Contradições e incoerências de O Código Da Vinci

Constantino inventou a divindade de Cristo no Concílio de Nicéia. Foi esse concílio que determinou que livros deviam ser incluídos no Novo Testamento. Jesus casou com Maria Madalena e teve uma filha. Uma organização secreta foi encarregada de preservar esse “segredo do Jesus verdadeiro”. Calma, calma! Antes de achar que estou defendendo heresias, deixe-me dizer que esses absurdos são o pano de fundo de um romance policial que tem conquistado legiões de leitores em todo mundo. E não é todo dia que um livro alcança a cifra de 15 milhões de exemplares vendidos. Trata-se de O Código Da Vinci, de Dan Brown.

A história, que logo deve chegar ao cinema, com Tom Hanks como protagonista, é a seguinte: tudo começa com a morte misteriosa do curador do Museu do Louvre. Robert Langdon, professor em Harvard e especialista em símbolos esotéricos, está em Paris a negócios e a polícia lhe pede para decifrar um código deixado próximo ao cadáver. E é esse código que guia toda a trama e leva Langdon e a criptóloga Sophie Neveu em busca do Santo Graal. Os personagens penetram em um mundo secreto de mistério e conspiração, com o objetivo de desmascarar “séculos de engano”, valendo-se de códigos secretos e manuscritos que a igreja supostamente tem tentado esconder do público, mas que o historiador Leigh Teabing quer divulgar a todo custo. (É bom que se saiba que a trama central desse livro já existe há séculos e pode ser encontrada na literatura esotérica e da Nova Era, como em O Santo Graal e a Linhagem Sagrada, de Michael Baigent, que serviu de referência para o romance de Brown.)

Seria apenas mais um livro de ficção, como tantos outros, não fosse a alegação de que se fundamenta em fatos. Brown, baseado em livros apócrifos gnósticos, sustenta que, após a crucifixão de Jesus, Maria e a filha deles, Sara, partiram para a Gália (França), onde teriam fundado a linhagem dos reis merovíngios. O autor diz ainda que essa dinastia perdura até hoje na misteriosa organização conhecida como Priorado de Sião, entidade secreta que tinha os Templários como braço militar. Há até a suposição de que Leonardo da Vinci, Isaac Newton e Victor Hugo tenham figurado entre os membros dessa organização.

Segundo Erwin Lutzer, autor do livro A Fraude do Código Da Vinci (Vida), “esse livro [de Brown] é um ataque direto contra Jesus Cristo, a igreja e aqueles de nós que O seguem e O chamam Salvador e Senhor. De acordo com o romance de Dan Brown, o cristianismo foi inventado para reprimir as mulheres e afastar as pessoas do ‘sagrado feminino’”. Brown chega a afirmar que os judeus, no Antigo Testamento, adoravam tanto o Deus masculino, Jeová, como Sua “correspondente feminina”, Shekinah. Séculos depois, afirma o autor, a igreja, “que odeia o sexo e a mulher”, teria reprimido essa adoração à deusa.

Carlos Alberto di Franco lembrou, em julho de 2004, no jornal O Estado de S. Paulo, algumas críticas de respeitáveis jornais estrangeiros a respeito do livro de Brown: El Mundo chama-o de “um livro oportunista e pueril”; The New York Times, de “um insulto à inteligência”; Weekly Standard, de uma “mixórdia de narrativas inimagináveis”; The New York Daily News declara que o livro contém “erros crassos, que só não chocam um leitor muito ingênuo”. O problema é que há muitos leitores ingênuos. Milhões deles.

Jornal do Brasil, do dia 16 de dezembro de 2004, publicou um artigo de Ives Gandra Martins. A certa altura, ele declara: “No mundo da informação comprovada e dos acessos às fontes, como admitir que se consiga desvendar um segredo não revelado – de 2 mil anos! – de que Cristo teve uma filha? Ou que nas vidas altamente investigadas de Boticelli, Leonardo da Vinci, Boyle, Newton, Victor Hugo, Debussy e Cocteau seus investigadores não descobriram que eles eram grandes mestres de uma fantástica sociedade secreta denominada Priorado de Sião, cuja função era guardar o segredo da filha de Jesus? Todos os historiadores do mundo não descobriram o que o oportunista Dan Brown descobriu em investigações cujas fontes é incapaz de citar. A história é pisoteada por alguém que, sem escrúpulos, mente deslavadamente, sobre tudo.”

