Cientistas da Universidade de Edimburgo, na Escócia, estão tentando descobrir como uma espécie de peixe conseguiu sobreviver sem reprodução sexuada há pelo menos 70 mil anos. A população da Molinésia-Amazona, ou Poecilia formosa na nomenclatura científica, é formada apenas por fêmeas e pode ser encontrada na região do Texas, nos Estados Unidos, e no México. A espécie se reproduz por um processo conhecido como ginogênese, que consiste em um tipo de “acasalamento” com machos de outras espécies. O espermatozoide, no entanto, serve apenas para estimular os óvulos da fêmea, não para fecundá-los. Por isso, os filhotes são sempre clones das mães e não herdam traços genéticos do macho. Segundo os cientistas, criaturas que se reproduzem de forma assexuada apresentam problemas genéticos e frequentemente são vítimas de extinção pela fraqueza da espécie, o que não teria acontecido com a Molinésia-Amazona.
Para entender o complexo sistema de sobrevivência desse tipo de peixe, os cientistas calcularam há quanto tempo a Molinésia-amazona deveria ter sido extinta, com base em cálculos das modificações genéticas pelas quais passaram várias gerações. Os resultados mostram que a espécie deveria ter sido extinta há 70 mil anos [sic]. No entanto, ela ainda pode ser encontrada atualmente.
De acordo com os cientistas, a espécie deve estar usando alguns “truques” genéticos para sobreviver e o próximo passo da pesquisa será entender quais são eles. “O que nosso estudo demonstra é que este peixe realmente tem alguma coisa especial e que existem alguns truques que ajudam a espécie a sobreviver”, disse Laurence Loewe, que liderou o estudo.
Uma hipótese levantada pela pesquisa é a de que, em alguns casos, o peixe pode estar pegando traços do DNA dos machos para estimular a reprodução e renovar sua combinação genética.
Segundo Loewe, as descobertas podem ajudar a compreender melhor os mecanismos de outras espécies. “O interessante é que podemos aprender mais sobre outras espécies que utilizam esses mesmos truques”, afirmou.
O estudo foi publicado na revista científica BMC Evolutionary Biology.
Nota: Quando se pergunta a um darwinista como teria surgido o sexo na história evolutiva, aí é que vêm os truques (verbais). Afinal, como explicar a origem de mecanismos, órgãos e sistemas distintos e independentes (no macho e na fêmea), mas perfeitamente interrelacionados? Que “truque” é esse? [MB]
Quem já leu a Bíblia provavelmente conhece a narrativa do rei Ezequias. Segundo conta a história do Livro Sagrado, ele reinou em uma cidade histórica e baniu dela todas as referências pagãs que ela possuía. Por muito tempo, especulou-se sobre a veracidade da cidade, que ficaria onde hoje é Israel. E um grupo de arqueólogos conseguiu provar que, sim, a história do rei Ezequias é realmente verdadeira. Em explorações na região, os arqueólogos fizeram a descoberta que especialistas da área e religiosos esperavam havia séculos. Lá encontraram um santuário e seu portal extremamente antigo. O portal, que foi desenterrado por inteiro pelo grupo de arqueólogos, está localizado no que hoje é a cidade israelense de Tel Lachish. Parte do portal já havia sido encontrada, mas só sua descoberta por inteiro confirmou a história.
“O que temos hoje é algo realmente muito especial, desenterramos o portal por inteiro. E podemos afirmar que o tamanho do portal coincide bastante com os conhecimentos históricos e arqueológicos que temos sobre essa história bíblica”, afirma Sa’ar Ganor, diretor da Autoridade de Antiguidades de Israel.
A porta encontrada é a entrada para uma área de 24,5 metros quadrados onde foram encontradas outras seis câmaras orientadas para a rua principal da antiga cidade. A descoberta foi muito comemorada tanto pela comunidade de arqueólogos como entre religiosos.
(Yahoo notícias)
Nota: Essa é mais uma das muitas descobertas arqueológicas que tornam a Bíblia o documento antigo mais confirmado e, surpreendentemente, mais questionado de todos os tempos. O pano de fundo histórico da Palavra de Deus é incontestável, o que faz de sua teologia um conteúdo que, no mínimo, deveria ser levado mais a sério. [MB]
Sou estudante de medicina e também criacionista e adventista do sétimo dia [hoje os autores já estão formados]. Quanto mais avanço nos estudos, mais certeza tenho de que tudo foi planejado. A gigantesca complexidade, a total funcionalidade e harmonia de todos os componentes e processos da vida, acrescidos da falta de capacidade humana em simplesmente identificar esses processos e componentes, dão certeza absoluta de que Deus está no comando. Aliás, se a ciência é o estudo das coisas criadas por Deus, com certeza a ciência sempre revelará o Criador.
Um dos “pesadelos” dos acadêmicos das áreas biológicas é o estudo do mapa metabólico, justamente por causa de sua complexidade. Mas acabei vendo ali mais uma grande evidência criacionista (se quiser ver o mapa em detalhes, clique na figura acima).
Quem cursa alguma graduação na área da saúde certamente compreenderá o que eu vou falar agora. Esse é um mapa esquematizado do metabolismo humano, deveras resumido e apresentando apenas os produtos das reações; não chega nem aos pés do metabolismo humano completo. Existem mapas metabólicos muito, mas muito maiores do que esse. Para falar a verdade, grande parte dos processos metabólicos permanecem incógnitos.
Olhando pra esse mapa é possível entender o que tantos cientistas querem dizer com complexidade. É realmente muito complexo, com muitas substâncias que ninguém ainda sabe extrair do corpo ou sintetizar. Quando e SE um dia souberem, será um grande passo para a indústria farmacêutica.
As setas simbolizam o caminho das substâncias, e omitindo apenas uma, distúrbios graves serão desencadeados.
Fico pensando como pode algo tão gigantesco e complexo simplesmente “surgir”, já que a evolução ocorreu* por uma série de “acidentes” genéticos provocados pelo acaso e por fatores ambientais randômicos. O que me deixa perplexo também é o fato de todo esse mecanismo estar constantemente acontecendo em perfeita harmonia e estarmos vivos pela sua completa funcionalidade. O incrível é que esses acidentes isolados pelo mundo produziram um sistema idêntico em todo o globo.
Se, com inteligência, estamos sofrendo para compreender isso, imagine a dificuldade que o “acaso” teve em fabricá-lo! O acaso, que eu saiba, deveria ser “burro”, caso contrário seria uma entidade inteligente.
O “burro do acaso” construiu processos tão complexos que nós, igualmente frutos do “burro do acaso”, apesar de miraculosamente dotados com inteligência superior à “dele”, não conseguimos compreender suas obras.
