Recentemente, o biólogo evolutivo Colin M. Wright publicou o artigo “Why there are exactly two sexes”, no qual defende que a definição biológica de sexo se baseia unicamente na produção de gametas – ou seja: quem produz espermatozoides é macho; quem produz óvulos é fêmea (confira). Ele argumenta que as categorias “masculino” e “feminino” não são construções sociais, mas um fato evolucionário universal: a anisogamia (confira).
Como defensor de uma cosmovisão criacionista, considero esse artigo relevante – mas também merecedor de crítica cuidadosa. O autor oferece argumentos científicos que, à primeira vista, reforçam a ideia de dois sexos. Contudo, a partir de uma perspectiva bíblico-criacionista, surgem três áreas de questionamento que merecem atenção:
1. Base evolucionária vs. base criacionista. Wright fundamenta sua defesa no pressuposto da evolução e da seleção sexual como explicação última para a separação de sexos. Ele afirma que “há somente dois tipos de gametas – pequenos e móveis (esperma) e grandes e imóveis (óvulos) – e, portanto, há exatamente dois sexos”. Contudo, a visão criacionista entende que Deus, ao criar “masculino e feminino” (Gênesis 1:27), não estava ou estaria guiado por processos de seleção ou acaso, mas por propósito e design intencional. A ênfase científica no “por que evoluiu” assume que o binário sexual é um produto de história evolutiva – o que conflita com a afirmação de que a estrutura sexual é estabelecida desde a criação.
2. Gametas como critério exclusivo. O artigo considera o gameta como a essência da definição de sexo: “Sexo é a classe reprodutiva cujo sistema biológico está organizado para produzir um dos dois tipos de gametas.” Mas essa abordagem cria um risco de simplificação: no caso humano, há condições intersexuais ou variações de desenvolvimento sexual (DSD) que desafiam a aplicação direta de tal definição. A ciência mostra que nem sempre o indivíduo adulto produz ou produzirá gametas, ou que seu sistema está perfeitamente organizado conforme o “padrão”. A partir de uma perspectiva criacionista, isso aponta para a “quebra” do ideal original (Gênesis 3) – e não para uma prova de que o binário seja consequência evolutiva. Em outras palavras: variações não derrubam a norma, mas revelam o efeito da queda.
3. Limites da biologia para explicar valor e pessoa. Mesmo que aceitemos o argumento de Wright – de que na natureza existem dois papéis sexuais reprodutivos distintos –, isso não resolve a questão de identidade, propósito e valor humano. A cosmovisão evolutiva muitas vezes reduz o homem a “agente reprodutor” ou “provedor de gametas”, enquanto o criacionismo insiste que o ser humano é “à imagem de Deus” (Gênesis 1:27), com valor intrínseco além da função reprodutiva. O artigo falha em integrar significado, propósito ou valor último – elementos centrais para a visão cristã.
Conclusão
O artigo de Colin Wright contribui para o debate científico ao reafirmar o binário sexual sob a definição gamética. Entretanto, do ponto de vista criacionista, ele permanece incompleto – pois não aborda a origem intencional, o design e o propósito humano; limita-se ao explanar “como” e não “por que”.
Se há apenas dois sexos, como ele defende, esse fato pode, sim, ser visto como coerente com a narrativa bíblica de Gênesis. Mas devemos lembrar que a “queda”, a “quebra” e o “restauro” são partes da história humana que a biologia sozinha não explica.
Para leitores do blog Criacionismo, o convite permanece: usemos a ciência com humildade, verifiquemos suas alegações, entremos em diálogo, mas tenhamos como alicerce a Palavra revelada, que não depende apenas de gametas para definir o humano, mas declara que Deus nos formou, conheceu e amou antes de fazermos “números reprodutivos”.
Acabou de ser revelada uma descoberta arqueológica extraordinária nas sombras do Monte do Templo em Jerusalém – e muitos estão se perguntando se esse achado pode confirmar relatos bíblicos antigos. O jornalista Raj Nair, da CBN, entrevistou o guia israelenseYoav Rotem, que compartilhou detalhes inéditos da escavação. Segundo eles, foram encontrados artefatos raros em um túnel sob o monte, cuja importância histórica pode lançar nova luz sobre o contexto da Jerusalém judaica antiga.
Um desses artefatos chama atenção especial: uma bula de barro (selo) do período do Primeiro Templo, com o nome “Yedayah filho de Asayahu”, encontrada no solo do Monte do Templo no projeto de triagem de terras (Temple Mount Sifting Project) (Times of Israel). Esse nome já aparece em registros bíblicos, sugerindo que a pessoa pode ter pertencido à administração do reino de Judá – embora não se possa afirmar com certeza que é a mesma figura mencionada nas Escrituras.
Esses achados não são provas definitivas, mas juntam-se a muitos outros vestígios que dialogam com o texto bíblico e ajudam a reconstruir o cenário histórico de Jerusalém. Por exemplo, arqueólogos também descobriram recentemente um fosso defensivo monumental que dividia a antiga cidade, possivelmente datado do reinado de Josias, como parte das fortificações do Templo (Times of Israel+1). Essa descoberta confirma descrições topográficas que se encontram nas Escrituras (Times of Israel+1).
Esses achados servem para enriquecer nossa compreensão do mundo bíblico – mostrando que, por trás dos textos espirituais, houve realidades históricas, pessoas com nomes, lugares que existiram, templos, selos, estruturas defensivas.
Se algo nos impressiona, é constatar que a Palavra teve um cenário. Cada fragmento, cada selo ou muro descoberto pode ser um eco do passado – e um convite para ler as Escrituras com novos olhos. A fé não precisa ser provada por pedras ou objetos; mas a arqueologia nos oferece um contexto mais vivo para acreditar, estudar e admirar que Deus usa o tempo, a cultura, a história – até as escavações – para nos apontar Sua obra.
Pesquisas recentes mostram que o corpo humano emite uma luz ultrafraca, tão sutil que é mil vezes mais fraca do que a percepção do olho humano. O estudo de Masaki Kobayashi e colaboradores, publicado no PLoS ONE, utilizou câmeras CCD de alta sensibilidade para capturar essa emissão de fótons, revelando que o corpo não apenas brilha, mas segue um ritmo circadiano: a luz é mais intensa no final da tarde e diminui durante a madrugada. O rosto, especialmente as bochechas e a região ao redor da boca, é a área de maior intensidade, enquanto o tronco e outras regiões apresentam emissão mais baixa. Esse padrão não se correlaciona com a temperatura corporal, mas sim com processos metabólicos, incluindo a produção de radicais livres e reações bioquímicas que geram moléculas excitadas capazes de emitir luz. Além disso, a emissão de fótons apresenta correlação inversa com o cortisol, hormônio ligado ao estresse, sugerindo que essa luminescência é influenciada pelo estado fisiológico do organismo e pelo relógio biológico interno.
Resumo do artigo: “O corpo humano literalmente brilha. A intensidade da luz emitida pelo corpo é 1.000 vezes menor do que a sensibilidade a olho nu. A emissão de fótons ultrafraca é conhecida como a energia liberada como luz através das alterações no metabolismo energético. Obtivemos com sucesso imagens da variação diurna dessa emissão de fótons ultrafraca com um sistema de imagem altamente sensível aprimorado, utilizando uma câmera criogênica com dispositivo de carga acoplada (CCD). Descobrimos que o corpo humano emite luz direta e ritmicamente. As variações diurnas na emissão de fótons podem estar relacionadas a alterações no metabolismo energético.”
O artigo diz mais: “Essa emissão de biofótons é categorizada em diferentes fenômenos de emissão de luz da bioluminescência e acredita-se que seja um subproduto de reações bioquímicas nas quais moléculas excitadas são produzidas a partir de processos bioenergéticos que envolvem espécies ativas de oxigênio.”
A emissão de biofótons está ligada a processos metabólicos, especialmente às reações oxidativas normais da respiração celular. Quanto maior a taxa metabólica (ex.: em pessoas mais ativas ou em tecidos em maior atividade), maior a chance de gerar estados excitados de moléculas que liberam fótons.
