton não tivesse sido capaz de pensar a sua física sem imaginar o mundo como um relógio criado por um Relojoeiro. Talvez Dawkins não tivesse sido capaz de pensar no seu gene egoísta sem uma cosmovisão ateia. Ao cabo, a ciência é um tesouro da humanidade em que cooperam evangélicos fervorosos, ateus militantes, católicos e gente das mais variadas cosmovisões. Que aprendamos, então, a não substituir o exame de ideias por um mal disfarçado preconceito de classe.

O criacionismo é muito mais bem-nascido do que as muitas teorias que são moda na universidade – e ainda assim é falso. Será que somos tão bem embasados na aceitação de teorias chiques quanto na recusa da teoria dos crentes?

(Bruna Frascolla é ensaísta e doutora em Filosofia; Gazeta do Povo)

Gaia, agricultura sintrópica e design inteligente: convergências e divergências

A proposta que trago hoje não é a de aprofundar as origens mitológicas e pagãs de Gaia, nem suas implicações teológicas e filosóficas, tampouco seu papel como fundamento do ambientalismo. Também não pretendo discutir a agricultura sintrópica no sentido estrito da produtividade, ou mesmo criticar aqueles que, com afeto, abraçam árvores. Meu objetivo é trilhar um caminho intermediário, explorando a essência da hipótese de Gaia, o que caracteriza a agricultura sintrópica, e, sobretudo, as razões que me levaram a aproximar esses dois conceitos. Mais importante ainda, busco demonstrar a relevância dessa discussão para o Design Inteligente (DI), investigando sua influência e importância.

O primeiro motivo para essa abordagem reside no ressurgimento da ideia de Gaia no meio acadêmico universitário, especialmente nas Humanidades Ambientais, um campo que busca integrar as ciências sociais à reflexão sobre a questão ambiental. Cito como exemplo Bruno Latour, um autor influente nesse meio, embora eu discorde de grande parte de suas proposições. É crucial avaliar criticamente as ideias que emergem nesse contexto.

Para compreendermos a teoria de Gaia, recorro à definição de James Lovelock e Lynn Margulis, que a concebem como um esquema planetário autorregulado pelos organismos vivos, que modulam sua própria existência. Esse fenômeno, operando sem planejamento ou antevidência, teria permitido a continuidade da vida nos últimos 3,8 bilhões de anos [sic], abrindo portas para a discussão sobre o Design Inteligente.

James Lovelock, um químico britânico notório por suas invenções, inclusive um aparato para medir os clorofluorcarbonetos (CFCs) na atmosfera, e Lynn Margulis, bióloga norte-americana, propuseram a hipótese de Gaia. Margulis, aliás, é conhecida pela teoria da endossimbiose, que explica a origem do DNA mitocondrial nas células eucarióticas. Essa teoria, comparada de forma lúdica ao jogo Pac-Man, sugere que uma célula ancestral faminta englobou outra, que não foi digerida e se tornou parte integrante da célula hospedeira. Da mesma forma, a teoria da endossimbiose explica como as células primitivas teriam evoluído.

Dando um salto para outro tema, apresento Ernst Götsch, suíço radicado no Brasil, considerado o pai da agricultura sintrópica. Götsch notabilizou-se por reflorestar e recuperar vastas áreas degradadas, implementando sistemas agroflorestais no sul da Bahia. Esses sistemas buscam recuperar a terra, tornando-a produtiva para alimentos, fibras e madeira, por meio de consórcios de diferentes espécies. O processo imita a sucessão natural, combinando culturas como alface em fases iniciais, seguidas por mandioca, milho e outras, até que o sistema se transforme em uma floresta diversificada.

A agricultura sintrópica se nutre da fonte gaiana. Lovelock, na década de 1960, já colaborava com a NASA na busca por vida em outros planetas, começando por Marte. Ao comparar as atmosferas de Marte e da Terra, percebeu diferenças significativas. Em Marte, o dióxido de carbono predominava (96%), enquanto na Terra o nitrogênio era o gás mais abundante (78%), seguido pelo oxigênio (21%), com apenas uma pequena fração de dióxido de carbono (0,03%). Esse insight levou Lovelock a propor que a atmosfera terrestre seria resultado da ação dos primeiros micro-organismos, que, ao evoluírem e realizarem quimiossíntese e fotossíntese, teriam produzido o oxigênio atmosférico.

