Evolucionistas são nazistas e creem que viemos do macaco?

Você sabia que Adolf Hitler era “fã” de Charles Darwin, e que usou a ideia de seleção natural para levar avante seus planos eugenistas? Quem afirma isso é a secretária pessoal do führer, Traudl Junge, no livro Até o Fim (Ediouro). A obra foi escrita com base nos diários de Traudl, cujo objetivo foi alertar as pessoas para o fato de que jamais pode ser subestimado o poder sedutor de líderes fanáticos. Na página 140, a autora registrou a filosofia de vida do ditador e o que ele pensava sobre religião: “[Hitler] não tinha qualquer ligação religiosa; achava que as religiões cristãs eram mecanismos hipócritas e ardilosos para apanhar incautos. Sua religião eram as leis da natureza. Conseguia subordinar seu violento dogma mais facilmente a elas do que aos ensinamentos cristãos de amor ao próximo e ao inimigo. ‘A ciência ainda não chegou a uma conclusão sobre a raiz que determina a espécie humana. Somos provavelmente o estágio mais desenvolvido de algum mamífero, que se desenvolveu do réptil a mamífero, talvez do macaco ao homem. Somos um membro da criação e filhos da natureza, e para nós valem as mesmas leis que para todos os seres vivos. Na natureza a lei da guerra vale desde o começo. Todo aquele que não consegue viver, e que é fraco, é exterminado. Só o ser humano e, principalmente, a igreja têm por objetivo manter vivos artificialmente o fraco, o que não tem condições de viver e aquele que não tem valor.”

Assim, fica claro que o conceito de luta e de sobrevivência do mais apto moldou o pensamento do genocida, servindo de justificativa “moral” para suas decisões e ações. Hitler se julgava apto a decidir quem tinha valor e quem não tinha. Ele quis dar uma “mãozinha” para a seleção natural eliminando logo aqueles que ele considerava inferiores, como os judeus, os negros e os homossexuais.

Segundo o ditador, “somos provavelmente o estágio mais desenvolvido de algum mamífero, que se desenvolveu do réptil a mamífero, talvez do macaco ao homem”. Portanto, podemos concluir que, assim como Hitler, os evolucionistas creem que o homem veio do macaco e, pior: creem que o nazismo está correto, que a religião não presta e que devemos exterminar os fracos.

Antes que você proteste veementemente (e com razão), deixe-me dizer-lhe que obviamente eu não concordo com a conclusão acima. Obviamente entendo que não se pode julgar o todo pela parte, e que não se podem tirar conclusões gerais com base no que um ou outro pense a respeito do assunto – mesmo que esse um ou outro seja uma figura histórica famosa.

Não, evolucionistas não são nazistas, e afirmar isso com base no que um evolucionista pensa seria leviandade e mesmo maldade da minha parte. Nem todos os evolucionistas abominam a religião, e evolucionistas bem informados jamais diriam que o homem veio do macaco. O que eles dizem é que seres humanos e macacos tiveram um ancestral comum (desconhecido, é verdade).

Então por que resolvi escrever este texto? Porque tem gente fazendo com os criacionistas exatamente o que eu poderia ter feito com os evolucionistas, se eu fosse um canalha (para dizer o pior) ou simplesmente mal informado (para dizer o mínimo).

Recentemente, o criacionismo vem ocupando espaço nos noticiários e tendo suas premissas totalmente distorcidas. Há repórteres levianamente associando o criacionismo com a ideia absurda da Terra plana e a defesa da não vacinação. Existem criacionistas mal informados que defendem essas bandeiras? Sim, existem; assim como há evolucionistas que fazem o mesmo (aliás, o fundador da Flat Earth Society é evolucionista). Mas vamos julgar todos os criacionistas por causa daqueles? Se o fizéssemos, estaríamos cometendo o mesmo erro de chamar os evolucionistas de nazistas.

A Sociedade Criacionista Brasileira (SCB) já se manifestou a respeito do terraplanismo por meio de uma nota de repúdio (veja aqui). Por que repórteres e formadores de opinião não mencionam isso? Desconhecem o fato? Preferem convenientemente ignorá-lo? A SCB está há mais de 50 anos atuando no Brasil. Tem site e CNPJ. É fácil chegar até ela. Em meus blogs e em minhas redes sociais tenho denunciado a irresponsabilidade dos antivacinas. Não conheço uma entidade criacionista ou divulgador sério do criacionismo que defenda essa insanidade. Então por que a associação? Para denegrir os criacionistas e blindar Darwin? Para embarcar na onda e “lacrar”?

Uma das charges mais infelizes sobre esse assunto foi publicada no jornal gaúcho Zero Hora:

De um lado da ilustração há a tal associação de conceitos superficial e tendenciosa por meio de personagens caricatos; do outro está um senhor de jaleco branco (representante da ciência) acompanhado de uma moça e da frase “a burrice é ousada”. Sim, é mesmo ousada, e às vezes injusta.

Evolucionistas não são nazistas, tanto quanto criacionistas não são terraplanistas nem fixistas inimigos do bom conhecimento. Os pioneiros da ciência, como Isaac Newton, Galileu Galilei, Blaise Pascal e outros, criam na literalidade de Gênesis, mas nem por isso deixaram de legar à humanidade um patrimônio científico gigantesco. 

O assunto é mais sério e profundo do que a maioria pensa, e vem sendo tratado de maneira superficial, enviesada e politizada por pessoas que não têm compromisso com a verdade. Por causa disso, estamos assistindo à criação de novos campos de concentração ideológicos para os ditos fundamentalistas retrógrados, e a uma nova matança – de carreiras e reputações.

