Gaia, agricultura sintrópica e design inteligente: convergências e divergências

A proposta que trago hoje não é a de aprofundar as origens mitológicas e pagãs de Gaia, nem suas implicações teológicas e filosóficas, tampouco seu papel como fundamento do ambientalismo. Também não pretendo discutir a agricultura sintrópica no sentido estrito da produtividade, ou mesmo criticar aqueles que, com afeto, abraçam árvores. Meu objetivo é trilhar um caminho intermediário, explorando a essência da hipótese de Gaia, o que caracteriza a agricultura sintrópica, e, sobretudo, as razões que me levaram a aproximar esses dois conceitos. Mais importante ainda, busco demonstrar a relevância dessa discussão para o Design Inteligente (DI), investigando sua influência e importância.

O primeiro motivo para essa abordagem reside no ressurgimento da ideia de Gaia no meio acadêmico universitário, especialmente nas Humanidades Ambientais, um campo que busca integrar as ciências sociais à reflexão sobre a questão ambiental. Cito como exemplo Bruno Latour, um autor influente nesse meio, embora eu discorde de grande parte de suas proposições. É crucial avaliar criticamente as ideias que emergem nesse contexto.

Para compreendermos a teoria de Gaia, recorro à definição de James Lovelock e Lynn Margulis, que a concebem como um esquema planetário autorregulado pelos organismos vivos, que modulam sua própria existência. Esse fenômeno, operando sem planejamento ou antevidência, teria permitido a continuidade da vida nos últimos 3,8 bilhões de anos [sic], abrindo portas para a discussão sobre o Design Inteligente.

James Lovelock, um químico britânico notório por suas invenções, inclusive um aparato para medir os clorofluorcarbonetos (CFCs) na atmosfera, e Lynn Margulis, bióloga norte-americana, propuseram a hipótese de Gaia. Margulis, aliás, é conhecida pela teoria da endossimbiose, que explica a origem do DNA mitocondrial nas células eucarióticas. Essa teoria, comparada de forma lúdica ao jogo Pac-Man, sugere que uma célula ancestral faminta englobou outra, que não foi digerida e se tornou parte integrante da célula hospedeira. Da mesma forma, a teoria da endossimbiose explica como as células primitivas teriam evoluído.

Dando um salto para outro tema, apresento Ernst Götsch, suíço radicado no Brasil, considerado o pai da agricultura sintrópica. Götsch notabilizou-se por reflorestar e recuperar vastas áreas degradadas, implementando sistemas agroflorestais no sul da Bahia. Esses sistemas buscam recuperar a terra, tornando-a produtiva para alimentos, fibras e madeira, por meio de consórcios de diferentes espécies. O processo imita a sucessão natural, combinando culturas como alface em fases iniciais, seguidas por mandioca, milho e outras, até que o sistema se transforme em uma floresta diversificada.

A agricultura sintrópica se nutre da fonte gaiana. Lovelock, na década de 1960, já colaborava com a NASA na busca por vida em outros planetas, começando por Marte. Ao comparar as atmosferas de Marte e da Terra, percebeu diferenças significativas. Em Marte, o dióxido de carbono predominava (96%), enquanto na Terra o nitrogênio era o gás mais abundante (78%), seguido pelo oxigênio (21%), com apenas uma pequena fração de dióxido de carbono (0,03%). Esse insight levou Lovelock a propor que a atmosfera terrestre seria resultado da ação dos primeiros micro-organismos, que, ao evoluírem e realizarem quimiossíntese e fotossíntese, teriam produzido o oxigênio atmosférico.

Essa conclusão, embora polêmica, sugere que a atmosfera terrestre seria o resultado da ação dos primeiros micro-organismos. No entanto, essa visão contrasta com as explicações que atribuem a origem do oxigênio a processos puramente químicos. Lovelock e Margulis propuseram que, logo após o surgimento da vida, ela teria começado a controlar o ambiente planetário e sua homeostase. Essa tese implica que a vida, ao surgir, tornou-se capaz de controlar o ambiente que a sustenta, apelando para o conceito de homeostase, que, no contexto fisiológico humano, refere-se à manutenção da temperatura corporal constante.