Para a perspectiva criacionista, essa descoberta é fascinante. Ela evidencia que o corpo humano não é apenas uma estrutura física complexa, mas uma obra de design divino, cuidadosamente planejada para funcionar em harmonia com ritmos naturais e processos bioquímicos finamente ajustados. Cada célula, cada molécula envolvida na emissão de luz – desde lipídios e proteínas excitadas até fluoróforos na pele – demonstra ordem e propósito. Mais do que um fenômeno físico, o brilho humano pode ser interpretado como um reflexo da vida que Deus colocou em cada ser humano, lembrando que nosso corpo não é apenas matéria, mas um templo do Espírito Santo (1 Coríntios 6:19, 20).
Manter a saúde, respeitar os ritmos naturais, dormir adequadamente e nutrir-se de forma equilibrada não é apenas autocuidado: é reconhecer a dignidade da criação divina, honrar o presente da vida e viver em consonância com o Criador, cujo cuidado e sabedoria estão refletidos em cada detalhe de nosso organismo. Esse estudo nos convida a contemplar a ciência não como oposição à fé, mas como uma lente para perceber a complexidade e a beleza do design divino que existe em nós. [MB]
Nota: A Bíblia sugere que o ser humano já refletiu a luz divina de forma especial: segundo Ellen White, Adão e Eva, antes da queda, eram revestidos de uma glória luminosa que se perdeu com o pecado (quando então se deram conta de estar nus); Moisés desceu do Sinai com o rosto resplandecente após falar com Deus (Êx 34:29); Estêvão, cheio do Espírito Santo, teve o rosto brilhando como de anjo (At 6:15); e há a promessa de que os justos resplandecerão como o sol no Reino de Deus (Mt 13:43; Dn 12:3). Esses textos indicam que fomos criados para irradiar a presença do Criador e que, um dia, essa luz será plenamente restaurada em nós por Cristo.
Patriarcas e Profetas, capítulo 2 (A criação): “O homem e a mulher não tinham vestes artificiais; estavam vestidos de uma cobertura de luz e glória, tal como os anjos.” História da Redenção, p. 21 (edição em português): “Eles não tinham roupas de seda ou de ouro; estavam vestidos com uma túnica de luz e glória, semelhante à que cobria os anjos.” Signs of the Times, 9 de janeiro de 1879 (em inglês): “Our first parents were not left naked and ashamed. They were clothed with a covering of light and glory, such as the angels wear.”
Em tempos em que a verdade tem se tornado relativa, a cosmovisão cristã traz uma base única e forte: Deus como o Criador
Dentro do contexto social e cultural em que vivemos, imersos nas redes sociais, tem sido bastante desafiador dialogar de forma autêntica. Muitas pessoas se escondem atrás de avatares e, quando se expressam, frequentemente repetem, como um disco riscado, ideias equivocadas propagadas por pseudoinfluenciadores. Por isso, tem sido uma tarefa árdua distinguir o fato da distorção e a verdade da mentira. O resultado é uma espécie de dissonância cognitiva coletiva.
Dentro da área da ciência, a história não é muito diferente. O conceito de verdade se tornou um terreno de disputa. Ao longo dos séculos e influenciados por distintas correntes filosóficas, o conceito de verdade tornou-se fluido: paradigmas que em determinada época foram considerados inquestionáveis, se revelaram equivocados. Um exemplo marcante é a crença no geocentrismo. Durante séculos, acreditou-se que a Terra era o centro do Universo, uma convicção sustentada até ser derrubada pelas observações de Nicolau Copérnico, Galileu Galilei e Johannes Kepler. Os cientistas, portanto, redefinem continuamente o que se entende por verdade conforme novos conhecimentos surgem.
Já para aqueles que possuem a cosmovisão cristã, a verdade não é relativa nem transitória. Ela se ancora em Deus e Sua palavra como fonte absoluta, independentemente de variações culturais ou interpretações humanas. Essa compreensão oferece um senso de propósito que vai além da mera sobrevivência: orienta decisões, molda valores e dá sentido à existência.
Naturalismo e criacionismo: duas cosmovisões concorrentes
Atualmente, duas cosmovisões disputam espaço na interpretação da realidade: o naturalismo, que é um pressuposto básico da cosmovisão evolucionista, e o criacionismo, característica da cosmovisão bíblico-cristã.
O naturalismo sustenta que todos os fenômenos podem ser explicados sem recorrer a agentes sobrenaturais ou a um Criador. Nessa perspectiva, as ferramentas da ciência seriam suficientes para descrever e explicar a origem e o funcionamento do Universo. O criacionismo, por outro lado, combina pressupostos bíblicos e filosóficos à análise científica, reconhecendo como plausíveis hipóteses que o naturalismo descarta por princípio. Essa abordagem interpretativa amplia o horizonte de leitura dos dados, permitindo que fósseis, rochas ou evidências geológicas sejam entendidos sob diferentes lentes, sem que determinadas hipóteses sejam negadas.
A herança científica da cosmovisão cristã
Embora muitas vezes caricaturada como anticientífica ou pseudociência (o que é um equívoco), a cosmovisão cristã criacionista desempenhou papel central na construção dos pilares da ciência moderna. Cientistas como Copérnico, Galilei, Kepler e Newton desenvolveram suas teorias movidos pela convicção de que a natureza refletia a racionalidade e a ordem do Criador. Estudar os fenômenos naturais era, para eles, uma forma de compreender a mente divina.
Um exemplo marcante é o de Isaac Newton. Em uma carta enviada em 1692 a um amigo, Richard Bentley, Newton afirmou que o objetivo de seus estudos (como em seu célebre livro Princípia), era levar as pessoas a pensarem e acreditarem em Deus. Ele registrou: “Quando escrevi meu tratado sobre nosso sistema, eu tinha em mente princípios que pudessem funcionar na consideração dos homens quanto à crença em uma Divindade; e nada pode me alegrar mais do que considerá-lo útil para esse propósito.”¹
Testemunhos como esse evidenciam que fé e ciência não precisam ser vistas como opostas. Pelo contrário, são abordagens complementares: enquanto a ciência busca explicar como os fenômenos acontecem, a fé aponta para o quem e o propósito responsável pela ordem observada no Universo.
Mesmo nesse contexto, ainda há quem defenda que não é possível realizar pesquisa científica de qualidade levando em conta, por exemplo, o relato bíblico a respeito das origens. A cosmovisão criacionista, com frequência, é alvo de críticas sendo muitas vezes rotulada como pseudociência ou associada à Teoria do Design Inteligente, vista por alguns como criacionismo disfarçado.
A seguir serão discutidas quatro críticas comuns direcionadas à cosmovisão criacionista e por que elas não fazem o menor sentido.
1. Criacionistas ignoram evidências evolutivas
Uma crítica comum dirigida ao criacionismo é a de que seus defensores ignoram as chamadas “evidências evolutivas”. No entanto, é importante destacar que não existem “evidências evolutivas” ou “evidências criacionistas”: evidência é evidência. Um fóssil, por exemplo, não pode ser rotulado como evolucionista ou criacionista. Ele é simplesmente um fóssil. O que pode variar é a interpretação feita pelo cientista que o estuda, seja a partir da perspectiva evolucionista, seja da criacionista.
Um exemplo ilustrativo é o de um plesiossauro exposto no Museu de História Natural de Londres. Esse animal foi preservado quase completo, com as partes ainda articuladas, o que sugere que foi soterrado rapidamente. Caso tivesse permanecido exposto, teria sido consumido por organismos detritívoros e sido desmembrado com o tempo. Para que um fóssil como esse fosse preservado de forma tão íntegra, era necessário um soterramento rápido. A cosmovisão criacionista interpreta esse processo como resultado da grande catástrofe do Dilúvio, enquanto a perspectiva evolucionista o entende como eventos localizados ocorridos no passado, sem implicações globais.
Fóssil de plesiossauro em exibição no Museu de História Natural de Londres. (Foto: Arquivo pessoal)
2. O criacionismo foi refutado pela evolução
Muitos críticos afirmam que o criacionismo teria sido refutado pela evolução, mas antes de aceitar tal afirmação é fundamental esclarecer o que se entende por evolução, já que o termo é frequentemente usado de maneira imprecisa. Em sentido amplo, e como foi estabelecido pelo próprio Darwin, evolução significa descendência com modificação, isto é, quando indivíduos transmitem características às gerações seguintes com pequenas variações. Exemplos como as diferenças no formato do bico dos tentilhões ou as variações no casco entre as tartarugas gigantes das Ilhas Galápagos ilustram esse processo.
