O capítulo 7 do livro A História da Vida, intitulado “Pais da Ciência, Homens de Fé”, propõe uma reflexão profunda da relação histórica entre a fé cristã e o desenvolvimento científico. O autor busca demonstrar que a fé e a razão, longe de serem forças opostas, caminham juntas.
O foco central do capítulo está na exposição da vida de Isaac Newton, como exemplo de homem de fé e ciência. Newton, além de matemático e físico, era também um teólogo estudioso que passou as últimas décadas de sua vida estudando a Bíblia e as profecias. Reinaldo Lopes sugere que, na verdade, a fé religiosa de Newton pode ter facilitado suas descobertas. Assim, o capítulo contrapõe a crença comum de que é impossível ser crente e intelectual.
Outro mérito do capítulo é o esclarecimento do mito da Terra plana, um argumento frequentemente usado para simbolizar a suposta “guerra entre a ciência e a religião” na Idade Média. Russell, um historiador citado, demonstrou que o erro da Terra plana é um mito moderno, propagado no século 19 por antirreligiosos americanos (como Washington Irving e Antoine-Jean Letronne) e usado como uma “arma simbólica do Iluminismo” para atacar o Cristianismo. O texto ainda usa as Escrituras Sagradas (Jó 26:7 e Isaías 40:22) para mostrar que a Bíblia já indicava conceitos de uma Terra “suspensa no nada” e com formato de “globo”.
Além da análise histórica, o capítulo traz exemplos práticos e contemporâneos. O físico brasileiro Cesar Lattes, co-descobridor do méson pi, por exemplo, declarou crer na Bíblia e na origem bíblica do Universo. No campo da saúde, a aplicação de princípios bíblicos sobre sanitarismo (como o isolamento de leprosos em Levítico 13:46) resultou na diminuição da lepra e teve um impacto positivo na saúde pública, provando que a Bíblia contém informações práticas.
Por fim, o capítulo 7 cumpre seu papel ao aprofundar o conhecimento sobre a história e a filosofia da ciência, mostrando que fé e razão podem coexistir em harmonia. Ao citar William Lane Craig, o texto reforça que o verdadeiro problema para a aceitação das conclusões cristãs não é a razão, mas o preconceito. Com base em evidências históricas e conceituais, o capítulo sustenta que o Cristianismo não é o inimigo da ciência, mas, sim, o solo cultural e moral do qual ela floresceu. A fé, para os pais da ciência, foi o farol que iluminou a busca pela ordem natural estabelecida por Deus.
(Daiana de Souza Mota é aluna do curso Teologia e Estudos Adventistas
No capítulo “Seguindo as Evidências”, do livro A História da Vida, Michelson Borges propõe uma análise provocativa sobre a origem da vida e as formas de interpretação da realidade. O autor busca demonstrar que a fé e a razão não são forças opostas, mas caminhos que, quando bem compreendidos, convergem na busca pela verdade. Com uma escrita clara e embasada, Borges defende a coerência do modelo criacionista, apresentando evidências científicas e filosóficas que, segundo ele, apontam para um Criador inteligente e intencional.
O capítulo se destaca por abordar a questão com equilíbrio, evitando o extremismo e convidando o leitor a refletir sobre as limitações do pensamento exclusivamente naturalista. O autor reconhece a importância do método científico, mas critica a postura de alguns cientistas que, segundo ele, adotam o evolucionismo como um dogma, sem considerar adequadamente outras interpretações das mesmas evidências. Borges argumenta que a complexidade da vida e a ordem do Universo indicam propósito e planejamento, o que reforça a plausibilidade do relato bíblico da criação. Como leitor adventista, é possível perceber grande afinidade com a perspectiva apresentada. A valorização da fé como complemento da ciência está em harmonia com o pensamento cristão que reconhece Deus como autor da vida.