(Roberto Lenz Betz e Jean Rafael Soares e Silva)
* Partindo do pressuposto acientífico que diz: não importa o quanto pareça ao contrário, a vida evoluiu, sim.
Em maio de 2008, a revista Época (semanal da editora Globo) publicou uma entrevista com o autor do livro O Delírio de Dawkins, ALister McGrath. Segundo a revista, “Alister McGrath e Richard Dawkins, autor do livro Deus, um Delírio, têm trajetórias bastante parecidas. Ambos são cientistas de Oxford, estudiosos das ciências naturais e mostram-se abertos a novas formas de pensar, desde que as evidências os levem a isso. A diferença é que o raciocínio lógico levou Dawkins a pregar o ateísmo e McGrath a acolher a fé. Leia, nesta entrevista, como ele considera que a existência de Deus pode ajudar o conhecimento científico”.
Época – Quando você passou a acreditar em Deus?
McGrath – Na juventude estive apaixonadamente persuadido pela veracidade e relevância do ateísmo. Quando fui para Oxford estudar química, comecei a refletir sobre se aquilo faria sentido. Mais tarde conheci Joanna (sua esposa) e percebi que a força dos argumentos que levam a Deus é mais satisfatória do que a que leva ao ateísmo.
Vocês e Richard Dawkins são amigos?
Não, somos apenas professores da mesma universidade. Nós estamos presentes em alguns congressos e nos encontramos. Somos cordiais. Mas não posso dizer que somos amigos. Nós nos conhecemos mais pelas publicações que um e outro produziu. E nossas divergências também aparecem no que escrevemos.
Você diz que Dawkins se tornou um fanático. Qual a sua suspeita?
A agressividade de Dawkins é reflexo de sua frustração. Ele passou a ser mais agressivo porque sabe que a religião está cada vez mais presente na vida das pessoas. Ele convoca seus leitores para militar contra a religião e rompe com sua própria argumentação. Seu único argumento é de que a religião não descobriu nenhum indício sobre a existência de qualquer realidade que não seja a natural. É por frustração que ele afirma que toda a religião é perniciosa e deve ser banida da sociedade.
Quais seus argumentos para acreditar que Deus existe?
Neste meu livro, eu realmente não dou argumentos para acreditar em Deus, mas rebato os de Dawkins. A forma como você acredita em Deus dá sentido ao mundo. Acreditar em Deus traz esperança e motivação para se manter vivo e se relacionar com as pessoas.
Você acredita na evolução?
Eu discordo de Dawkins em sua insistência de que a evolução biológica exclui Deus do processo. Não entendo como ele chegou a essa conclusão. Na minha opinião, as duas coisas são compatíveis.
As pessoas religiosas têm a moral mais desenvolvida que os ateus?
Não quero dizer que ateus são pessoas ruins. O que quero dizer é que acreditar em Deus dá habilidade e ferramentas para tratar melhor deste assunto.
Dawkins diz que é importante submeter a fé a um exame crítico. Você acredita nisso?
Sim, acho que isso é uma importante coisa a se fazer. Acredito que todo mundo deveria submeter suas crenças a um exame crítico. Sempre. A razão pela qual sou cristão é porque submeti minhas crenças e descobri que elas não ficavam em pé. Para mim, acreditar em Deus tem razões muito mais robustas.
Quando a ciência não pode explicar Deus?
Penso que a ciência é extremamente efetiva para explicar o mundo natural. Mas quando tenta explicar questões como valores ou significados, não acredito que ela consiga com êxito. Dawkins diz que a ciência pode explicar todas as coisas. Eu digo que acreditar em Deus ilumina partes da vida que a ciência não pode explicar. As duas podem trabalhar muito bem juntas.
Você votaria em um candidato ateu?
Eu não escolheria meu candidato considerando a religiosidade dele. Dawkins exagerou no preconceito. Eu não cultivo o preconceito que ele próprio tem. Há um grande preconceito dentro da universidade, especialmente contra cristãos.
Nota: Em seu livro O Delírio de Dawkins, McGrath não entra no mérito (ou a falta dele) do darwinismo. Ele se limita a criticar o ateísmo estridente e preconceituoso de Dawkins. Assim como Francis Collins (autor de A Linguagem de Deus), McGrath pode ser classificado como evolucionista teísta, uma vez que crê ser possível conciliar o darwinismo com o teísmo. Se ele não fosse cristão, isso até que não seria incoerente. Mas se tratando de um cristão que provavelmente se pauta pela Bíblia Sagrada, essa posição é, no mínimo, contraditória. Leia a matéria “Mistura impossível” e saiba por quê.[MB]
A verdadeira história em torno de Galileu Galilei não se trata de um cientista iluminado perseguido pela mesquinha Igreja Católica, visto que essa história é (em grande parte) um mito. Não é também a história de um grande gênio científico, embora ele tenha sido (em grande medida) isso mesmo. Não é também a história de alguém reencarnado com a alma do antigo astrônomo, tal como se ouve na canção das Indigo Girls, de 1992, que eu julguei ser (em grande medida) profunda. (Devo ressalvar também que não é a história verdadeira, mas, sim, uma que teve suas origens em outras fontes.) Mas como todas as boas histórias, ela nos disponibiliza uma lição (em grande medida) valiosa. Nos dias de Galileu, a visão predominante na astronomia era o modelo inicialmente proposto por Aristóteles e desenvolvido mais tarde por Cláudio Ptolomeu, em que o Sol e os planetas giravam em torno da Terra. O sistema ptolomaico foi o paradigma dominante durante mais de 1.400 anos, até que um cônego da Igreja Católica chamado Nicolau Copérnico publicou sua obra pioneira, com o nome De revolutionibus orbium coelestium (Da revolução de esferas celestes).
Convém notar que a teoria heliocêntrica de Copérnico não era exatamente nova nem era somente baseada nas observações empíricas. Embora ela tenha tido um impacto enorme na história da ciência, sua teoria foi mais um reflorescimento do misticismo de Pitágoras do que um novo paradigma. Tal como todas as grandes descobertas, ele apenas pegou uma ideia antiga e deu-lhe novas roupagens.
Embora os colegas eclesiásticos de Copérnico o tenham encorajado a publicar seu trabalho, ele atrasou a publicação durante vários anos, devido aos seus receios de ser ridicularizado pela comunidade científica. A essa altura, o mundo acadêmico pertencia aos aristotélicos e eles não tinham planos de deixar esse absurdo passar pelo seu processo de “revisão por pares” (peer review).