(Michelson Borges é jornalista, pós-graduado em Biologia Molecular e mestre em Teologia)

Olhar de gafanhoto evita que você bata o carro

O paradigma básico das pesquisas em visão artificial consiste em coletar imagens com câmeras e processar os arquivos digitais resultantes com algoritmos de reconhecimento de padrões. Como essa técnica tem limitações muito claras, os pesquisadores estão partindo para copiar – ou pelo menos imitar – o sistema visual de animais. Os gafanhotos foram os escolhidos de uma equipe multi-institucional europeia, liderada por Shigang Yue (Universidade Lincoln) e Claire Rind (Universidade de Newcastle). Segundo eles, o funcionamento do sistema visual único dos gafanhotos pode ser transferido para tecnologias que incluem sensores para evitar colisões entre veículos, inspeção de linhas de produção, vigilância, videogames e navegação de robôs. Os gafanhotos possuem uma forma de processamento das informações visuais extremamente rápida. Usando sinais elétricos e químicos, esses insetos conseguem evitar os choques uns com os outros e, como voam baixo, evitam igualmente chocar-se com obstáculos no solo.

Segundo os pesquisadores, esse sistema de processamento incorporado na própria biologia do animal pode ser recriado por meio de equipamentos e softwares adequados, e então incorporado em robôs e outros equipamentos. Para isso, eles criaram um “controle motor visualmente estimulado”, um dispositivo formado por dois tipos de detectores de movimento e um gerador de comandos motores. Cada detector processa as imagens e extrai informações relevantes que são então convertidas em comandos motores – desviar de um obstáculo, por exemplo.

“Nós criamos um sistema inspirado nos interneurônios sensitivos do movimento do gafanhoto. Esse sistema foi então usado em um robô para permitir que ele explore caminhos ou interaja com objetos, usando unicamente as informações visuais”, explicou o Dr. Yue. Os robôs normalmente fazem isso usando sensores de infravermelho e radares.

Essa foi a apenas a primeira demonstração do projeto. Os pesquisadores já dispõem de financiamento da União Europeia pelos próximos quatro anos, quando pretendem que o sistema esteja pronto para ser incorporado em sistemas anticolisão para carros. “Essa pesquisa demonstra que a modelagem de sistemas neurais visuais artificiais biologicamente plausíveis pode trazer novas soluções para a visão computadorizada em ambientes dinâmicos. Por exemplo, isso pode ser usado para permitir que veículos entendam o que está acontecendo à frente e tomar ações adequadas”, disse Yue.

(Inovação Tecnológica)

Nota: Releia: “O paradigma básico das pesquisas em visão artificial consiste em coletar imagens com câmeras e processar os arquivos digitais resultantes com algoritmos de reconhecimento de padrões.” Se eu lhe dissesse que essa coleta de imagens e esse processamento de arquivos digitais com algoritmos de reconhecimento de padrões se desenvolveu por acaso, ao longo de milhões de anos de mutações aleatórias filtradas pela seleção natural, você acreditaria nisso? Releia mais: “Como essa técnica tem limitações muito claras, os pesquisadores estão partindo para copiar – ou pelo menos imitar – o sistema visual de animais.” Muitos desses pesquisadores querem que creiamos que o sistema ultracomplexo que eles estão imitando foi fruto do acaso… [MB]

Astrofísica encontrou evidências de Deus ao estudar o Universo: conheça Sarah Salviander

A canadense Sarah Salviander tinha 29 anos e cursava um doutorado em astrofísica na Califórnia quando encontrou Deus. Ao aprender mais sobre as características essenciais do Universo, ela se convenceu de que os indícios apontavam para a existência de um Criador. Com o tempo, Sarah se tornou cristã e passou a dedicar sua carreira a educar o público a respeito do tema. Hoje ela se prepara para lançar um livro sobre grandes nomes da ciência que também eram pessoas de fé. Do Texas, onde mora atualmente, ela conversou com a Gazeta do Povo sobre sua jornada e apresentou o que acredita ser o melhor (e o pior) argumento a favor de Deus.

É correto dizer que você encontrou Deus enquanto tentava aprender astrofísica?

Sim, de fato. Tive essa experiência quando estava aprendendo a fazer pesquisa na Universidade da Califórnia em San Diego, e foi isso que definitivamente me levou a acreditar em Deus.

Especificamente, o que a levou a reavaliar seu ateísmo?

Eu diria que foi a teleologia: aquilo que me pareceu ser o design do Universo, e a mera ideia de que podemos ter um projeto de pesquisa e fazer perguntas sobre o Universo, e que o Universo produziria a resposta. Para mim isso parece algo espetacular. O fato de que temos uma atmosfera transparente para que possamos ver o Universo, o fato de que temos leis imutáveis ​​da natureza, que elementos químicos têm assinaturas específicas imutáveis, as impressões digitais de cada elemento serem únicas, o fato de que estamos olhando muito longe no Universo para tentar descobrir a química do Universo primitivo e o fato de que esse tempo é igual à distância para que pudéssemos ver diretamente o passado do Universo, o fato de que as nuvens químicas que estávamos observando para tentar fazer essas medições —precisávamos de algo que estivesse ainda mais atrás delas para iluminá-las para que pudéssemos vê-las. E elas precisavam ser extremamente brilhantes porque estavam muito distantes, e precisavam ter certas características. Todas essas coisas funcionavam. E, para mim, parecia tão estranho que tudo isso fosse por acidente. Quão lindamente o Universo parecia projetado. Isso tudo clamava por um Criador.

Como você vê os argumentos a favor da existência de Deus baseados na cosmologia? Eles são a causa da conversão de muitas pessoas ou apenas ajudam a preparar o terreno para conversões que têm outras causas?