A hipótese de Gaia, em sua versão mais radical, sugere que a biota da Terra criou as condições do seu ambiente e o regula, mantendo um estado confortável para os organismos. Essa visão, no entanto, parece exagerada. A Terra, por essa perspectiva, seria um superorganismo, capaz de se reproduzir e evoluir. Essa analogia, embora útil, pode levar a interpretações equivocadas.

Darwin, por sua vez, talvez questionasse essa teoria, que inverte a lógica da evolução das espécies. Na visão darwinista, o ambiente é o fundo, um meio estático ao qual as espécies se adaptam por meio de mutações e seleção natural. A teoria de Gaia, ao contrário, sugere que as espécies criam o ambiente para se beneficiarem.

Após a hipótese inicial, Lovelock apresentou explicações que revelam uma teleologia implícita, o que gerou críticas, como a de Richard Dawkins. A ideia de que a Terra funciona de forma autorregulada e que o ser humano perturba esse equilíbrio, embora atraente, carece de evidências científicas robustas.

Em obras posteriores, Lovelock chegou a afirmar que Gaia é todo o planeta celebrando uma cerimônia sagrada, e que os seres humanos são o olho da Terra, um sistema que evoluiu e teria criado inteligência para se observar. Essas afirmações, que remetem a Carl Sagan, cuja esposa foi Lynn Margulis, revelam uma visão metafísica e religiosa.

Para compreendermos melhor essa questão, podemos recorrer à teoria de sistemas, que organiza os seres vivos em níveis de complexidade crescente: átomos, moléculas, células, tecidos, organismos, populações, comunidades, ecossistemas, biomas e biosfera. A teoria de sistemas postula que o todo é sempre mais complexo e possui características que não pertencem à soma das partes. A evolução darwiniana, por sua vez, foca-se nos organismos e suas populações, sem explicar como a evolução de uma espécie pode gerar propriedades de ciclo bioquímico ou de autorregulação em um ecossistema.

A consciência humana, por exemplo, não pode ser explicada pela soma dos neurônios. Trata-se de um princípio emergente. Lovelock, ao reconhecer a existência de princípios emergentes, admitiu a dificuldade em explicar os mecanismos que os originam. A seleção natural, por sua vez, não atua para o bem comum, mas para o bem da espécie.

Artigos recentes, datados de 2022, demonstram que a comunidade científica continua a debater essas questões, buscando entender como processos em nível da biosfera e dos ecossistemas podem ser explicados pelas partes que os compõem. A brincadeira “Survival of the systems” reflete essa busca por uma nova abordagem que considere as propriedades irredutíveis dos sistemas sociais e ecossistemas.

Ernst Götsch, com sua agricultura sintrópica, oferece um exemplo prático dessa busca. Seus sistemas agroflorestais funcionam, mas a explicação que ele oferece para seu funcionamento apela para noções de Gaia e para uma teleologia questionável. Götsch fala da “inteligência da floresta” e da função desempenhada pelas plantas por prazer interno e amor incondicional. Ele afirma que não há competição entre as plantas e os outros seres, e que os humanos são parte de um sistema inteligente, um macro-organismo.

Essas ideias, embora inspiradoras, carecem de base científica. Montanhas, rios, seres humanos e outros seres não humanos não possuem agência, ou seja, a capacidade de se projetar para o futuro, sonhar, ter desejos e fazer escolhas. Animais e plantas agem por instinto. Se a floresta fosse inteligente, veríamos cangurus na Austrália ponderando sobre suas escolhas alimentares.

Essas questões remetem à complexidade irredutível, conceito explorado por Michael Denton, biólogo sênior do Discovery Institute. Denton argumenta que a adaptação deve existir tanto no ambiente quanto no organismo. O ambiente, portanto, já estava pronto para a vida, incluindo a vida humana.

Denton questiona como poderia haver vida terrestre sem a prévia adequação ambiental e o ajuste fino do ciclo hidrológico, as propriedades térmicas da água, a visão de alta equidade e a fotossíntese. Ele conclui que o planeta foi projetado para comportar a vida humana.