“EVANGELHOS” GNÓSTICOS

Um dos trechos mais polêmicos de O Código da Vinci é este: “E a companheira do Salvador é Maria Madalena. Cristo amava-a mais do que a todos os discípulos e costumava beijá-la com freqüência na boca.” Essa citação provavelmente tenha se originado no Evangelho de Filipe, um dos livros apócrifos gnósticos encontrados em Nag Hammadi, no Egito, em 1945, e escondidos ali no século IV, por um egípcio anônimo. De acordo com Darrell L. Bock, autor de Quebrando o Código da Vinci, o original tem lacunas e só traz a inicial (no alfabeto copta) da palavra “boca”. “O texto está fragmentado e diz: ‘E a companheira de (…) Maria Madalena, (…) a ela mais do que a (…) os discípulos e (…) beijá-la (…) na b(…).’” Portanto, o que Brown faz é um tremendo exercício de imaginação.

Embora Brown sustente que seria estranho e até desonroso um judeu na época de Jesus ser solteiro, Amy Welborn, autora de Decodificando Da Vinci e mestre em História da Igreja pela Universidade Vanderbilt, escreve que no século I muitos homens devotados a Deus eram solteiros. Os exemplos, do profeta Jeremias ao apóstolo Paulo, são muitos. Em uma de suas cartas aos coríntios, Paulo se refere às mulheres de outros apóstolos, mas não de Jesus.

Todo o problema vem dos chamados “evangelhos” gnósticos. Eles retratam Jesus como um espírito superior, mas afirmam que Ele era um homem como qualquer outro. E se Jesus foi um homem qualquer, qual o problema de ter-Se casado e ter tido filhos?
Uma rápida comparação entre os quatro evangelhos bíblicos e os apócrifos gnósticos mostra que entre eles há um abismo intransponível. O Evangelho de Tomé – outro dos livros gnósticos – afirma, por exemplo, que “quem não conheceu a si mesmo não conhece nada, mas quem se conheceu veio a conhecer simultaneamente a profundidade de todas as coisas”. E assegura que a salvação vem por meio do autoconhecimento, ou pela sabedoria, não pela fé. Confundindo a importância do autoconhecimento – num contexto freudiano – com salvação, mais e mais pessoas têm adotado esses livros não canônicos como sua Bíblia. Mas o conhecimento salvífico do qual fala a verdadeira Palavra de Deus consiste em conhecer a Deus e a Jesus Cristo (ver João 17:3).

Há outro aspecto dos apócrifos gnósticos que salta à vista dos que conhecem a Bíblia e sua mensagem. Os “evangelhos” de Tomé, Filipe e Maria Madalena não contêm uma linha sequer sobre o significado do julgamento e da morte de Jesus na cruz. Ou seja, o evento central, no que diz respeito à história da redenção, é totalmente ausente nesses livros que reivindicam a posição de evangelhos. Eles trazem apenas charadas que convidam seus leitores a reflexões espirituais, não ao arrependimento – uma vez que, neles, o pecado não existe.

Pretender que os chamados “evangelhos” apócrifos tenham o mesmo peso e confiabilidade dos Evangelhos canônicos é desconhecer a história bíblica. Além de os apócrifos gnósticos terem sido escritos depois dos quatro evangelhos, Mateus, Marcos, Lucas e João são os únicos relatos que foram, ou escritos por testemunhas oculares da vida de Jesus, ou corroborados por elas. Lucas não conviveu com Jesus, mas fez seu relato sob a supervisão do apóstolo Paulo e contou com a aprovação de Pedro. “O Espírito Santo primeiro guiou Mateus, depois Paulo e seu companheiro Lucas, a seguir Pedro e seu companheiro Marcos e, por último, João, o apóstolo, para entregar à igreja, durante sua vida, o Evangelho que lhes foi entregue por Jesus”, escreve David Alan Black, no instrutivo Por Que 4 Evangelhos (Vida), na página 10. Além disso, “as fontes mais aceitas sobre a trajetória de Jesus – os evangelhos sinópticos, de Mateus, Lucas* e Marcos – são consistentes com o que se sabe sobre a Palestina do século I, de forma que a chance de serem fruto da imaginação de seus autores é desprezível”, escreveu Isabela Boscov, na revista Veja do dia 15 de dezembro de 2004. E é bom deixar claro que a igreja primitiva já aceitava a inspiração divina dos quatro evangelhos muito tempo antes de Constantino convocar o Concílio de Nicéia. Graças ao historiador Eusébio, sabe-se que 20 decretos foram promulgados em Nicéia. Nem um único diz respeito ao cânon.