Essa é uma boa pergunta, porque muitas pessoas me enviam mensagens privadas pelas redes sociais ou falam comigo pessoalmente para dizer que tiveram uma experiência pessoal com o tipo de material que produzo. E algumas pessoas me disseram que, como resultado das coisas que postei, elas se tornaram cristãs, como se houvesse uma espécie de barreira final que precisava cair. Elas estavam preparadas para aceitar Cristo, mas queriam ter certeza de que não estavam sendo enganadas, de que havia boas razões científicas também para acreditar no que queriam acreditar. E uma vez que isso se encaixou, então elas aceitaram Cristo de todo o coração. Outras disseram que esse tipo de conteúdo realmente abriu a porta, e que depois elas foram adiante e começaram a ler a Bíblia, a ler outros teólogos, e esse foi o ponto em que elas se converteram. Parece que há um efeito multifacetado nas pessoas. Ou elas encontraram nesse material uma forma de superar essa última barreira, ou isso abriu as portas para a fé, ou ainda isso ajudou alguns cristãos que estavam um pouco vacilantes. Descobrir que existem fortes argumentos científicos para Deus os fez se sentirem mais seguros e se apegarem a uma fé que estava se enfraquecendo.

Então algumas pessoas começam com a Bíblia e depois passam a entender melhor a natureza, mas algumas pessoas começam com a natureza e só depois chegam à Bíblia. No seu caso, tudo começou com a natureza?

Sim. Mas também havia um componente moral, porque eu tinha certas crenças sobre o certo e o errado, sobre o que era moral e o que não era. Comecei a pensar que precisava haver uma base para isso. Você não pode simplesmente dizer: “Bem, isso é certo e isso é errado porque é o que eu sinto.” Por exemplo: se a natureza é tudo o que existe e você procura uma razão pela qual é errado assassinar pessoas, você não vai encontrá-la. E isso foi realmente perturbador. Naquela época, quando eu estava fazendo pesquisa, e estava chegando à conclusão de que Deus era a melhor explicação para tudo isso, também foi a época em que eu estava em um ponto baixo da minha vida, tentando descobrir uma base para a moralidade. Essas duas coisas se juntaram e é por isso que comecei a acreditar em Deus. Isso explicava não só por que o Universo é tão lindamente projetado, mas também qual é a fonte da moralidade. Tudo se encaixou perfeitamente.

Alguns ateus gostam de compartilhar uma citação de Carl Sagan dizendo que o Universo é indiferente à nossa existência. Mas se ele é indiferente e não há Deus, parece haver um problema, certo? Se o Universo não se importa com o que fazemos, então não há moralidade objetiva.

Exatamente. E há um problema ainda maior com isso. Eu ensinei astronomia várias vezes na universidade, para uma grande variedade de alunos. No começo do semestre, eu sempre pedia para eles me dizerem qual era o maior desafio filosófico deles com a astronomia. E eu honestamente esperava que a maioria deles dissesse que tinha algum tipo de problema religioso com as implicações da astronomia moderna. Quase ninguém diz isso. O que eu percebo é que na maioria das vezes eles se sentem insignificantes comparados com a vastidão do Universo e com quão antigo ele é. As pessoas que acreditam, como Carl Sagan, que o Universo é indiferente, se sentem sem esperança e insignificantes. Eu acho que isso é um grande problema. […]

Se você pudesse apontar para um argumento que é seu favorito ou o que você considera o argumento mais forte para a existência de Deus de uma perspectiva científica, qual seria? Você tem um favorito?

Eu tenho. Na verdade, é algo que eu acho que precisa receber mais atenção. Paulo diz: “Examine todas as coisas, retenha o que é bom.” Somos instruídos a colocar as coisas à prova. Gênesis 1 tem 26 declarações testáveis sobre a criação e o desenvolvimento do Universo e da Terra. Cada uma dessas 26 declarações está correta, e elas estão na ordem certa. Então, se você olhar para a probabilidade de alguém da Idade do Bronze, quando Gênesis teria sido escrito, ser capaz de chegar à sequência correta de eventos 26 vezes, é algo tão ínfimo quanto ganhar na loteria umas três vezes seguidas. E para mim isso é tão poderoso que uma vez que eu percebi que Gênesis tinha realizado essa coisa incrível, para mim isso foi praticamente uma prova da existência de Deus.

De certa forma, isso nem seria necessário. Imaginando que a Bíblia começasse com o livro Êxodo, sem o relato de Gênesis. Você ainda poderia argumentar a favor de Deus como os gregos antigos costumavam fazer, certo? Mas ter isso no primeiro livro da Bíblia dizendo, de forma consistente, é ainda mais poderoso.

Com certeza. A Bíblia começa na página 1 com um grande milagre também. Eu gostaria de dizer às pessoas: “Vocês querem ver um milagre todos os dias da sua vida? Abram na primeira página da Bíblia.” Está bem ali. É uma coisa tão incrível. E foi isso que Jesus fez para convencer as pessoas de Sua divindade: ele realizou muitos milagres. Deus realizou um milagre para nós em Gênesis 1. Para mim isso estabelece muita confiança, mas também diz muito claramente que Deus é soberano e tudo o que se segue depois disso só pode ser importante se Deus existir e se Deus for soberano. Thomas Huxley, que era considerado o “buldogue de Darwin” e foi um grande oponente do Cristianismo nos anos 1800, entendeu isso muito bem: ele disse que se você não tem Gênesis, você não tem Jesus. E é por isso que ele estava tão focado em atacar a credibilidade de Gênesis de uma perspectiva científica. Porque ele sabia que se ele minasse isso, então tudo o que se segue não importaria mais.

Você falou sobre milagres. É correto dizer que a própria ideia de um milagre só pode ser concebível em um Universo ordenado, no qual os mortos não estão voltando à vida o tempo todo e onde há uma expectativa de previsibilidade?