Tais mudanças, conhecidas como microevolução, correspondem a variações dentro de uma mesma espécie, algo que os criacionistas não negam. As diversas raças de cães, que vão do pug ao husky, são um exemplo claro: todos pertencem à mesma espécie (Canis lupus), mas apresentam ampla diversidade em tamanho, força e adaptação. Essas variações surgiram ao longo do tempo, estimuladas pela seleção artificial conduzida pelo ser humano.
Para o criacionismo, tais processos são possíveis porque entende-se que Deus criou os seres vivos com capacidade de adaptação, embora dentro de limites. Em contraste, os evolucionistas defendem também a existência de macroevolução, ou seja, mudanças em escala muito maior, capazes de gerar novos grupos de organismos a partir de ancestrais comuns. Nessa perspectiva, a seleção natural, ao longo de milhões de anos, poderia originar novas formas de vida, como os T-Rex dando origem, após milhões de anos, a aves como as galinhas. Contudo, criacionistas consideram essa interpretação insustentável, pois não há evidências observacionais conclusivas e o registro fóssil apresenta lacunas significativas.
Assim, enquanto a teoria evolucionista se baseia na ideia de uma única árvore da vida, o criacionismo propõe a baraminologia², segundo a qual Deus criou diferentes tipos básicos de organismos, comparáveis a um pomar, em que cada grupo pode se diversificar internamente, mas sem ultrapassar os limites estabelecidos na criação.
Representação esquemática do surgimento da diversidade da vida na perspectiva evolutiva Darwinista (A – árvore da vida), representando o gradualismo com apenas um único ancestral comum universal; e a representação criacionista com vários tipos básicos ancestrais (B – Pomar da vida), dando origem a descendentes dentro de limites. Adaptado pela autora de orchardoflifescience.com
3. Criacionismo é Design Inteligente disfarçado
Recentemente, a revista Superinteressante publicou um texto criticando o Design Inteligente, classificando-o como “uma pseudociência criacionista que tenta se infiltrar nas escolas”³. Contudo, é preciso esclarecer que criacionismo não é pseudociência, nem Design Inteligente disfarçado: tratam-se de perspectivas distintas. O Design Inteligente é apresentado por diversos teóricos, como Michael Behe e Stephen Meyer, que defendem ser possível utilizar o método científico para identificar evidências de um designer na natureza. Entre os critérios utilizados, destacam-se os conceitos de complexidade irredutível e a de informação especificada.
O conceito de complexidade irredutível é frequentemente ilustrado pelo exemplo da ratoeira: se qualquer uma de suas peças falhar ou estiver ausente, o mecanismo deixa de cumprir sua função. De maneira análoga, sistemas biológicos como a estrutura propulsora do flagelo bacteriano ou o complexo enzimático da ATP sintase dependem da presença e do funcionamento adequado de todos os seus componentes. A ausência ou o defeito de uma única parte compromete todo o sistema, impossibilitando seu funcionamento.
Se o gradualismo é real, esses sistemas não poderiam ser formados ao longo dos milhões de anos, pois seriam eliminados pela seleção natural. Já o conceito de informação especificada se refere à informação presente nos seres vivos, como o código do DNA. Essas moléculas não poderiam ter surgido unicamente por meio da seleção natural, já que esta não teria capacidade de gerar informação nova com esse nível de organização. Assim, o Design Inteligente busca analisar processos naturais e avaliar se é mais provável que tenham sido resultado de uma causa inteligente do que por mecanismos puramente naturais, sem assumir compromisso direto com a identidade desse designer.
O criacionismo, por sua vez, é uma cosmovisão que reconhece esse designer como o Criador revelado nas Escrituras e envolve uma dimensão de fé racional com base em evidências fornecidas pelo método científico. Portanto, embora ambos critiquem limitações da teoria evolutiva, não podem ser confundidos. Há inclusive pessoas agnósticas ou sem vínculo religioso que aceitam o Design Inteligente sem se identificarem como criacionistas. Por isso, ao se reduzir o debate a uma associação simplista entre criacionismo e Design Inteligente, corre-se o risco de incorrer em falácias, em vez de promover uma discussão consistente sobre as fragilidades e implicações de cada perspectiva.
4. Criacionismo é religião, não tem base científica
O criacionismo não é uma religião em si, mas uma cosmovisão. Enquanto existem diversas denominações religiosas, o criacionismo se caracteriza por compreender que há evidências científicas, históricas e arqueológicas que dão suporte à fé no relato bíblico da criação — não apenas no livro de Gênesis, mas em toda a Bíblia como um conjunto coerente e digno de confiança. Além disso, reconhece que a própria natureza, em suas dimensões visíveis e invisíveis, aponta para o Criador.
Como afirma o salmista: “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das suas mãos” (Salmos 19:1-2). De forma semelhante, Paulo escreve: “Os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, são vistos claramente desde a criação do mundo, sendo percebidos por meio das coisas criadas” (Romanos 1:20). Isso mostra que não é necessário que Deus faça um discurso direto; pela observação e pelo estudo da natureza é possível reconhecer Sua intervenção na vida dos seres criados. A fé, portanto, não deve ser cega, mas fundamentada em evidências que apelam à razão humana, como o apóstolo Paulo afirma em Romanos 12:1 ao exortar ao culto racional.
Assim, o criacionismo é uma cosmovisão sustentada por múltiplos tipos de evidências, incluindo as científicas, que revelam ordem e propósito no universo. Da mesma forma que não vemos a gravidade ou as leis que regem o movimento dos planetas, mas as reconhecemos por meio de cálculos e observações, também compreendemos que onde há leis, há um legislador.
É interessante perceber que as críticas ao criacionismo e os debates entre defensores do Design Inteligente e da teoria da evolução revelam muito mais do que uma simples disputa de evidências: eles mostram como diferentes perspectivas moldam nossa compreensão da realidade, inclusive no que diz respeito à existência ou não do transcendente. Diante disso, podemos ser tentados a adotar uma postura combativa, como se a aceitação da nossa cosmovisão dependesse unicamente da nossa habilidade de argumentação e persuasão. No entanto, é fundamental lembrar de dois pontos essenciais. Primeiro, não somos nós, mas a ação do Espírito Santo que convence as pessoas (João 16:8). Segundo, por trás das discussões sobre criação e evolução existe um pano de fundo maior: o grande conflito.
Nosso adversário não é aquele com quem dialogamos, mas Satanás. Por isso, nossa preparação deve ir além dos argumentos científicos e filosóficos, incluindo também o estudo profundo da Palavra de Deus. Assim, mesmo que o resultado imediato não seja o esperado, podemos ter a certeza de que estamos acompanhados pelo maior e melhor aliado: o nosso Criador.
(Maura Brandão é bióloga e doutora em Ciências pela USP; texto publicado no portal de notícias da DSA)
A matéria de capa da revista Ciência Hoje de abril de 2010 é simplesmente impressionante! Assinado por Priscila Vianna e José Artur Bogo Chies, do Laboratório de Imunogenética da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o artigo explica os mecanismos biológicos que impedem que o feto seja identificado pelo organismo da mãe como um corpo estranho e acabe sendo rejeitado. O texto começa com inegável linguagem de design inteligente: “A evolução da gestação, o nascimento do bebê e a produção de leite para alimentá-lo compõem uma sequência natural e bem planejada, com vistas a acolher um novo ser. A interação imunológica entre mãe e filho que acontece ao longo da gestação é mantida até o período de amamentação. O aleitamento transfere anticorpos da mãe para o filho e esses anticorpos permitirão à criança reconhecer agentes causadores de doenças, protegendo-a durante seu desenvolvimento.”
O texto prossegue com explicações técnicas minuciosas e a pergunta que fica no ar e que nem de longe é tratada pela matéria é: Até que esses processos e mecanismos bioquímicos evoluíssem, como os seres humanos (ou quaisquer outros seres que se reproduzem sexualmente) sobreviveram? A complexidade irredutível envolvida em cada descrição no texto é tão grande, que em momento algum a palavra “evolução”, no contexto darwinista, é evocada – o que é curiosamente típico em pesquisas científicas que tratam de complexidade nesse nível.