Essa conclusão, embora polêmica, sugere que a atmosfera terrestre seria o resultado da ação dos primeiros micro-organismos. No entanto, essa visão contrasta com as explicações que atribuem a origem do oxigênio a processos puramente químicos. Lovelock e Margulis propuseram que, logo após o surgimento da vida, ela teria começado a controlar o ambiente planetário e sua homeostase. Essa tese implica que a vida, ao surgir, tornou-se capaz de controlar o ambiente que a sustenta, apelando para o conceito de homeostase, que, no contexto fisiológico humano, refere-se à manutenção da temperatura corporal constante.

A hipótese de Gaia, em sua versão mais radical, sugere que a biota da Terra criou as condições do seu ambiente e o regula, mantendo um estado confortável para os organismos. Essa visão, no entanto, parece exagerada. A Terra, por essa perspectiva, seria um superorganismo, capaz de se reproduzir e evoluir. Essa analogia, embora útil, pode levar a interpretações equivocadas.

Darwin, por sua vez, talvez questionasse essa teoria, que inverte a lógica da evolução das espécies. Na visão darwinista, o ambiente é o fundo, um meio estático ao qual as espécies se adaptam por meio de mutações e seleção natural. A teoria de Gaia, ao contrário, sugere que as espécies criam o ambiente para se beneficiarem.

Após a hipótese inicial, Lovelock apresentou explicações que revelam uma teleologia implícita, o que gerou críticas, como a de Richard Dawkins. A ideia de que a Terra funciona de forma autorregulada e que o ser humano perturba esse equilíbrio, embora atraente, carece de evidências científicas robustas.

Em obras posteriores, Lovelock chegou a afirmar que Gaia é todo o planeta celebrando uma cerimônia sagrada, e que os seres humanos são o olho da Terra, um sistema que evoluiu e teria criado inteligência para se observar. Essas afirmações, que remetem a Carl Sagan, cuja esposa foi Lynn Margulis, revelam uma visão metafísica e religiosa.

Para compreendermos melhor essa questão, podemos recorrer à teoria de sistemas, que organiza os seres vivos em níveis de complexidade crescente: átomos, moléculas, células, tecidos, organismos, populações, comunidades, ecossistemas, biomas e biosfera. A teoria de sistemas postula que o todo é sempre mais complexo e possui características que não pertencem à soma das partes. A evolução darwiniana, por sua vez, foca-se nos organismos e suas populações, sem explicar como a evolução de uma espécie pode gerar propriedades de ciclo bioquímico ou de autorregulação em um ecossistema.

A consciência humana, por exemplo, não pode ser explicada pela soma dos neurônios. Trata-se de um princípio emergente. Lovelock, ao reconhecer a existência de princípios emergentes, admitiu a dificuldade em explicar os mecanismos que os originam. A seleção natural, por sua vez, não atua para o bem comum, mas para o bem da espécie.

Artigos recentes, datados de 2022, demonstram que a comunidade científica continua a debater essas questões, buscando entender como processos em nível da biosfera e dos ecossistemas podem ser explicados pelas partes que os compõem. A brincadeira “Survival of the systems” reflete essa busca por uma nova abordagem que considere as propriedades irredutíveis dos sistemas sociais e ecossistemas.

Ernst Götsch, com sua agricultura sintrópica, oferece um exemplo prático dessa busca. Seus sistemas agroflorestais funcionam, mas a explicação que ele oferece para seu funcionamento apela para noções de Gaia e para uma teleologia questionável. Götsch fala da “inteligência da floresta” e da função desempenhada pelas plantas por prazer interno e amor incondicional. Ele afirma que não há competição entre as plantas e os outros seres, e que os humanos são parte de um sistema inteligente, um macro-organismo.