O milagre quebra algo nessa ordem, e, portanto, ele só pode acontecer quando há uma ordem que o antecede. Isso é correto. E vejo que muitas pessoas se opõem a essa ideia. Eles vão perguntar sobre a física dos milagres, e há duas coisas interessantes que você pode dizer sobre milagres de uma perspectiva física. Uma é que os milagres não são estritamente proibidos de acordo com as leis da física. Porque muito da física é baseado em probabilidade. Então, por exemplo, Jesus andando sobre as águas ou a abertura do Mar Vermelho não são estritamente proibidos pelas leis da física. Mas seriam tão improváveis ​​que as chances de eles acontecerem naturalmente são, na prática, zero. Então, esses definitivamente são milagres. Como você disse, você tem que ter um Universo ordenado que opere por regras confiáveis ​​para que saibamos qual é o curso normal das coisas. E a única maneira de reconhecermos os milagres é se soubermos que isso está indo contra o curso normal das coisas. Essa é literalmente uma definição da palavra milagre da Bíblia: transgredir a ordem usual das coisas.

Nem todos os argumentos para a existência de Deus são igualmente válidos. O que seria um exemplo de mau argumento?

Geralmente, os tipos de argumentos ruins que vejo são quando as pessoas tentam argumentar a partir de suas experiências pessoais. É claro que nossas experiências pessoais realmente nos ajudam em nossa própria caminhada com Jesus. Mas não acho que elas sejam muito convincentes para outras pessoas. A menos que estejamos falando sobre experiências de quase morte, apenas dizer: “Bem, eu simplesmente sei que Deus esteve na minha vida” —  é maravilhoso, mas poucos não cristãos acham isso convincente. Além disso, qualquer coisa que seria verdadeiramente um argumento do “Deus das lacunas”. Isso ocorre quando não entendemos como algo acontece na natureza e simplesmente atribuímos a Deus. E, então, muitas vezes, há mecanismos que eventualmente descobrirão tudo o que explica aquela lacuna. Agora, há algumas coisas que realmente nunca serão explicadas pela ciência, como de onde o Universo veio. Nunca seremos capazes de testar isso cientificamente. Mas há algumas coisas na natureza que podemos explicar por leis naturais. Então, eu não usaria uma falta de compreensão atual de como as coisas funcionam para dizer que isso é evidência de Deus. Acho que esse é um argumento terrível.

E você acha uma boa ideia falar em “prova científica” quando se trata da existência de Deus? Ou este é um termo inadequado?

Falando de modo geral, cientistas evitam usar a palavra “prova” porque a ciência está principalmente tentando falsear, ou desprovar coisas. Nós temos teorias, nós temos leis, e essas são coisas que foram muito, muito bem testadas. Elas passaram nesses testes, elas previram coisas com sucesso. E, mesmo assim, cientistas cuidadosos nunca dirão que essas coisas foram provadas, porque tudo o que é preciso é uma contradição séria e sua teoria pode estar acabada. Mas, para mim, as 26 declarações testáveis ​​em Gênesis chegam o mais perto possível do que você poderia chamar de prova, porque as chances absolutas de aquilo acontecer naturalmente são muito, muito baixas.

Num nível mais popular, o termo “prova” é interpretado como “100% de certeza”. Mas não se tem 100% de certeza de quase nada. Não sabemos com total certeza se a pessoa no comando da Casa Branca é de fato Donald Trump ou se ele na verdade foi substituído por um sósia. Mas é muito improvável, certo?

Certo. E este é o ponto que eu gostaria de enfatizar: o quanto estamos conscientes de que recorremos à fé em nossas vidas cotidianas.

Os ateus com quem você debate afirmam que o Deus cristão é apenas um de uma lista infindável de divindades. Eles dizem que, de certa forma, os cristãos são “ateus” de todos esses deuses. Como você costuma responder?

Sim, isso é algo que eu encontro muito. Eles não distinguem entre Deus com D maiúsculo e deus com d minúsculo. Essas são duas categorias completamente diferentes. Alguns ateus me perguntam: “Por que você escolheu o Deus da Bíblia e não um dos outros milhares de deuses lá fora?” E eu digo a eles: “Bem, eu estou realmente procurando, com base no que eu sei através da física, um Deus que pode criar um universo inteiro.” Isso realmente reduz a uma lista muito pequena dos deuses que podem fazer isso. E então você tem que olhar mais a fundo e tentar distinguir entre os deuses que sobraram, e as melhores evidências sugerem o Deus da Bíblia.

Você pode falar um pouco sobre o trabalho que você tem feito nos últimos anos?

Eu gradualmente me afastei da pesquisa em Física porque agora tudo gira em torno de bolsas de pesquisa, e eu não estava realmente interessada em fazer isso. Ficou muito burocrático. Então, me mudei mais para a produção de artigos. Estou muito ativa nas redes sociais e na minha newsletter. Estou escrevendo um livro agora, e também dou aulas em uma faculdade na região de Austin.

Qual é o tema do seu próximo livro?

Esse livro foi inspirado por muitas citações que eu tinha visto de cientistas famosos ao longo da história — homens como Johannes Kepler, Isaac Newton, James Clerk Maxwell. Esses foram grandes homens da física, pioneiros, e também foram grandes homens de fé. Eles escreveram declarações poderosas sobre Deus, sobre Jesus, sobre fé, e muitas pessoas não estão cientes disso. Por exemplo, Francis Bacon tinha essa citação maravilhosa dizendo que basicamente um pouco de conhecimento tenderá a tornar alguém ateu, mas muito conhecimento o fará voltar para Deus. Eu pego cada citação e então escrevo um capítulo inteiro sobre o que isso significa.

Algo do seu material já foi traduzido para o português?

Não, mas ficarei muito feliz se as pessoas quiserem traduzir as coisas que escrevo para outros idiomas. Não sei se a editora com quem estou trabalhando planeja fazer alguma tradução, mas espero que sim. O que é interessante é que, porque eu consigo rastrear o tráfego para o meu blog, para minha newsletter e meu perfil no X, e vejo que recebo muitos visitantes do Brasil.