Segundo os autores do artigo, “na gestação, o corpo feminino sofre diversas alterações hormonais e físicas, além de mudanças no perfil imunológico. O sistema imune materno precisa aprender a conviver com o feto, que pode ser comparado a um transplante, pois a presença de 50% de material genético paterno o torna, para o organismo da mãe, um ‘estranho’”.
Detalhe: o sistema imune materno “precisa aprender”, mas sabe exatamente o que fazer quando a mulher engravida – e precisa saber. A fim de que o feto não seja rejeitado, a placenta o isola parcialmente, para protegê-lo, atuando como um filtro semipermeável que permite a troca de oxigênio e nutrientes, assim como a comunicação imunológica ao longo da gestação. Bem, se os seres sexuados tivessem evoluído a partir de assexuados, é de se supor que a placenta não estivesse presente logo de início. O que serviria, então, de “filtro” para o feto? Como ele teria sobrevivido sem o devido aporte de oxigênio e nutrientes e sob o ataque do organismo materno?
O texto prossegue: “Para que uma gestação se desenvolva com sucesso, é importante que o sistema imune materno reconheça o feto, sem rejeitá-lo, e induza uma resposta de aceitação, gerando um ambiente adequado para a boa evolução do futuro bebê. A relação harmoniosa entre mãe e filho envolve a interação de aspectos da imunologia celular e humoral (por meio de citocinas [células que auxiliam na comunicação entre as células em um organismo] e anticorpos) e de outros componentes. Vários mecanismos protetores regulam a resposta imune materna ao feto e garantem sua aceitação, entre eles (1) a presença da placenta (tecido de origem embrionária), que isola física e imunologicamente o feto da mãe, e (2) a presença de uma resposta do tipo TH2 [célula auxiliar] na mãe, que evita um ataque do sistema de defesa ao feto.”
O interessante é que não há ligação direta entre vasos sanguíneos maternos e fetais, o que isola o feto, protegendo-o de um possível “ataque” do sistema imunológico materno. Para que a aceitação do feto ocorra, o corpo da mulher apresenta alterações imunológicas ao longo da gestação: mudanças no padrão de produção e liberação de citocinas, inibição localizada da proliferação de certas células do sistema imune (as que atacam corpos estranhos) ou indução da expressão de certas moléculas protetoras na superfície das células. Tudo de forma organizada e no tempo certo. Conforme o artigo, “é necessária uma delicada regulação de todo esse equilíbrio na produção de citocinas e na inibição de respostas celulares ao longo da gestação. Momentos distintos do tempo gestacional exigem perfis diferentes de equilíbrio entre esses vários fatores. O atraso na ativação ou inibição de qualquer uma dessas vias pode resultar em complicações da gestação, ou mesmo em aborto.”
Resumindo: além dos mecanismos certos, especificamente desenhados para funcionar corretamente desde a primeira vez, há também o fator tempo, ou seja, esses mecanismos tinham e têm que funcionar no momento exato em que eram/são necessários.
O feto também participa nesse processo todo, sendo estabelecida uma verdadeira “conversa” química entre ele e a mãe. Se eventualmente alguma célula de defesa da mulher ultrapassar a barreira placentária, o sistema imune do feto será capaz de evitar o “ataque”. “Isso é feito por meio de células T reguladoras fetais, que reagem à presença das células da mãe, liberando citocinas, que podem controlar ou inativar respostas danosas contra as células maternas, induzindo o estado de tolerância”, explicam os autores.
Mais interessante ainda: essas células do feto podem permanecer em circulação por até 17 anos após o nascimento, como memória imunológica, sendo capazes de reconhecer as células maternas. “O estudo inovador mostrou como mãe e feto mantêm um contato muito mais íntimo do que se imaginava anteriormente”, e mostrou também que o sistema imunológico do feto já é bastante ativo antes do nascimento. Eu já sabia que nunca conseguiria ser tão íntimo de minhas filhas quanto minha esposa. Agora estou ainda mais conformado…
O artigo conclui falando do perigo da pré-eclâmpsia, aumento da pressão sanguínea que coloca em risco tanto o feto quanto a mãe (na primeira gestação). É a segunda causa de morte materna no mundo e a primeira no Brasil, sendo responsável por até 10% das mortes de fetos ou mães durante a gravidez. Essa doença surge quando o organismo da mãe não consegue se modificar para “aceitar” o feto e aumenta a pressão sanguínea para “eliminar” o “corpo estranho”.
Voltamos à pergunta que não quer calar: E antes que esse complexo mecanismo “evoluísse”, como se dava essa modificação dirigida e interrelacionada dos sistemas imunes da mãe e do feto, capaz de evitar a pré-eclâmpsia e outros problemas fatais?
Davi não entendia de embriologia e imunologia, mas conseguiu expressar bem o assombro que nos envolve quando pensamos no maravilhoso processo de concepção e gestação de uma nova vida: “Graças Te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as Tuas obras são admiráveis” (Salmo 139:14).
E Jó, há mais de 3.500 anos, também se maravilhou: “Não me derramaste como leite e não me coalhaste como queijo? [concepção?] De pele e carne me vestiste e de ossos e tendões me entreteceste [desenvolvimento embrionário?]. Vida me concedeste na Tua benevolência, e o Teu cuidado a mim me guardou” (Jó 10:8-12).
Têm sido propostos dois modelos para a criação do Universo:
Modelo da Terra Jovem: o primeiro modelo, em geral, defende a criação da Terra – incluindo a sua modelagem para ter as condições necessárias para a existência da vida, bem como a própria vida em todas as suas manifestações – em seis dias, na semana da Criação, juntamente com a criação do Universo e do nosso Sistema Solar. Nesse primeiro caso, a semana da Criação corresponde, portanto, ao período da criação do Universo, juntamente com a modelagem da Terra para abrigar a vida, tendo os demais planetas e luas do Sistema Solar (criados nessa semana simultaneamente com a Terra) permanecido sem forma e vazios.[1: p. 23]
Modelo do intervalo passivo: em seu livro Origens, o zoólogo e paleontólogo Dr. Ariel Roth, ex-diretor do Geoscience Research Institute, nos informa que esse modelo é considerado uma variação do criacionismo da Terra Jovem.[2: p. 330] O modelo defende que Deus criou o Universo (espaço-tempo), estrelas e sistemas planetários, incluso a matéria da Terra (partículas elementares) em eras anteriores (época indeterminada), mas preparou a Terra para a vida e criou a vida somente poucos milhares de anos atrás, em seis dias (note a semelhança com o modelo geral da Terra Jovem).[3]
Nesse segundo caso, a semana da Criação relatada em Gênesis corresponde, portanto, somente ao período de modelagem da Terra (que sucedeu o período indeterminado desde a criação do Universo) para ter as condições necessárias para a existência da vida, bem como a própria vida em todas as suas manifestações.[4, 5] Nesse segundo caso, ainda, os demais planetas e luas do Sistema Solar teriam permanecido em seu estado original, sem forma e vazios, como eram desde o início da época indeterminada que precedeu a semana da Criação.[1: p. 23]
Richard Davidson, professor de Antigo Testamento da Universidade Adventista de Andrews, afirmou em artigo publicado na Revista da Sociedade Teológica Adventista que “várias considerações [o] levam a preferir o ‘intervalo passivo’ em relação ao modelo ‘sem intervalo’ [Terra jovem].”[6: p. 21; 7] Ademais, outros teólogos adventistas também concordam que um padrão de criação divina em dois estágios emerge de uma análise escriturística.[3, 5, 8, 9]
Dr. Ruben Aguillar, professor de Antigo Testamento da Faculdade Adventista de Teologia do Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP) comenta sobre a relação do verso 1 de Gênesis com o modelo do intervalo passivo: “uma das palavras da Bíblia Hebraica bem estudadas e que ao mesmo tempo provoca interpretações polemicas é aquela com a qual começa o relato do Gênesis: bereshith, ‘no princípio’. A primeira sílaba é uma preposição inseparável traduzida sem dificuldades como ‘em’. Na língua portuguesa aparece acrescido com o artigo ‘o’ e que resulta em “no”. O termo reshith, traduzido como ‘principio’, encontra sua raiz no vocábulo r’osh, ‘cabeça’. Segundo o léxico hebraico, esse termo significa também: ‘começo’, ‘tempo primordial’, ‘estado primordial’, ‘tempo remoto’, ‘primeiro da sua classe’ em relação a tempo. Auxiliado pelas alternativas de tradução que o léxico apresenta o primeiro verso de Gênesis pode ser assim traduzido: ‘no tempo primordial Deus criou’, ou também ‘no tempo remoto Deus criou’; que concede ao verso um sentido de antiguidade de maior profundidade em termos de expressão temporal.”[10: p.15]