Essas ideias, embora inspiradoras, carecem de base científica. Montanhas, rios, seres humanos e outros seres não humanos não possuem agência, ou seja, a capacidade de se projetar para o futuro, sonhar, ter desejos e fazer escolhas. Animais e plantas agem por instinto. Se a floresta fosse inteligente, veríamos cangurus na Austrália ponderando sobre suas escolhas alimentares.

Essas questões remetem à complexidade irredutível, conceito explorado por Michael Denton, biólogo sênior do Discovery Institute. Denton argumenta que a adaptação deve existir tanto no ambiente quanto no organismo. O ambiente, portanto, já estava pronto para a vida, incluindo a vida humana.

Denton questiona como poderia haver vida terrestre sem a prévia adequação ambiental e o ajuste fino do ciclo hidrológico, as propriedades térmicas da água, a visão de alta equidade e a fotossíntese. Ele conclui que o planeta foi projetado para comportar a vida humana.

Afirmar que o ajuste no sistema biota-atmosfera ou na sucessão vegetal em agroecossistemas se dá por conta da ação autorreguladora dos próprios organismos é assumir uma posição teleológica que leva a duas conclusões: ou a biota e os componentes abióticos possuem agência, ou um agente externo programou organismos e propriedades físicas e químicas da matéria.

Em suma, a agência existe, mas sua origem é externa aos organismos, à energia e à matéria. A questão que se coloca é: Darwin, Gaia ou Design Inteligente?

(Rodrigo Penna-Firme é professor do Departamento de Geografia e Meio Ambiente da PUC Rio; PhD em Antropologia pela Indiana University (EUA), biólogo, mestre em Ciências Ambientais e Florestais)

Fragmento dos Dez Mandamentos de um manuscrito de 2.000 anos será exibido na Biblioteca Reagan

Exposição oferece rara oportunidade para exibição pública do Pergaminho dos Dez Mandamentos

A Biblioteca e Museu Presidencial Ronald Reagan em Simi Valley, Califórnia, tem uma nova exposição que oferece aos visitantes uma compreensão mais profunda do judaísmo antigo e dos primeiros fundamentos do cristianismo. A exposição, “Manuscritos do Mar Morto: A Exposição”, apresenta uma coleção especial de oito manuscritos judaicos antigos e 200 achados arqueológicos que datam de mais de 2.000 anos. Acredita-se que os pergaminhos datem de 250 a.C. a 68 d.C. Mais notavelmente, a biblioteca — começando em 11 de abril e durando apenas duas semanas — apresentará o Pergaminho dos Dez Mandamentos, exibido pela primeira vez na Califórnia. Ele não é visto nos EUA desde 2013 e oferece “uma rara oportunidade de explorar um dos textos mais significativos da história religiosa”.

David Trulio, presidente e CEO da Fundação e Instituto Presidencial Ronald Reagan (RRPFI), disse à Fox News Digital: “A fé cristã do presidente Reagan era fundamental para sua identidade.” E acrescentou: “Ele se envolveu com judeus e cristãos durante sua presidência. À medida que avançamos em seu legado, apreciamos muito a oportunidade de compartilhar esses notáveis ​​tesouros bíblicos que aprofundam nossa compreensão das escrituras, das primeiras comunidades religiosas e do desenvolvimento das principais religiões monoteístas praticadas hoje. Agradecemos muito a oportunidade de compartilhar esses notáveis ​​tesouros bíblicos.”

Melissa Giller, diretora de marketing da fundação e instituto, também disse à Fox News Digital que o presidente Reagan era um homem de “fé profunda”. “Certa vez, ele perguntou se resolveríamos ensinar, aprender e tentar dar ouvidos à maior mensagem já escrita: a Palavra de Deus e a Bíblia Sagrada”, disse Giller. “Ele disse que dentro das páginas da Bíblia estão todas as respostas para todos os problemas que o homem já conheceu.”

“O Pergaminho, conhecido como 4Q41, foi descoberto em 1952 na Caverna 4 de Qumran e contém Deuteronômio 8:5-10 e Deuteronômio 5:1–6:1. Acredita-se que seja a cópia mais antiga existente dos Dez Mandamentos”, observa o comunicado de imprensa da biblioteca. 