“Os evangelhos apócrifos, assim como os canônicos, foram, escritos por pessoas inquietas, numa época conturbada e difícil, em que as antigas respostas já não davam conta de acalmar os espíritos”, sustenta Érica Montenegro, no artigo “Um outro Jesus”, publicado na revista Superinteressante de dezembro de 2004. “É claro que os tempos, hoje, são muito diferentes. Mas, de novo, boa parte da humanidade está inquieta e insatisfeita com as respostas que existem. Tem muita gente em busca de alguma coisa que torne nossa existência mais transcendente, mais valiosa. E esses textos escritos por outros homens, numa busca parecida, podem nos dar uma dica de onde começar a procurar.”

Sem o saber, Érica chegou perto da descrição que o apóstolo Paulo faz de nossos dias: “Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas.” II Tim. 4:3 e 4.

(*) Sir William Ramsey, célebre historiador e arqueólogo do século 19, esforçou-se por demonstrar que a história de Lucas estava cheia de erros. Após toda uma vida de trabalho e estudos, porém, ele escreveu: “A história de Lucas é insuperável quanto a sua fidedignidade.” – The Bearing of Recent Discoveries on the Trustworthiness of the New Testament (Grand Rapids: Baker), pág. 81.

(Michelson Borges é pastor e jornalista)

Superinteressante nº 1: as sementes do que viria

Vasculhando algumas caixas com coisas velhas, minha mãe encontrou minha coleção com os primeiros exemplares da revista Superinteressante que eu religiosamente comprava na banca de jornais, todos os meses, devorava de capa a capa e depois guardava cuidadosamente em sacos plásticos. Ela aproveitou minha visita de férias e me entregou a pilha de revistas. E lá estava a relíquia: e edição de estreia lançada em 1988 com o trem-bala vermelho na capa, levitando sobre trilhos de supercondutores. Quando a vi, foi como voltar no tempo. Lembrei-me da empolgação com que a comprei, já que sempre gostei de temas científicos e a promessa da revista pioneira era exatamente esta: descortinar o mundo da ciência para leitores ávidos como eu, no alto dos meus idos 16 anos. Abri cuidadosamente a revista na página 5 e li o editorial de Victor Civita, com a promessa de que nas páginas de Superinteressante não haveria “lugar para meias-verdades, o saber por ouvir dizer, a hipótese sem evidência que a legitime”. Mas, logo abaixo, o mesmo Civita sentenciava: “Nós não descendemos do macaco, embora tenhamos com ele um ancestral comum.” Que ancestral? Onde e quando foi descoberto? Cadê seus fósseis? A primeira meia-verdade sem evidência teve que esperar apenas quatro linhas para aparecer! Mas, na época, eu era darwinista e jovem demais para perceber esse tipo de incoerência e nem poderia imaginar que estavam sendo lançadas as sementes do que seria a linha editorial da maior revista popular de divulgação científica do nosso país.

Continuei folheando o exemplar com matérias sobre astronomia (essas eram as que eu mais apreciava), tecnologia, história, biologia… Até que me detive na página 61, com o título: “Pode a ciência crer em Deus?” Aí tive que reler. O artigo é do físico e escritor Paul Davies, que solta logo esta pérola: “Assim, não sobra do homem muito mais do que a teoria de que é um mero acidente, sem alma, sem objetivo e sem finalidade alguma em um universo sem sentido, que surgiu sem nenhuma planificação prévia.” Evidências, por favor? Nada.

Depois de se demorar na teoria do Big Bang, singularidade, tempo e espaço, Davies afirma ainda que quando for possível explicar devidamente tudo isso, “não será mais necessário colocar nas mãos planificadoras de Deus a responsabilidade por tais peculiaridades [estruturação] do Universo; tudo acontece numa ordem sucessiva adequada, de acordo com as leis da Física Quântica. E há algo mais significativo: essas leis permitem explicar por que podem surgir do nada, com toda naturalidade, a energia e a matéria”. Assim, para o autor, “o conceito de Deus está outra vez excluído das preocupações da ciência, pois as leis da Física são suficientes para explicar todo o Universo, inclusive sua aparição”. E as evidências, senhor Civita? Nada.