(Gazeta do Povo)

Moscas com “neurônios Jedi”

Estudo recentemente publicado na revista Nature aponta que neurônios vizinhos em uma antena de mosca das frutas podem parar (ou “bloquear”) um ao outro mesmo quando não compartilham uma conexão direta. Isso ajuda o inseto a processar cheiros. Esse tipo de comunicação, chamada acoplamento efáptico, acontece quando o campo elétrico produzido por um neurônio silencia o seu vizinho, em vez de enviar um neurotransmissor por uma sinapse. “O acoplamento efáptico já está na literatura científica há um bom tempo, mas existem poucos casos nos quais estas interações afetam o comportamento de um organismo”, aponta John Carlson, biólogo da Universidade de Yale (Connecticut, Estados Unidos), primeiro autor do estudo. A presença dessas interações em órgãos de sentido foi prevista em 2004, mas conseguir demonstrar que elas realmente aconteciam exigia um experimento difícil, engenhoso e completo.

Nas antenas da Drosophila melanogaster, os neurônios olfativos estão agrupados em pelos preenchidos por fluidos, chamados sensilas. Cada um contém dois a quatro neurônios, que estão todos sintonizados em diferentes cheiros e agrupados de formas específicas. “Um neurônio para o morango é sempre pareado com um neurônio para a pera, por exemplo”, explica Carlson. “Todos esses neurônios já foram bem caracterizados, então sabemos como são organizados.”

O estudo focalizou uma sensila chamada ab3, que contém dois neurônios: o ab3A, sensível ao metil-hexanoato das frutas, e o ab3B, que detecta o 2-heptano do cheiro da banana. Quando os pesquisadores expuseram as moscas a um fluxo constante de metil-hexanoato, o neurônio A disparou continuamente. Se as moscas eram expostas a uma breve explosão de 2-heptanona, o neurônio B entrava em ação, e o A de repente desligava. O contrário também aconteceu: uma breve explosão de atividade em A silenciou a atividade constante de B.As mesmas interações foram vistas em quatro outros tipos de sensilas na mosca da fruta, bem como no mosquito da malária Anopheles gambiae. Apesar dessas interações claras, os neurônios em uma sensila não compartilhavam nenhuma sinapse. O comportamento se repetiu mesmo que fosse usado um químico bloqueador de sinapse, mesmo quando os padrões de disparo não se coordenavam, e mesmo se as antenas fossem decepadas, separando-as do contato com qualquer neurônio central.

A conclusão é de que, em vez de sinapses, os neurônios provavelmente se comuniquem através do fluido que os cerca. Quando um deles dispara, cria um campo elétrico que muda o fluxo dos íons até o outro e desliga a sua atividade elétrica.

O experimento ainda mostrou que essa atividade é forte o suficiente para alterar o comportamento da mosca. Para tanto, os cientistas usaram uma sensila com dois neurônios: um que leva à atração de uma mosca por vinagre de maçã, e outro que a faz evitar dióxido de carbono. Em seguida, a equipe bloqueou o neurônio da atração por vinagre, mantendo o da repulsão por dióxido de carbono. As moscas foram colocadas em um labirinto com duas vias que cheiravam a dióxido de carbono, mas somente uma que também cheirava a vinagre. As moscas escolheram o lado aromatizado com vinagre. Porém, não escolheram o cheiro de vinagre na ausência do cheiro de dióxido de carbono.

Isso sugere que o neurônio da atração ao vinagre, mesmo bloqueado no cérebro, podia ainda inibir o neurônio de dióxido de carbono vizinho. Quando ambos os produtos químicos estavam no ar, as moscas não se sentiam mais repelidas pelo dióxido de carbono.

Segundo os cientistas, esse tipo de interação neuronal é importante para a mosca, que pode estar com o olfato inundado com um cheiro forte, mas ainda assim precisar perceber um odor de comida, por mais fraco que seja.

Outra coisa que o experimento mostrou é que o cérebro não é o único responsável pelo sentido do olfato: os neurônios que fazem sua detecção também têm papel importante. Isso, possivelmente, também acontece com os seres humanos – mas tal implicação ainda não foi investigada.

(Hypescience)

Nota: Um mecanismo com tamanha complexidade e tão necessário seria fruto de mutações casuais filtradas pela seleção natural? [MB]

Katherine Johnson: a matemática da Nasa que levou a humanidade à Lua

Em 2020, morreu Katherine Johnson, a matemática da agência espacial norte-americana que calculou a rota da Apollo que levou a humanidade até a Lua. Tinha 101 anos. A história de Katherine Johnson e das outras mulheres negras nos bastidores da missão lunar foi contada pela primeira vez no filme “Hidden Figures”, que chegou a ser indicado para o Oscar em 2017. Corria o ano de 1966 quando Katherine Johnson desenhou milimetricamente o percurso da missão Apollo até a Lua com o poder da mente e a ajuda de uma régua, um lápis, folhas de papel e calculadoras rudimentares. “Naquela época, os computadores vestiam saias”, chegou a dizer entre risos. Depois de ter construído os pilares matemáticos da missão Mercury de 1961, que fez de Alan B. Shepard Jr. o primeiro norte-americano a passear no espaço, Katherine Johnson foi uma das responsáveis pelo primeiro passo (talvez o mais popular de todos) que colocou os Estados Unidos na linha da frente da Guerra Fria pela primeira vez – a alunissagem.

Além dela, outras 29 mulheres afroamericanas compunham parte da equipe de matemática da Nasa na Divisão para Investigação de Voo – uma equipa que, em tempos de segregação racial nos Estados Unidos, era colocada à parte dos outros trabalhadores. A história desse grupo de mulheres e o contexto social em que viviam estão na base no filme de Theodore Melfi, em que Katherine Johnson é interpretada por Taraji P. Henson e tem um papel central no enredo.

Quando “Hidden Figures” foi indicado ao Oscar, Katherine Johnson era a única funcionária daquela equipe da Nasa que estava viva. Tinha 98 anos. A matemática foi convidada a assistir à cerimônia da Academia ao lado dos atores do filme e foi recebida no palco com a plateia a aplaudir em pé.