“Portanto, guardarás os mandamentos do Senhor teu Deus, andando nos Seus caminhos e temendo-O”, diz a versão King James de Deuteronômio 8:6.

Para a exposição especial dos Pergaminhos dos Dez Mandamentos, a biblioteca terá horário estendido durante o período de duas semanas, com um número limitado de 1.600 ingressos alocados por dia, informou a organização à Fox News Digital. 

Uma mulher olhando para um pedaço dos Manuscritos do Mar de Dean em uma tela

Por apenas duas semanas, a partir de 11 de abril, a Reagan Library and Museum em Simi Valley, Califórnia, está exibindo o Ten Commandments Scroll, exibido pela primeira vez no Golden State. Ele não estava nos EUA desde 2013. (The Reagan Library)

“De acordo com as narrativas bíblicas em Êxodo e Deuteronômio, Deus revelou os Dez Mandamentos a Moisés no Monte Sinai, inscrevendo-os em tábuas de pedra como princípios orientadores para a comunidade. Esses mandamentos permanecem centrais para as religiões abraâmicas e continuam a influenciar tradições morais e legais em todo o mundo.”

Um homem olhando para a exposição dos Manuscritos do Mar Morto

A exposição completa dos Manuscritos do Mar Morto se estende até 2 de setembro de 2025. (The Reagan Library)

(Fox News)

Descoberta arqueológica em Megido confirma batalha bíblica que deu origem ao Armagedom

Evidências arqueológicas sugerem também presença de soldados egípcios e mercenários

Novas descobertas arqueológicas na antiga cidade de Megido, local da lendária batalha do Armagedom, lançam luz sobre um confronto bíblico entre o rei Josias de Judá e o faraó egípcio Neco II, ocorrido há mais de 2.600 anos. Josias foi um dos últimos reis de Judá, conhecido por sua devoção a Deus e pelas reformas que implementou, buscando restaurar o culto ao Criador e eliminar práticas idólatras. Segundo a Bíblia, ele morreu ao enfrentar o exército egípcio em Megido. O termo Armagedom, derivado do hebraico “Har Megiddo” (Monte Megido), aparece no livro do Apocalipse como o local da batalha final no fim dos tempos.

A recente descoberta arqueológica em Megido reforça a veracidade dos relatos bíblicos, ao confirmar a presença de forças egípcias na região na época da morte de Josias. Um estudo recente, publicado no The Scandinavian Journal of the Old Testament, revela a presença de um exército egípcio em Megido por volta de 609 a.C., data em que a Bíblia relata a morte de Josias.

A análise de fragmentos de cerâmica egípcia e grega, encontrados em uma camada arqueológica da época, indica que Megido foi ocupada pelos egípcios, que frequentemente utilizavam mercenários gregos em suas tropas.

O estudo foi liderado por Israel Finkelstein, arqueólogo da Universidade de Haifa e da Universidade de Tel Aviv. Segundo ele, a presença de cerâmica egípcia e grega no local indica que tropas egípcias, possivelmente acompanhadas por mercenários gregos, ocuparam Megido na época do reinado de Josias.

“Esses achados apoiam a ideia de que forças egípcias estavam em Megido durante o período descrito na Bíblia”, explicou Finkelstein.

A cidade, estrategicamente importante por sua localização em rotas comerciais e militares, foi palco de diversas batalhas ao longo da história, sendo ocupada por diferentes povos.

As escavações em Megido revelaram mais de 20 camadas arqueológicas, abrangendo períodos de ocupação cananeia, israelita, assíria, egípcia e persa.

O local, palco de incontáveis batalhas ao longo dos séculos, continua a revelar segredos que conectam o passado ao futuro. Uma cidade estratégica que já foi disputada por impérios e reis agora ressurge como evidência arqueológica de eventos bíblicos. Para a história e para a fé, um campo de guerra e o prenúncio da batalha definitiva.