Foi então que chegou Galileu, o protótipo do homem da Renascença – cientista, brilhante, matemático e músico. E embora ele fosse inteligente, encantador e espirituoso, era também argumentativo, debochado e vaidoso. Pode-se dizer que ele era um homem complexo. Seu colega astrónomo Johannes Kepler escreveu-lhe uma carta dizendo que havia se convertido à teoria de Copérnico. Galileu escreveu-lhe de volta dizendo que também ele havia se convertido a essa teoria, e que havia anos que já assinava embaixo dela (embora todas as evidências revelem que isso não era verdade). Seu ego não lhe permitiria que fosse suplantado por pessoas que não eram tão inteligentes como ele; e, para Galileu, isso incluía praticamente todas as pessoas.
Em 1610, Galileu usou seu telescópio para fazer algumas descobertas surpreendentes que colocaram em cheque a cosmologia aristotélica. Embora suas descobertas não derrubassem propriamente o paradigma dos seus dias, elas foram bem recebidas pelo Vaticano e pelo papa Paulo V. No entanto, em vez de dar seguimento aos seus estudos científicos e à solidificação das suas teorias, Galileu deu início a uma campanha de descrédito da visão aristotélica da astronomia. (Nos dias de hoje, isso seria o mesmo que tentar destronar a teoria da evolução). Galileu sabia que estava certo e queria se certificar de que todos soubessem que os aristotélicos estavam errados.
Tudo o que Galileu conseguiu quando tentou forçar o copernicanismo pela garganta abaixo dos seus colegas cientistas foi desperdiçar a boa vontade que havia sido estabelecida dentro da Igreja. Galileu estava tentando forçar os outros a aceitar uma teoria que, por aquela altura, ainda não estava provada. Graciosamente, a Igreja ofereceu-se para considerar o copernicanismo como uma hipótese razoável, embora uma hipótese superior ao sistema ptolomaico, até que mais evidências fossem disponibilizadas.
Galileu, no entanto, nunca chegou a apresentar mais evidências para apoiar sua teoria. Em vez disso, continuou a provocar guerras com seus colegas cientistas, embora muitas das suas conclusões estivessem sendo refutadas pelas evidências (por exemplo, a tese de que os planetas orbitam em torno do Sol em círculos perfeitos).
Os erros de Galileu – O primeiro erro de Galileu foi o de transladar a luta do campo da ciência para dentro da interpretação Bíblica. Num ataque de arrogância, Galileu escreveu a “Carta a Castelli”, de modo a explicar que sua teoria não era incompatível com a adequada exegese bíblica. Com a Reforma Protestante ainda fresca na mente, as autoridades da Igreja não estavam com vontade de ter outra figura perturbadora tentando interpretar as Escrituras por conta própria.
Mas, para crédito da Igreja Católica, eles não reagiram de forma inadequada. A “Carta a Castelli” foi por duas vezes apresentada à Inquisição como um exemplo da heresia do astrónomo, e por duas vezes as acusações foram rejeitadas. No entanto, Galileu não estava satisfeito e deu continuidade aos seus esforços de forçar a Igreja a conceder que o sistema de Copérnico era um assunto de verdade irrefutável.
Em 1615, o cardeal Robert Bellarmine educadamente apresentou a Galileu uma opção: evidências ou boca fechada. Como por essa altura ainda não haviam sido apresentadas evidências de que a Terra orbitava em volta do Sol, não havia motivo para que Galileu andasse um pouco por todo o lado tentando alterar a leitura aceita das Escrituras. Mas se ele tinha algum tipo de evidências, a Igreja estaria disposta a reconsiderar sua posição. A resposta de Galileu foi a de apresentar a teoria de que as marés dos oceanos eram causadas pela rotação da Terra. A ideia não só estava cientificamente errada, como era tão ridícula que foi rejeitada até pelos seguidores de Galileu.
Farto de ver suas alegações rejeitadas, Galileu regressou a Roma para apresentar seu caso ao papa. O pontífice, no entanto, meramente passou o assunto ao Santo Ofício, que emitiu a opinião de que a doutrina copernicana era “ridícula e absurda, filosoficamente e formalmente herética, visto que contradizia de modo expresso a doutrina da Santa Escritura em muitas passagens”. O veredito foi rapidamente anulado por outros cardeais da Igreja.
Galileu, no entanto, não estava com disposição para abandonar as coisas, e, para irritação geral, voltou a forçar o assunto. O Santo Ofício educadamente, mas firmemente, disse-lhe para se calar em torno do assunto copernicano e proibiu-o de adotar a teoria ainda não provada. Claro que isso era mais do que ele estava disposto a fazer.
Quando seu amigo finalmente tomou conta do trono papal, Galileu pensou que por fim teria um ouvido simpático. Ele discutiu o assunto com o papa Urbano VIII, um homem com conhecimento nas áreas da matemática e da ciência, e tentou usar sua teoria das marés para convencer Urbano da validade da sua teoria. O papa não ficou convencido com a tese de Galileu, e chegou até a dar-lhe uma resposta (embora inválida) que refutou a noção.
Depois disso, Galileu escreveu Dialogo sopra i due massimi sistemi del mondo (Diálogo sobre os dois principais sistemas do mundo), no qual ele iria apresentar os pontos de vista de Copérnico e o de Ptolomeu. Três personagens estariam envolvidos: Salviati, o Copernicano; Sagredo, o Indeciso; e Simplício, o Ptolomaico. (O nome “Simplício” escolhido com o propósito de implicar “simplório”).
E foi nessa ocasião que o nosso herói cometeu seu maior erro: Galileu pegou nas palavras que o papa Urbano tinha usado para refutar sua teoria das marés, e colocou-as na boca de Simplício. O papa não gostou nem um pouco disso.
Galileu, que era agora velho e doente, foi mais uma vez chamado perante a Inquisição, e ao contrário da maioria das pessoas acusadas de heresia, ele foi tratado de uma forma surpreendentemente boa. Enquanto esperava pelo julgamento, Galileu foi alojado num apartamento luxuoso com vista para os jardins do Vaticano, e foi colocado ao seu dispor um criado pessoal.
Na defesa que ele mesmo fez durante o julgamento, Galileu tentou usar uma tática peculiar: tentou convencer os juízes de que ele nunca havia mantido nem defendido a opinião de que a Terra gira em torno do Sol, e de que o Sol está imóvel, e que, na verdade, ele havia demonstrado o oposto, mostrando que a hipótese copernicana estava errada. O Santo Oficio, sabendo que essa linha de defesa era uma forma de tomar por tolos os membros do Santo Ofício, condenou-o por ser “altamente suspeito de heresia”, uma decisão claramente injusta, levando em conta que o copernicanismo nunca havia sido considerado herético.
A sentença de Galileu foi a de renunciar à sua teoria e viver o resto da sua vida numa agradável casa de campo, perto de Florença. Claramente, o exílio fez-lhe bem porque foi aí, sob os cuidados da sua filha Maria Celeste, que ele continuou suas experiências e publicou seu melhor trabalho científico: Discorsi e dimostrazioni matematiche, intorno à due nuove scienze. Por fim, Galileu morreu tranquilamente com a idade madura de 77 anos.
