A parte do corpo humano que os evolucionistas não conseguem explicar

A narrativa evolucionista costuma apresentar o corpo humano como uma máquina montada “aos trancos e barrancos” ao longo de bilhões de anos. Segundo essa visão, cada detalhe – das células aos órgãos complexos – teria surgido de adaptações acumuladas ao acaso. No entanto, quando analisamos características específicas do corpo humano, percebemos que algumas delas permanecem profundamente enigmáticas, mesmo para os cientistas mais comprometidos com o paradigma evolutivo. Uma delas é o queixo humano, uma estrutura única entre todos os mamíferos e que até hoje não encontra uma explicação convincente dentro da biologia darwinista.

Mesmo com avanços consideráveis, pesquisadores admitem que ainda existem enormes lacunas sobre o porquê de muitas características terem surgido. O professor Max Telford, da University College London, destaca isso em seu livro A Árvore da Vida: embora se pense que é possível reconstruir a suposta “ordem histórica” em que certas estruturas teriam surgido – intestino antes de coluna vertebral, pelos antes de unhas, etc. -, explicar o propósito evolutivo de cada traço continua sendo um desafio persistente.

Convergência: quando a evolução repete a história (ou deveria repetir)

Os evolucionistas contam com um recurso chamado evolução convergente para tentar explicar certas características. Se uma mesma estrutura aparece em espécies de ramos diferentes, supõe-se que ela tenha evoluído repetidamente devido a pressões semelhantes. Isso serviria como uma “experiência natural” para testar hipóteses.

Um exemplo frequentemente citado é o tamanho dos testículos entre primatas e outros mamíferos.
Espécies mais promíscuas tendem a ter testículos maiores; espécies monogâmicas, menores. Chimpanzés e bonobos têm testículos volumosos e práticas sexuais grupais; gorilas, mais reservados, possuem testículos pequenos. Golfinhos chegam ao extremo – até 4% do peso corporal! A suposta relação entre comportamento sexual e tamanho dos testículos só pôde ser feita, segundo eles, pela repetição desse padrão em grupos distintos.

No entanto, esse mesmo método não funciona para algo como o queixo humano, porque ele simplesmente não existe em nenhuma outra espécie. Não há convergência. Não há “repetição” que permita comparação. Não há experimento natural. Não há como testar hipóteses evolutivas.

E é por isso que o queixo permanece um “mistério evolutivo”.

O que o queixo humano sugere?

Existem inúmeras hipóteses dentro da literatura evolucionista:

  • teria surgido para fortalecer a mandíbula em combates pré-históricos;
  • seria uma adaptação sexual (possivelmente realçando barba ou imponência);
  • seria um subproduto surgido sem função específica, ligado ao amolecimento dos alimentos com o advento da culinária;
  • seria apenas uma consequência de mudanças no crânio, sem qualquer propósito real.

O problema? Nenhuma dessas hipóteses pode ser comprovada. E mais: nenhuma outra criatura apresenta nada sequer semelhante ao nosso queixo projetado.

Se a evolução realmente funciona como um processo natural recorrente, por que ela não produziu nada parecido nenhuma única vez em outros ramos mamíferos? Por que uma característica tão marcante aparece somente no ser humano?

Do ponto de vista criacionista, porém, o queixo não é um acidente nem um subproduto. Ele faz parte de um projeto anatômico único, coerente com a ideia de que o ser humano não é apenas mais um primata, mas uma criatura singular, criada à imagem de Deus.

O ser humano continua sendo um caso à parte

Enquanto exemplos como o tamanho dos testículos permitem aos evolucionistas construir narrativas plausíveis (mas ainda assim especulativas), características únicas como o queixo humano expõem os limites explicativos da teoria.

E esse não é o único caso. Poderíamos citar:

  • nossa capacidade simbólica sem paralelos
  • nossa linguagem articulada
  • nossa postura totalmente ereta
  • nosso cérebro desproporcionalmente grande
  • e até nossa espiritualidade intrínseca

Todos esses elementos convergem para o quadro de uma espécie cuja origem não se encaixa facilmente nos mecanismos naturalistas.

Mistério para uns, evidência para outros

O texto do professor Telford termina com a conclusão de que algumas características humanas talvez “estejam destinadas a permanecer um mistério”. Mas, da perspectiva bíblica, elas não são mistério – são assinatura. São marca. São identidade.

O que aparece como enigma evolutivo é, para o criacionismo, mais um lembrete de que a complexidade e singularidade do ser humano apontam para um Criador inteligente, não para uma sequência de acidentes acumulados.

A ciência honesta continua observando o que muitos preferem não admitir: a evolução não explica tudo. E quanto mais estudamos o corpo humano, mais percebemos que ele reflete propósito, intenção e design, não acaso.

Origem da vida: um reexame crítico da retomada da Teoria Cosmozoica

A origem da vida continua sendo um tema enigmático e controverso. Estudos recentes têm questionado as hipóteses que sustentam a viabilidade de fatores abióticos para o surgimento, a manutenção e a evolução da vida no planeta, considerando os inúmeros fracassos nas simulações. Nesse contexto, observa-se a crescente retomada da Teoria Cosmozoica, ou Panspermia Cósmica, cujas propostas avaliam a possibilidade de que a vida tenha se originado em algum ponto do espaço e, posteriormente, precursores da vida, ou cosmozoários, tenham chegado à Terra em meteoros, asteroides e planetoides. O objetivo deste ensaio é analisar, por meio de revisão de literatura, o contexto pelo qual a Teoria Cosmozoica tem sido retomada, considerando a complexidade dos aspectos bioquímicos da vida e as dificuldades enfrentadas pelos pesquisadores na tentativa de compreender e explicar a origem abiótica da vida na Terra. A partir dessa análise, infere-se que a retomada da Teoria Cosmozoica evidencia a fragilidade dos modelos que sustentam a origem da vida exclusivamente por fatores abióticos.