(R7 notícias)

Fundador da Sociedade Criacionista Brasileira foi diretor da Fapesp

Com a indicação do criacionista e defensor da Teoria do Design Inteligente Benedito Guimarães de Aguiar Neto para a direção da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) [em 2020], grande polêmica foi criada nos meios de comunicação brasileiros e até do exterior. Benedito é engenheiro eletricista (1977) e mestre em engenharia (1982) pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Cursou o doutorado (1987) na Technische Universität Berlin, na Alemanha, e o pós-doutorado (2008) na University of Washington, nos Estados Unidos; além disso, foi reitor da prestigiada Universidade Mackenzie, de São Paulo. Mesmo com esse currículo respeitável e com uma carteira de grandes contribuições para o avanço do conhecimento e da cultura, ele foi alvo de críticas injustas e precipitadas. Por quê? Porque em lugar de pensar que a vida teria contrariado os fatos e surgido por acaso, Benedito acredita que vida proveio de vida, ou seja, um Criador a trouxe à existência. E isso foi suficiente para a “geração espontânea” de várias notas de repúdio.

É bom lembrar que alguns anos atrás outro criacionista dirigiu uma agência de fomento à pesquisa, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Veja o que diz o site da instituição:

“Natural de São Carlos, interior paulista, Ruy Carlos de Camargo Vieira (1930-) é engenheiro mecânico e eletricista formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) em 1953. Trabalhou dois anos no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) antes de ingressar como professor da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP. Participou da criação do Centro de Recursos Hídricos e Ecologia Aplicada da EESC. Em 1972, Vieira mudou-se para Brasília para integrar a Comissão de Especialistas em Ensino de Engenharia do Departamento de Assuntos Universitários do Ministério da Educação e Cultura (MEC), que acompanha e avalia as escolas de engenharia. Durante sua gestão como diretor científico na Fapesp, avançaram os projetos especiais como o RADARSP II e a implantação de biotérios nas universidades públicas. Foi também a época da implantação da Emenda Leça [que assegurou a regularidade do repasse dos recursos para a Fapesp e para os pesquisadores e estudantes com projetos ou bolsas aprovados]. Autor de livros e artigos sobre ciência e religiosidade, Vieira foi um dos fundadores da Sociedade Criacionista Brasileira, em 1972.”

Note que o site até menciona o fato de o Dr. Ruy ter sido um dos fundadores da SCB, o que de forma alguma desmerece todas as conquistas dele à frente da instituição.

Dr. Ruy Vieira também representou o MEC no Conselho da Agência Espacial Brasileira e foi membro do Conselho Federal de Educação, entre outras muitas atribuições. Ou seja, um homem competente, culto, dedicado, humilde (e posso atestar tudo isso, pois tenho o privilégio de conhecê-lo pessoalmente) e que deixou um rastro de boas realizações por onde passou.

Num Estado laico, qualquer pessoa, independentemente de sua fé ou da falta dela, tem direito de exercer sua cidadania e servir ao País, desde que tenha competência para ocupar o cargo específico para a qual foi chamada. Que o tempo e as realizações falem por si mesmos.

Michelson Borges

Leia também: “Imprensa e academia mais uma vez manifestam preconceito contra o criacionismo e a TDI”, “A grande imprensa e a academia detonariam César Lattes” e “Conteúdos úteis na atual discussão sobre criacionismo acirrada pelo Jornal Nacional

Cientistas querem criar nariz artificial

Pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) estão trabalhando duro para desenvolver um sensor que imita o funcionamento do nariz humano. Eles afirmam ter superado um dos maiores problemas nessa empreitada: a produção em massa de proteínas chamadas “receptores olfativos”. Em média, os humanos têm 100 milhões dessas proteínas. Na verdade, segundo reportagem da BBC, muitos pesquisadores no mundo todo estão trabalhando no desenvolvimento de “narizes eletrônicos”, que detectam as mesmas moléculas que formam os cheiros reconhecidos pelo olfato das pessoas. “Mas, enquanto muitas dessas experiências são baseadas em sensores construídos com materiais artificiais, a pesquisa do MIT trabalha com um sensor baseado na biologia do nariz humano”, explica a reportagem.“

A principal barreira para o estudo do olfato é que não tínhamos conseguido fabricar receptores em número suficiente e homogeneizar esses receptores”, diz Brian Cook, do MIT. Shuguang Zhang, diretor associado do Centro para Engenharia Biomédica do MIT, admite que “ninguém realmente entende como [o olfato] funciona. Ainda é um enigma”.