Pouco depois, a Nasa abriu um centro de investigação computacional batizado com o nome de Katherine Johnson. Dois anos antes, ela já tinha recebido a Medalha da Liberdade pelas mãos de Barack Obama. A Nasa lamentou a morte de Katherine Johnson. Num comunicado publicado na página da Agência, o administrador Jim Bridenstine considerou que a cientista “ajudou a nação a abrir as fronteiras do espaço”. E acrescentou: “Ela atingiu grandes feitos que abriram portas às mulheres e aos negros na aventura humana universal para explorar o espaço.”

Mas Katherine Johnson nunca quis colocar-se em cima desse pedestal. Nas entrevistas que se seguiram à publicação do filme que inspirou, a matemática norte-americana, natural de West Virginia, disse que era “tão boa quanto outra pessoa qualquer, mas não melhor”, embora ressalve que nunca teve qualquer “complexo de inferioridade”. Sobre todos os feitos que foram alcançados pela agência espacial norte-americana graças aos cálculos que fez, Katherine Johnson simplificava: “Estava só fazendo o meu trabalho.”

Um trabalho que exigiu muito da família da cientista. Filha de uma professora e de um agricultor, Katherine Johnson estudou no centro de um sistema educacional de segregação racial. Aos 10 anos ingressou na escola secundária e aos 14 anos estava graduada, após ter assistido a todas as disciplinas de matemática que a instituição tinha, desde álgebra, geometria, trigonometria, entre outras áreas. Katherine Johnson absorvia de tal modo essas matérias que William Claytor, o terceiro homem negro a obter um doutoramento nos Estados Unidos, criou aulas só para ela.

Cena do filme “Hidden Figures”

Impossibilitada de entrar no ramo da investigação, tornou-se professora e casou com um químico. Quando as ofertas acadêmicas universitárias começaram a ser abertas a negros, graças aos movimentos de defesa dos direitos civis que tinham despertado no país, Katherine Johnson entrou na Universidade de West Virginia para estudar matemática avançada. Desistiu no final do ano letivo ao descobrir que estava grávida. E passou a dedicar-se à família até a filha completar 12 anos.

Em 1952, no entanto, uma notícia despertou nela uma vontade de regressar aos livros: o Centro de Investigação Langley da Nasa – à época era chamada Naca – tinha aberto vagas para mulheres negras. Depois de ter feito isso para mulheres caucasianas com o objetivo de poupar os homens das tarefas mais repetitivas, começou a recrutar também mulheres negras por precisar de mais mão-de-obra.

Quando conseguiu o emprego, Katherine Johnson chamou atenção por ter quebrado as regras de segregação, segundo as quais mulheres negras só podiam utilizar os “computadores de cor”. Os banheiros para negras estavam identificadas como tal, mas muitos dos banheiros reservados para caucasianas não tinham qualquer sinalização que o indicasse. Por isso, Katherine Johnson usou um deles. E nunca deixou de fazer isso.

Ao fim de dois anos, Katherine Johnson foi então transferida para a Divisão de Investigação de Voos porque os engenheiros daquele escritório – todos homens brancos – já não se lembravam das regras de geometria. Foi nessa altura que a matemática começou a desenvolver os voos aeronáuticos, uma tarefa que a ajudou a superar a morte do primeiro marido, pai dos três filhos dela, vítima de câncer no cérebro. A matemática viria a casar novamente e a publicar dezenas de relatórios científicos relacionados com os cálculos secretos feitos naquela divisão. O segundo marido de Katherine Johnson morreu no ano passado.

Com a chegada da Guerra Fria e a impressionante capacidade da União Soviética em conquistar o espaço, Katherine Johnson participou no esforço norte-americano para fazer frente aos russos. Trabalhava 16 horas por dia, fazia comunicação de ciência para ensinar a importância da exploração espacial às crianças e participava em conferências de imprensa que ajudavam o governo a conquistar o apoio dos cidadãos no investimento na área aeroespacial.

Todas essas funções tinham ficado na sombra até serem contadas no filme “Hidden Figures”, mas esse é o legado de Katherine Johnson que fica agora na memória como uma das maiores contribuições para uma das épicas aventuras da humanidade. A morte da matemática norte-americana foi anunciada pela família.

(Observador)

Katherine Johnson trabalhando em 1962 na Nasa

Neste dia, há 170 anos, morria Carl Friedrich Gauss (1777-1855)

Quando criança, resolveu em minutos a tarefa de calcular a soma de todos os números inteiros de 1 a 100, usando raciocínio matemático, surpreendendo seu professor. Acho que você já deve ter escutado essa história. Ao longo da vida, alcançou grandes feitos: descobriu o método dos mínimos quadrados e o aplicou para calcular com precisão a órbita de corpos celestes, realizou estudos sobre o campo magnético da Terra, geometria não euclidiana, física teórica, álgebra e estatística (a curva de distribuição normal recebe o nome de “Gaussiana” em homenagem a ele). Mas e Deus? Como o “príncipe da Matemática” encarava o sobrenatural?

G. Dunnington, biógrafo de Gauss, escreve que “não é possível dizer com certeza quais eram as crenças de Gauss em relação à maior parte das doutrinas e questões confessionais. Oficialmente ele era um membro da Igreja de St. Albans (Luterana Evangélica) em Göttingen. Todos os batismos, funerais e casamentos de sua família ocorreram lá. Também não se sabe se ele frequentava a igreja regularmente ou se contribuía financeiramente. Um colega da universidade [de Göttingen] chamou Gauss de deísta, mas existem boas razões para crer que esse rótulo não se encaixa nele muito bem.”[1]

Muito comum entre intelectuais, cientistas e filósofos que buscavam conciliar crenças religiosas com os avanços da ciência e a visão racionalista do mundo nos períodos posteriores ao Iluminismo, o deísmo pode ser descrito como a crença em um Deus ou Criador que criou o Universo e suas leis naturais, mas que não intervém diretamente no mundo ou na vida das pessoas após a criação. De acordo com o biógrafo, o Deus de Gauss não era o “deus” dos deístas.