Afirmar que o ajuste no sistema biota-atmosfera ou na sucessão vegetal em agroecossistemas se dá por conta da ação autorreguladora dos próprios organismos é assumir uma posição teleológica que leva a duas conclusões: ou a biota e os componentes abióticos possuem agência, ou um agente externo programou organismos e propriedades físicas e químicas da matéria.

Em suma, a agência existe, mas sua origem é externa aos organismos, à energia e à matéria. A questão que se coloca é: Darwin, Gaia ou Design Inteligente?

(Rodrigo Penna-Firme é professor do Departamento de Geografia e Meio Ambiente da PUC Rio; PhD em Antropologia pela Indiana University (EUA), biólogo, mestre em Ciências Ambientais e Florestais)

Fragmento dos Dez Mandamentos de um manuscrito de 2.000 anos será exibido na Biblioteca Reagan

Exposição oferece rara oportunidade para exibição pública do Pergaminho dos Dez Mandamentos

A Biblioteca e Museu Presidencial Ronald Reagan em Simi Valley, Califórnia, tem uma nova exposição que oferece aos visitantes uma compreensão mais profunda do judaísmo antigo e dos primeiros fundamentos do cristianismo. A exposição, “Manuscritos do Mar Morto: A Exposição”, apresenta uma coleção especial de oito manuscritos judaicos antigos e 200 achados arqueológicos que datam de mais de 2.000 anos. Acredita-se que os pergaminhos datem de 250 a.C. a 68 d.C. Mais notavelmente, a biblioteca — começando em 11 de abril e durando apenas duas semanas — apresentará o Pergaminho dos Dez Mandamentos, exibido pela primeira vez na Califórnia. Ele não é visto nos EUA desde 2013 e oferece “uma rara oportunidade de explorar um dos textos mais significativos da história religiosa”.

David Trulio, presidente e CEO da Fundação e Instituto Presidencial Ronald Reagan (RRPFI), disse à Fox News Digital: “A fé cristã do presidente Reagan era fundamental para sua identidade.” E acrescentou: “Ele se envolveu com judeus e cristãos durante sua presidência. À medida que avançamos em seu legado, apreciamos muito a oportunidade de compartilhar esses notáveis ​​tesouros bíblicos que aprofundam nossa compreensão das escrituras, das primeiras comunidades religiosas e do desenvolvimento das principais religiões monoteístas praticadas hoje. Agradecemos muito a oportunidade de compartilhar esses notáveis ​​tesouros bíblicos.”

Melissa Giller, diretora de marketing da fundação e instituto, também disse à Fox News Digital que o presidente Reagan era um homem de “fé profunda”. “Certa vez, ele perguntou se resolveríamos ensinar, aprender e tentar dar ouvidos à maior mensagem já escrita: a Palavra de Deus e a Bíblia Sagrada”, disse Giller. “Ele disse que dentro das páginas da Bíblia estão todas as respostas para todos os problemas que o homem já conheceu.”

“O Pergaminho, conhecido como 4Q41, foi descoberto em 1952 na Caverna 4 de Qumran e contém Deuteronômio 8:5-10 e Deuteronômio 5:1–6:1. Acredita-se que seja a cópia mais antiga existente dos Dez Mandamentos”, observa o comunicado de imprensa da biblioteca. 

“Portanto, guardarás os mandamentos do Senhor teu Deus, andando nos Seus caminhos e temendo-O”, diz a versão King James de Deuteronômio 8:6.

Para a exposição especial dos Pergaminhos dos Dez Mandamentos, a biblioteca terá horário estendido durante o período de duas semanas, com um número limitado de 1.600 ingressos alocados por dia, informou a organização à Fox News Digital. 

Uma mulher olhando para um pedaço dos Manuscritos do Mar de Dean em uma tela

Por apenas duas semanas, a partir de 11 de abril, a Reagan Library and Museum em Simi Valley, Califórnia, está exibindo o Ten Commandments Scroll, exibido pela primeira vez no Golden State. Ele não estava nos EUA desde 2013. (The Reagan Library)

“De acordo com as narrativas bíblicas em Êxodo e Deuteronômio, Deus revelou os Dez Mandamentos a Moisés no Monte Sinai, inscrevendo-os em tábuas de pedra como princípios orientadores para a comunidade. Esses mandamentos permanecem centrais para as religiões abraâmicas e continuam a influenciar tradições morais e legais em todo o mundo.”