[Leia o artigo completo aqui.]

Que marca Deus colocou em Caim?

Vamos analisar o texto de Gênesis 4:15-17, onde a bíblia nos conta qual a medida protetiva que foi colocada sobre Caim, após ele ter assassinado seu irmão Abel. Nesse texto, Deus protege Caim de qualquer punição além daquela que Ele mesmo ordenou. Se alguém vingasse a morte de Abel, matando Caim, seria punido sete vezes mais. Deus não queria mais mortes e vinganças na Terra. A parte mais intrigante do texto é quando Deus coloca uma marca em Caim para que ninguém o ferisse quando o encontrasse. Que marca era essa? A natureza do sinal em Caim tem sido um assunto de muito debate e especulação. A palavra hebraica traduzida como “sinal” é ‘owth e se refere a uma “marca, sinal ou símbolo”. Em outros lugares nas Escrituras Hebraicas, ‘owth é usado 79 vezes e é mais frequentemente traduzido como “sinal”. Assim, a palavra hebraica não identifica a natureza exata do sinal que Deus colocou em Caim. O que quer que tenha sido, era um sinal/indicador de que Caim não deveria ser morto. Alguns propõem que a marca era uma cicatriz ou algum tipo de tatuagem. Seja qual for o caso, a natureza exata da marca não é o foco da passagem. O foco é que Deus não permitiria que as pessoas se vingassem contra Caim. Qualquer que tenha sido esse sinal, seu propósito foi alcançado.

No passado, muitos acreditavam que o sinal em Caim era uma pele escura – que Deus mudou a cor da pele de Caim para preta a fim de identificá-lo. Já que Caim também recebeu uma maldição, a crença de que a marca era a pele negra levou muitos a acreditar que as pessoas de pele escura eram amaldiçoadas. Muitos usaram esse ensinamento da “marca de Caim” como justificativa para o comércio africano de escravos e a discriminação contra as pessoas de pele negra/escura. Essa interpretação da marca de Caim é completamente antibíblica. Em nenhum lugar da Bíblia hebraica ‘owth é usado para se referir à cor da pele. A maldição sobre Caim em Gênesis capítulo 4 foi no próprio Caim. Nada é dito da maldição de Caim sendo passada aos seus descendentes. Não há absolutamente nenhuma base bíblica para afirmar que os descendentes de Caim tinham a pele escura. Além disso, a menos que uma das esposas dos filhos de Noé fosse descendente de Caim (possível, mas improvável), a linhagem de Caim foi encerrada pelo dilúvio.

Qual foi a marca que Deus colocou em Caim? A Bíblia não diz. O significado desse sinal – que Caim não deveria ser morto – era mais importante do que a natureza do sinal em si. O que quer que tenha sido, não tinha conexão nenhuma com a cor da pele ou uma maldição sobre as gerações descendentes de Caim. Usar esse sinal como desculpa para o racismo ou discriminação é absolutamente antibíblico.

O que podemos dizer é que: (1) a marca de Caim era pessoal e intransferível; (2) a marca de Caim era visível e compreensível; e (3) a marca de Caim era um sinal da misericórdia de Deus.

Alexandre Kretzschmar

Noé e Caraíba: ecos do dilúvio entre os povos indígenas

É impressionante perceber como a memória do Dilúvio atravessou oceanos e culturas. Povos separados por línguas, oceanos e séculos guardam lembranças muito semelhantes de uma grande catástrofe aquática que quase pôs fim à humanidade. Um desses registros está nas tradições Tupi-Guarani, que falam de um herói civilizador chamado Caraíba – personagem que, curiosamente, apresenta vários paralelos com Noé, o patriarca bíblico que sobreviveu ao dilúvio universal.

Veja o quadro comparativo abaixo:

AspectoNoé (Bíblia – Gênesis 6–9)Caraíba (tradições Tupi-Guarani)
Evento centralDilúvio universal enviado por Deus como julgamento da humanidade corrupta.Grande inundação que devastou a terra, preservada na memória indígena como mito de origem.
Refúgio / meio de salvaçãoArca construída sob ordem divina, com dimensões específicas.Refúgio ensinado ou indicado por Caraíba – barco, ilha ou abrigo natural, dependendo da versão.
SobreviventesNoé, sua esposa, seus três filhos e noras, além dos animais.Pequeno grupo de pessoas preservadas, guiadas ou avisadas por Caraíba.
Preservação da vidaGarantia da continuidade da humanidade e dos animais.Continuidade da tribo e renovação da vida após o cataclismo.
Significado espiritualJulgamento de Deus, mas também manifestação de misericórdia e aliança (arco-íris).Purificação da terra ou advertência dos deuses/espíritos, associada à renovação do mundo.
Função do personagemJusto e obediente; mediador da preservação da vida.Figura sábia e protetora, relacionada à sobrevivência e recomeço do povo.
Memória culturalRelato escrito e preservado no texto bíblico.Transmitido oralmente por gerações, como mito fundador dos povos.