“O Deus de Gauss não era um fragmento frio e distante da Metafísica, nem uma caricatura distorcida de uma teologia amargurada. Ao homem não é concedida a plenitude do conhecimento que justificaria sua arrogância em acreditar que sua visão embaçada é a luz completa e que não pode haver outra luz que apresente a verdade como a sua. Para Gauss, não é aquele que balbucia sua crença, mas aquele que a vive, que é aceito. Ele acreditava que uma vida dignamente vivida aqui na Terra é a melhor, e única preparação para o Céu. Religião não é uma questão de literatura, mas de vida. A revelação de Deus é contínua, não limitada a tábuas de pedra ou pergaminhos sagrados. Um livro é inspirado quando ele inspira. A inabalável ideia de continuidade pessoal após a morte, a firme crença em um Regular Supremo das coisas, em um Deus eterno, justo, onisciente e onipotente, formou a base de sua vida religiosa, que se harmonizou completamente com sua pesquisa científica.”[2]

A presença de uma crença na “continuidade pessoal após a morte” é um atestado forte contra um possível deísmo de Gauss. Felizmente, um dos últimos episódios da vida do matemático lança luz sobre a compreensão dele sobre esse tópico. Dunnington registra uma série de visitas feitas a ele por Rudolf Wagner, um de seus amigos mais íntimos, durante seus últimos meses de vida.

“Quando Wagner foi embora, Gauss lhe deu o livro de Whewell para ler [William Whewell, Of the plurality of worlds, 1853]. Enquanto Wagner atravessava o pátio do observatório, notou na capa de papel branco do livro várias referências bíblicas, na caligrafia cuidadosa de Gauss. Ele percebeu imediatamente a que se referiam e decidiu perguntar a Gauss sobre elas na próxima vez. ‘Permita-me uma pergunta: na capa, você anotou várias trechos da Bíblia. Gostaria de saber de qual fonte vieram e com que propósito?’ Gauss respondeu: ‘Ah, você quer dizer estes?’ Ele apontou para eles. ‘São trechos que se referem à imortalidade. No momento, não consigo dizer de onde veio essa coleção de textos. Mas acho que esses trechos não são tão marcantes e coerentes. Em geral, caro colega, acredito que você acredita mais na Bíblia do que eu. Eu não acredito, e’, ele acrescentou, com expressão de grande emoção interior, ‘você é muito mais feliz do que eu. Devo dizer que, muitas vezes, em tempos passados, quando via pessoas das classes mais baixas, simples trabalhadores manuais que podiam acreditar tão verdadeiramente com seus corações, eu sempre os invejei, e agora’, ele continuou, com voz suave e aquele jeito ingênuo e infantil peculiar a ele, enquanto uma lágrima surgia em seu olho, ‘diga-me, como se começa isso?’

“Wagner foi tomado por uma grande emoção e sentiu-se um tanto constrangido quanto à forma de responder. Ele relata que percebeu toda a seriedade e grandeza do momento. A maneira como Gauss fez a pergunta o lembrou da antiga e frequentemente mencionada questão: ‘O que devo fazer para herdar a vida eterna?'”[3]

Dunnington registra as tais referências bíblicas nas notas de rodapé, oferecendo-nos um vislumbre do teor do possível estudo bíblico que Gauss tinha realizado sobre o assunto:

Daniel 12:1-3 – “Nesse tempo, Se levantará Miguel, o Grande Príncipe, o defensor dos filhos do povo de Deus, e haverá tempo de angústia, como nunca houve, desde que existem nações até aquele tempo. Mas, naquele tempo, o povo de Deus será salvo, todo aquele que for achado inscrito no livro. Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, outros para vergonha e horror eterno. Os que forem sábios resplandecerão como o fulgor do firmamento, e os que conduzirem muitos à justiça brilharão como as estrelas, sempre e eternamente.”

Jó 19:25 – “Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim Se levantará sobre a terra.”

Salmo 17:15 – “Eu, porém, na justiça contemplarei a Tua face; quando acordar, me satisfarei com a Tua semelhança.”

Salmo 49:15 – “Mas Deus remirá a minha alma do poder da morte, pois Ele me tomará para Si.”

Salmo 16:9-11: “Por isso o meu coração se alegra e o meu espírito exulta; até o meu corpo repousará seguro. Pois não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção. Tu me farás ver os caminhos da vida; na Tua presença há plenitude de alegria, à Tua direita, há delícias perpetuamente.”

Eclesiastes 12:6, 7 – “Lembre-se do seu Criador, antes que se rompa o fio de prata, e se despedace o copo de ouro, e se quebre o cântaro junto à fonte, e se desfaça a roda junto ao poço, e o pó volte à terra, de onde veio, e o espírito volte a Deus, que o deu.”

Isaías 26:19 – “Os teus mortos e também o meu cadáver viverão e ressuscitarão. Despertem e cantem de alegria, vocês que habitam no pó, porque o teu orvalho, ó Deus, será como o orvalho de vida, e a terra dará à luz os seus mortos.”

Todos os textos coincidem em tratar, de certa forma, da doutrina bíblica da ressurreição dos salvos, por ocasião da segunda vinda de Cristo. Será que, em seus últimos momentos de vida, Gauss foi tocado pelas palavras das Escrituras e confortado pela esperança do breve retorno de Jesus?

Numa carta a outro amigo, Gauss, aos 69 anos, declarou: “É o triste destino da velhice ver gradualmente se afastar de nós tanto do que nos era próximo e querido, e nos vermos cada vez mais isolados, e não há consolo nisso, exceto a perspectiva de uma ordem mundial superior que um dia equilibrará tudo.”[4]

O apóstolo Paulo expressou a mesma verdade quando disse, em sua primeira carta aos Coríntios: “Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos as pessoas mais infelizes deste mundo.”[5]

Paulo continua: “Nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.”[6] Gosto de crer que Gauss compartilhava firmemente dessa esperança.