Na época, eu também não sabia que, de fato, as evidências a favor de um “Planificador” (ainda não se usava o termo Designer) são muito mais coerentes do que as evidências contra Ele. Eu não sabia que essa discussão toda é mais filosófica do que necessariamente científica e que muitos cientistas só não admitem Deus porque não querem ou não podem, uma vez que adotam o naturalismo filosófico como pressuposto. Ou seja: não é que Deus não exista; Ele não pode existir, pois a priori é excluído como possibilidade. Muitos adolescentes da minha geração cresceram pensando assim sem ao menos questionar se essa cosmovisão minimalista é a correta.

Mas nem tudo é cegueira no artigo de Davies. Depois de apresentar sua tese em favor do acaso, ele questiona (e isso é ponto para a Superinteressante em seus primeiros anos de existência, pois ela perguntava mais): “Um ponto ainda permanece obscuro: se hoje temos leis que podem explicar praticamente tudo, como explicar a existência dessas próprias leis?” Opa! Davies está chegando lá! “Variações insignificantes [nas constantes da natureza] seriam suficientes para modificar drasticamente esse mundo, ou mesmo destruí-lo. Dito de outro modo, se esses fatores houvessem sido desde o princípio menores ou maiores, pouco que fosse, do que são hoje, não teria sido possível surgir a vida e, sobretudo, nenhuma vida inteligente.”

Ele realmente está arranhando a verdade! Mas, infelizmente, acaba recuando:

“Em toda parte, encontramos, à nossa volta, provas de que a Natureza [sim, com letra maiúscula, como se ela fosse Deus] fez tudo de forma correta. O resultado é, portanto, que as leis fundamentais, se se expressam matematicamente, não apenas apresentam grande elegância, simplicidade e lógica interna, mas também permitem a existência de sistemas, por exemplo planetários, com espaços adequados que são, simultaneamente, estáveis e complexos, a fim de proporcionar a base para a vida racional.”

Pois então, senhor Civita, afirmar que elegância, simplicidade e lógica apontam para o acaso cego e/ou para a “inteligência da Natureza” não é meia-verdade sem evidência? Isso é seguir as evidências levem aonde levar ou significa parar no meio do caminho em busca da verdade? Estavam aí as sementes do que viria a ser a Superinteressante e o lembrete do por que eu acabaria por cancelar definitivamente minha assinatura, anos depois.

Para ser justo e honrar a memória das primeiras edições da revista, transcrevo, finalmente, o último parágrafo da matéria de Davies, com a impressão de que, se tivesse sido escrito hoje, os editores o cortariam:

“Parece que fazemos parte de um grande plano, e aqui chegamos a uma conclusão. Quem aceitar que a nova Física fornece provas da existência de um plano do Universo enfrentará, em seguida, a questão: Quem é o planificador? Mas a esta altura precisamos abandonar o campo da ciência, que se ocupa apenas do mundo natural, para passar ao campo da Teologia. A nova Física, sem dúvida, dá nova direção ao nosso pensamento, mostra-nos um Universo que é muito mais do que uma casualidade colossal e sem sentido. Eu, de minha parte, creio que por trás de nossa existência há um sentido mais amplo.” [!]

Naquela época, a saudosa Super pelo menos mencionava as perguntas (sem enfrentá-las). Hoje, lamentavelmente, nem as faz.

(Michelson Borges é jornalista, pós-graduado em Biologia Molecular e mestre em Teologia)

Criacionistas fazem pesquisas sobre dinossauros na Bolívia

Entre as montanhas da Bolívia, cientistas e pesquisadores de várias partes do mundo se reuniram para um evento que une ciência e fé de forma singular. De 4 a 7 de setembro, a cidade de Cochabamba e o Parque Nacional Torotoro deram lugar ao 5º Encontro Sul-Americano de Fé e Ciência.

Organizado pela sede sul-americana adventista e pela Universidade Adventista da Bolívia (UAB), o encontro atraiu mais de 70 especialistas de oito países, incluindo palestras, workshops e uma expedição para estudar o maior registro de pegadas de dinossauros do planeta. Mais do que um simples evento científico, foi uma oportunidade para refletir sobre a harmonia entre a fé criacionista e a investigação científica.

[Continue lendo.]

Nova pesquisa desafia modelo evolutivo do ciclo celular eucariótico

A origem da célula eucariótica representa uma das inovações mais significativas na história da vida. As células procariontes e eucariontes apresentam estruturas de divisão celular bastante distintas, tanto nos mecanismos de bifurcação celular e de segregação do DNA, como nos componentes proteicos subjacentes que conduzem esses processos. O estudo realizado pelo Dr. Jonathan McLatchie traz uma série de informações que contrapõem o atual modelo evolutivo sobre as origens do ciclo de divisão celular dos eucariontes. O artigo foi publicado em novembro de 2024 no periódico BIO-Complexity[1] e pode ser acessado aqui. O Dr. Jonathan McLatchie é bacharel em Biologia Forense pela University of Strathclyde, mestre (M.Res) em Biologia Evolutiva pela University of Glasgow, mestre em Biociência Médica e Molecular pela Newcastle University e doutor em Biologia Evolutiva pela Newcastle University. Anteriormente, Jonathan foi professor assistente de biologia no Sattler College, em Boston, Massachusetts. 