O pesquisador Guilherme Stein Jr., em sua obra A Origem Comum das Línguas e das Religiões (SCB), observa que o nome Caraíba, na língua tupi, está diretamente ligado a Noé, o guardião da memória do grande dilúvio. Assim como o patriarca bíblico, Caraíba é o homem sábio que sobrevive à destruição das águas e guia os sobreviventes para um novo começo. Stein argumenta que essas semelhanças não são meras coincidências, mas ecos de uma tradição comum que remonta aos tempos imediatamente posteriores ao dilúvio – quando os descendentes de Noé se espalharam e suas memórias se fragmentaram em mitos e lendas.

Outras narrativas indígenas também parecem guardar vestígios de eventos descritos no Gênesis: histórias da torre que chega ao céu (lembrando Babel), do primeiro casal em um jardim paradisíaco (o Éden) e até da luta entre linhagens humanas opostas (Caim e Abel). São recordações distorcidas de uma verdade original, preservadas pela tradição oral ao longo dos séculos.

Esses paralelos reforçam uma poderosa ideia criacionista: a Bíblia não é apenas um livro religioso, mas o registro mais antigo e confiável da história da humanidade. As tradições dos povos, embora fragmentadas, ainda ecoam o mesmo drama vivido por Noé – a queda moral da humanidade, o juízo divino e a promessa de renovação.

O arco-íris, símbolo da aliança de Deus, continua a brilhar sobre todas as culturas, lembrando que o Criador não mudou e que Sua misericórdia ainda se estende sobre os que O buscam. As lendas indígenas, como a de Caraíba, são testemunhas distantes desse mesmo Deus que julga com justiça e salva com amor.

Michelson Borges

Por que há exatamente dois sexos?

Recentemente, o biólogo evolutivo Colin M. Wright publicou o artigo “Why there are exactly two sexes”, no qual defende que a definição biológica de sexo se baseia unicamente na produção de gametas – ou seja: quem produz espermatozoides é macho; quem produz óvulos é fêmea (confira). Ele argumenta que as categorias “masculino” e “feminino” não são construções sociais, mas um fato evolucionário universal: a anisogamia (confira).

Como defensor de uma cosmovisão criacionista, considero esse artigo relevante – mas também merecedor de crítica cuidadosa. O autor oferece argumentos científicos que, à primeira vista, reforçam a ideia de dois sexos. Contudo, a partir de uma perspectiva bíblico-criacionista, surgem três áreas de questionamento que merecem atenção:

1. Base evolucionária vs. base criacionista. Wright fundamenta sua defesa no pressuposto da evolução e da seleção sexual como explicação última para a separação de sexos. Ele afirma que “há somente dois tipos de gametas – pequenos e móveis (esperma) e grandes e imóveis (óvulos) – e, portanto, há exatamente dois sexos”. Contudo, a visão criacionista entende que Deus, ao criar “masculino e feminino” (Gênesis 1:27), não estava ou estaria guiado por processos de seleção ou acaso, mas por propósito e design intencional. A ênfase científica no “por que evoluiu” assume que o binário sexual é um produto de história evolutiva – o que conflita com a afirmação de que a estrutura sexual é estabelecida desde a criação.

2. Gametas como critério exclusivo. O artigo considera o gameta como a essência da definição de sexo: “Sexo é a classe reprodutiva cujo sistema biológico está organizado para produzir um dos dois tipos de gametas.” Mas essa abordagem cria um risco de simplificação: no caso humano, há condições intersexuais ou variações de desenvolvimento sexual (DSD) que desafiam a aplicação direta de tal definição. A ciência mostra que nem sempre o indivíduo adulto produz ou produzirá gametas, ou que seu sistema está perfeitamente organizado conforme o “padrão”. A partir de uma perspectiva criacionista, isso aponta para a “quebra” do ideal original (Gênesis 3) – e não para uma prova de que o binário seja consequência evolutiva. Em outras palavras: variações não derrubam a norma, mas revelam o efeito da queda.

3. Limites da biologia para explicar valor e pessoa. Mesmo que aceitemos o argumento de Wright – de que na natureza existem dois papéis sexuais reprodutivos distintos –, isso não resolve a questão de identidade, propósito e valor humano. A cosmovisão evolutiva muitas vezes reduz o homem a “agente reprodutor” ou “provedor de gametas”, enquanto o criacionismo insiste que o ser humano é “à imagem de Deus” (Gênesis 1:27), com valor intrínseco além da função reprodutiva. O artigo falha em integrar significado, propósito ou valor último – elementos centrais para a visão cristã.

Conclusão

O artigo de Colin Wright contribui para o debate científico ao reafirmar o binário sexual sob a definição gamética. Entretanto, do ponto de vista criacionista, ele permanece incompleto – pois não aborda a origem intencional, o design e o propósito humano; limita-se ao explanar “como” e não “por que”.


Se há apenas dois sexos, como ele defende, esse fato pode, sim, ser visto como coerente com a narrativa bíblica de Gênesis. Mas devemos lembrar que a “queda”, a “quebra” e o “restauro” são partes da história humana que a biologia sozinha não explica.

Para leitores do blog Criacionismo, o convite permanece: usemos a ciência com humildade, verifiquemos suas alegações, entremos em diálogo, mas tenhamos como alicerce a Palavra revelada, que não depende apenas de gametas para definir o humano, mas declara que Deus nos formou, conheceu e amou antes de fazermos “números reprodutivos”.