Um homem olhando para a exposição dos Manuscritos do Mar Morto

A exposição completa dos Manuscritos do Mar Morto se estende até 2 de setembro de 2025. (The Reagan Library)

(Fox News)

Descoberta arqueológica em Megido confirma batalha bíblica que deu origem ao Armagedom

Evidências arqueológicas sugerem também presença de soldados egípcios e mercenários

Novas descobertas arqueológicas na antiga cidade de Megido, local da lendária batalha do Armagedom, lançam luz sobre um confronto bíblico entre o rei Josias de Judá e o faraó egípcio Neco II, ocorrido há mais de 2.600 anos. Josias foi um dos últimos reis de Judá, conhecido por sua devoção a Deus e pelas reformas que implementou, buscando restaurar o culto ao Criador e eliminar práticas idólatras. Segundo a Bíblia, ele morreu ao enfrentar o exército egípcio em Megido. O termo Armagedom, derivado do hebraico “Har Megiddo” (Monte Megido), aparece no livro do Apocalipse como o local da batalha final no fim dos tempos.

A recente descoberta arqueológica em Megido reforça a veracidade dos relatos bíblicos, ao confirmar a presença de forças egípcias na região na época da morte de Josias. Um estudo recente, publicado no The Scandinavian Journal of the Old Testament, revela a presença de um exército egípcio em Megido por volta de 609 a.C., data em que a Bíblia relata a morte de Josias.

A análise de fragmentos de cerâmica egípcia e grega, encontrados em uma camada arqueológica da época, indica que Megido foi ocupada pelos egípcios, que frequentemente utilizavam mercenários gregos em suas tropas.

O estudo foi liderado por Israel Finkelstein, arqueólogo da Universidade de Haifa e da Universidade de Tel Aviv. Segundo ele, a presença de cerâmica egípcia e grega no local indica que tropas egípcias, possivelmente acompanhadas por mercenários gregos, ocuparam Megido na época do reinado de Josias.

“Esses achados apoiam a ideia de que forças egípcias estavam em Megido durante o período descrito na Bíblia”, explicou Finkelstein.

A cidade, estrategicamente importante por sua localização em rotas comerciais e militares, foi palco de diversas batalhas ao longo da história, sendo ocupada por diferentes povos.

As escavações em Megido revelaram mais de 20 camadas arqueológicas, abrangendo períodos de ocupação cananeia, israelita, assíria, egípcia e persa.

O local, palco de incontáveis batalhas ao longo dos séculos, continua a revelar segredos que conectam o passado ao futuro. Uma cidade estratégica que já foi disputada por impérios e reis agora ressurge como evidência arqueológica de eventos bíblicos. Para a história e para a fé, um campo de guerra e o prenúncio da batalha definitiva.

(R7 notícias)

Fundador da Sociedade Criacionista Brasileira foi diretor da Fapesp

Com a indicação do criacionista e defensor da Teoria do Design Inteligente Benedito Guimarães de Aguiar Neto para a direção da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) [em 2020], grande polêmica foi criada nos meios de comunicação brasileiros e até do exterior. Benedito é engenheiro eletricista (1977) e mestre em engenharia (1982) pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Cursou o doutorado (1987) na Technische Universität Berlin, na Alemanha, e o pós-doutorado (2008) na University of Washington, nos Estados Unidos; além disso, foi reitor da prestigiada Universidade Mackenzie, de São Paulo. Mesmo com esse currículo respeitável e com uma carteira de grandes contribuições para o avanço do conhecimento e da cultura, ele foi alvo de críticas injustas e precipitadas. Por quê? Porque em lugar de pensar que a vida teria contrariado os fatos e surgido por acaso, Benedito acredita que vida proveio de vida, ou seja, um Criador a trouxe à existência. E isso foi suficiente para a “geração espontânea” de várias notas de repúdio.

