Descansa uma grande defensora do criacionismo: Nair Ebling

Com pesar e profunda gratidão, registramos o falecimento, no dia 27 de janeiro de 2026, da professora Nair Elias dos Santos Ebling (1944-2026), uma das vozes mais respeitadas do criacionismo no Brasil. Educadora dedicada, cientista cuidadosa e cristã coerente, Nair Ebling marcou gerações de alunos e leitores ao unir fé bíblica e rigor acadêmico, mostrando que pensar cientificamente não é incompatível com crer no Deus Criador.

Nair formou-se em História Natural em 1966, em São José do Rio Preto, em uma faculdade que pertencia à Universidade de São Paulo (USP), e teve sólida atuação acadêmica na área de genética, educação e estudos sobre as origens, a professora Nair construiu uma trajetória acadêmica sólida, atuando por muitos anos no ensino superior e na formação de professores. Sua produção intelectual foi expressiva, com livros, capítulos e artigos voltados à defesa do criacionismo bíblico, à reflexão sobre as origens e ao diálogo honesto entre ciência e fé. Suas obras tornaram-se referência para estudantes, educadores e leitores interessados em compreender os limites do naturalismo e as evidências de um projeto inteligente na natureza.

O historiador Elder Hosokawa lembra que, “com o apoio de figuras como o pastor Nevil Gorski e a colaboração estreita do professor Admir Josafá Arrais de Matos, Nair aceitou o desafio hercúleo de escrever o próprio material didático. O processo não foi isento de batalhas. Durante a estruturação dos primeiros volumes destinados ao ensino fundamental, enfrentou resistências internas amargas, incluindo reuniões tensas em que colegas de profissão tentaram impedir a publicação do material por divergências conceituais. No entanto, sua resiliência e a de Admir Arrais prevaleceram. Em 1985, foi publicado pela Casa Publicadora Brasileira o livro Ciências, Programa de Saúde para a 5ª série, seguido por uma coleção completa que se estenderia até a 8ª série e, posteriormente, cobriria as quatro primeiras séries iniciais”.

“A publicação desses livros desencadeou uma tempestade na imprensa e na academia. Reportagens contundentes na Folha de S. Paulo e editoriais agressivos na Revista Ciência e Cultura, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, tentaram reduzir o trabalho de Nair e Admir. Contudo, o efeito foi o oposto do esperado pelos críticos. A polêmica gerou curiosidade e uma demanda sem precedentes. Professores de escolas públicas e particulares de todo o país passaram a buscar o material, e até mesmo o MEC, na época, chegou a adquirir edições completas. Nair assistiu, com surpresa e gratidão, como sua obra se espalhou como folhas de outono, levando a mensagem do Criador a lugares onde a fé raramente penetrava. Participou ativamente da abertura da Faculdade Adventista de Ciências em 1989″, completa Hosokawa.

Mais do que títulos e publicações, Nair Ebling deixa o legado de uma vida vivida com integridade, humildade intelectual e compromisso com a verdade. Sua contribuição ao criacionismo brasileiro permanece viva em seus escritos, em seus alunos e em todos aqueles que aprenderam com ela a pensar, questionar e crer. À família, amigos e à comunidade acadêmica e cristã, fica nossa solidariedade e a certeza de que sua obra continua falando, mesmo após seu descanso. Que a esperança da ressurreição por ocasião da breve volta de Jesus console a todos.

Entre as muitas histórias que revelam a estatura intelectual e moral da professora Nair, há uma que ouvi dela pessoalmente e que ilustra tanto sua honestidade científica quanto sua integridade de fé.

Nair costumava recordar sua convivência acadêmica com Theodosius Dobzhansky, um dos mais influentes geneticistas do século 20 e figura central na consolidação da genética evolutiva no Brasil. Em meio às tensões vividas por ela como jovem estudante adventista na Universidade de São Paulo (USP), dividida entre a fé criacionista e o ambiente universitário fortemente evolucionista, ocorreu um diálogo que marcaria profundamente sua vida.

Segundo seu próprio relato, em 1966, durante atividades de campo em São Paulo e em conversas informais, Dobzhansky fez repetidas referências ao “Criador” ao contemplar a natureza, sem ironia aparente. Em uma dessas ocasiões, ao serem confrontados pela complexidade e beleza do mundo natural, ele lhe perguntou se realmente acreditava que tudo aquilo pudesse ser fruto do acaso. Diante da resposta negativa de Nair, Dobzhansky a aconselhou de forma direta e surpreendente: que permanecesse criacionista e não abandonasse sua convicção por causa do que ele havia escrito ou ensinado.

Ainda segundo o testemunho de Nair, ao ser questionado sobre a influência que exercera – e continuaria exercendo – sobre gerações de estudantes, Dobzhansky encerrou a conversa com uma confissão carregada de peso pessoal: disse que ela era jovem, que não precisava seguir o caminho que ele havia trilhado, e que ele próprio já tinha ido longe demais para voltar atrás.

Esse relato, que por muito tempo foi tratado por alguns como “lenda urbana”, encontra eco no próprio texto mais famoso de Dobzhansky, publicado em 1973, no qual ele se declara simultaneamente criacionista e evolucionista, afirmando entender a evolução como o método de criação de Deus ou da natureza – ainda que, paradoxalmente, descreva esse processo como “criativo, porém cego”.

Ao compartilhar essa experiência, Nair nunca buscou sensacionalismo nem disputas ideológicas. Seu objetivo era testemunhar que a ciência, mesmo em seus mais altos níveis, não está imune a conflitos existenciais profundos, e que a fidelidade à consciência pode custar caro – mas vale a pena.

Para ela, essa vivência não enfraqueceu sua fé; ao contrário, ajudou a firmá-la. E é assim que sua memória permanece: como a de uma educadora que transitou com coragem entre ciência e crença, sem jamais abrir mão da honestidade intelectual nem da confiança no Criador.

A declaração de Dobzhansky: “Only a creative but blind process could produce… the tremendous biologic success that is the human species… The organic diversity becomes, however, reasonable and understandable if the Creator has created the living world not by caprice but by evolution propelled by natural selection. It is wrong to hold creation and evolution as mutually exclusive alternatives. I am a creationist and an evolutionist. Evolution is God’s, or Nature’s method of creation. Creation is not an event that happened in 4004 BC; it is a process that began some 10 billion years ago and is still under way” (Dobzhansky, Theodore [1973], “Nothing in Biology Makes Sense Except in the Light of Evolution”, The American Biology Teacher, 3:125-129, March. p. 127). Portanto, o famoso cientista acabou por se declarar um evolucionista teísta.

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