De modo geral, “Seguindo as Evidências” é um capítulo relevante e provocador, que desafia o leitor a reexaminar pressupostos e a reconhecer que as evidências da natureza não precisam afastar o ser humano de Deus, mas sim conduzi-lo a Ele. Michelson Borges oferece uma contribuição significativa ao debate entre fé e ciência, reafirmando que a verdadeira sabedoria está em seguir as evidências com mente aberta e coração disposto à verdade.
(Rafael Francisco Silva de Paulo é aluno do curso Teologia e Estudos Adventistas)
O primeiro capítulo do livro A História da Vida, intitulado “O Universo ao Lado”, apresenta de forma clara e instigante o propósito central de Michelson Borges: discutir as cosmovisões que moldam a compreensão humana sobre a origem e o sentido da vida. O autor parte da premissa de que ninguém é totalmente neutro; toda pessoa interpreta o mundo a partir da sua cosmovisão, sejam eles criacionistas, que reconhecem um Criador intencional, ou naturalistas/darwinistas, que procuram explicar a existência com base apenas nas leis da natureza.
O capítulo tem início com um episódio pessoal no qual a esposa do autor, Débora, participa de um debate em sala de aula sobre a origem do ser humano. A situação é apresentada como uma metáfora para os “universos ao lado”: dois modos distintos de ver a realidade, o criacionista e o evolucionista, que coexistem, mas frequentemente se negam a dialogar de forma aberta e respeitosa. Borges usa esse exemplo para mostrar que o conflito entre fé e ciência, muitas vezes, não é de evidências, mas de interpretação das mesmas evidências a partir de olhares diferentes.
Em uma das passagens mais marcantes do capítulo, Michelson cita o debate histórico entre o bispo Samuel Wilberforce e o cientista Thomas Huxley, ocorrido em 1860, como um exemplo de como a defesa da fé pode se tornar ineficaz quando conduzida com orgulho e sarcasmo. Durante a discussão sobre a teoria da evolução, o bispo tentou ridicularizar Huxley, perguntando ironicamente se ele descendia de um macaco por parte do avô ou da avó de Huxley, o qual respondeu que preferiria ter um macaco como avô do que um homem educado e influente, mas que usa sua inteligência apenas para ridicularizar o outro em um debate cientifico
Michelson Borges destaca esse episódio não para apoiar Huxley, mas para mostrar que o bispo foi infeliz em sua abordagem, usando o ridículo em vez da razão. Ao agir assim, perdeu uma oportunidade valiosa de defender a fé com equilíbrio e preparo intelectual. Para o autor, esse tipo de postura contribui para o descrédito do criacionismo, reforçando a imagem de que a religião teme o debate científico, algo que ele se empenha em refutar ao longo da obra.
O autor argumenta, de modo convincente, que o naturalismo filosófico, base do evolucionismo moderno, é em si uma forma de crença, uma visão de mundo que exclui, por princípio, qualquer possibilidade sobrenatural. O autor mostra que essa postura, longe de ser neutra, é uma escolha ideológica que coloca limites artificiais ao alcance da ciência. Citando pensadores como Phillip Johnson, Stephen Meyer e Leonard Brand, Borges sustenta que há espaço legítimo para questionar as explicações naturalistas e considerar a hipótese de um design inteligente como racional e coerente.
A principal força do texto está na clareza didática e na capacidade de unir fé e razão. O capítulo conduz o leitor a refletir sobre como as evidências científicas podem ser interpretadas à luz de uma cosmovisão criacionista, sem negar a importância da investigação científica. O autor defende que a verdadeira ciência deve ser livre para seguir as evidências que apontam para a existência de um Criador.
Em síntese, o capítulo “O Universo ao Lado” é uma leitura envolvente e profundamente reflexiva. Michelson Borges mostra que crer em Deus não é negar a ciência, mas reconhecer e compreender que a vida carrega marcas claras de planejamento e propósito.