Arqueólogos ficam maravilhados com inscrição que confirma a Bíblia

Acabou de ser revelada uma descoberta arqueológica extraordinária nas sombras do Monte do Templo em Jerusalém – e muitos estão se perguntando se esse achado pode confirmar relatos bíblicos antigos. O jornalista Raj Nair, da CBN, entrevistou o guia israelense Yoav Rotem, que compartilhou detalhes inéditos da escavação. Segundo eles, foram encontrados artefatos raros em um túnel sob o monte, cuja importância histórica pode lançar nova luz sobre o contexto da Jerusalém judaica antiga.

Um desses artefatos chama atenção especial: uma bula de barro (selo) do período do Primeiro Templo, com o nome “Yedayah filho de Asayahu”, encontrada no solo do Monte do Templo no projeto de triagem de terras (Temple Mount Sifting Project) (Times of Israel). Esse nome já aparece em registros bíblicos, sugerindo que a pessoa pode ter pertencido à administração do reino de Judá – embora não se possa afirmar com certeza que é a mesma figura mencionada nas Escrituras.

Esses achados não são provas definitivas, mas juntam-se a muitos outros vestígios que dialogam com o texto bíblico e ajudam a reconstruir o cenário histórico de Jerusalém. Por exemplo, arqueólogos também descobriram recentemente um fosso defensivo monumental que dividia a antiga cidade, possivelmente datado do reinado de Josias, como parte das fortificações do Templo (Times of Israel+1). Essa descoberta confirma descrições topográficas que se encontram nas Escrituras (Times of Israel+1).

Esses achados servem para enriquecer nossa compreensão do mundo bíblico – mostrando que, por trás dos textos espirituais, houve realidades históricas, pessoas com nomes, lugares que existiram, templos, selos, estruturas defensivas.

Se algo nos impressiona, é constatar que a Palavra teve um cenário. Cada fragmento, cada selo ou muro descoberto pode ser um eco do passado – e um convite para ler as Escrituras com novos olhos. A fé não precisa ser provada por pedras ou objetos; mas a arqueologia nos oferece um contexto mais vivo para acreditar, estudar e admirar que Deus usa o tempo, a cultura, a história – até as escavações – para nos apontar Sua obra.

O brilho divino do corpo humano

Pesquisas recentes mostram que o corpo humano emite uma luz ultrafraca, tão sutil que é mil vezes mais fraca do que a percepção do olho humano. O estudo de Masaki Kobayashi e colaboradores, publicado no PLoS ONE, utilizou câmeras CCD de alta sensibilidade para capturar essa emissão de fótons, revelando que o corpo não apenas brilha, mas segue um ritmo circadiano: a luz é mais intensa no final da tarde e diminui durante a madrugada. O rosto, especialmente as bochechas e a região ao redor da boca, é a área de maior intensidade, enquanto o tronco e outras regiões apresentam emissão mais baixa. Esse padrão não se correlaciona com a temperatura corporal, mas sim com processos metabólicos, incluindo a produção de radicais livres e reações bioquímicas que geram moléculas excitadas capazes de emitir luz. Além disso, a emissão de fótons apresenta correlação inversa com o cortisol, hormônio ligado ao estresse, sugerindo que essa luminescência é influenciada pelo estado fisiológico do organismo e pelo relógio biológico interno.

Resumo do artigo: “O corpo humano literalmente brilha. A intensidade da luz emitida pelo corpo é 1.000 vezes menor do que a sensibilidade a olho nu. A emissão de fótons ultrafraca é conhecida como a energia liberada como luz através das alterações no metabolismo energético. Obtivemos com sucesso imagens da variação diurna dessa emissão de fótons ultrafraca com um sistema de imagem altamente sensível aprimorado, utilizando uma câmera criogênica com dispositivo de carga acoplada (CCD). Descobrimos que o corpo humano emite luz direta e ritmicamente. As variações diurnas na emissão de fótons podem estar relacionadas a alterações no metabolismo energético.”

O artigo diz mais: “Essa emissão de biofótons é categorizada em diferentes fenômenos de emissão de luz da bioluminescência e acredita-se que seja um subproduto de reações bioquímicas nas quais moléculas excitadas são produzidas a partir de processos bioenergéticos que envolvem espécies ativas de oxigênio.”

A emissão de biofótons está ligada a processos metabólicos, especialmente às reações oxidativas normais da respiração celular. Quanto maior a taxa metabólica (ex.: em pessoas mais ativas ou em tecidos em maior atividade), maior a chance de gerar estados excitados de moléculas que liberam fótons.

Para a perspectiva criacionista, essa descoberta é fascinante. Ela evidencia que o corpo humano não é apenas uma estrutura física complexa, mas uma obra de design divino, cuidadosamente planejada para funcionar em harmonia com ritmos naturais e processos bioquímicos finamente ajustados. Cada célula, cada molécula envolvida na emissão de luz – desde lipídios e proteínas excitadas até fluoróforos na pele – demonstra ordem e propósito. Mais do que um fenômeno físico, o brilho humano pode ser interpretado como um reflexo da vida que Deus colocou em cada ser humano, lembrando que nosso corpo não é apenas matéria, mas um templo do Espírito Santo (1 Coríntios 6:19, 20).