O nariz humano tem cerca de 300 tipos diferentes de receptores olfativos na membrana que cerca as células que revestem as passagens nasais. Cada receptor se liga a um tipo diferente de molécula. Segundo a BBC, as tentativas anteriores de fabricar receptores artificiais fracassaram, pois a estrutura é destruída quando esses receptores são retirados do ambiente específico. Ou seja, os receptores foram criados para funcionar especificamente no local em que estão. O que a equipe do MIT fez, então, foi desenvolver uma solução que protege os receptores durante o processo de produção.

O professor Krishna Persaud, da Universidade de Manchester, Grã-Bretanha, elogia a pesquisa do MIT, mas lembra que ainda existem obstáculos antes da criação de um sensor baseado no nariz humano: as proteínas fabricadas precisam ser colocadas de uma forma que possam funcionar do mesmo jeito que funcionam na membrana da célula. E, mais importante: é necessário desenvolver um método de coleta da informação dessas proteínas, transmissão e processamento dessa informação.

Mais uma vez, vemos cientistas bem inteligentes gastando tempo e dinheiro na tentativa de imitar um mecanismo complexo que eles ainda nem entendem direito. Como se desenvolveram esses receptores olfativos capazes de se ligar a tipos específicos de moléculas? E mais: De que adiantaria terem “surgido” receptores olfativos sem a existência de um método de coleta da informação das proteínas? De que adiantaria tudo isso, sem um meio de transmissão e processamento de toda essa informação?

Na próxima vez que você sentir o cheiro agradável de uma flor ou de um bom perfume, agradeça ao Criador por presenteá-lo com o complexo e maravilhoso sentido do olfato.

(Michelson Borges é jornalista, pós-graduado em Biologia Molecular e mestre em Teologia)

Astronauta brasileiro compartilhou foto para provar que Terra não é plana

O ex-ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações Marcos Pontes compartilhou em uma rede social na noite da terça-feira, 21 [de janeiro de 2020], uma foto para provar que a Terra não é plana e, sim, redonda. “Para quem ainda acha que a Terra é plana, veja segunda foto… kkk”, publicou Pontes no Twitter ao compartilhar um post do Centro de Voos Espaciais George C. Marshall, da Agência Espacial Americana, a Nasa. Pontes ficou famoso em 2006, quando a bordo de um foguete russo se tornou o primeiro astronauta brasileiro – e até hoje o único – a ir ao espaço. Durante oito dias, ele ficou no laboratório espacial, onde realizou uma série de experimentos para a Agência Espacial Brasileira (AEB).

Piloto de caça e engenheiro aeronáutico formado pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), com mestrado em Engenharia de Sistemas pela Naval Postgraduate School, na Califórnia, nos Estados Unidos, Pontes foi selecionado em 1998 para o programa da Nasa, onde foi declarado astronauta. […]

(Terra)

Nota: Gostaria de ver a coragem dos principais terraplanistas brasileiros em dizer ao Sr. Pontes que ele está mentindo, que nunca foi ao espaço e que não viu a Terra lá de cima. E mais: provarem isso. Infelizmente, esses propagadores de desinformação conseguiram macular o criacionismo ao passar a ideia de que os criacionistas seriam terraplanistas. Criei uma playlist em meu canal no YouTube justamente para desmentir essa ideia absurda (confira). A Sociedade Criacionista Brasileira se manifestou quanto a isso por meio de uma nota de repúdio (veja aqui). Pena que setores da mídia mal-intencionados e mais preocupados em fazer política estejam ignorando esse fato e promovendo essa associação falaciosa e injusta. Pena, também, que professos cristãos estejam participando de toda essa mentira, levantando falso testemunho (que é pecado) contra pessoas como o Sr. Marcos Pontes. [MB]