(Jaqueline Camargo é aluna do curso Teologia e Estudos Adventistas)
Vinte anos atrás eu li um livro que causou profundo impacto em minha mente recém-convertida ao criacionismo: A Caixa Preta de Darwin, do bioquímico norte-americano Michael Behe. Dez anos depois, publiquei no blog Criacionismo uma resenha da obra (leia logo abaixo do vídeo). Depois da primeira edição (1996), sucesso de vendagem e de público, a editora Jorge Zahar não quis produzir uma segunda tiragem, e a obra ficou esgotada desde então. Por isso, a notícia de que a editora Mackenzie estava preparando uma segunda edição ampliada do clássico de Behe me deixou muito feliz. E finalmente o livro voltou! Leia a apresentação que consta no site da editora:
“Em 1996, A Caixa Preta de Darwin lançou ao mundo a Teoria do Design Inteligente: o argumento de que a natureza exibe evidências de design que vão muito além do acaso darwinista. O livro catalisou um debate bastante acalorado sobre a evolução, que continua cada vez mais a se intensificar nos Estados Unidos e no mundo, incluindo o Brasil. Em um amplo espectro científico, a obra se estabeleceu como o texto básico e fundamental do design inteligente (DI), o argumento que precisa ser considerado para determinar se a evolução, segundo propôs Darwin, é mesmo suficiente para explicar a vida da forma que hoje a conhecemos. No posfácio da edição comemorativa do 10º aniversário do livro, Behe explica como a complexidade descoberta por microbiologistas cresceu drasticamente desde a publicação de seu livro e como essa complexidade irredutível tem sido um desafio contínuo ao darwinismo, que, sistematicamente, tem falhado em explicá-la. No posfácio comemorativo desta edição de 2019, Behe reforça o poder crescente de seus argumentos – tão atuais e devastadores em 2019 quanto eram em 1996 – e comemora o crescimento do DI no Brasil e no mundo. A Caixa Preta de Darwin é histórico, indispensável e ainda mais importante hoje do que era em 1996!
“O desafio da Bioquímica à Teoria da Evolução”. Esse é o subtítulo de um livro publicado pelo professor de bioquímica da Universidade Lehigh (Pensilvânia, EUA), Michael Behe: A Caixa Preta de Darwin (Jorge Zahar Editor, 1997). Nele, o autor desafia a teoria da evolução com o que chama de sistemas de complexidade irredutível.
Usando como exemplo desses sistemas a visão, a coagulação do sangue, o transporte celular e a célula, Behe demonstra convincentemente que o mundo bioquímico forma um arsenal de máquinas químicas, constituídas de peças finamente calibradas e interdependentes. Para que a teoria da evolução fosse verdade, deveria ter havido uma série de mutações, todas e cada uma delas produzindo sua própria maquinaria, o que resultaria na complexidade atual.
Mesmo não sendo um criacionista, o professor Michael Behe argumenta que as máquinas biológicas têm que ter sido planejadas – seja por Deus ou por alguma outra inteligência superior.
Para ilustrar suas idéias, ele usa a analogia da ratoeira: “Suponhamos, por exemplo, que queremos fabricar uma ratoeira. Na garagem, podemos ter uma tábua de madeira velha (para a plataforma ou base), a mola de um velho relógio de corda, uma peça de metal (para servir como martelo) na forma de uma alavanca, uma agulha de cerzir para segurar a barra, e uma tampinha metálica de garrafa, que julgamos poder usar como trava. Essas peças, no entanto, não poderiam formar uma ratoeira funcional sem modificações excessivas e, enquanto elas estivessem sendo feitas, as partes não poderiam funcionar como ratoeira. Suas funções anteriores as teriam tornado impróprias para quase qualquer novo papel como parte de um sistema complexo.”
O autor complica ainda mais as coisas para o darwinismo ao perguntar: como se desenvolveu o centro de reação fotossintético? Como começou o transporte intramolecular? De que modo começou a biossíntese do colesterol? Como foi que a retina passou a fazer parte da visão? De que maneira se desenvolveram as vias de sinalização da fosfoproteína?
