Paradoxo ateístico

“Uma coisa é desejar ter a verdade do nosso lado, outra é desejar sinceramente estar do lado da verdade.” Richard Whately

O censo populacional do IBGE de 2007 mostrou um paradoxo brasileiro na época: ao mesmo tempo em que o número de evangélicos havia crescido, outro grupo apresentou percentuais elevados em relação a anos anteriores – o dos que se declaram sem religião. Mas o que chama mesmo a atenção é o surgimento de uma nova figura no panorama religioso do país: o ateu militante. À semelhança dos religiosos, eles organizam encontros, participam de grupos de discussão na Internet e até fundaram uma ONG, a Sociedade Terra Redonda. O objetivo não é outro senão conclamar as pessoas sem fé religiosa a assumir o próprio ateísmo.

De certa forma, é até compreensível esse empenho ateístico. Durante muitos séculos, descrer em Deus era algo visto com muito preconceito e até perseguição (os inquisidores medievais que o digam). E não custa nada lembrar que em algumas nações (e por parte de algumas pessoas) ainda persiste a intolerância religiosa. A resistência às religiões de cunho sentimentalista e fortemente baseadas em sinais miraculosos também pode ser um motivo para tantos estarem migrando para o extremo oposto.

O psicólogo norte-americano Michael Shermer, diretor da Sociedade dos Céticos e autor do livro Fronteiras da Ciência: Onde o que Faz e o que Não Faz Sentido Se Encontram, aponta ainda outro problema: o aumento do irracionalismo. Pesquisas mostram que cada vez mais se acredita em astrologia, experiências extra-sensoriais, bruxas, alienígenas e discos voadores. Para ele, “o irracionalismo tem aumentado principalmente por culpa da comunicação de massa e da Internet. As pessoas que vivem da exploração dessas crenças são hábeis na utilização desses recursos. As religiões tradicionais vêm perdendo muito espaço nos últimos anos, o que tem deixado um campo aberto para crenças alternativas como paranormalidade e cultos da Nova Era”. O problema é que os ditos céticos acabam colocando no mesmo saco todo tipo de crença, como fez exatamente o engenheiro Daniel Sottomaior, em resposta ao meu artigo “Cristo ainda é manchete”, publicado no Observatório da Imprensa.

A julgar pelos mais de 800 colaboradores cadastrados na Sociedade Terra Redonda na época (da qual Sottomaior é membro), a maioria dos ateus brasileiros é jovem e vem da área de Ciências Exatas. “Somos racionalistas, e uma de nossas funções é denunciar falsos milagres”, disse o programador de computadores Leo Vines, de 24 anos na época. Vines, que era o presidente da Sociedade, afirmou ainda que “quem examina a questão da existência de Deus à luz de um método científico chega inevitavelmente à conclusão de que Ele não existe, já que não há nenhuma evidência concreta disso”. Mas será essa uma conclusão correta?

CIENTISTAS QUE CREEM

Em 1916, cientistas americanos participaram de uma pesquisa sobre suas crenças religiosas. A mesma pesquisa foi repetida em 1996. Surpreendentemente houve pouca mudança nesses 80 anos. Em ambos os casos, cerca de 40% dos cientistas disseram acreditar em um Deus pessoal, 45% disseram não acreditar e 15% não responderam. Se o método científico apontado por Vines, pelo qual se orientam os cientistas, demonstrasse realmente a inexistência de Deus, não haveria sequer um cientista crédulo.

O escritor italiano Umberto Eco, reconhecidamente agnóstico, escreve no livro Em que Crêem os que Não Crêem? (Editora Record) que, se a vida de Jesus Cristo for apenas um conto imaginado pela humanidade, o simples fato de o homem ter criado toda uma ideologia sobre o amor baseada numa figura fictícia já seria um mistério insondável. Admissão sincera, que deveria ser levada em conta pelos que se negam a ver a lógica, a coerência e a beleza da religião bíblica.