Professor Aguillar acrescenta que a análise do verso 2 de Gênesis reforça um entendimento coerente acerca da criação em dois estágios: “a ideia do intervalo passivo se fortalece ao analisar o verso 2 no texto hebraico, onde aparecem as palavras tohu vabohu, ‘sem forma e vazia’, sobre as quais está inserido o acento gramatical rebi’a. Os acentos na língua hebraica tem a função de relacionar uma palavra com as outras. Essa relação pode ser de união ou de separação. O acento rebi’a, que aparece nas palavras mencionadas é disjuntivo, da segunda classe superior, ou seja, a sua função é fazer separação ou indicar pausa. Observando através dessa lente, pode-se ver que a frase ‘estava sem forma e vazia’ faz separação entre as frases ‘no princípio criou Deus os céus e a terra’ do verso 1, com as que descrevem a semana da criação.”[10:p.13]
Para fins de esclarecimento, é importante mencionar que o modelo do intervalo passivo, citado acima, não deve ser confundido com o modelo do intervalo ativo (também chamado de Ruína-Restauração), proposto por Thomas Chalmers (1780-1847), famoso teólogo escocês, o qual defendia – sem qualquer evidência direta, científica ou escriturística – que a vida teria sido criada por Deus na Terra em passado distante pré-adâmico.[2: p. 330; 11] Segundo a página ADVindicate, editada pelo geólogo Monte Fleming, doutorando em Geologia pela Universidade de Loma Linda, esse modelo ainda diz que, após Satanás ter sido julgado, ele teria sido arremessado à Terra e destruído essa vida pré-adâmica supostamente existente. Essa destruição teria finalmente sido seguida pela criação descrita em Gênesis 1 e 2.[11]
Um problema frequentemente associado a ambos os modelos criacionistas (Terra Jovem e Intervalo Passivo) devido à ignorância, primeiro por parte de seus defensores leigos; depois, por parte de seus opositores, diz respeito à questão da criação da “luz” durante a semana da Criação.[2: p. 308] Muitas pessoas se utilizam do argumento de que Deus teria “criado” os luminares somente no quarto dia (Gênesis 1:14). Mas uma análise alternativa nos mostra que Deus poderia já ter criado a luz no primeiro dia (Gênesis 1:3); portanto, nesse sentido, o sistema solar já existia.
O erguimento parcial de uma densa nuvem no primeiro dia da semana da criação iluminou a Terra, porém, o Sol, a Lua e as estrelas, embora presentes, não eram visíveis a partir da Terra. A luz era semelhante à de um dia muito nublado. Uma retirada completa da cobertura de nuvens, no quarto dia, fez com que o Sol, a Lua e as estrelas, preexistentes, se tornassem plenamente visíveis da superfície da Terra. Daí os luminares serem mencionados somente no quarto dia. Ou então o Sol e a Lua podem ter sido criados no quarto dia, ao contrário das demais estrelas, que são mencionadas de forma parentética por Moisés, indicando que elas já existiam.
Os dois primeiros versos do livro de Gênesis também possibilitam uma segunda interpretação aceita, diga-se de passagem. por uma parcela significativa de adventistas criacionistas.[2: p. 309-310] A ideia aqui é a de que a declaração “Deus criou os céus e a Terra”, no verso 1 de Gênesis, diz respeito a um pequeno resumo ou introdução sobre o relato da criação da Terra e arredores que viria a seguir, acompanhada pela descrição, no versículo 2, de que “a Terra era sem forma e vazia e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas”. Isto indicaria materialidade anterior à semana da Criação, embora não estivesse diretamente relacionado a questões sobre o Universo (espaço-tempo). Essa descrição se aplica coerentemente a uma Terra pré-existente, sinalizando, indiretamente, que o Universo foi criado antes da semana da criação, juntamente com o tempo.
A maioria das traduções bíblicas propicia, de fato, uma afirmação ambígua, em vista de que o hebraico dos manuscritos bíblicos dá margem a mais de uma interpretação. No entanto, a descrição de uma Terra vazia, envolvida em trevas originais, é reforçada por descrições semelhantes em outras passagens bíblicas que falam de uma Terra original envolvida em “escuridão” (Jó 38:9) com uma veste de nuvens, e de uma Terra que “surgiu da água” (2 Pedro 3:5).
Em artigo publicado na Revista Adventista pelo pastor e mestre em Ciências da Religião Glauber Araújo vemos a explicação de que “acreditar que o Universo seja mais antigo do que a vida em nosso planeta não tem que ver com o pensamento evolucionista, mas com as evidências bíblicas”.[12: p.20] Isso corrobora o que ponderou John Lennox, declarado criacionista e professor de matemática da Universidade de Oxford, no livro Seven Days That Divide the World: “É logicamente possível crer nos dias de Gênesis como de 24 horas (ou uma semana terrestre) e crer que o Universo é antigo. E […] isso não tem nada que ver com ciência. Tem que ver com o que o texto está de fato nos dizendo” (p. 53).
O professor Richard Davidson [13: p. 51], no livro He Spoke and It Was, afirma ainda que as “análises recentes do discurso de Gênesis 1 […] indicam que a gramática do discurso desses versículos aponta para uma criação em dois estágios. A história principal não começa antes do versículo 3. Isso implica uma condição anterior dos ‘céus e Terra’ em seu estado ‘sem forma e vazio’, antes do início da semana da criação”.
Partindo dessa visão, Provérbios 8:26 diz que houve uma época em que nem sequer o princípio do pó deste mundo existia. O livro de Hebreus 11:3 diz que Deus criou as eras (tempo, eternidade). Ainda sobre o tempo, o astrofísico Eduardo Lütz afirma que “o tempo é um dos atributos do Universo. Existe uma profunda conexão entre a criação do tempo e a criação do Universo, não tem como separá-los. Se o tempo não teve um início, Deus não criou o que chamamos hoje de Universo, pois o tempo depende do Universo para existir”. Em outras palavras, segundo o astrofísico, “tempo pode existir sem matéria, mas matéria não pode existir sem tempo”.
O livro de Jó também aponta nessa direção. Ali encontramos dois textos que claramente sugerem a existência de outros seres criados além de nós (leia mais sobre isso aqui). Em primeiro lugar, quando Satanás compareceu perante o Senhor (Jó 1:6, 7), o texto faz referência a outros “filhos de Deus”, dando a entender que nosso planeta não era o único habitado.[12] É claro que, como afirma o astrofísico Eduardo Lütz, “a identidade dos ‘filhos de Deus’ em Jó 38:7 não é relevante para o argumento de que a Bíblia sugere a existência do Universo antes da criação da Terra. É apenas uma curiosidade tocada de passagem. Mas o que conta é que alguém criado por Deus comemorava ‘quando’ Ele lançava os fundamentos da Terra”. Em outras palavras, segundo Lütz, Jó 38:7 contradiz a interpretação de que a Terra tem a mesma idade do Universo, mas não contradiz Gênesis 1: “Não há qualquer base bíblica para se afirmar que o Universo tenha cerca de seis mil anos de idade ou que Gênesis 1 se refira à criação do Universo. Muito pelo contrário. Certos textos bíblicos (como Jó 38:4-7) sugerem que, quando o Criador ‘lançou os fundamentos da Terra’, já existiam até mesmo seres inteligentes em outras partes do Universo [como plateia]. E, mesmo que não aceitemos isso por alguma razão obscura, pelo menos precisamos reconhecer que Gênesis 1 não nos dá qualquer informação sobre quando e como o Universo foi criado.”[14: p. 6, 7]
Ao longo do meu trabalho de pesquisa e divulgação do criacionismo, tenho percebido que boa parte dos criacionistas da “Terra jovem” não consegue aceitar a interpretação de que apenas a “vida no planeta Terra seja jovem”, sendo o Universo e a matéria (partículas elementares) do planeta antigos. Mas, sem querer ser polêmico, percebemos que uma análise escriturística em conjunto com os dados atuais do conhecimento científico nos mostra que essa possibilidade existe, é razoável e deve ser introduzida na discussão sobre as origens.