Manter a saúde, respeitar os ritmos naturais, dormir adequadamente e nutrir-se de forma equilibrada não é apenas autocuidado: é reconhecer a dignidade da criação divina, honrar o presente da vida e viver em consonância com o Criador, cujo cuidado e sabedoria estão refletidos em cada detalhe de nosso organismo. Esse estudo nos convida a contemplar a ciência não como oposição à fé, mas como uma lente para perceber a complexidade e a beleza do design divino que existe em nós. [MB]

Nota: A Bíblia sugere que o ser humano já refletiu a luz divina de forma especial: segundo Ellen White, Adão e Eva, antes da queda, eram revestidos de uma glória luminosa que se perdeu com o pecado (quando então se deram conta de estar nus); Moisés desceu do Sinai com o rosto resplandecente após falar com Deus (Êx 34:29); Estêvão, cheio do Espírito Santo, teve o rosto brilhando como de anjo (At 6:15); e há a promessa de que os justos resplandecerão como o sol no Reino de Deus (Mt 13:43; Dn 12:3). Esses textos indicam que fomos criados para irradiar a presença do Criador e que, um dia, essa luz será plenamente restaurada em nós por Cristo.

Patriarcas e Profetas, capítulo 2 (A criação): “O homem e a mulher não tinham vestes artificiais; estavam vestidos de uma cobertura de luz e glória, tal como os anjos.” História da Redenção, p. 21 (edição em português): “Eles não tinham roupas de seda ou de ouro; estavam vestidos com uma túnica de luz e glória, semelhante à que cobria os anjos.” Signs of the Times, 9 de janeiro de 1879 (em inglês): “Our first parents were not left naked and ashamed. They were clothed with a covering of light and glory, such as the angels wear.”

Esclarecendo alguns mal entendidos acerca do criacionismo

Em tempos em que a verdade tem se tornado relativa, a cosmovisão cristã traz uma base única e forte: Deus como o Criador

Dentro do contexto social e cultural em que vivemos, imersos nas redes sociais, tem sido bastante desafiador dialogar de forma autêntica. Muitas pessoas se escondem atrás de avatares e, quando se expressam, frequentemente repetem, como um disco riscado, ideias equivocadas propagadas por pseudoinfluenciadores. Por isso, tem sido uma tarefa árdua distinguir o fato da distorção e a verdade da mentira. O resultado é uma espécie de dissonância cognitiva coletiva.

Dentro da área da ciência, a história não é muito diferente. O conceito de verdade se tornou um terreno de disputa. Ao longo dos séculos e influenciados por distintas correntes filosóficas, o conceito de verdade tornou-se fluido: paradigmas que em determinada época foram considerados inquestionáveis, se revelaram equivocados. Um exemplo marcante é a crença no geocentrismo. Durante séculos, acreditou-se que a Terra era o centro do Universo, uma convicção sustentada até ser derrubada pelas observações de Nicolau Copérnico, Galileu Galilei e Johannes Kepler. Os cientistas, portanto, redefinem continuamente o que se entende por verdade conforme novos conhecimentos surgem.

Já para aqueles que possuem a cosmovisão cristã, a verdade não é relativa nem transitória. Ela se ancora em Deus e Sua palavra como fonte absoluta, independentemente de variações culturais ou interpretações humanas. Essa compreensão oferece um senso de propósito que vai além da mera sobrevivência: orienta decisões, molda valores e dá sentido à existência.

Naturalismo e criacionismo: duas cosmovisões concorrentes

Atualmente, duas cosmovisões disputam espaço na interpretação da realidade: o naturalismo, que é um pressuposto básico da cosmovisão evolucionista, e o criacionismo, característica da cosmovisão bíblico-cristã.

O naturalismo sustenta que todos os fenômenos podem ser explicados sem recorrer a agentes sobrenaturais ou a um Criador. Nessa perspectiva, as ferramentas da ciência seriam suficientes para descrever e explicar a origem e o funcionamento do Universo. O criacionismo, por outro lado, combina pressupostos bíblicos e filosóficos à análise científica, reconhecendo como plausíveis hipóteses que o naturalismo descarta por princípio. Essa abordagem interpretativa amplia o horizonte de leitura dos dados, permitindo que fósseis, rochas ou evidências geológicas sejam entendidos sob diferentes lentes, sem que determinadas hipóteses sejam negadas.

A herança científica da cosmovisão cristã

Embora muitas vezes caricaturada como anticientífica ou pseudociência (o que é um equívoco), a cosmovisão cristã criacionista desempenhou papel central na construção dos pilares da ciência moderna. Cientistas como Copérnico, Galilei, Kepler e Newton desenvolveram suas teorias movidos pela convicção de que a natureza refletia a racionalidade e a ordem do Criador. Estudar os fenômenos naturais era, para eles, uma forma de compreender a mente divina.

Um exemplo marcante é o de Isaac Newton. Em uma carta enviada em 1692 a um amigo, Richard Bentley, Newton afirmou que o objetivo de seus estudos (como em seu célebre livro Princípia), era levar as pessoas a pensarem e acreditarem em Deus. Ele registrou: “Quando escrevi meu tratado sobre nosso sistema, eu tinha em mente princípios que pudessem funcionar na consideração dos homens quanto à crença em uma Divindade; e nada pode me alegrar mais do que considerá-lo útil para esse propósito.”¹

Testemunhos como esse evidenciam que fé e ciência não precisam ser vistas como opostas. Pelo contrário, são abordagens complementares: enquanto a ciência busca explicar como os fenômenos acontecem, a fé aponta para o quem e o propósito responsável pela ordem observada no Universo.

Mesmo nesse contexto, ainda há quem defenda que não é possível realizar pesquisa científica de qualidade levando em conta, por exemplo, o relato bíblico a respeito das origens. A cosmovisão criacionista, com frequência, é alvo de críticas sendo muitas vezes rotulada como pseudociência ou associada à Teoria do Design Inteligente, vista por alguns como criacionismo disfarçado.