RELIGIÃO RACIONAL

“Se você abandona a capacidade crítica de pensar cientificamente, pode acreditar em absolutamente tudo”, diz o psicólogo Michael Shermer. De fato, existe esse perigo, como também há o perigo de descrer de tudo. Talvez por isso o apóstolo Paulo, em Romanos 12:1, classifique o verdadeiro culto como “racional”, nada tendo a ver com a emotividade vazia de muitos cultos sensacionalistas modernos. O Criador é o Deus que convida: “Venham cá, vamos discutir este assunto” (Isaías 1:18, BLH). Deus não é irrazoável. Embora nossa aceitação de Sua existência e das verdades reveladas por Ele se baseiem na fé, há evidências suficientes para o observador atento e livre de preconceitos. Afinal, mesmo quando utilizamos a “capacidade crítica de pensar cientificamente”, chegamos à conclusão de que o Universo é obra de um Planejador inteligente, pois o efeito pressupõe uma causa. O acaso e a não intencionalidade jamais responderam à pergunta fundamental “de onde viemos?”.

Sottomaior afirma que “a religião é intrinsecamente oposta à contestação”. Mas o apóstolo Paulo dá a entender que não há nada de errado com o emprego da razão na busca de respostas, quando diz que se deve examinar tudo e reter o que é bom (1 Tessalonicenses 5:21). O problema consiste em querer utilizar a razão humana para mensurar o que está além dela (neste caso, métodos matemáticos teriam muito mais sucesso). Aliás, diga-se de passagem, a própria razão está além da razão. E julgar a razão pela própria razão é como definir uma palavra usando a própria palavra como sua definição, assim como na tautologia “a casa é vermelha porque é vermelha”. Como se sabe, tautologias nada provam.

Utilizar a razão humana para determinar a existência ou não de Deus é como tentar medir as distâncias cósmicas com uma fita métrica. Ou, para usar um exemplo mais conhecido, é tentar colocar o oceano em um buraquinho na areia. Eis aqui o paradoxo ateísta.

CIÊNCIA E RELIGIÃO

No livro Por Que Creio Naquele que Fez o Mundo (Editora Objetiva), o ex-presidente da Federação Mundial de Cientistas, o católico Antonino Zichichi, faz afirmações bastante corajosas e pouco convencionais no mundo científico. Segundo ele, há flagrantes mistificações no edifício cultural moderno e que passam, muitas vezes, despercebidas do público em geral. Eis alguns exemplos: Faz-se com que todos creiam que ciência e fé são inimigas. Que ciência e técnica são a mesma coisa. Que o cientificismo nasceu no coração da ciência. Que a lógica matemática descobriu tudo e que, se a matemática não descobre o “Teorema de Deus”, é porque Deus não existe. Que a ciência descobriu tudo e que, se não descobre Deus, é porque Deus não existe. Que não existem problemas de nenhum tipo na evolução biológica, mas certezas científicas. Que somos filhos do caos, sendo ele a última fronteira da ciência.

Para Zichichi, a verdade é bem diferente. E a maneira de se provar a incoerência das mistificações acima consiste em compreender exatamente o que é ciência.

Foi Galileu Galilei quem lançou as bases da ciência experimental. A grandeza desse físico e astrônomo italiano, para quem “o Universo é um texto escrito em caracteres matemáticos”, não reside tanto em suas extraordinárias descobertas astronômicas, mas na busca de verificar se o resultado de experiências era ou não contrário à validade de determinadas leis. Para Galileu, as hipóteses deveriam ser testadas e repetidas a fim de serem consideradas verdadeiras. Graças a ele, pôde-se fazer separação entre o imanente e o transcendente. Como dizia um dos pais da física moderna, Niels Bohr, resumindo o pensamento galileano, não existem teorias bonitas e teorias feias. Existem apenas teorias verdadeiras e teorias falsas.