Essa posição está em consonância com a declaração emitida pela Sociedade Criacionista Brasileira (SCB), órgão máximo sobre criacionismo no Brasil, em sua análise editorial, como se segue: “À luz dos conhecimentos atuais, a criação dos céus e da Terra é algo posterior à criação do Universo.” [1: p. 18] Logo, a SCB conclui: “A criação de nossa Terra de maneira nenhuma deve ser confundida com a criação do Universo.”[1: p. 23]
Em suma, portanto, a principal distinção entre a interpretação do “intervalo passivo” e a interpretação “sem intervalo” é devida à questão de quando se deu o início absoluto dos “céus e da Terra” (Gênesis 1:1).[3] Enquanto o último interpreta Gênesis 1:1, 2 como parte do primeiro dia da criação de sete dias, o primeiro interpreta Gênesis 1:1, 2 como uma unidade cronológica separada por uma lacuna no tempo do primeiro dia da criação, como descrito em Gênesis 1:3. Segundo o que nos diz o astrofísico Lütz, “não tem como provar pela Bíblia que o Universo seja jovem. Também não tentamos provar pela Bíblia que o Universo seja ‘muito’ antigo. Apenas mostramos fortes indicações de que o Universo é mais velho do que a Terra”.
Diante do exposto, a pergunta que fica é a seguinte: Você se considera um criacionista da Terra jovem convencional ou um criacionista do intervalo passivo?
Obs: o NUMAR-SCB não tem uma posição definitiva sobre o assunto, e nem poderia bater o martelo sobre a questão de o universo ser antigo (conforme apontam as evidências escriturísticas) ou jovem (também apoiado em evidências tanto científicas quanto escriturísticas), uma vez que não se tem um consenso na comunidade teológica e, mais especificamente, na criacionista. O objetivo do texto é o de apenas apresentar ao nosso público esse modelo criacionista da Terra jovem, mas que aceita um “intervalo passivo” antes da semana da Criação literal descrita em Gênesis, e que já vem sendo discutido e aceito há décadas em outros países. Achei válido, de igual modo, inseri-lo nas discussões sobre as nossas origens aqui no Brasil. Mas é válido frisar que essa é uma área em que ainda são necessários mais estudos.
(Everton Alves)
Referências:
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[2] Roth AA. Alternativas entre a Criação e a Evolução. Capítulo 21, pp.328-41. In: Roth AA. Origens. 2. Ed. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2016.
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[4] Coffin HG. Origin by Design. Hagerstown, MD: Review and Herald, 1983, 292–293.
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[6] Davidson RM. The Biblical Account of Origins. Journal of the Adventist Theological Society 2003; 14(1):4-43.
[7] Davidson RM. In the Beginning: How to Interpret Genesis 1. Dialogue 1994; 6(3):9-12.
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[9] Moskala J. Interpretation of Bereʼšît in the context of Genesis 1:1-3. Andrews University Seminary Studies 2011; 49(1):33-44.
[10] Aguilar R. Os Céus, o Intervalo e a Semana da Criação. Parousia. 2010; 9(1):7-18.
[11] Brent Shakespeare. Esboço das teorias propostas para Gênesis 1:1-2. Advindicate (14/03/2013). Disponível em: http://advindicate.com/articles/2996
[12] Glauber Araújo. A Idade da Terra. Revista Adventista. Abril de 2016, pp. 20-23.
[13] Davidson RM. The Genesis account of origins. In: Klingbeil G. (Ed.). He spoke and it was: divine creation in the Old Testament. Oshawa: Pacific Press Publishing Association, 2015.
[14] Lütz E. O criacionismo e a grande explosão inicial. Revista Criacionista 2003; 32(69):5-17.
Modelos computacionais sugerem que há uma chance de 65,2% de conseguir uma mutação bem-sucedida dentro de uma geração. Também assume que praticamente todas as gerações irão produzir uma mutação favorável.[1] Depois de mais 27 mutações, haveria um órgão novo e funcional. Mas o que o conhecimento científico atual na área de mutagênese diz a respeito da Drosophila melanogaster? A mosca-da-fruta, D. melanogaster, é um organismo modelo genético bem estudado e altamente dócil para a compreensão dos mecanismos moleculares de doenças humanas. Sugere-se que muitas propriedades biológicas, fisiológicas e neurológicas básicas são compartilhadas entre a mosca-da-fruta e os humanos. A D. melanogaster contém aproximadamente 14 mil genes, enquanto o ser humano possui cerca de 19 mil.[2-4] Sabe-se que 75% dos genes de doenças humanas conhecidas têm uma correspondência com o genoma da mosca.[2, 3] Quando o genoma total de ambas as espécies é comparado, 44% das proteínas humanas são similares às da mosca-da-fruta.[7]
Os geneticistas começaram a criar a mosca-da-fruta logo após a entrada do século 20, e desde 1910, quando a primeira mutação foi relatada, mais de 3.000 mutações têm sido identificadas.[8] Todas as mutações são prejudiciais ou inofensivas; nenhuma delas produziu uma mosca-da-fruta mais bem-sucedida.[9] Em 2010, um estudo norte-americano acompanhou em laboratório mais de 600 gerações de D. melanogaster, e descobriu que é raro o surgimento de alelos incondicionalmente vantajosos por meio da seleção natural.[10] Pesquisas têm demonstrado cada vez mais os limites do poder seletivo desse mecanismo sobre as espécies. Entretanto, está bem estabelecida sua influência em alterar o equilíbrio das frequências gênicas em distintas populações.[11-13] Quando as populações se deparam com mudanças ambientais e migram para uma nova área, por exemplo, a seleção natural favorece a combinação de características que farão o organismo mais bem-sucedido (adaptação) nesse novo ambiente.[9]
No entanto, também deve ser considerado o custo de fitness (perda de aptidão/função) que a mosca-da-fruta sofre por manter sua variedade genética ou quando há ganho de uma nova função. Em 2003, um estudo suíço demonstrou que cada nova capacidade de aprendizagem (nova função metabólica, por exemplo) confere um maior custo ao organismo; no caso da mosca, esse custo seria representado por uma diminuição na capacidade competitiva de suas larvas.[14] Outro exemplo de custo de fitness pode ser encontrado em bactérias que passaram a metabolizar citrato na presença de oxigênio (o que geralmente não ocorre), no entanto, essa nova função provavelmente resultou da perda de informação genética.[15] Mais ainda: bactérias tiveram um crescimento mais rápido e um aumento na capacidade competitiva das cepas a custo da perda de genes por mutações deletérias, o que resultou em diminuição de seus genomas.[16] Em termos práticos o que está sendo sugerido é que alterar um recurso para melhor pode mudar outro para pior, portanto, na análise do balanço, não houve diferença entre o saldo inicial e o final.
No tocante às experiências realizadas com as moscas-da-fruta, os neodarwinistas alegam que observaram a origem de novas espécies (especiação), considerando a definição simplista padrão de “espécie” como sendo uma “população reprodutivamente isolada”. Em 1974, foi realizado na Inglaterra um estudo experimental em duas subespécies preexistentes da mesma espécie de D. melanogaster com o objetivo de determinar se mudanças nas preferências de acasalamento poderiam ser induzidas.[17] Isso incluiu a morte artificial de híbridos entre as cepas (um processo que não necessariamente imita a natureza). Os resultados demonstraram que um isolamento reprodutivo incompleto foi estabelecido. Em 1956, um estudo escocês já havia demonstrado apenas um isolamento sexual parcial.[18]
A mudança biológica mais evidente que o exemplo reprodutivo documentou foram diferenças de comportamento em pequena escala em relação ao cortejo (namoro), especificamente em mudanças na quantidade de “lambidas” e “vibração” que os machos realizam com as fêmeas para iniciar o acasalamento.[19] Porém, tudo o que foi observado são alterações nos comportamentos de iniciação ao namoro (lambidas e vibrações) mudando entre as cepas. Ambas as linhagens foram “similares” antes das experiências, e essas pequenas alterações nos comportamentos de acasalamento se mantiveram muito semelhantes após os experimentos. Mais uma vez, nenhuma mudança biológica significativa foi observada, e o isolamento reprodutivo completo (por exemplo, especiação) não foi estabelecido.