A seguir serão discutidas quatro críticas comuns direcionadas à cosmovisão criacionista e por que elas não fazem o menor sentido.

1. Criacionistas ignoram evidências evolutivas

Uma crítica comum dirigida ao criacionismo é a de que seus defensores ignoram as chamadas “evidências evolutivas”. No entanto, é importante destacar que não existem “evidências evolutivas” ou “evidências criacionistas”: evidência é evidência. Um fóssil, por exemplo, não pode ser rotulado como evolucionista ou criacionista. Ele é simplesmente um fóssil. O que pode variar é a interpretação feita pelo cientista que o estuda, seja a partir da perspectiva evolucionista, seja da criacionista.

Um exemplo ilustrativo é o de um plesiossauro exposto no Museu de História Natural de Londres. Esse animal foi preservado quase completo, com as partes ainda articuladas, o que sugere que foi soterrado rapidamente. Caso tivesse permanecido exposto, teria sido consumido por organismos detritívoros e sido desmembrado com o tempo. Para que um fóssil como esse fosse preservado de forma tão íntegra, era necessário um soterramento rápido. A cosmovisão criacionista interpreta esse processo como resultado da grande catástrofe do Dilúvio, enquanto a perspectiva evolucionista o entende como eventos localizados ocorridos no passado, sem implicações globais.

Fóssil de plesiossauro em exibição no Museu de História Natural de Londres. (Foto: Arquivo pessoal)

2. O criacionismo foi refutado pela evolução

Muitos críticos afirmam que o criacionismo teria sido refutado pela evolução, mas antes de aceitar tal afirmação é fundamental esclarecer o que se entende por evolução, já que o termo é frequentemente usado de maneira imprecisa. Em sentido amplo, e como foi estabelecido pelo próprio Darwin, evolução significa descendência com modificação, isto é, quando indivíduos transmitem características às gerações seguintes com pequenas variações. Exemplos como as diferenças no formato do bico dos tentilhões ou as variações no casco entre as tartarugas gigantes das Ilhas Galápagos ilustram esse processo.

Tais mudanças, conhecidas como microevolução, correspondem a variações dentro de uma mesma espécie, algo que os criacionistas não negam. As diversas raças de cães, que vão do pug ao husky, são um exemplo claro: todos pertencem à mesma espécie (Canis lupus), mas apresentam ampla diversidade em tamanho, força e adaptação. Essas variações surgiram ao longo do tempo, estimuladas pela seleção artificial conduzida pelo ser humano.

Para o criacionismo, tais processos são possíveis porque entende-se que Deus criou os seres vivos com capacidade de adaptação, embora dentro de limites. Em contraste, os evolucionistas defendem também a existência de macroevolução, ou seja, mudanças em escala muito maior, capazes de gerar novos grupos de organismos a partir de ancestrais comuns. Nessa perspectiva, a seleção natural, ao longo de milhões de anos, poderia originar novas formas de vida, como os T-Rex dando origem, após milhões de anos, a aves como as galinhas. Contudo, criacionistas consideram essa interpretação insustentável, pois não há evidências observacionais conclusivas e o registro fóssil apresenta lacunas significativas.

Assim, enquanto a teoria evolucionista se baseia na ideia de uma única árvore da vida, o criacionismo propõe a baraminologia², segundo a qual Deus criou diferentes tipos básicos de organismos, comparáveis a um pomar, em que cada grupo pode se diversificar internamente, mas sem ultrapassar os limites estabelecidos na criação.

Representação esquemática do surgimento da diversidade da vida na perspectiva evolutiva Darwinista (A – árvore da vida), representando o gradualismo com apenas um único ancestral comum universal; e a representação criacionista com vários tipos básicos ancestrais (B – Pomar da vida), dando origem a descendentes dentro de limites. Adaptado pela autora de orchardoflifescience.com

3. Criacionismo é Design Inteligente disfarçado

Recentemente, a revista Superinteressante publicou um texto criticando o Design Inteligente, classificando-o como “uma pseudociência criacionista que tenta se infiltrar nas escolas”³. Contudo, é preciso esclarecer que criacionismo não é pseudociência, nem Design Inteligente disfarçado: tratam-se de perspectivas distintas. O Design Inteligente é apresentado por diversos teóricos, como Michael Behe e Stephen Meyer, que defendem ser possível utilizar o método científico para identificar evidências de um designer na natureza. Entre os critérios utilizados, destacam-se os conceitos de complexidade irredutível e a de informação especificada.

O conceito de complexidade irredutível é frequentemente ilustrado pelo exemplo da ratoeira: se qualquer uma de suas peças falhar ou estiver ausente, o mecanismo deixa de cumprir sua função. De maneira análoga, sistemas biológicos como a estrutura propulsora do flagelo bacteriano ou o complexo enzimático da ATP sintase dependem da presença e do funcionamento adequado de todos os seus componentes. A ausência ou o defeito de uma única parte compromete todo o sistema, impossibilitando seu funcionamento.

Se o gradualismo é real, esses sistemas não poderiam ser formados ao longo dos milhões de anos, pois seriam eliminados pela seleção natural. Já o conceito de informação especificada se refere à informação presente nos seres vivos, como o código do DNA. Essas moléculas não poderiam ter surgido unicamente por meio da seleção natural, já que esta não teria capacidade de gerar informação nova com esse nível de organização. Assim, o Design Inteligente busca analisar processos naturais e avaliar se é mais provável que tenham sido resultado de uma causa inteligente do que por mecanismos puramente naturais, sem assumir compromisso direto com a identidade desse designer.