Carl Friedrich Gauss descansou há 170 anos, no dia 23 de fevereiro de 1855. Está sepultado em Göttingen, na Alemanha. É reconhecido como um dos maiores gênios da Humanidade, o “príncipe da Matemática”. Cerca de 20 anos depois, a Alemanha de Gauss receberia John N. Andrews e Jakob Erzberger, pregadores das três mensagens angélicas para o tempo do fim.

Estamos no fim desse tempo do fim. Logo veremos Cristo nas nuvens, trazendo consigo a consumação da promessa tão aguardada por milhares. Nesse dia, almejo estar, junto com Gauss, cantando a plenos pulmões: “Tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu aguilhão? Graças a Deus, que nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”.[7]

“A consciência religiosa de Gauss baseava-se em uma sede insaciável pela verdade.”[8] A Eternidade ao lado Daquele que declarou: “Se alguém tem sede, venha a Mim e beba” será um presente incalculável para ele…

(Thiago Somolinos Soldani é esposo da Rebeca, geólogo e adventista do sétimo dia)

Referências:

1. Dunnington, G. Waldo. 2004. “Carl Friedrich Gauss, titan of science”, The Mathematical Association of America, p. 300. Acesso via: https://archive.org/details/carlfriedrichgau0000dunn
2. Idem, p. 301
3. Idem, p. 304, 305
4. Idem, p. 313
5. 1 Coríntios 15:17
6. 1 Coríntios 15:51, 52
7. 1 Coríntios 15:54-57
8. Dunnington, 2004. p. 300

Nas pegadas de Moisés

O americano William Albright, uns dos maiores arqueólogos bíblicos de todos os tempos, costumava dizer: “A arqueologia não pode, e não pretende, provar milagres. Nosso objetivo é, por meio de novas descobertas, reconstruir a realidade histórica de tempos remotos.” A ideia se aplica perfeitamente à história de Moisés, o personagem mais notável e enigmático do Antigo Testamento. A epopeia que, segundo as Escrituras, o líder dos hebreus comandou para tirar seu povo do cativeiro egípcio e levá-lo à terra prometida inclui passagens fenomenais, como a travessia do Mar Vermelho, as dez pragas que assolaram o Egito e as tábuas da lei, com os dez mandamentos, que Moisés recebeu das mãos do próprio Criador. Como disse Albright, os milagres jamais serão provados – aceitá-los ou contestá-los será sempre uma questão de fé. Mas as controvérsias não são poucas. Até hoje, não se sabe ao certo se o Êxodo teria acontecido por volta de 1250 a.C. ou 200 anos mais tarde. Também não há nada que comprove se o Monte Sinai, no Egito, teria sido o local onde Moisés teria recebido as Tábuas da lei. Mas achados arqueológicos lançam um foco de luz sobre a vida desse obscuro personagem [sic].

Narrada no livro de Êxodo, a história mostra os hebreus escravizados no Egito e sua peregrinação para Canaã. Os críticos da Bíblia dizem não haver nenhum vestígio do cativeiro egípcio. Não é verdade. Uma ilustração gravada nas rochas de uma caverna no sul do Egito, por volta de 1450 a.C., mostra soldados de pele escura supervisionando o trabalho de homens de pele mais clara, vestidos de tangas de linho. A obra foi feita por ordem de um vizir – espécie de ministro – do faraó Thutmoses, que, acreditam alguns estudiosos, teria sido o soberano do Egito à época de Moisés. “É evidente a relação que a figura faz dos egípcios, de pele mais escura, com os hebreus, mais claros”, observa Oséias Moura, doutor em Antigo Testamento pela PUC do Rio de janeiro.

Outra descoberta que remete ao suposto cativeiro egípcio é o túmulo de Amose, comandante do exército de faraó. Nas paredes da tumba, numa vila nos arredores de luxor, os arqueólogos encontraram inscrições que falam da família e das conquistas do general egípcio. Depois de relatar suas vitórias sobre exércitos inimigos, Amose inseriu uma lista de alguns dos seus escravos. A maior parte deles tinha nomes tipicamente hebreus, como Mara, Miriam e Putiel.

Até algumas das pragas que Deus teria derramado sobre o Egito, para forçar faraó a libertar os hebreus, já foram trazidas à luz pela arqueologia. O papiro de Ipuwer, sacerdote egípcio, é um registro pessoal de suas preces ao deus Hórus. No texto escrito em demótico – o egípcio cursivo – e datado de cerca 1350 a.C., Ipuwer reclama: “O rio transformou-se em sangue, nossos animais estão morrendo. As plantações não produzem. A escuridão cobriu a terra.” Essas pragas são umas das dez que, segundo o livro do Êxodo, Deus lançou sobre o Egito. O achado mudou o posicionamento de muitos estudiosos que se referiam às pragas como pura ficção. “Eles passaram a acreditar que as pragas fizeram parte de uma grande catástrofe ambiental, que teria devastado a região do Rio Nilo naquela época”, diz Rodrigo Silva.

Deixando o campo minado dos milagres, um achado especial marcou a história da arqueologia bíblica e pode até posicionar Moisés e Êxodo na linha do tempo. Em 1896, nas proximidades de Tebas, no Egito, foi encontrada a Estela (uma placa de pedra) do faraó Merneptah, datada ano 1220 a.C. A peça traz uma lista das vitórias de Merneptah sobre povos inimigos. Israel é um desses povos. É a mais antiga referência não bíblica a Israel já encontrada. Entre outras citações, o texto diz: “A Líbia está devastada, Israel está aniquilado e suas sementes não mais germinarão.” Os sinais utilizados na inscrição sugerem Israel como pessoa ou povo, e não como lugar, como defendem alguns estudiosos.

(Revista Terra, maio de 2003, ano 12, n° 133)