“O simples fato de que nenhum desses problemas jamais foi tratado, para não dizer solucionado”, conclui Behe, “constitui uma indicação muito forte de que o darwinismo é um marco de referência inadequado para compreendermos a origem de sistemas bioquímicos complexos”.
Quando o livro Origem das Espécies foi publicado, no século passado, os pesquisadores não imaginavam a enorme complexidade dos sistemas bioquímicos. Esse campo foi aberto em nosso século, quando Watson e Crick descobriram a forma de hélice dupla do ADN (ácido desoxirribonucléico), revelando os segredos da célula. Com isso, os bioquímicos vislumbraram um mundo de cuja complexidade Darwin nem sequer suspeitava.
O lado mais infeliz disso tudo, diz Behe, é o fato de que “numerosos estudantes aprendem em seus livros a ver o mundo através de uma lente evolucionista”, mas “não aprendem como a evolução darwiniana poderia ter produzido qualquer um dos sistemas bioquímicos notavelmente complicados que tais textos descrevem”.
A raiz do preconceito de alguns para com a religião remonta ao século 19, quando o clima do racionalismo e do materialismo acabou implantando uma nova ordem social. As pessoas estavam saturadas de tradicionalismo. Naquele momento, só lhes interessavam novidades, não importando seu fundamento. Assim, o pensamento evolucionista acabou se infiltrando nas demais ciências, e vem sendo amplamente difundido nas escolas e nos meios de comunicação.
Segundo Michael Behe, “a compreensão resultante de que a vida foi planejada por uma inteligência é um choque para nós no século 20, que nos acostumamos a pensar nela como resultado de leis naturais simples”. Porém, ele lembra que outros séculos “também tiveram seus choques, e não há razão para pensar que deveríamos escapar deles”. É tempo de abrir a caixa-preta de Darwin.
(Michelson Borgesé pastor e jornalista, pós-graduado em Biologia Molecular)
O livro Inventando a Terra Plana (Sociedade Criacionista Brasileira, 2020), de Jefrey Burton Russel, historiador e pesquisador da Universidade da Califórnia, mostra convincentemente que a ideia da Terra plana foi uma elaboração mais ou menos recente. Embora hoje se saiba que os europeus renascentistas tenham supervalorizado a ideia de que houve um período de mil anos de trevas intelectuais entre o mundo clássico e o moderno, Russel acredita que o erro da Terra plana não havia sido incorporado à ortodoxia moderna antes do século 19. “[Russel] descobriu o fio da meada nos escritos do americano Washington Irving e do francês Antoine-Jean Letronne [responsáveis pela posterior propagação do mito da Terra plana]. Mas sua disseminação no pensamento convencional ocorreu entre 1870 e 1920, como consequência da ‘guerra entre a ciência e a religião”, quando para muitos intelectuais na Europa e nos Estados Unidos toda religião tornou-se sinônimo de superstição e a ciência tornou-se a única fonte legítima da verdade. Foi durante os últimos anos do século 19 e os primeiros anos do século 20 que a viagem de Colombo tornou-se então um símbolo amplamente divulgado da futilidade da imaginação religiosa e do poder libertador do empirismo científico. […] os pensadores medievais, da mesma forma que os clássicos que os antecederam, criam na redondeza da Terra” (p. 10).
Irving (1783-1859) retocou a história para parecer que a oposição à viagem de Colombo se deveu ao pensamento de que a Terra fosse plana. Isso foi provado falso. A oposição se deveu, na verdade, à preocupação com a distância que os navegadores teriam que percorrer. A esfericidade da Terra não foi tema de discussão naquela ocasião.