Outra pesquisa experimental selecionou artificialmente certas características comportamentais, mas produziram apenas “ligeiro” isolamento sexual ou “isolamento reprodutivo incipiente”, devido a “mudanças no comportamento sexual”.[20] O artigo sugere que o completo isolamento reprodutivo não foi encontrado: “Se a seleção para geotaxia e fototaxia sempre e necessariamente produz uma mudança no comportamento sexual, e se a contínua seleção pode levar a divergência sexual em qualquer lugar próximo ao isolamento [reprodutivo] completo, só pode ser decidido por novos experimentos”. Nesse caso, não somente o completo isolamento não foi alcançado, mas a mudança biológica significativa também não foi atingida.[19] Além desses, podemos citar outros estudos que não encontraram o completo isolamento reprodutivo em espécies de moscas-da-fruta.[21, 22]
A manipulação de genes foi mais uma tentativa de progressão evolutiva das moscas-da-fruta a qual resultou em aspectos de monstros. A mais popular, a partir de uma perspectiva evolucionista, foi a experiência com os genes chamados HOX (uma abreviação de Homeobox) utilizados pelo organismo durante o desenvolvimento embrionário. Nesse sentido, os cientistas imaginaram que seria mais simples para a evolução operar através da mutação desses genes (isso foi antes de os estudos recentes mostrarem que o desenvolvimento embrionário é mais influenciado pelo DNA regulador, e não por genes). Foi então que, em 1987, um estudo experimental observou mutações no complexo do gene Antennapedia (Antp) da mosca-da-fruta, que resultou no crescimento de pernas na cabeça em vez de antenas.[23] Também foi observado que mutações no gene Homeobox geraram moscas com quatro asas.[24] As asas extras não tinham músculos e representaram peso morto. Para Stephen Meyer, “moscas mutantes que produzem quatro asas sobrevivem hoje apenas em um ambiente cuidadosamente controlado e somente quando pesquisadores qualificados meticulosamente orientam seus estudos por meio de um estágio não funcional após o outro. Essa experiência cuidadosamente controlada não nos diz muito sobre o que mutações não direcionais podem produzir na natureza”.[25: p. 105]
Enfim, assim como ocorre com a D. melanogaster, as evidências revelam o acúmulo de mutações deletérias em outros seres vivos, levando à degeneração e à perda de informação genética em um curto espaço de tempo.[16, 26-30] A entropia genética corrobora essas evidências ao afirmar que há maior acumulação de mutações prejudicais do que qualquer outro tipo, e que esse acúmulo ocorre tão rapidamente que a seleção natural não poderia detê-lo.[31] O que não se observa é um aumento de nova informação genética, já que para o “surgimento” de novos genes e/ou órgãos funcionais e planos corporais seria necessário acréscimo de muita informação complexa e específica. Assim, décadas de estudos de laboratório e de campo nas populações selvagens sugerem que a seleção natural só atua nas variações que já existem na população e, mesmo assim, de forma limitada. Os sobreviventes dos mais de cem anos de torturas em laboratório ainda são apenas moscas.
(Everton Alves)
Referências:
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6. Pandey UB, Nichols CD. “Human disease models in Drosophila melanogaster and the role of the fly in therapeutic drug discovery.” PharmacolRev. 2011; 63(2):411-36.
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13. Lenormand T. “Gene flow and the limits to natural selection.” Trends in Ecology & Evolution 2002; 17(4):183-189.
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22 de julho de 2010 marcou o centésimo aniversário das pesquisas genéticas usando as moscas da fruta. O primeiro estudo desse tipo foi publicado na revista Science em 1910 e descreveu a aparição inesperada de uma mosca da fruta macho com olhos brancos após gerações de moscas com olhos pigmentados. Isso inaugurou um século de estudos que se concentraram nas mutações das moscas da fruta. Mas o que realmente se aprendeu com tudo isso? Na maior parte do século passado – e especialmente desde a descoberta do DNA como molécula que carrega informações físicas hereditárias –, as mutações foram o conceito dominante da evolução neodarwinista tido como o gerador central de informações novas e úteis. Assim, as mutações, se fossem selecionadas naturalmente, teriam o poder de conduzir a evolução de todas as coisas vivas na direção da melhoria positiva.
As moscas da fruta, com seu tempo curto de uma geração a outra e apenas quatro pares de cromossomos, representaram excelente campo de testes para a evolução. Em laboratórios de todo o mundo, elas foram submetidas a todo tipo de mutação, induzindo fenômenos, incluindo produtos químicos e tratamentos de radiação, para tentar acelerar as mutações na tentativa de “imitar a evolução”. Depois de tudo isso, era de se esperar que as moscas da fruta de fato exemplificassem a evolução. Mas eles não fizeram isso.
Assim, não tendo conseguido a progressão evolutiva em moscas da fruta por esses meios aleatórios, os pesquisadores mudaram o foco de inúmeras pesquisas para a manipulação intencional dos genes. As mais populares, a partir de uma perspectiva evolucionista, foram as experiências com os genes chamados HOX.
HOX (uma abreviação de Homeobox) são genes utilizados pelo organismo durante o desenvolvimento embrionário. Muitos argumentaram que seria mais simples para a evolução operar através da mutação desses genes, uma vez que uma pequena alteração pode produzir grande efeito no corpo da mosca. No entanto, isso foi antes de os estudos recentes mostrarem que o desenvolvimento embrionário é mais influenciado pelo DNA regulador, e não por genes. E mutações (através da substituição, exclusão ou duplicação) de genes de desenvolvimento como o HOX sempre resultaram apenas em moscas mortas, moscas normais (se a mutação aconteceu sem ter nenhum efeito notável) ou em pequenos monstros. Nenhum desses resultados corresponde à melhoria “positiva” esperada da evolução darwiniana.
Segmentos corporais extras, um conjunto extra de asas ou pernas no lugar das antenas caracterizam as formas estranhas que foram geradas. Três gerações de alterações específicas no DNA produziram moscas com quatro asas – mas elas não conseguiram voar. As asas extras não tinham músculos e representaram peso morto. Stephen Meyer conclui: “Moscas mutantes que produzem quatro asas sobrevivem hoje apenas em um ambiente cuidadosamente controlado e somente quando pesquisadores qualificados meticulosamente orientam seus estudos por meio de um estágio não-funcional após o outro. Essa experiência cuidadosamente controlada não nos diz muito sobre o que mutações não direcionais podem produzir na natureza” (Stephen C. Meyer, Explore Evolution: The Arguments for and Against Neo-Darwinism, p. 105).
Em seu livro Evolution, Colin Patterson resumiu a esperança perdida de encontrar a evolução nas pesquisas com o HOX: “Os efeitos espetaculares das mutações do gene homeobox foram vistos pela primeira vez na Drosophila, no início da história da genética. Portadoras de algumas dessas mutações com certeza podem ser qualificadas como monstros – embora sem muita esperança” (Colin Patterson, Evolution, p. 114).
Considerando que os estudos com as moscas da fruta têm fornecido informações importantes sobre como genes, nervos, longevidade e outras máquinas e processos biológicos funcionam, nenhum progresso foi feito na tentativa de acelerar a evolução desses insetos por mutações. Os sobreviventes dos cem anos de torturas em laboratório ainda são apenas moscas.