O criacionismo, por sua vez, é uma cosmovisão que reconhece esse designer como o Criador revelado nas Escrituras e envolve uma dimensão de fé racional com base em evidências fornecidas pelo método científico. Portanto, embora ambos critiquem limitações da teoria evolutiva, não podem ser confundidos. Há inclusive pessoas agnósticas ou sem vínculo religioso que aceitam o Design Inteligente sem se identificarem como criacionistas. Por isso, ao se reduzir o debate a uma associação simplista entre criacionismo e Design Inteligente, corre-se o risco de incorrer em falácias, em vez de promover uma discussão consistente sobre as fragilidades e implicações de cada perspectiva.

4. Criacionismo é religião, não tem base científica

O criacionismo não é uma religião em si, mas uma cosmovisão. Enquanto existem diversas denominações religiosas, o criacionismo se caracteriza por compreender que há evidências científicas, históricas e arqueológicas que dão suporte à fé no relato bíblico da criação — não apenas no livro de Gênesis, mas em toda a Bíblia como um conjunto coerente e digno de confiança. Além disso, reconhece que a própria natureza, em suas dimensões visíveis e invisíveis, aponta para o Criador.

Como afirma o salmista: “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das suas mãos” (Salmos 19:1-2). De forma semelhante, Paulo escreve: “Os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, são vistos claramente desde a criação do mundo, sendo percebidos por meio das coisas criadas” (Romanos 1:20). Isso mostra que não é necessário que Deus faça um discurso direto; pela observação e pelo estudo da natureza é possível reconhecer Sua intervenção na vida dos seres criados. A fé, portanto, não deve ser cega, mas fundamentada em evidências que apelam à razão humana, como o apóstolo Paulo afirma em Romanos 12:1 ao exortar ao culto racional.

Assim, o criacionismo é uma cosmovisão sustentada por múltiplos tipos de evidências, incluindo as científicas, que revelam ordem e propósito no universo. Da mesma forma que não vemos a gravidade ou as leis que regem o movimento dos planetas, mas as reconhecemos por meio de cálculos e observações, também compreendemos que onde há leis, há um legislador.

É interessante perceber que as críticas ao criacionismo e os debates entre defensores do Design Inteligente e da teoria da evolução revelam muito mais do que uma simples disputa de evidências: eles mostram como diferentes perspectivas moldam nossa compreensão da realidade, inclusive no que diz respeito à existência ou não do transcendente. Diante disso, podemos ser tentados a adotar uma postura combativa, como se a aceitação da nossa cosmovisão dependesse unicamente da nossa habilidade de argumentação e persuasão. No entanto, é fundamental lembrar de dois pontos essenciais. Primeiro, não somos nós, mas a ação do Espírito Santo que convence as pessoas (João 16:8). Segundo, por trás das discussões sobre criação e evolução existe um pano de fundo maior: o grande conflito.

Nosso adversário não é aquele com quem dialogamos, mas Satanás. Por isso, nossa preparação deve ir além dos argumentos científicos e filosóficos, incluindo também o estudo profundo da Palavra de Deus. Assim, mesmo que o resultado imediato não seja o esperado, podemos ter a certeza de que estamos acompanhados pelo maior e melhor aliado: o nosso Criador.

(Maura Brandão é bióloga e doutora em Ciências pela USP; texto publicado no portal de notícias da DSA)

Referências:

[1] Carta original de Isaac Newton para Richard Bentley. The Newton Project . 10 de dez de 1692. University of Oxford, publicado online em out de 2007. Disponível em: https://www.newtonproject.ox.ac.uk/view/texts/normalized/THEM00254. Acesso em: 31 ago. 2025.

[2] MARSH, Frank L. Variation and fixity in nature. Creation Research Society Quarterly, v. 11, p. 60-68, jun. 1974.

[3] Bruno Carbinato. O que é “design inteligente”, a pseudociência criacionista que tenta se infiltrar nas escolas. Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/o-que-e-o-design-inteligente-a-pseudociencia-criacionista-que-tenta-se-infiltrar-nas-escolas/. Acesso em 20 de ago de 2025.Amazon

Por que a mãe não rejeita o feto

A matéria de capa da revista Ciência Hoje de abril de 2010 é simplesmente impressionante! Assinado por Priscila Vianna e José Artur Bogo Chies, do Laboratório de Imunogenética da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o artigo explica os mecanismos biológicos que impedem que o feto seja identificado pelo organismo da mãe como um corpo estranho e acabe sendo rejeitado. O texto começa com inegável linguagem de design inteligente: “A evolução da gestação, o nascimento do bebê e a produção de leite para alimentá-lo compõem uma sequência natural e bem planejada, com vistas a acolher um novo ser. A interação imunológica entre mãe e filho que acontece ao longo da gestação é mantida até o período de amamentação. O aleitamento transfere anticorpos da mãe para o filho e esses anticorpos permitirão à criança reconhecer agentes causadores de doenças, protegendo-a durante seu desenvolvimento.”

O texto prossegue com explicações técnicas minuciosas e a pergunta que fica no ar e que nem de longe é tratada pela matéria é: Até que esses processos e mecanismos bioquímicos evoluíssem, como os seres humanos (ou quaisquer outros seres que se reproduzem sexualmente) sobreviveram? A complexidade irredutível envolvida em cada descrição no texto é tão grande, que em momento algum a palavra “evolução”, no contexto darwinista, é evocada – o que é curiosamente típico em pesquisas científicas que tratam de complexidade nesse nível.