O fato é que nem Cristóvão Colombo, nem seus contemporâneos pensavam que a Terra fosse plana. Não há uma referência sequer nos diários do navegador (e de outros exploradores) que levante a questão da redondeza da Terra, o que indica que não havia contestação alguma a esse respeito, na época. Assim, segundo Russel, é comum a regra de Edward Grant de que no século 15 não havia pessoas cultas que negassem a redondeza da Terra. No entanto, esse mito permanece até hoje, firmemente estabelecido com a ajuda dos meios de comunicação e dos livros didáticos. Com que interesse?
Para Russel, o mito da Terra plana pode ser rastreado até o século 19, especialmente a partir de 1870, à medida que autores de livros-textos se envolveram na controvérsia em torno do darwinismo. “No início do século [20] a força dominante subjacente ao erro [da Terra plana] foi o anticlericalismo do Iluminismo no seio da classe média na Europa, e o anticatolicismo nos Estados Unidos” (p. 35).
Antes disso, na Divina Comédia, o poeta Dante Alighieri (1265-1321) já apresentava o conceito de uma Terra redonda. Os filósofos escolásticos, incluindo o maior deles, Tomás de Aquino (1225-1275), conhecedores de Aristóteles, igualmente afirmavam a esfericidade da Terra.
No entanto, como os escolásticos e filósofos medievais se baseavam em Aristóteles e este defendia a esfericidade da Terra, os iluministas tiveram que arranjar outros referenciais para dizer que o mito se baseava neles. E os encontraram em Lactâncio (245-325 d.C.) e Cosme Indicopleustes, autor de Topografia Cristã (escrito entre 547 e 549 d.C.). Só que, segundo Russel, Lactâncio tinha ideias muito estranhas sobre Deus e não foi levado em consideração na Idade Média (na verdade, foi considerado herege) – até que os humanistas da Renascença o “ressuscitassem”, apregoando sua suposta influência. Indicopleustes, partindo de escritos de filósofos pagãos e interpretando erroneamente textos bíblicos poéticos, defendeu a ideia da Terra plana. Era ignorado, ao invés de seguido.
Detalhe: a primeira tradução de Cosme para o latim não foi feita senão em 1706. Portanto, como poderia ele ter tido influência sobre o pensamento ocidental medieval?
Russel arremata: “[Lactâncio e Cosme] foram símbolos convenientes a serem usados como armas contra os antidarwinistas. Em torno de 1870, o relacionamento entre a ciência e a teologia estava começando a ser descrito através de metáforas bélicas. Os filósofos (propagandistas do Iluminismo), particularmente [David] Hume, haviam plantado uma semente ao implicar que estavam em conflito os pontos de vista científicos e cristãos. Augusto Comte (1798-1857) havia argumentado que a humanidade estava laboriosamente lutando para ascender em direção ao reinado da ciência; seus seguidores lançaram o corolário de que era retrógrado tudo o que impedisse o advento do reino da ciência. Seu sistema de valores percebia o movimento em direção à ciência como ‘bom’, de tal forma que o que atrapalhasse esse movimento era ‘mau’. (…) O erro [da Terra plana] foi, desta forma, incluído no contexto de uma controvérsia muito maior – a alegada guerra entre ciência e religião” (p. 67, 77).
O próprio Copérnico (1453-1543), no prefácio de seu clássico trabalho De Revolutionibus, usou Lactâncio para ilustrar como a ignorância dos opositores à ideia da Terra esférica era comparável à dos que insistiam no geocentrismo. Curiosamente, Copérnico não diz que Lactâncio era típico do pensamento medieval. Esse prefácio foi enviado para o papa a fim de obter aprovação eclesiástica. Copérnico não atacaria Lactâncio e sua ideia da Terra plana, se a igreja estivesse de acordo com esse pensamento. O problema, como já vimos, teve que ver com o geocentrismo aristotélico versus heliocentrismo, e não com o formato da Terra.
Clássico da literatura do design inteligente é relançado no Brasil com nova tradução.