É bom lembrar que alguns anos atrás outro criacionista dirigiu uma agência de fomento à pesquisa, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Veja o que diz o site da instituição:

“Natural de São Carlos, interior paulista, Ruy Carlos de Camargo Vieira (1930-) é engenheiro mecânico e eletricista formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) em 1953. Trabalhou dois anos no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) antes de ingressar como professor da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP. Participou da criação do Centro de Recursos Hídricos e Ecologia Aplicada da EESC. Em 1972, Vieira mudou-se para Brasília para integrar a Comissão de Especialistas em Ensino de Engenharia do Departamento de Assuntos Universitários do Ministério da Educação e Cultura (MEC), que acompanha e avalia as escolas de engenharia. Durante sua gestão como diretor científico na Fapesp, avançaram os projetos especiais como o RADARSP II e a implantação de biotérios nas universidades públicas. Foi também a época da implantação da Emenda Leça [que assegurou a regularidade do repasse dos recursos para a Fapesp e para os pesquisadores e estudantes com projetos ou bolsas aprovados]. Autor de livros e artigos sobre ciência e religiosidade, Vieira foi um dos fundadores da Sociedade Criacionista Brasileira, em 1972.”

Note que o site até menciona o fato de o Dr. Ruy ter sido um dos fundadores da SCB, o que de forma alguma desmerece todas as conquistas dele à frente da instituição.

Dr. Ruy Vieira também representou o MEC no Conselho da Agência Espacial Brasileira e foi membro do Conselho Federal de Educação, entre outras muitas atribuições. Ou seja, um homem competente, culto, dedicado, humilde (e posso atestar tudo isso, pois tenho o privilégio de conhecê-lo pessoalmente) e que deixou um rastro de boas realizações por onde passou.

Num Estado laico, qualquer pessoa, independentemente de sua fé ou da falta dela, tem direito de exercer sua cidadania e servir ao País, desde que tenha competência para ocupar o cargo específico para a qual foi chamada. Que o tempo e as realizações falem por si mesmos.

Michelson Borges

Leia também: “Imprensa e academia mais uma vez manifestam preconceito contra o criacionismo e a TDI”, “A grande imprensa e a academia detonariam César Lattes” e “Conteúdos úteis na atual discussão sobre criacionismo acirrada pelo Jornal Nacional

Cientistas querem criar nariz artificial

Pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) estão trabalhando duro para desenvolver um sensor que imita o funcionamento do nariz humano. Eles afirmam ter superado um dos maiores problemas nessa empreitada: a produção em massa de proteínas chamadas “receptores olfativos”. Em média, os humanos têm 100 milhões dessas proteínas. Na verdade, segundo reportagem da BBC, muitos pesquisadores no mundo todo estão trabalhando no desenvolvimento de “narizes eletrônicos”, que detectam as mesmas moléculas que formam os cheiros reconhecidos pelo olfato das pessoas. “Mas, enquanto muitas dessas experiências são baseadas em sensores construídos com materiais artificiais, a pesquisa do MIT trabalha com um sensor baseado na biologia do nariz humano”, explica a reportagem.“

A principal barreira para o estudo do olfato é que não tínhamos conseguido fabricar receptores em número suficiente e homogeneizar esses receptores”, diz Brian Cook, do MIT. Shuguang Zhang, diretor associado do Centro para Engenharia Biomédica do MIT, admite que “ninguém realmente entende como [o olfato] funciona. Ainda é um enigma”.

O nariz humano tem cerca de 300 tipos diferentes de receptores olfativos na membrana que cerca as células que revestem as passagens nasais. Cada receptor se liga a um tipo diferente de molécula. Segundo a BBC, as tentativas anteriores de fabricar receptores artificiais fracassaram, pois a estrutura é destruída quando esses receptores são retirados do ambiente específico. Ou seja, os receptores foram criados para funcionar especificamente no local em que estão. O que a equipe do MIT fez, então, foi desenvolver uma solução que protege os receptores durante o processo de produção.