Tal como o filósofo Alfred North Whitehead escreveu: “Numa geração que viu a Guerra dos Trinta Anos, e se lembrou [do Duque] de Alva na Holanda, a pior coisa que aconteceu a um homem da ciência foi que Galileu sofreu uma detenção honrada e uma repreensão suave antes de morrer em paz na sua própria cama.”
Tal como diria Paul Harvey, agora sabemos o resto da história.
Momento de aprendizagem – O que se pode reter da história envolvendo Galileu? O que se pode aprender é que ela providencia lições diferentes para grupos diferentes:
– Para os cientistas, essa história demonstra que se você esta de acordo com a maior parte dos seus colegas, quase com certeza será esquecido ao mesmo tempo que a história se lembrará de um rabugento qualquer.
– Para os proponentes de posições não consensuais (por exemplo, céticos do aquecimento global, teóricos do Design Inteligente, etc.), ela ensina que alegar que a sua teoria está correta não é substituto para a apresentação de experiências e dados (mesmo que se esteja certo).
– Para as pessoas agressivamente autoconfiantes, a lição a aprender é que às vezes ser persistente e acreditar no que se diz pode causar problemas.
– Para os católicos, a história de Galileu ensina que não se deve insultar o papa (muito menos quando existe uma Inquisição).
Desconfio que muitas outras lições podem ser aprendidas dessa história, mas acho que a verdadeira moral não é tanto aquela que se encontra dentro dela, mas, sim, no fato de ela precisar ser contada. Embora eu tenha ouvido essa história pela primeira vez quando me encontrava na escola primária, só muito depois de me ter licenciado é que finalmente aprendi a verdade.
Sem dúvida que há pessoas que estão agora mesmo conhecendo dos detalhes da história pela primeira vez. Como isso é possível? Desconfio que seja porque, durante muitos séculos, pessoas tais como Bertrand Russell, George Bernard Shaw, Carl Sagan, Bertolt Brecht e as Indigo Girls têm passado o mito de geração em geração. Não acredito que alguns deles estivesse mentindo intencionalmente.
De fato, tenho sérias duvidas de que algum deles se tenha dado ao trabalho de investigar os fatos. Eles nem tinham necessidade de fazer isso, visto que a história oficial estava de acordo com o que eles já acreditavam – que a ciência e a religião são inimigos naturais –, e isso é tudo o que eles precisavam saber.
Seria bem fácil desfrutar tal credulidade e preguiça intelectual, mas a verdade é que muito provavelmente eu também sou culpado do mesmo com relativa frequência. Talvez seja pelo fato de eu ser jornalista (mais ou menos) e estar mais disposto a acreditar na versão mais interessante da história. Como editor de um jornal, favoreci Davi sobre Golias, mesmo quando o poderoso Filisteu era mais crível que a pessoa a atirar as pedras. “Rapaz pastor mata gigante poderoso” sempre é um título melhor de jornal.
No entanto, como cristão, não tenho a opção de favorecer a posição que irá vender mais jornais. Em vez disso, minha obrigação é me colocar do lado da verdade. Quando me deparo com uma história que se ajusta com os meus planos, é meu dever investigar todos os fatos relevantes antes de aceitá-la como um evangelho.
Nem sempre posso ter a certeza absoluta sobre em que lugar a verdade se encontra, mas uma coisa é certa: é aí que Deus estará.
Nota: “A sentença de Galileu foi a de renunciar à sua teoria e viver o resto da sua vida numa agradável casa de campo, perto de Florença. Claramente, o exílio fez-lhe bem porque foi aí, sob os cuidados da sua filha Maria Celeste, que ele continuou suas experiências e publicou seu melhor trabalho científico: Discorsi e dimostrazioni matematiche, intorno à due nuove scienze. Por fim, Galileu morreu tranquilamente com a idade madura de 77 anos.”
Analise dessa afirmação do autor do texto:
Não, a ideia de que Galileu viveu “tranquilamente” em uma “agradável casa de campo” após sua condenação é uma distorção da realidade histórica.
1. Prisão domiciliar, não exílio voluntário • Galileu foi condenado pela Inquisição em 1633 e sentenciado à prisão domiciliar pelo resto da vida. Ele passou os primeiros meses sob custódia do arcebispo de Siena e, depois, foi autorizado a residir em sua casa em Arcetri, nos arredores de Florença. • Apesar de ser sua própria residência, ele estava proibido de sair e de ter contatos intelectuais livres, sendo monitorado pela Inquisição.
2. Saúde debilitada e dificuldades • Ele já tinha problemas de saúde, que se agravaram na prisão domiciliar. Com o tempo, ficou cego e sofreu com dores severas, incluindo artrite. • Sua filha Maria Celeste, que lhe dava apoio emocional e prático, faleceu em 1634, deixando-o ainda mais isolado.
3. Publicação de suas obras sob censura • Ele não tinha liberdade para publicar na Itália e precisou recorrer a contatos no exterior para que Discorsi e Dimostrazioni Matematiche, Intorno a Due Nuove Scienze fosse publicado em 1638 na Holanda. • Isso foi um grande risco, pois ele ainda estava sob vigilância da Igreja.
4. Morte sem reabilitação • Galileu faleceu em 1642, ainda sob prisão domiciliar, sem que sua condenação fosse anulada. Sua reabilitação formal pela Igreja Católica só veio séculos depois, quando o Papa João Paulo II reconheceu o erro em 1992.
Portanto, não foi uma aposentadoria tranquila em uma casa de campo, mas sim uma prisão domiciliar com restrições severas, doenças e dificuldades emocionais.
Uma análise sobre um último problema que observei nesse trecho:
“Convém notar que a teoria heliocêntrica de Copérnico não era exatamente nova nem era somente baseada nas observações empíricas. Embora ela tenha tido um impacto enorme na história da ciência, sua teoria foi mais um reflorescimento do misticismo de Pitágoras do que um novo paradigma. Tal como todas as grandes descobertas, ele apenas pegou uma ideia antiga e deu-lhe novas roupagens.”
Há problemas nesse trecho, tanto em termos de precisão histórica quanto na interpretação do impacto do heliocentrismo copernicano.
Aqui estão alguns desses problemas:
“A teoria heliocêntrica de Copérnico não era exatamente nova”
Parcialmente verdadeiro. O modelo heliocêntrico já havia sido proposto na antiguidade, principalmente por Aristarco de Samos (século III a.C.), mas sua teoria não teve grande aceitação. No entanto, Copérnico não simplesmente resgatou uma ideia antiga – ele desenvolveu um modelo matemático detalhado, fundamentado em cálculos astronômicos, para substituir o geocentrismo ptolemaico.