Por isso, Zichichi afirma: “Nem a matemática nem a ciência podem descobrir Deus pelo simples fato de que estas duas conquistas do intelecto humano agem no imanente e jamais poderiam chegar ao Transcendente” (p. 16).

Uma teoria como a da evolução das espécies, com tantos “elos perdidos”, desenvolvimentos milagrosos (olho, cérebro, DNA, etc.), extinções inexplicáveis e fenômenos irreprodutíveis não é ciência galileana. “Eis porque”, diz Zichichi, “a teoria que deseja colocar o homem na mesma árvore genealógica dos símios está abaixo do nível mais baixo de credibilidade científica. … Se o homem do nosso tempo tivesse uma cultura verdadeiramente moderna, deveria saber que a teoria evolucionista não faz parte da ciência galileana. Faltam-lhe os dois pilares que permitiriam a grande virada de 1600: a reprodução e o rigor. Em suma, discutir a existência de Deus, com base no que os evolucionistas descobriram até hoje, não tem nada a ver com a ciência. Com o obscurantismo moderno, sim” (p. 81, 82).

PESQUISAS E PREMISSAS

Por mais que alguns queiram ignorar a realidade, especialmente no que diz respeito ao modelo da evolução, posto que não é fato científico confirmado (embora possua aspectos periféricos com os quais os criacionistas concordam), as premissas e a filosofia de vida dos pesquisadores influem diretamente em suas pesquisas. Bom exemplo é o do geólogo e pensador evolucionista da Universidade de Harvard, Stephen Jay Gould (falecido em 2002). Ele era marxista e é o autor da teoria do equilíbrio pontuado (saltacionismo), que é quase uma transposição literal da ideia da revolução para o mundo natural. Por isso mesmo, embora Gould fizesse bastante sucesso como escritor, grande parte da comunidade científica rejeita suas idéias “evolucionistas marxistas”.

E a conclusão de José Luiz Goldfarb, presidente da Sociedade Brasileira de História da Ciência, é a de que “nenhum cientista entra no laboratório sem uma visão de mundo mais complexa. O fato de a ciência funcionar em bases experimentais não significa que o cientista não tenha crenças ou pressupostos sobre a realidade” (Época, 27/12/99).

Michael Behe, autor do controvertido A Caixa Preta de Darwin (Mackenzie), vai na mesma direção, e diz que, “apesar da imagem popular, os cientistas são pessoas normais, com seus próprios preconceitos. Se alguém pretende desafiar uma crença profundamente defendida, pode esperar resistência”.

Em Grandes Debates da Ciência (Editora Unesp), Hal Hellman afirma que, “ao contrário dos erros tecnológicos, erros em ciência raramente são notícia. Em consequência, o público poucas vezes toma conhecimento dos caminhos equivocados pelos quais os cientistas muitas vezes enveredam. Mesmo no caso em que se divulga uma idéia científica incorreta, ninguém sabe que ela é incorreta; e quando se chega à idéia correta, ela é apresentada como uma nova descoberta, e a velha ideia é simplesmente esquecida. Mesmo em revistas científicas, relatos de resultados negativos raramente chegam a ser impressos, a despeito do fato de que possam ser muito úteis para os que trabalham na área” (p. 14).

Hellman lembra ainda que “frequentemente […] o processo de descoberta científica está carregado de emoção. Quando apresenta uma nova ideia, é provável que um cientista esteja pisando nas teorias de outros. Os que sustentam uma ideia mais antiga podem não a abandonar de bom grado. […] É comum que alguma questão sutil, ou não tão sutil, ligada a crenças e valores, esteja subjacente ao debate. […] Os cientistas são suscetíveis de emoções humanas, […] são influenciados pelo orgulho, cobiça, beligerância, ciúme e ambição, assim como por sentimentos religiosos e nacionais; […] eles estão sujeitos às mesmas frustrações, cegueiras e emoções triviais que o resto de nós; […] eles são, na verdade, completamente humanos” (p. 14, 16, 18). Ateus ou não; cientistas ou não; todos agem e tiram conclusões não apenas com base na objetividade racional.