O professor Krishna Persaud, da Universidade de Manchester, Grã-Bretanha, elogia a pesquisa do MIT, mas lembra que ainda existem obstáculos antes da criação de um sensor baseado no nariz humano: as proteínas fabricadas precisam ser colocadas de uma forma que possam funcionar do mesmo jeito que funcionam na membrana da célula. E, mais importante: é necessário desenvolver um método de coleta da informação dessas proteínas, transmissão e processamento dessa informação.

Mais uma vez, vemos cientistas bem inteligentes gastando tempo e dinheiro na tentativa de imitar um mecanismo complexo que eles ainda nem entendem direito. Como se desenvolveram esses receptores olfativos capazes de se ligar a tipos específicos de moléculas? E mais: De que adiantaria terem “surgido” receptores olfativos sem a existência de um método de coleta da informação das proteínas? De que adiantaria tudo isso, sem um meio de transmissão e processamento de toda essa informação?

Na próxima vez que você sentir o cheiro agradável de uma flor ou de um bom perfume, agradeça ao Criador por presenteá-lo com o complexo e maravilhoso sentido do olfato.

(Michelson Borges é jornalista, pós-graduado em Biologia Molecular e mestre em Teologia)

Astronauta brasileiro compartilhou foto para provar que Terra não é plana

O ex-ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações Marcos Pontes compartilhou em uma rede social na noite da terça-feira, 21 [de janeiro de 2020], uma foto para provar que a Terra não é plana e, sim, redonda. “Para quem ainda acha que a Terra é plana, veja segunda foto… kkk”, publicou Pontes no Twitter ao compartilhar um post do Centro de Voos Espaciais George C. Marshall, da Agência Espacial Americana, a Nasa. Pontes ficou famoso em 2006, quando a bordo de um foguete russo se tornou o primeiro astronauta brasileiro – e até hoje o único – a ir ao espaço. Durante oito dias, ele ficou no laboratório espacial, onde realizou uma série de experimentos para a Agência Espacial Brasileira (AEB).

Piloto de caça e engenheiro aeronáutico formado pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), com mestrado em Engenharia de Sistemas pela Naval Postgraduate School, na Califórnia, nos Estados Unidos, Pontes foi selecionado em 1998 para o programa da Nasa, onde foi declarado astronauta. […]

(Terra)

Nota: Gostaria de ver a coragem dos principais terraplanistas brasileiros em dizer ao Sr. Pontes que ele está mentindo, que nunca foi ao espaço e que não viu a Terra lá de cima. E mais: provarem isso. Infelizmente, esses propagadores de desinformação conseguiram macular o criacionismo ao passar a ideia de que os criacionistas seriam terraplanistas. Criei uma playlist em meu canal no YouTube justamente para desmentir essa ideia absurda (confira). A Sociedade Criacionista Brasileira se manifestou quanto a isso por meio de uma nota de repúdio (veja aqui). Pena que setores da mídia mal-intencionados e mais preocupados em fazer política estejam ignorando esse fato e promovendo essa associação falaciosa e injusta. Pena, também, que professos cristãos estejam participando de toda essa mentira, levantando falso testemunho (que é pecado) contra pessoas como o Sr. Marcos Pontes. [MB]

Criacionismo é racista?! Ok, vamos falar de racismo

Neste texto, vou comentar brevemente o artigo “As relações estreitas entre criacionismo, escravidão e racismo”, da historiadora Luciana Brito. Ela é professora da Universidade Federal do Recôncavo e também integra uma organização de mulheres chamada Rede de Mulheres Negras da Bahia. Luciana começa falando sobre o mito da criação na cultura do candomblé. Fala do papel de Yemanjá (deusa das águas), Obalatá (céu) e Oduduá (terra). E então afirma: “Esse é um mito, um dos vários que explicam a ‘criação’ e servem unicamente para explicar a origem do mundo sob uma determinada perspectiva religiosa. Mas e o criacionismo? Por que essa mitologia cristã que explica a criação do mundo tem, cada vez mais, se deslocado do lugar de metáfora para ser uma ideologia norteadora de governos conservadores, orientando políticas públicas, sobretudo na área da educação?”