“Nem era somente baseada nas observações empíricas”
Verdadeiro, mas impreciso. A teoria de Copérnico era baseada em cálculos matemáticos, mas tinha suporte em observações astronômicas da época, embora limitadas. O grande avanço empírico só veio depois, com Kepler e Galileu, que usaram observações telescópicas e leis matemáticas para fortalecer o modelo heliocêntrico.
“Sua teoria foi mais um reflorescimento do misticismo de Pitágoras do que um novo paradigma”
Falso e anacrônico. Embora Copérnico tenha sido influenciado pela tradição pitagórica (que via a matemática como uma estrutura fundamental do cosmos), seu modelo não era místico, mas matemático e astronômico. Ele propôs um sistema coerente para explicar os movimentos planetários sem precisar dos epiciclos complexos de Ptolomeu.
O heliocentrismo copernicano de fato inaugurou um novo paradigma, pois desafiou diretamente a cosmologia aristotélica e ptolemaica que dominava o pensamento medieval.
“Tal como todas as grandes descobertas, ele apenas pegou uma ideia antiga e deu-lhe novas roupagens.”
Simplificação excessiva. Copérnico não apenas “reviveu” uma ideia antiga – ele criou um sistema matemático detalhado e coerente, que lançou as bases para a revolução científica. Esse sistema foi essencial para que astrônomos como Kepler e Newton desenvolvessem a mecânica celeste moderna.
Dizer que ele apenas “deu novas roupagens” ignora a inovação matemática e conceitual do seu trabalho
Conclusão:
O trecho contém elementos verdadeiros, mas apresenta distorções e omissões que levam a uma interpretação equivocada da importância do heliocentrismo copernicano. O modelo de Copérnico não foi apenas uma ideia antiga renovada, mas um passo decisivo na revolução científica.
P.S: A referência a Pitágoras vem do interesse de Copérnico e de outros renascentistas pela harmonia matemática do universo, mas dizer que o heliocentrismo era apenas um “reflorescimento do misticismo pitagórico” é um exagero. Copérnico não baseou sua teoria em crenças místicas, mas em cálculos matemáticos e na tentativa de criar um modelo mais simples e coerente para explicar o movimento dos planetas.
(Dr. Josué Cardoso dos Santos, matemático e astrônomo que trabalha como professor de Engenharia Aeroespacial na Universidade do Colorado [UCCS], EUA)
O evolucionismo teísta tenta ser a conciliação entre o criacionismo e o evolucionismo, mas não passa de uma teoria amorfa
À medida que as pesquisas no campo da Bioquímica e da Biologia Molecular avançam, mais o ser humano se conscientiza da enorme complexidade da vida. A ideia de que tudo teria surgido por mero acaso, através de fatores aleatórios ao longo de bilhões de anos já não é tão aceita em nossos dias. E é nesse vácuo entre fé e teorias científicas ateias que vem surgindo com força o evolucionismo teísta – um verdadeiro cavalo de Troia no meio cristão.
É interessante observar as reviravoltas que ocorrem na História. Durante a Idade Média não foram poucos os casos em que a ciência teve que se submeter à Igreja. Por meio da “Santa” Inquisição, o romanismo impunha o medo e mantinha sua dominação ideológica sobre a massa desinformada. A própria Bíblia era negada ao povo, pois, “a fim de Satanás manter seu domínio sobre os homens e estabelecer a autoridade do usurpador papal, deveria conservá-los na ignorância das Escrituras. Suas sagradas verdades deveriam ser ocultadas e suprimidas. Durante séculos a circulação da Bíblia foi proibida pela Igreja de Roma. Ao povo foi proibida a sua leitura. Sacerdotes e prelados interpretavam-lhe os ensinos de modo a favorecer suas pretensões” (Ellen G. White. O Grande Conflito, p. 33 – ed. condensada).
Os anos passaram. Pudemos ver, já no fim do século 20, outra reviravolta. A Igreja Romana (quem diria!) se submetendo às proposições dos cientistas. Pior: às incertezas deles.
Pelo menos foi o que se pôde perceber através dos jornais de todo o mundo, no fim de outubro de 1997. A revista Veja, por exemplo, trouxe à página 47 de sua edição de 30 de outubro daquele ano o seguinte subtítulo: “O Papa surpreende ao dizer que a teoria da evolução é mais do que uma simples hipótese.” E o artigo de Laurentino Gomes continua: “A Igreja [Católica] há muito tempo admite que alguns textos bíblicos são narrativas alegóricas, que não devem ser tomadas ao pé da letra. É o caso do livro Gênese…” Bem, isso não é nenhuma novidade, mas a seguinte declaração do Papa foi: “As novas descobertas levam à constatação de que a teoria da evolução é mais do que uma hipótese […] se o corpo humano tem sua origem em matéria pré-existente, a alma foi criada diretamente por Deus” (aqui João Paulo II repetiu uma frase da encíclica “Humani Generis”, do papa Pio XII). Essa declaração papal conferiu grande força à evolução teísta.
Na verdade, mesmo que o falecido papa não tivesse dito isso, as pessoas estão percebendo que Deus se explica (ou se aceita) pela impossibilidade de, sem Ele, se poder explicar tudo o que existe. Cada vez mais a ideia lógica de um Planejador cósmico é admitida, mas o pensamento evolucionista ainda resiste, uma vez que, para muitos (como os católicos), é sinônimo de verdade científica (ao invés de hipótese). Qual a solução, então? “Bem” – explicam alguns, – “Deus criou a matéria e deu início ao processo evolutivo.” Simples, não? Na verdade, parece simples, mas não é.
Se partirmos da premissa de que Deus é o Criador, mas Se utilizou de processos evolutivos para trazer a vida como a conhecemos à existência, a primeira a ser atingida por esse raciocínio “conciliatório” é a Bíblia. Vejamos por quê.
A Palavra de Deus deixa clara a nossa responsabilidade diante do Criador. Mas se a espécie humana é o resultado final do acaso e da evolução através das eras cronológicas, temos nós qualquer responsabilidade diante de um poder mais elevado? De acordo com o Dr. Siegfried Schwantes (Colunas do Caráter, p. 205), “que estímulo há para se forjarem caracteres nobres e se praticarem atos heroicos numa filosofia que não reconhece outra lei que não a da selva, nem outra sanção que não a sobrevivência do mais forte?”
Se a espécie humana evoluiu, tem significado o importante conceito “todos são criados iguais”? E como a regra áurea “fazei aos outros o que quereis que vos façam” encontra significado na sociedade, se a “sobrevivência dos mais aptos” tem sido responsável por trazer a humanidade ao seu presente estado de inteligência superior? As duas ideias não parecem ser compatíveis. Aliás, se a teoria evolucionista estiver correta, nem ao menos poderemos estar certos de que a “raça” branca, a “raça” negra, ou qualquer outra “raça” não seja inferior.