O professor Del Ratzsch, especializado em filosofia da ciência, em seu livro The Battle of Beginnings (sem tradução para o português), também faz algumas reflexões sobre o assunto. Às páginas 122 e 123, ele afirma que “as teorias – principalmente teorias explanatórias – não podem ser geradas por meios puramente lógicos ou puramente mecânicos a partir de dados empíricos. Elas são resultado de criatividade e invenção. […] As teorias não podem ser provadas de maneira conclusiva nem deixar de ser comprovadas exclusivamente com base em dados empíricos. Na verdade, os cientistas frequentemente continuam a defender firmemente certas teorias mesmo diante de clara evidência contrária. […] A estrutura e natureza de teorias específicas, os conceitos que elas empregam, sua avaliação e o critério que determina sua aceitabilidade ou inaceitabilidade e sua aceitação ou rejeição estão todos ligados não só aos dados mas também aos princípios modeladores que alguém aceita. E esses princípios modeladores também não surgem só de dados empíricos”.

Não é difícil perceber que pesquisa científica, como em qualquer outra área do saber, há mais do observador envolvido nos estudos do que simplesmente faculdades sensoriais funcionando mecanicamente. Em muitos casos de percepção, o pesquisador inconscientemente “preenche” vários aspectos da própria experiência, geralmente sem perceber, e o formato que esse preenchimento assume é moldado em parte por suas expectativas, seu compromisso intelectual, sua predisposição teórica e até mesmo suas crenças (ou a falta delas).

Uma vez que as teorias são inevitavelmente indeterminadas por dados empíricos, se formos selecionar algumas teorias propostas e reivindicar que elas sejam verdadeiras, então a seleção não pode ser feita com base puramente empírica. Pelo menos algumas considerações não empíricas deverão desempenhar certo papel nessa seleção.

Na verdade, o que se nota é um exagero na objetividade e infalibilidade dos cientistas. Por mais importante que eles sejam, não estão imunes à subjetividade.

Um bom exemplo é dado por Thomas Kuhn, em seu livro A Estrutura das Revoluções Científicas. Ele pergunta, à página 76: Um átomo de hélio é ou não uma molécula? Para o químico, é uma molécula porque se comporta como tal do ponto de vista da teoria cinética dos gases. Para o físico, o hélio não é uma molécula porque não apresenta espectro molecular. Portanto, os paradigmas e a formação das pessoas interferem, sim, em seus julgamentos sobre a realidade. E o que ocorre no campo religioso por certo também acontece no que diz respeito ao campo da pesquisa científica e à chamada racionalidade.

Isso explica por que, entre os cientistas, há crentes e ateus (como entre a população em geral). Se a existência de Deus (ou Sua inexistência) fosse algo demonstrável nos domínios da ciência experimental, só haveria um grupo de cientistas: crédulos (ou incrédulos).

Para Zichichi, Deus transcende a lógica matemática e a ciência humana. Por isso, “é inconcebível que possa ser descoberto pela lógica matemática ou pela ciência [humana]. A lógica matemática pode descobrir tudo aquilo que faz parte da matemática. E a ciência [pesquisa], tudo que faz parte da ciência. […] O ateu, na verdade, diz: ‘Por amor à lógica, não posso aceitar a existência de Deus.’ Mas o rigor lógico não consegue demonstrar que Deus não existe” (p. 159, 162). Quando a “ciência” opta por excluir o conceito de um Criador, deixa claro, com isso, que não é uma busca aberta da verdade, como tantas vezes quer parecer ser.