Nota: Conforme Enézio E. de Almeida Filho, “a Drosophila melanogaster ‘teima’ em não ‘confessar’ e tampouco demonstrar o fato, Fato, FATO da evolução depois de ser ‘cientificamente torturada’ por um século! Cruz, credo! Nem sob tortura se aceita a evolução!” Enézio, que é mestre em História da Ciência, está levantando bibliografia para um artigo sobre o uso das mosquinhas das frutas, e a conclusão parcial a que se chega, segundo ele, é que a natureza não faz as alterações realizadas em laboratórios pelos cientistas, geralmente por meio de radiações. “E olha que pela cronologia dos milhões de anos, a natureza, como laboratório natural, não fez o que eles fizeram”, conclui. [MB]
Um estudo recente determinou a idade de mais de um milhão de mutações em uma única base (letra) do DNA, e descobriu que mais de 86% das nossas mutações danosas surgiram nos últimos 5.000 a 10.000 anos. As mutações restantes em sua maioria são inócuas e algumas poucas podem até mesmo ser benéficas. A explicação para tantas mutações nos últimos anos, segundo os especialistas, é a explosão demográfica que aconteceu com o surgimento das cidades, cerca de 8.500 anos atrás. Dos cerca de 100.000 anos que a humanidade existe [segundo a cronologia evolucionista], houve um evento de quase extinção 50.000 anos atrás, quando a população humana baixou muito, e a humanidade remanescente se tornou geneticamente muito similar. [Não teria sido bem mais recente esse evento, com a origem da humanidade a partir de uma única família? – MB]
O estudo determinou a distribuição das idades de mutação pelo sequenciamento de 15.336 genes que codificam proteínas em 6.515 pessoas, das quais 4.298 eram de origem europeia, e 2.217 africanos. Segundo o Dr. Joshua Akey, professor associado de ciência genômica da Universidade de Washington em Seattle (EUA), um dos participantes da pesquisa, “em média cada pessoa tem cerca de 150 novas mutações que não estão presentes em seus pais. O número das mudanças genéticas que são introduzidas na população depende do tamanho da mesma”.
Populações maiores, multiplicando-se continuamente pela produção de novas crianças, têm mais oportunidades para o surgimento de novas mutações. Assim, o número de mutações aumenta com o crescimento acelerado da população, como a explosão demográfica que começou 5.115 anos atrás.
Uma das descobertas é que as populações europeias possuem um excesso de mutações danosas em genes essenciais, aqueles que são necessários para crescer até a idade adulta e ter filhos, e em genes ligados a doenças mendelianas, ou seja, ligadas à mutação de um único gene.
Outra descoberta é que as mutações mais antigas têm a tendência de ser menos prejudiciais, e certos genes apresentam apenas mutações mais recentes e danosas, entre eles 12 genes ligados a doenças como a falência de ovário prematura, Alzheimer, endurecimento de artérias cardíacas, e uma forma de paralisia herdada.
Os cientistas também notaram que mutações que afetam genes envolvidos em rotas metabólicas – reações químicas no corpo que geram e armazenam energia – tendem a não ser eliminadas pelas forças da seleção. Metabolismo aberrante contribui para a diabetes, distúrbios lipídicos, obesidade e resistência à insulina, todas doenças modernas.
Mas, apesar de a maior capacidade mutacional resultante do crescimento populacional levar a uma incidência maior de doenças genéticas, há um lado bom: as mutações respondem pela grande variação de traços dos humanos modernos, e elas podem ter criado um novo repositório de variações genéticas vantajosas que a evolução adaptativa pode selecionar em gerações futuras.
O trabalho é o resultado da colaboração entre muitos cientistas genômicos, geneticistas médicos, biólogos moleculares e bioestatísticos na Universidade de Washington, Universidade de Michigan, Colégio de Medicina Baylor em Houston, o Instituto Broad no MIT e Harward, e o Grupo de Trabalho de Genética Populacional. O estudo é parte do Projeto de Sequenciamento Exome do Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue, do Instituto Nacional de Saúde dos EUA.
Nota: Note que, como prevê o modelo criacionista, a maioria das mutações é deletéria. No entanto, contrariando as evidências, os darwinistas afirmam que as mutações “podem ter criado um novo repositório de variações genéticas vantajosas que a evolução adaptativa pode selecionar em gerações futuras”. Curioso, também, é o fato de que os dados observacionais remontam a poucos milhares de anos. O resto é especulação. [MB]
A série norte-americana The Big Bang Theory apresenta um grupo de jovens adultos cientistas profundamente interessados em questões científicas e existenciais – principalmente as que envolvem super-heróis. Ela foi ao ar entre 24 de setembro de 2007 e 16 de maio de 2019, acumulando 279 episódios e se tornando uma das séries de TV mais longas e bem-sucedidas da história. Seu protagonista é o excêntrico Sheldon Lee Cooper, um doutor em física fascinado pelos mistérios do Universo e estranhamente inclinado a falar mal de engenheiros e astronautas.
Sheldon é o típico cientista ateu que pensa que religião é coisa do passado. Ele e outros ao longo da série falam diversas vezes que “o evolucionismo não é opinião, é um fato”, e que “uma deidade é desnecessária para explicar o Universo”. A mãe de Sheldon, uma religiosa caipira que acredita na criação do Gênesis e aparenta ter alguma devoção a Jesus, sempre é representada como alguém que está muito abaixo da fina percepção científica. No universo de Sheldon, o Big Bang naturalista deixou de ser apenas uma teoria e a palavra “Deus” só pode ser usada se for no contexto de uma piada.
Ironicamente, Sheldon e seus amigos ateus apresentam muitos comportamentos religiosos. Eles passam horas lendo histórias, discutindo sobre qual a “doutrina” científica mais correta relacionada a seus personagens favoritos e se vestindo como seus objetos de adoração. Num mesmo episódio, é possível ver Sheldon se gabando de que é um ser racional que não precisa de Deus ou da Bíblia e, na cena seguinte, vê-lo vestindo uma fantasia de super-herói ou zumbi. Ele não se mostra nem um pouco interessado em Jesus Cristo, mas, em certo momento, está muito preocupado em demonstrar a que velocidade o Superman deveria voar para resgatar a mocinha que estava caindo de um prédio num filme.
A descrença de Sheldon o levou à busca por outros deuses. Se ele não se sentia uma vítima do pecado, não compreendia a necessidade de um Salvador. Ainda assim, outros vilões não podiam deixá-lo em paz. Assim como todo ser humano, ele sabia da existência do bem e do mal, e entendia (Rm 2:14-16) que precisava de algum sentido (Ec 3:11). Quando os heróis fictícios lhe foram oferecidos, não perdeu tempo em querer se parecer com eles. O que sua mente genial nunca percebeu foi que, assim, se tornou um mero adorador de personagens de ficção – um devoto da mentira de que o homem tem superpoderes.
Num dos episódios da série irmã, Young Sheldon, que apresenta como teria sido a infância e juventude do personagem, ele tenta consolar sua mãe num momento de tristeza. Apresenta-lhe uma série de fatos que conduzem à conclusão lógica de que existe um Criador, falando de como o Universo e a vida parecem ter sido planejados. Isso logo é ofuscado por mais uma piada sobre como ele conseguia manipular os sentimentos dos outros com um punhado de fatos bem pronunciados.
A Bíblia afirma que os céus anunciam a “glória” (Sl 19:1), a “justiça” (Sl 97:6) e a “majestade” de Deus (Sl 8:1). Mesmo seres irracionais (Jó 12:7-10) e crianças de peito (Sl 8:1-2) são invocadas nas Escrituras como testemunhas de que o nome do Senhor é “magnífico em toda a terra” (Sl 8:1, ARA). Os “brilhantes” descrentes, porém, não conseguem ver. Eles sabem que a vida possui todos os sinais de planejamento mas, como Sheldon, acham que a história de um multiverso hipotético é muito mais “científica” – e emocionante, caso usada em roteiros de filmes de super-heróis.
É irônico que a descrença em Deus leve à idolatria de personagens fictícios. Também é irônico que grandes cientistas, personificados na figura de Sheldon Cooper, conheçam a ordem e a harmonia do Universo e mesmo assim não reconheçam o Criador. A maior ironia, porém, é que quem acha tudo isso mais hilário é o próprio Deus. Embora abominem a descrença e a blasfêmia, as Escrituras apresentam alguns momentos em que o Senhor olha para os prepotentes seres humanos que desafiam Sua soberania e os enxerga como uma piada: “Mas Tu zombas deles, ó SENHOR; Tu ris de todos os pagãos” (Sl 59:8, NTLH. Ver Sl 2:1-4; 37:12-13).
A maior piada de todas, muito mais profunda que as encontradas na série de comédia protagonizada por Sheldon, é que todos os que desejam ver para crer terão essa oportunidade – mas aí não será mais tão engraçado…