Como se pode ver, a teologia bíblica é atingida bem no centro se rejeitarmos o relato da Criação. Importantíssimas doutrinas da Bíblia dependem desse relato. Por exemplo: a Bíblia afirma que a morte ocorreu como resultado do pecado (ver Gênesis 2). E na carta de Paulo aos Romanos, lemos que “por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte” (Romanos 5:12). Mas a evolução ensina que a morte existiu desde o princípio, muito antes que houvesse um ser humano. Em outras palavras: a morte não é um resultado do pecado.
Nesse caso, qual é o significado teológico da vida e morte de Jesus? Paulo diz: “Porque, como pela desobediência de um só homem (Adão) muitos se tornaram pecadores, assim também por meio da obediência de Um só muitos se tornarão justos” (Romanos 5:19).
Por que precisamos de redenção e libertação? Se não houve um Jardim do Éden, com sua árvore da vida, qual é o futuro que Apocalipse 22 descreve para os remidos? Se as rochas da crosta terrestre já estivessem cheias de restos fossilizados de bilhões de animais, e mesmo de formas hominídeas que pareciam homens, então o próprio Deus é diretamente responsável por ter criado o sofrimento e a morte, não como julgamento pela rebelião, mas como fator integral da Sua obra de criação e governo soberano. E isso significa caos teológico!
O quarto mandamento da Lei de Deus diz: “Lembra-te do dia do sábado para o santificar, seis dias trabalharás e farás toda a tua obra, mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus […] porque em seis dias fez o Senhor os Céus e a Terra e o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o Senhor o dia do sábado e o santificou” (Êxodo 20:8-11). Além de ser um mandamento e um sinal distintivo entre o Senhor e Seu povo (ver Ezequiel 20:20), o sábado comemora a obra criadora de Deus, em seis dias literais. Cristo confirmou esse mandamento guardando-o (ver Lucas 4:16). A Bíblia assegura que na Nova Terra (Apocalipse 21) também será observado o sábado (ver Isaías 66:23).
Pela teoria evolucionista, teríamos que ignorar também esse importante mandamento bíblico que é uma evidência de nosso amor ao Criador (ver João 14:15), memorial da criação e selo de obediência e fidelidade a Deus.
Como se pode ver, evolução e criação é uma mistura impossível. A tentativa de conciliação (talvez para se evitarem maiores discussões) acaba originando uma teoria amorfa e ilógica. A Criação não pode ser reproduzida em laboratório, é verdade. Mas a macroevolução biológica (especialmente a abiogênese) também não. No fundo, tudo é uma questão de fé. De minha parte, prefiro crer no Deus Criador Todo-Poderoso, a crer no acaso e no tempo como os fatores “desencadeadores” da vida.
(Michelson Borges é jornalista, pós-graduado em Biologia Molecular e mestre em Teologia)
A descoberta de colágeno em ossos fossilizados por pesquisadores de Liverpool pode fornecer novos insights sobre os dinossauros
Close do osso do quadril de um Edmontosaurus. Crédito: University of Liverpool
Durante anos, os cientistas acreditaram que o processo de fossilização destruía todas as moléculas orgânicas originais, deixando os fósseis desprovidos de seu material biológico original. No entanto, um estudo inovador liderado pela Universidade de Liverpool forneceu fortes evidências de que fósseis mesozóicos, incluindo ossos e dentes de dinossauros, ainda contêm materiais orgânicos preservados. Usando espectrometria de massa avançada e outras técnicas analíticas, pesquisadores detectaram restos de colágeno no osso do quadril de um Edmontosaurus, um dinossauro com bico de pato. Essa descoberta ajuda a resolver um debate de longa data que persiste há mais de 30 anos.
O estudo, publicado no periódico Analytical Chemistry, usou várias técnicas, incluindo sequenciamento de proteínas, para detectar e caracterizar o colágeno ósseo no fóssil de 22 quilos. O fóssil é um sacro de Edmontosaurus excepcionalmente bem preservado, escavado em estratos do Cretáceo Superior da Formação Hell Creek de Dakota do Sul. Ele faz parte das coleções da Universidade de Liverpool e oferece uma oportunidade única para análises de ponta.
O professor Steve Taylor, presidente do Grupo de Pesquisa em Espectrometria de Massa do Departamento de Engenharia Elétrica e Eletrônica da Universidade de Liverpool, disse: “Esta pesquisa mostra, sem sombra de dúvida, que biomoléculas orgânicas, como proteínas e colágeno, parecem estar presentes em alguns fósseis. Nossos resultados têm implicações de longo alcance. Primeiro, eles refutam a hipótese de que quaisquer compostos orgânicos encontrados em fósseis devem resultar de contaminação. Em segundo lugar, sugere que imagens de microscopia de luz polarizada cruzada de ossos fósseis, coletadas por um século, devem ser revisitadas. Essas imagens podem revelar manchas intactas de colágeno ósseo, potencialmente oferecendo um tesouro pronto de candidatos fósseis para análise de proteína posterior. Isso pode revelar novos insights sobre dinossauros – por exemplo, revelando conexões entre espécies de dinossauros que permanecem desconhecidas. Por fim, as descobertas informam o intrigante mistério de como essas proteínas conseguiram persistir em fósseis por tanto tempo.”
Osso do quadril de um Edmontosaurus. Crédito: University of Liverpool
A pesquisa não apenas parece resolver um antigo debate científico, mas também abre novos caminhos para o estudo da vida antiga, oferecendo um vislumbre da preservação bioquímica de fósseis de criaturas extintas.
O estudo reuniu especialistas de diversas disciplinas:
Pesquisadores da UCLA contribuíram para o estudo, usando espectrometria de massa para detectar e quantificar – pela primeira vez – o aminoácido hidroxiprolina, que é específico do colágeno quando encontrado no osso, confirmando assim a presença de colágeno cariado.
Pesquisadores do Grupo de Pesquisa em Espectrometria de Massa da Universidade de Liverpool conduziram testes de sequenciamento de proteínas e espectrometria de massa.
Especialistas da Fábrica de Inovação de Materiais da Universidade realizaram análises adicionais para confirmar os resultados.
O Centro de Pesquisa de Proteoma da Universidade de Liverpool identificou fragmentos de colágeno alfa-1, a principal forma de colágeno no tecido ósseo.
Referência: “Evidência de colágeno endógeno em osso fóssil de Edmontosaurus” por Lucien Tuinstra, Brian Thomas, Steven Robinson, Krzysztof Pawlak, Gazmend Elezi, Kym Francis Faull e Stephen Taylor, 17 de janeiro de 2025, Analytical Chemistry.