Na verdade, tudo ficaria mais claro (e lógico) se as pessoas admitissem, como fez Galileu, que tanto a natureza quanto as Escrituras Sagradas são obra do mesmo Autor e, embora utilizem linguagem diferente, não estão em contradição para o observador atento. As “contradições” bíblicas apontadas por Sottomaior em seu artigo são apenas aparentes, para o pesquisador isento. Comparando texto com texto, dentro de seus respectivos contextos, pode-se perceber a harmonia do cânon bíblico, a que me referi no artigo “Cristo ainda é manchete”.

“Não sabemos o que e quanto desconhecemos”, escreveu o zoólogo Dr. Ariel Roth, no livro Origens (Casa Publicadora Brasileira). “A verdade precisa ser buscada, e devia fazer sentido em todos os campos. Devido a ser tão ampla, a verdade abrange toda a realidade; e nossos esforços para encontrá-la deveriam também ser amplos” (p. 51).

Michelson Borges

Escrito nas estrelas?

Qual o seu signo? Esta é uma pergunta comum entre as pessoas, especialmente quando se conhecem e querem saber se têm alguma afinidade astrológica. Chega a ser surpreendente o fato de tanta gente ainda tomar decisões ou decidir o futuro amoroso com base no que estaria escrito nas estrelas, mesmo vivendo numa era de conquistas científicas espetaculares e de grande disseminação do conhecimento.

Esse é o lado irônico da coisa. A despeito da grande evolução científica, nunca se presenciou em toda a história da civilização uma explosão tão grande de misticismo que mistura fantasia e realidade em doses que tendem a trazer de volta um panorama que se pensava sepultado no passado longínquo.

Embora hoje não exista exatamente um culto aos astros, como havia nas civilizações da antiguidade, milhares de pessoas baseiam cruciais decisões médicas, profissionais e pessoais em conselhos recebidos de astrólogos e de publicações dedicadas à astrologia. E mais da metade dessas pessoas é jovem.

A astrologia surgiu numa época em que a visão que a humanidade tinha do mundo era dominada pela magia e pela superstição. Os corpos celestes eram considerados deuses ou “espíritos” importantes, que pareciam passar o tempo mexendo com a vida dos seres humanos.

As pessoas procuravam no céu sinais que lhes permitissem descobrir o que os deuses fariam em seguida. Mesmo na antiga Babilônia já havia a prática da astrologia, conforme registrou o profeta Isaías: “Cansaste-te na multidão dos teus conselhos; levantem-se pois agora e te salvem os astrólogos, que contemplam os astros, e os que nas luas novas prognosticam o que há de vir sobre ti” (Isaías 47:13).

Mas por que a astrologia se mantém até hoje? Tem ela, afinal, alguma base científica? A seguir são analisadas sete questões, baseadas num estudo do astrônomo americano Andrew Franknoi, as quais colocam em xeque a pretensão da astrologia de ser uma ciência, à semelhança da astronomia.

Pirotecnias astrológicas

1. Qual a probabilidade de que 1/12 da população mundial tenha um mesmo tipo de dia? Os astrólogos que publicam horóscopos nos jornais asseguram que se pode saber algo sobre os acontecimentos do dia de uma pessoa simplesmente lendo um dos doze parágrafos da coluna dedicada ao assunto em um jornal.

Uma divisão simples mostra que cerca de 400 milhões de pessoas no mundo teriam o mesmo tipo de dia, todos os dias. “Dada a necessidade de atender a tantas expectativas ao mesmo tempo, torna-se claro o motivo pelo qual as previsões astrológicas vêm acondicionadas em um palavreado o mais vago e genérico possível”, analisa Franknoi.

2. A astrologia parece científica para algumas pessoas porque o horóscopo é baseado em um dado exato: o tempo do nascimento de cada um. Quando a astrologia foi estabelecida, há muito tempo, o instante do nascimento era considerado o ponto mágico da criação da vida.