O estudo retrata detalhadamente a engenharia e o design requintado presente no ciclo celular eucariótico e em seus sistemas de controle. O artigo argumenta que várias características da divisão celular eucariótica exibem complexidade irredutível. Além disso, quase todos os componentes (que são inferidos por estudos filoestratigráficos anteriores como presentes no último ancestral comum eucariótico) parecem ter surgido após a divisão entre as linhagens arqueana e eucariótica.

A pesquisa revelou que a maioria dos componentes mitóticos já estavam presentes no último ancestral comum eucariótico (LUCA). Dada a presença de complexidade do ciclo celular semelhante ao moderno no LUCA, espera-se que existam homólogos entre procariontes para pelo menos alguns dos componentes envolvidos. Esse estudo usou a Basic Local Alignment Search Tool (BLAST) para pesquisar os proteomas de procariontes (em particular, membros do superfilo Asgard) para potenciais homólogos de componentes do complexo promotor de anáfase/ciclossomo (APC/C) e seus substratos e o complexo de ponto de verificação mitótico (MCC) e rede cinetocoro. Os homólogos dos componentes mitóticos não puderam sequer ser identificados entre as arqueias de Asgard, um superfilo que se acredita representar os ancestrais vivos mais próximos dos eucariotos. 

Embora os dados encontrados não tenham demonstrado de forma definitiva a presença de homólogos completos para a maioria das proteínas investigadas, a análise revelou que a maquinaria mitótica está intimamente associada à eucariogênese. Além disso, a cronologia relacionada à origem desses mecanismos não é precisa, e mesmo uma grande janela de tempo (por exemplo, 2-3 mil milhões de anos) não seria suficiente para que mecanismos evolutivos não guiados produzissem sistemas com esse nível de complexidade.

FALANDO SOBRE OS RESULTADOS

A relevância dos resultados é particularmente interessante, dado que não há essencialmente nenhuma similaridade entre o modo de divisão celular empregado por células eucarióticas e aquele empregado por células procarióticas, seja em termos dos componentes proteicos envolvidos ou da lógica subjacente. Dada a natureza crucial de muitos dos componentes da divisão celular em procariotos e eucariotos, parece improvável a existência de um caminho viável do ciclo de divisão celular procariótica para eucariótica que evite intermediários inviáveis.

É valido trazer à memória a maneira como Darwin lidava com a questão da evolução por seleção natural, abordada em em seu livro A Origem das Espécies como: “natura non facit saltus”, expressão latina que significa “a natureza não faz saltos”. Ao contrário do que Darwin acreditava, o que encontramos nos registros fósseis, no que tange à história da vida, é uma imensa diversidade de “saltos” descontínuos.[2, 3] Esse “salto” também pode ser observado na biologia molecular, especialmente referente às origens da vida por meio da transição das células procarióticas para eucarióticas, e as origens da multicelularidade. O artigo em questão pontua que a descoberta de genes e proteínas taxonomicamente restritas, que não têm precursores anotados a partir dos quais possam ter evoluído, também ilustra um padrão de “saltos” na história da vida. Abaixo, abordaremos algumas informações relevantes sobre essa temática.

OBSTÁCULOS SIGNIFICATIVOS À ORIGEM DO CICLO CELULAR EUCARIÓTICO POR MEIO DE PROCESSOS EVOLUTIVOS

CONDENSINAS


Condensinas são proteínas essenciais para organizar e compactar os cromossomos durante a divisão celular, garantindo que sejam distribuídos corretamente para as células-filhas. Elas atuam em momentos específicos da divisão: a condensina I reforça os cromossomos quando o núcleo já está desmontado, enquanto a condensina II começa a compactação no início do processo.