Hoje é celebrado o Dia de Darwin. Neste dia, em 2008, postei o seguinte texto:
Que o povo brasileiro é dado à idolatria, todo mundo já sabe. Mas esta é demais: vamos entrar na onda idolátrica do culto a Darwin. Hoje (12/2) é comemorado o aniversário de 198 anos de nascimento do naturalista inglês Charles Darwin. O “Dia de Darwin”, segundo os organizadores, é uma data celebrada internacionalmente como uma “oportunidade para a divulgação científica em geral e da teoria da evolução em particular”. Mas o que se vê mesmo é muito pouca divulgação científica e muita louvação a um cientista cuja teoria vem enfrentando fortes críticas extra e intramuros.
Stephen Jay Gould (1980) e Lynn Margulis, mais recentemente (2005) na conferência sobre evolução nas ilhas Galápagos, disseram que o neodarwinismo já está morto há muito tempo, mas persiste como ortodoxia nos livros didáticos. “Por que William Provine, da Cornell University, mencionou a necessidade de outra teoria da evolução? Por que a grande mídia não destaca tudo isso?”, pergunta o ex-ateu e coordenador do Núcleo Brasileiro de Design Inteligente (NBDI) Enézio de Almeida Filho.
E pergunto mais: Por que só Darwin e não outro cientista merece esse destaque? Por que não há um dia para Einstein ou Newton, que deram muito mais contribuições à ciência? Segundo Enézio, essa seria uma grande oportunidade para a discussão de temas como a mutação e o mecanismo de seleção natural, o registro fóssil e as origens humanas, a função do “DNA lixo”, a complexidade integrada da vida, problemas na elaboração de filogenias, etc. Mas esqueça. Isso não será discutido. Darwin continuará sendo blindado e sua teoria “recauchutada” a cada 50 anos, sem conseguir explicar como se deu a evolução e muito menos a origem das espécies.
A grande prova disso foi a recusa da mídia nacional de divulgar um fato constrangedor para o darwinismo – talvez para não estragar a festa em memória ao Darwin-ídolo. O EurekAlert, serviço eletrônico de notícias científicas que todas as editorias de ciência do Brasil recebem (inclusive o JC e-mail, da SBPC, e o boletim da Fapesp, entre outros) divulgou no dia 9 a contestação da base fundamental da teoria da evolução por parte de um cientista darwinista.
Eis a “bomba”:
Jeffrey H. Schwartz, professor de antropologia na Faculdade de Artes e Ciências da Universidade de Pittsburgh, está trabalhando para demonstrar a falsidade de um principal dogma da evolução darwiniana. Schwartz crê que as mudanças evolutivas ocorrem subitamente opostas ao modelo darwiniano de evolução que é caracterizado pela mudança gradual e constante. Entre outras observações científicas, as lacunas no registro fóssil podem apoiar a teoria de Schwartz porque, para ele, não existe “elo perdido”.
Num exame que desafia bastante o modelo darwiniano, Schwartz e o coautor Bruno Maresca, professor de bioquímica na Universidade de Salerno, Itália, examinam a história e o desenvolvimento daquilo que os autores nomeiam de “Molecular Assumption” (MA) [Pressuposição Molecular] no artigo “Do molecular clocks run at all? A critique of molecular systematics” [Os relógios moleculares funcionam? Uma crítica à sistemática molecular], na edição da revista Biological Theory de 9 de fevereiro.
A pressuposição MA tornou-se uma teoria científica verificável quando em 1962 os bioquímicos Emil Zuckerkandl e Linus Pauling demonstraram a semelhança de espécies através da utilização da atividade imunológica entre o soro sanguíneo e um antissoro construído. Após observarem a intensidade reatividade do soro e do antissoro entre o sangue humano, de gorila, cavalo, galinha e peixe, Zuckerkandl e Pauling deduziram a “relação especial” – quanto mais intensa a reação, mais proximamente aparentadas deveriam ser as espécies.
O sangue de peixe foi o mais dessemelhante, assim pensou-se que a linhagem dos peixes divergiu muito antes das outras espécies. O sangue humano e de gorila foram os mais semelhantes, significando que as duas espécies tiveram menos quantidade de tempo para divergirem. Finalmente, o modelo darwiniano de mudança evolutiva constante foi imposto sobre a observação estática feita por Zuckerkandl e Pauling. Até hoje a comunidade científica aceitou a pressuposição MA como uma verdade científica. É essa pressuposição que Schwartz está considerando: “Isso sempre me chocou como sendo uma coisa muito estranha – que esse modelo de mudança constante nunca foi desafiado.” Schwartz tem as suas próprias teorias relativas à evolução que são apoiadas por desenvolvimentos recentes em biologia molecular.
Os animais multicelulares têm grandes seções de genomas, o material genético de um organismo, que controlam o seu desenvolvimento. Schwartz argumenta que a estrutura do genoma não fica mudando, com base na presença de “stress proteins“, também conhecidas como “heat shock proteins“. Essas proteínas estão localizadas em cada célula, e a principal função delas é eliminar o potencial de erro e mudança celular pela manutenção da forma celular normal através do dobramento de proteína.
Essa manutenção celular regular é o que destaca Schwartz relativa à sua refutação da mudança celular constante. “A biologia da célula parecer ir ao contrário do modelo que as pessoas têm na sua cabeça”, disse Schwartz; e ele argumenta que se as nossas moléculas estivessem mudando constantemente, isso ameaçaria a própria sobrevivência, e animais estranhos estariam surgindo rapidamente no mundo inteiro. Conseqüentemente, Schwartz argumenta que a mudança molecular é realizada somente por stressors ambientais significantes, tais como mudança rápida de temperatura, mudança severa de alimentação, ou até a aglomeração física.
Se as “stress proteins” de um organismo são incapazes de suportar uma mudança significante, a estrutura genômica pode ser modificada. Todavia, Schwartz salienta, uma mutação também pode ser recessiva num organismo por muitas gerações antes de aparecer em seu descendente. Se o descendente sobrevive ou não é outra questão. Se sobrevive de fato, a presença desse organismo modificado geneticamente não é o produto de mudança molecular gradual, mas uma amostra súbita de mutação genética, que pode ter ocorrido milhares de anos antes.