Mas hoje entendemos o nascimento como o ponto culminante de um desenvolvimento de nove meses dentro do útero. Provavelmente o motivo pelo qual os astrólogos se mantêm fiéis ao momento do nascimento tem pouco a ver com a teoria astrológica. Quase todo cliente sabe quando nasceu, mas é difícil identificar o momento da concepção de uma pessoa.

3. Se o útero da mãe pode afastar influências astrológicas até o nascimento, como dizem os astrólogos, será que é possível fazer a mesma coisa com um pedaço de filé? Se forças tão poderosas emanam do céu, por que elas são inibidas antes do nascimento por uma fina camada protetora feita de músculo, carne e pele? Se o horóscopo potencial de um bebê for insatisfatório, seria possível retardar a ação das influências astrológicas circundando imediatamente o recém-nascido com um naco de carne até que os signos celestiais fiquem auspiciosos?

4. Outro aspecto interessante de se notar é que, se os astrólogos são tão bons quanto afirmam, por que eles não ficam mais ricos? Alguns respondem que não podem prever eventos específicos, apenas tendências amplas. Outros alegam ter o poder de prever grandes eventos, mas não pequenos acontecimentos.

Mas, seja como for, os astrólogos poderiam ganhar bilhões prevendo o comportamento geral do mercado de ações ou do mercado futuro do ouro e assim não precisariam cobrar consultas tão caras ou publicar tiras em jornais.

5. Da parte da ciência (a astronomia), a astrologia recebe ainda outro golpe. Alguns astrólogos afirmam que o signo do Sol (a localização do Sol no Zodíaco no instante do nascimento), usado exclusivamente por muitos horóscopos de jornais, é um guia inadequado para os efeitos do cosmos.

Eles insistem que a influência de todos os corpos principais no Sistema Solar deve ser levada em consideração, incluindo Urano, Netuno e Plutão, que somente foram descobertos em 1781, 1846 e 1930, respectivamente.

“E antes de 1930? Estavam erradas todas as previsões astrológicas? E por que as imprecisões dos antigos horóscopos não levaram a deduzir a presença dos três planetas muito antes que os astrônomos os descobrissem? E que aconteceria se fosse descoberto um décimo planeta? E que dizer dos asteróides e das luas do tamanho de planetas, localizados na periferia do Sistema Solar?”, questiona Franknoi.

6. A desconsideração desses corpos celestes por parte dos astrólogos leva a outra pergunta: Se a influência astrológica é exercida por alguma força conhecida, por que os planetas dominam? Se os efeitos da astrologia podem ser atribuídos à gravidade, à força das marés ou ao magnetismo, qualquer um poderia realizar os cálculos necessários para ver o que realmente afeta um recém-nascido.

Por exemplo, o obstetra que faz o parto exerce uma força gravitacional cerca de seis vezes superior à de Marte e cerca de dois trilhões de vezes superior à das marés. O médico pode ter muito menos massa que o planeta vermelho, mas está muito mais perto do bebê.

7. Caso os astrólogos digam que a influência astrológica é exercida por uma força desconhecida, por que não depende da distância? Todas as forças de longo alcance conhecidas no Universo ficam mais fracas à medida que os objetos se distanciam, mas as supostas influências astrológicas não dependem da distância.

A importância de Marte em um dado horóscopo é idêntica, esteja o planeta do mesmo lado do Sol que a Terra ou sete vezes mais distante, do outro lado. Uma força independente da distância seria uma descoberta revolucionária. Mas ainda que se admitisse que a influência astrológica não depende da distância, surgiria outra pergunta: Por que não existe astrologia de estrelas, galáxias e quasares?

Para o astrônomo francês Jean-Claude Pecker, os astrólogos parecem ter “uma mente muito estreita” quando limitam seu ofício ao Sistema Solar. “Bilhões de estupendos corpos espalhados por todo o Universo deveriam somar sua força à dos nossos pequenos Sol, Lua e planetas”, diz Pecker.