Segundo os autores do artigo, “na gestação, o corpo feminino sofre diversas alterações hormonais e físicas, além de mudanças no perfil imunológico. O sistema imune materno precisa aprender a conviver com o feto, que pode ser comparado a um transplante, pois a presença de 50% de material genético paterno o torna, para o organismo da mãe, um ‘estranho’”.

Detalhe: o sistema imune materno “precisa aprender”, mas sabe exatamente o que fazer quando a mulher engravida – e precisa saber. A fim de que o feto não seja rejeitado, a placenta o isola parcialmente, para protegê-lo, atuando como um filtro semipermeável que permite a troca de oxigênio e nutrientes, assim como a comunicação imunológica ao longo da gestação. Bem, se os seres sexuados tivessem evoluído a partir de assexuados, é de se supor que a placenta não estivesse presente logo de início. O que serviria, então, de “filtro” para o feto? Como ele teria sobrevivido sem o devido aporte de oxigênio e nutrientes e sob o ataque do organismo materno?

O texto prossegue: “Para que uma gestação se desenvolva com sucesso, é importante que o sistema imune materno reconheça o feto, sem rejeitá-lo, e induza uma resposta de aceitação, gerando um ambiente adequado para a boa evolução do futuro bebê. A relação harmoniosa entre mãe e filho envolve a interação de aspectos da imunologia celular e humoral (por meio de citocinas [células que auxiliam na comunicação entre as células em um organismo] e anticorpos) e de outros componentes. Vários mecanismos protetores regulam a resposta imune materna ao feto e garantem sua aceitação, entre eles (1) a presença da placenta (tecido de origem embrionária), que isola física e imunologicamente o feto da mãe, e (2) a presença de uma resposta do tipo TH2 [célula auxiliar] na mãe, que evita um ataque do sistema de defesa ao feto.”

O interessante é que não há ligação direta entre vasos sanguíneos maternos e fetais, o que isola o feto, protegendo-o de um possível “ataque” do sistema imunológico materno. Para que a aceitação do feto ocorra, o corpo da mulher apresenta alterações imunológicas ao longo da gestação: mudanças no padrão de produção e liberação de citocinas, inibição localizada da proliferação de certas células do sistema imune (as que atacam corpos estranhos) ou indução da expressão de certas moléculas protetoras na superfície das células. Tudo de forma organizada e no tempo certo. Conforme o artigo, “é necessária uma delicada regulação de todo esse equilíbrio na produção de citocinas e na inibição de respostas celulares ao longo da gestação. Momentos distintos do tempo gestacional exigem perfis diferentes de equilíbrio entre esses vários fatores. O atraso na ativação ou inibição de qualquer uma dessas vias pode resultar em complicações da gestação, ou mesmo em aborto.”

Resumindo: além dos mecanismos certos, especificamente desenhados para funcionar corretamente desde a primeira vez, há também o fator tempo, ou seja, esses mecanismos tinham e têm que funcionar no momento exato em que eram/são necessários.

O feto também participa nesse processo todo, sendo estabelecida uma verdadeira “conversa” química entre ele e a mãe. Se eventualmente alguma célula de defesa da mulher ultrapassar a barreira placentária, o sistema imune do feto será capaz de evitar o “ataque”. “Isso é feito por meio de células T reguladoras fetais, que reagem à presença das células da mãe, liberando citocinas, que podem controlar ou inativar respostas danosas contra as células maternas, induzindo o estado de tolerância”, explicam os autores.

Mais interessante ainda: essas células do feto podem permanecer em circulação por até 17 anos após o nascimento, como memória imunológica, sendo capazes de reconhecer as células maternas. “O estudo inovador mostrou como mãe e feto mantêm um contato muito mais íntimo do que se imaginava anteriormente”, e mostrou também que o sistema imunológico do feto já é bastante ativo antes do nascimento. Eu já sabia que nunca conseguiria ser tão íntimo de minhas filhas quanto minha esposa. Agora estou ainda mais conformado…

O artigo conclui falando do perigo da pré-eclâmpsia, aumento da pressão sanguínea que coloca em risco tanto o feto quanto a mãe (na primeira gestação). É a segunda causa de morte materna no mundo e a primeira no Brasil, sendo responsável por até 10% das mortes de fetos ou mães durante a gravidez. Essa doença surge quando o organismo da mãe não consegue se modificar para “aceitar” o feto e aumenta a pressão sanguínea para “eliminar” o “corpo estranho”.

Voltamos à pergunta que não quer calar: E antes que esse complexo mecanismo “evoluísse”, como se dava essa modificação dirigida e interrelacionada dos sistemas imunes da mãe e do feto, capaz de evitar a pré-eclâmpsia e outros problemas fatais?

Davi não entendia de embriologia e imunologia, mas conseguiu expressar bem o assombro que nos envolve quando pensamos no maravilhoso processo de concepção e gestação de uma nova vida: “Graças Te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as Tuas obras são admiráveis” (Salmo 139:14).

E Jó, há mais de 3.500 anos, também se maravilhou: “Não me derramaste como leite e não me coalhaste como queijo? [concepção?] De pele e carne me vestiste e de ossos e tendões me entreteceste [desenvolvimento embrionário?]. Vida me concedeste na Tua benevolência, e o Teu cuidado a mim me guardou” (Jó 10:8-12).

Michelson Borges