Contudo, não é somente a atual teoria molecular que intriga Schwartz, mas a omissão da comunidade científica em questionar uma ideia que tem mais de 40 anos: “A história da vida orgânica é indemonstrável; nós não podemos provar muita coisa em biologia evolutiva, e as nossas descobertas serão sempre hipóteses. Há apenas uma verdadeira história evolutiva da vida, e se verdadeiramente nós iremos conhecê-la, é improvável. O mais importante de tudo, temos de pensar sobre questionar as pressuposições fundamentais, se estivermos lidando com moléculas ou qualquer outra coisa”, disse Schwartz.[1]
Schwartz é fellow da prestigiada American Association for the Advancement of Science e da World Academy of Art and Science. Ele é autor de vários livros, incluindo The Red Ape: Orang-utans & Human Origins (Westview Press, 2005) e Sudden Origins: Fossils, Genes, and the Emergence of Species (Wiley, 2000). Ele passou mais de 20 anos considerando os métodos, as teorias e a filosofia de anotar dados e tentar interpretá-los com propósitos de reconstrução de relações evolutivas.
A sonegação desse tipo de informação pela mídia vai ao encontro da opinião do coordenador do NBDI, para quem o “Dia de Darwin” não é uma “celebração ao conhecimento científico e à valorização da diversidade, mas a imposição de uma camisa de força epistemológica, um convite ao suicídio intelectual que leva à ‘síndrome do soldadinho de chumbo’: o pensamento uniforme. Ora, se todos estão pensando a mesma coisa, ninguém está pensando”.
O que a mídia também não divulga é que a lista dos dissidentes de Darwin já está com 700 cientistas (www.dissentfromdarwin.org) [na época]. Até da Academia de Ciência da Rússia! Alguns professores de universidades públicas brasileiras também já ousam figurar entre os dissidentes de peso, como o Dr. Michael Egnor, professor laureado de neurocirurgia e pediatria na State University of New York. Recentemente, o Dr. Egnor disse: “O darwinismo não desempenha nenhum papel na medicina. Ponto final. Os darwinistas não demonstraram nenhuma evidência de que a seleção natural seja capaz de gerar quantidades significativas de informação.” E esse pessoal não é criacionista…
Por esta Darwin não esperava: o “Dia de Darwin” já virou “dia de guarda” no calendário dos neoidólatras. Ironicamente, o ídolo, que está enterrado na abadia de Westiminster, era agnóstico.
Uma carta escrita pelo físico Albert Einstein ao filósofo alemão Eric Gutkind revela que o cientista desdenhava a religião. O documento reacendeu a polêmica sobre as crenças religiosas de Einstein já que, em declarações anteriores, ele havia dado a entender que acreditava, ou queria acreditar, na existência de Deus. Escrita em 1954, em resposta ao livro de Gutkind Escolha a Vida: O chamado bíblico para a revolta (em tradução livre), a carta passou 50 anos nas mãos de um colecionador particular. “A palavra Deus para mim é nada mais que a expressão e o produto da fraqueza humana; a Bíblia é uma coleção de lendas honradas, mas ainda assim primitivas, que são bastante infantis”, escreveu Einstein.
Na carta, o cientista também fala que não acredita que os judeus sejam “o povo escolhido”. “Para mim, a religião judaica, como todas as outras, é a encarnação de algumas das superstições mais infantis. E o povo judeu, ao qual tenho o prazer de pertencer e com cuja mentalidade tenho grande afinidade, não tem qualquer diferença de qualidade para mim em relação aos outros povos.”
(O Estado de S. Paulo, 14/5/2008)
Querem desconstruir o Deus da Bíblia
A matéria de capa da revista Galileu de maio de 2008 – “O Deus de Einstein” – é um indicativo da intenção de muitos de desconstruir o Deus da Bíblia. O artigo informa que livros de ciências naturais, matemática e filosofia, especialmente os de Immanuel Kant, tiveram forte influência sobre o físico alemão quando ele ainda era criança. “Foi essa experiência que o levou a se interessar por ciências e se afastar da religião. Mais tarde ele diria que foi ao ler esses livros que se convenceu de que muitas das histórias da Bíblia não poderiam ser verdadeiras”, explica Galileu, que cita ainda uma declaração de Einstein publicada no livro Albert Einstein – The Human Side: “Eu não posso conceber um Deus pessoal que influencia diretamente as ações dos indivíduos ou julgue as criaturas que ele mesmo criou.”
Mas num ponto as convicções do físico se aproximavam da verdadeira compreensão bíblica do que seja a alma. Einstein adotava as ideias formuladas por Espinoza: alma e corpo sempre estão juntos. Logo, quando o corpo morre, a alma termina junto, o que contraria a doutrina não bíblica (mas tida por muitos como bíblica) da imortalidade da alma. Segundo a Bíblia, a morte não é o fim, apesar de a alma (que no hebraico quer dizer simplesmente pessoa) morrer. Einstein disse: “Eu definitivamente não acredito nisso [imortalidade]. E, para mim, uma vida já é o suficiente.” Segundo Galileu, o físico pode ser considerado deísta, ou seja, alguém que crê que um deus impessoal criou o Universo e não interfere em seu funcionamento.
Galileu aponta também a discordância de Einstein com a doutrina bíblica do livre-arbítrio: “Para Einstein, qualquer ação humana, por mais banal que fosse, como escovar os dentes, já estava previamente determinada. Logo, em seu modo de ver, o livre-arbítrio é uma ilusão. […] O curioso é que Einstein, apesar disso, era um grande defensor da liberdade individual.” O problema aqui é a confusão que se faz entre onisciência e determinação. Galileu pergunta: “Como esse livre-arbítrio pode ser real se Deus conhece o futuro, já sabe o que vai acontecer?” O fato de Deus saber o que vai acontecer não significa que Ele determine o que vai acontecer. Digamos que houvesse dez caminhos diferentes para um motorista escolher. Deus sabe o que ocorreria em cada uma dessas vias, mas não escolhe pela pessoa (se bem que é muito difícil entender a onisciência estando infinitamente longe de ser onisciente).
A reportagem informa também que há várias pesquisas sobre a crença das pessoas em Deus. E que há pesquisas “para todos os gostos, dizendo que há mais ateus ou mais crentes”. Só que, curiosamente, Galileu menciona apenas uma dessas pesquisas, publicada pela Nature, segundo a qual a maioria dos membros da Academia Nacional de Ciência não crê num Deus pessoal. Parcial, não?
A matéria conclui o seguinte: “A posição de Einstein, antes rejeitada pelas pessoas de fé, agora é acolhida. Há uma corrente que defende que as visões religiosas e científicas são complementares, inclusive na explicação de fenômenos naturais.”
Creio que a posição de Einstein é bem-vinda hoje porque os céticos, não podendo negar a realidade espiritual e a existência insistente da fé, estão abraçando um “deus” impessoal com o qual não precisam se comprometer e cujos princípios de vida prescritos na Bíblica são vistos como empecilho para o estilo de vida dissoluto do mundo atual. É uma “fé” bem conveniente.
(Michelson Borges é jornalista, pós-graduado em Biologia Molecular e mestre em Teologia)