Será que um cliente, cujo horóscopo omite os efeitos de Rigel, do Pulsar do Caranguejo e da Galáxia M31 (Andrômeda), recebeu um mapa astrológico completo?

Várias questões científicas poderiam ser ainda mencionadas, mas encerremos com uma de ordem ética. O cristianismo – e qualquer sociedade civilizada – deplora todos os sistemas que julgam os indivíduos pelo sexo, cor da pele, religião, nacionalidade ou quaisquer outros acasos de nascimento. O próprio Deus “não faz acepção de pessoas” (Atos 10:34). No entanto, os astrólogos alardeiam que podem avaliar as pessoas baseados em outro acaso de nascimento: as posições dos corpos celestes.

Será que a recusa em namorar alguém do signo de Leão ou de empregar alguém de Virgem não é tão condenável quanto a recusa em namorar um negro ou dar emprego a um protestante?

Diante do que foi exposto, continua válido o conselho de Moisés aos antigos israelitas para não levantarem os olhos para o céu e, vendo o Sol, a Lua e as estrelas, todo esse exército do céu, ser levados a se inclinar perante eles (Deuteronômio 4:19).

Melhor do que acreditar na guia dos astros celestes e que o destino humano estaria escrito nas estrelas, é depositar a vida nas mãos do Criador dos planetas, das galáxias, enfim, do Universo.

Michelson Borges

O que é criacionismo ?

Uma possível explicação é: “Criacionismo é uma estrutura/modelo conceitual que adota para o estudo da natureza a possibilidade da existência de um criador. A vida teria sido criada inicialmente complexa, completa e funcional, em tipos básicos de seres vivos dotados do aporte necessário para sofrer diversificação limitada ao longo do tempo. Existem três principais ramificações distintas dentro do criacionismo: a religiosa, a bíblica e a científica.”

Referência: Editores. Os principais tipos de modelos das origens. Origem Rev. 2018;1(1):19-31.

Blog Criacionismo: desde 2005

Este blog foi criado em 2005 pelo jornalista Michelson Borges, com o propósito de divulgar em língua portuguesa conteúdos ligados à controvérsia entre o criacionismo e o evolucionismo. Inicialmente, o blog foi criado na plataforma Blogspot, depois o conteúdo passou a ser migrado para cá. Com atualizações frequentes e uma cobertura abrangente dentro do escopo da ciência e da religião, o blog criacionismo.com.br se caracteriza por uma abordagem não excessivamente técnica dos assuntos de que trata. O que tem sido divulgado na mídia a respeito do tema origens é matéria-prima para avaliação aqui.

Michelson Borges é pastor adventista do sétimo dia e jornalista, formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Foi professor de História em Florianópolis e editor do jornal da Rádio Novo Tempo daquela capital, onde também apresentava um programa de divulgação científica. É editor da revista Vida e Saúde, da Casa Publicadora Brasileira, e autor dos livros A História da VidaPor Que CreioNos Bastidores da Mídia (publicado em espanhol, com o título Detrás de los Medios), Esperança Para VocêTerra de Gigantes (sobre dinossauros), A Descoberta (em coautoria), Expedição GalápagosO Poder da Esperança (também em coautoria e publicado em inglês com o título The Power of Hope), e da Série Grandes Impérios e Civilizações, composta de seis volumes. Mestre em Teologia pastoral pelo Unasp, mestre em Teologia pelas Faculdades EST e pós-graduado em Biologia Molecular pela Universidade Cândido Mendes, é membro da Sociedade Criacionista Brasileira e tem participado de seminários criacionistas e séries de palestras e pregações em várias partes do Brasil e do exterior. É criador e mantenedor dos blogs http://www.criacionismo.com.br e http://www.outraleitura.com.br. Casado com a pedagoga Débora Tatiane (coautora doa livroa O Que Ele Viu na Grécia e Se Minha Barriga Falasse), o casal tem três filhos, duas meninas e um menino. 

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