Deixando de lado o aspecto político da coisa, é bom, antes de mais nada, lembrar uma das definições de criacionismo: estrutura/modelo conceitual que adota para o estudo da natureza a possibilidade da existência de um Criador. A vida teria sido criada inicialmente complexa, completa e funcional, em tipos básicos de seres vivos dotados do aporte necessário para sofrer diversificação limitada ao longo do tempo. Existem três principais ramificações distintas dentro do criacionismo: a religiosa, a bíblica e a científica. O criacionismo científico parte da pesquisa científica, no sentido de identificar evidências de design intencional na natureza – mais ou menos como fazem os investigadores criminais, que lidam com pistas em busca do culpado. Portanto, criacionismo nada tem que ver com mitos de criação ancestrais.

A Dra. Luciana Brito sustenta em seu artigo que “teorias como o criacionismo desde sempre foram utilizadas para justificar projetos políticos de organização da sociedade. Nos Estados Unidos do início do século 19, por exemplo, teorias criacionistas estavam de ‘mãos dadas’ com as teses que defendiam a escravidão e a segregação racial”. Então ela cita algumas pessoas que, de fato, defendiam ideias escravagistas, como Thomas R. Dew, professor universitário da Virginia que acreditava que “negros tinham hábitos e sentimentos de escravos, enquanto os brancos carregavam em si, naturalmente, o comportamento de senhores”.

Segundo ela, “teses baseadas no Antigo Testamento foram amplamente utilizadas para justificar a escravidão”. E cita outro historiador: George Fredrickson, autor do livro The Black Image in the White Mind (A Imagem Negra na Mente Branca, em tradução livre), que se vale da história de Cam (filho de Noé) para discorrer sobre a maldição usada para justificar “o eterno estágio de submissão e servidão à qual estariam submetidas as raças africanas”. (Neste texto há uma explicação do porquê essa associação é falsa.)

Logo, a Bíblia e o criacionismo nada têm que ver com as ideias defendidas por Dew nem por Fredrickson.

Luciana diz também que “foi na década de 1850 que um grupo de cientistas percebeu que havia outro caminho para justificar a escravidão que não ferisse as escrituras bíblicas: o poligenismo”. E lembra que o cientista Louis Agassiz “acreditava que existiam ‘zonas de criação’, que haviam produzido, em partes do mundo distintas, quase ao mesmo tempo, diferentes espécies. A raça branca, por exemplo, seria aquela mais avançada, única que descendia de Adão e Eva. Agassiz afirmava que os negros, por sua vez, haviam surgido de uma outra criação, que produziu uma raça inferior, oriunda das regiões tropicais”.

Mais uma vez pergunto: O que a Bíblia e o criacionismo têm que ver com essa insanidade racista?

Então Luciana conclui dizendo que “Agassiz e sua teoria criacionista/poligenista só caíram em descrédito quando confrontadas com a teoria da evolução de Charles Darwin, que acabou ofuscando o suíço”.

Ok. Já que ela mencionou Darwin, que tal averiguar quais eram as ideias do naturalista inglês a respeito dos negros?

Vale a pena dar uma olhada no que ele escreveu em seu livro pouco conhecido e muito constrangedor The Descent of Man (A Descendência do Homem). Nessa obra de 1871 (portanto, posterior ao aclamado Origem das Espécies), Darwin afirma que a lacuna atual entre antropóides e humanos se encontra entre o gorila, do lado do macaco, e o negro ou aborígene australiano, do lado humano: “A ruptura entre homem e seus mais próximos aliados será então ampliada, pois irá intervir entre o homem em um estado mais civilizado, como podemos esperar, mesmo que o caucasiano e alguns macacos tão baixos quanto um babuíno, ao invés de como agora entre o negro ou australiano e o gorila” (capítulo 6, “On the affinities and genealogy of man”).

E aí? Deixou Agassiz no chinelo no que diz respeito a racismo, hein!

E já que estamos falando em preconceito, que tal uma olhadinha também no que Darwin escreveu sobre homens e mulheres?