“O desafio da Bioquímica à Teoria da Evolução.” Esse é o subtítulo do livro publicado em 1997 pelo professor de bioquímica da Universidade Lehigh (Pensilvânia, EUA), Michael Behe: A Caixa Preta de Darwin. A obra teve nova tradução e foi republicada pela Universidade Mackenzie. Nela, o autor desafia a teoria da evolução com o que chama de sistemas de complexidade irredutível.
Usando como exemplo desses sistemas a visão, a coagulação do sangue, o transporte celular e a célula, Behe demonstra convincentemente que o mundo bioquímico forma um arsenal de máquinas químicas, constituídas de peças finamente calibradas e interdependentes. Para que a teoria da evolução fosse verdade, deveria ter havido uma série de mutações, todas e cada uma delas produzindo sua própria maquinaria, o que resultaria na complexidade atual. Mesmo não sendo um criacionista, o professor Michael Behe argumenta que as máquinas biológicas têm que ter sido planejadas – seja por Deus ou por alguma outra inteligência superior.
Para ilustrar suas ideias, ele usa a analogia da ratoeira: “Suponhamos, por exemplo, que queremos fabricar uma ratoeira. Na garagem, podemos ter uma tábua de madeira velha (para a plataforma ou base), a mola de um velho relógio de corda, uma peça de metal (para servir como martelo) na forma de uma alavanca, uma agulha de cerzir para segurar a barra, e uma tampinha metálica de garrafa, que julgamos poder usar como trava. Essas peças, no entanto, não poderiam formar uma ratoeira funcional sem modificações excessivas e, enquanto elas estivessem sendo feitas, as partes não poderiam funcionar como ratoeira. Suas funções anteriores as teriam tornado impróprias para quase qualquer novo papel como parte de um sistema complexo.”
O autor complica ainda mais as coisas para o darwinismo ao perguntar: como se desenvolveu o centro de reação fotossintético? Como começou o transporte intramolecular? De que modo começou a biossíntese do colesterol? Como foi que a retina passou a fazer parte da visão? De que maneira se desenvolveram as vias de sinalização da fosfoproteína?
“O simples fato de que nenhum desses problemas jamais foi tratado, para não dizer solucionado”, conclui Behe, “constitui uma indicação muito forte de que o darwinismo é um marco de referência inadequado para compreendermos a origem de sistemas bioquímicos complexos.”
Quando o livro A Origem das Espécies foi publicado, no século 19, os pesquisadores não imaginavam a enorme complexidade dos sistemas bioquímicos. Esse campo foi aberto no século 20, quando Watson e Crick descobriram a forma de hélice dupla do DNA (ácido desoxirribonucléico), revelando os segredos da célula. Com isso, os bioquímicos vislumbraram um mundo de cuja complexidade Darwin nem sequer suspeitava.
O lado mais infeliz disso tudo, diz Behe, é o fato de que “numerosos estudantes aprendem em seus livros a ver o mundo através de uma lente evolucionista”, mas “não aprendem como a evolução darwiniana poderia ter produzido qualquer um dos sistemas bioquímicos notavelmente complicados que tais textos descrevem”.
A raiz do preconceito de alguns para com a religião remonta ao século 19, quando o clima do racionalismo e do materialismo acabou implantando uma nova ordem social. As pessoas estavam saturadas de tradicionalismo. Naquele momento, só lhes interessavam novidades, não importando seu fundamento. Assim, o pensamento evolucionista acabou se infiltrando nas demais ciências, e vem sendo amplamente difundido nas escolas e nos meios de comunicação.
Segundo Michael Behe, “a compreensão resultante de que a vida foi planejada por uma inteligência é um choque para nós, que nos acostumamos a pensar nela como resultado de leis naturais simples”. Porém, ele lembra que outros séculos “também tiveram seus choques, e não há razão para pensar que deveríamos escapar deles”. É tempo de abrir a caixa-preta de Darwin.