“A distinção principal nos poderes mentais dos dois sexos reside no fato de que o homem chega antes que a mulher em toda ação que empreenda, requeira ela um pensamento profundo ou então razão, imaginação, ou simplesmente o uso das mãos e dos sentidos. Se houvesse dois grupos de homens e mulheres que mais sobressaíssem na poesia, na pintura, na escultura, na música (trate-se da composição ou da execução), na história, nas ciências e filosofia, não poderia haver termos de comparação. […] podemos também concluir que, se em muitas disciplinas os homens são decididamente superiores às mulheres, o poder mental médio do homem é superior àquele destas últimas” (A Origem do Homem e a Seleção Sexual, p. 649).

No início dos anos 2000, houve uma grande discussão sobre a devolução de cadáveres de africanos e aborígenes “empalhados” e expostos em diversos museus da Europa. Hoje, pouco se fala que o motivo de empalharem essas pessoas e as exibirem em museus era o fato de os evolucionistas as considerarem como estando mais abaixo na cadeia evolutiva (confira). 

“Há cinco anos, a mídia mundial concentrou sua atenção em Gaborone, no Botsuana, para assistir ao repatriamento de um cadáver. O corpo empalhado de um africano do século 19, que estava em exibição havia mais de um século em museus europeus, foi devolvido ao seu solo nativo. Populações indígenas fora da Europa, desde os ‘hotentotes’ do sul da África até os maori da Nova Zelândia, foram durante muito tempo objeto de investigação científica e antropológica europeia. Museus em todo o continente mantêm crânios, peles e órgãos dos povos que os impérios europeus dominavam. Grupos de aborígines na Austrália afirmam que pelo menos 8.000 conjuntos de aborígines permanecem sozinhos em instituições no exterior” (fonte). 

“Está registrado na história de Mackay, Queensland, que um colecionador estrangeiro fez um pedido a um soldado para que ele matasse um menino nativo para fornecer um exemplar completo com esqueleto, pele e crânio de um aborígene australiano” (The Sydney Morning Herald, 31 de janeiro de 1955, p. 2).

Viu só como ideias têm consequências? E essas aí não vieram da Bíblia nem do criacionismo.

No livro The Creationists, o pesquisador Ronald Numbers afirma que o criacionismo espalhou-se rapidamente durante o século 20, desde seu humilde começo “nos escritos de Ellen White”. Mark Noll também afirma que o criacionismo moderno emergiu dos esforços dos adventistas do sétimo dia. Portanto, um exercício interessante é o de comparar com as ideias de Darwin o que escreveu a contemporânea dele Ellen White, que, como sustentam Numbers e Noll, é uma das precursoras do criacionismo.

Sobre negros e brancos, ela escreveu: “O nome do homem de cor é escrito no livro da vida, ao lado do nome do homem branco. Todos são um em Cristo. Nascimento, posição, nacionalidade ou cor não podem elevar nem degradar os homens” (Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 342).

“Todos são um em Cristo.” Aqui Ellen ecoa as palavras do apóstolo Paulo, que escreveu: “Não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gálatas 3:28). Essa é a verdadeira visão antropológica criacionista bíblica.

E sobre mulheres e homens, Ellen escreveu: “Ao criar Eva, Deus pretendia que ela não fosse nem inferior nem superior ao homem, mas em todas as coisas lhe fosse igual. O santo par não devia ter nenhum interesse independente um do outro; e não obstante cada um possuía individualidade de pensamento e de ação” (Testemunhos Seletos, v. 1, p. 412).

Portanto, culpar o criacionismo pelas ideias e atitudes equivocadas de pretensos defensores do modelo é como culpar o cristianismo pela Inquisição católica, por exemplo. Para um criacionista, homens e mulheres têm o mesmo valor diante de Deus, pois foram criados assim por Ele, sendo ambos Sua imagem e semelhança. Para um criacionista, negros e brancos são uma só raça, a raça humana, pois descendem ambos do mesmo casal, Adão e Eva (que não eram brancos nem negros, pelo que se percebe no texto bíblico).

É lamentável quando o viés político se sobrepõe aos fatos criando distorções e aumentando o preconceito sobre algo que se desconhece.

(Michelson Borges é jornalista, pós-graduado em Biologia Molecular e mestre em Teologia)

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