As moléculas de condensina são compostas de cinco subunidades (como mostrado na figura), incluindo as proteínas SMC (Manutenção Estrutural dos Cromossomos) SMC2 e SMC4, que possuem atividade de produção energética (ATPase). As proteínas SMC possuem domínios coiled-coil (braços longos e flexíveis que se dobram sobre si mesmos, criando uma estrutura em forma de V), um domínio de dobradiça que facilita a dimerização das duas proteínas SMC; e domínios de cabeça contendo sítios de ligação de ATP e ATPase, energizando as atividades das condensinas. Além das subunidades SMC, há também três subunidades não SMC, que se ligam a regiões específicas do DNA e auxiliam na regulação da atividade de condensação.

Resumidamente, essas proteínas formam um complexo com cinco partes principais, incluindo duas chamadas SMC (Manutenção Estrutura dos Cromossomos – responsáveis por usar energia para dobrar e estabilizar o DNA em loops) e outras três que ajudam a direcionar as SMC para os pontos certos no DNA. Juntas, elas criam uma estrutura compacta e organizada, indispensável para que os cromossomos fiquem prontos para a divisão. Desse modo, fica evidente que as condensinas são cruciais para o processo de divisão celular. Na ausência delas, a consequência seria a desorganização cromossômica, bem como grande dificuldade em atingir a segregação adequada durante a mitose.

CINETOCOROS

O cinetocoro é uma estrutura proteica complexa, localizada no centrômero dos cromossomos, essencial para a divisão celular. Ele atua como uma ponte entre os cromossomos e os microtúbulos do fuso mitótico, permitindo a captura e o transporte dos cromossomos durante o processo de divisão, até os polos da célula.

As principais funções dos cinetocoros incluem a fixação dos microtúbulos aos cromossomos, a geração de força para movimentar os cromossomos ao longo do fuso mitótico e o controle da separação e do direcionamento dos cromossomos para os polos opostos da célula. Durante a metáfase, os cinetocoros ajudam a alinhar os cromossomos no centro da célula, garantindo que o material genético seja igualmente distribuído entre as células-filhas. Além disso, os cinetocoros detectam a tensão gerada pelos microtúbulos para assegurar uma conexão correta. Se houver qualquer erro nesse processo, como ambos os cinetocoros de um par de cromátides irmãs se conectarem ao mesmo polo, esses problemas podem ser corrigidos pela maquinaria associada aos cinetocoros.

Qual seria a consequência da ausência de cinetocoros? Isso resultaria em uma inadequada fixação e tração dos cromossomos ao aparelho do fuso mitótico e o material genético seria distribuído de forma desigual para as células-filhas. Tal fator evidencia a relevância dos cinetocoros para o processo de divisão celular ao ponto de serem encontrados obrigatoriamente em todos os organismos eucarióticos conhecidos.

SEPARASE E O COMPLEXO PROMOTOR DA ANÁFASE

A transição da metáfase para a anáfase, durante a divisão celular, é controlada por uma “máquina molecular” chamada APC/C, que funciona como um marcador que direciona certas proteínas para serem destruídas. Ela trabalha juntamente com outra proteína, chamada Cdc20, e quando estão conectadas, atuam para eliminar a securina, uma proteína que impede que as cromátides (as duas partes idênticas de um cromossomo duplicado) se separem. Dessa forma, quando ligado ao seu coativador, Cdc20, o APC/C funciona para ubiquitilar (marcar) a securina. A ubiquitilização da securina a direciona para destruição pelo triturador molecular da célula, o proteassoma. Quando a securina é destruída, uma enzima chamada separase é ativada. A separase corta um “anel” chamado coesina, que mantém as cromátides unidas. Isso permite que as cromátides irmãs se separem e sejam tracionadas para lados opostos da célula.

Na ausência da separase, as cromátides irmãs não conseguiriam se separar e a célula seria incapaz de separar seus cromossomos na anáfase. Evidência disso foi observada em estudos experimentais de Knockout, os quais indicaram que a ausência da separase resulta em letalidade embrionária.[4,5] A progressão do ciclo celular também seria interrompida na ausência da APC/C, inibindo a progressão da fase de metáfase para a anáfase. Estudos experimentais que eliminaram a APC2 (uma subunidade central da APC/C) em roedores, por exemplo, resultaram em falha letal da medula óssea em apenas sete dias.[6]

AURORA QUINASE

As aurora quinases são proteínas importantes para garantir que os cromossomos sejam organizados e distribuídos corretamente durante a divisão celular. Uma delas, chamada Aurora quinase A fosforila proteínas envolvidas na organização dos microtúbulos (filamentos que tracionam os cromossomos) e facilita a fixação precisa dos microtúbulos ao cinetócoro. Um estudo mostrou que, quando a aurora quinase A está ausente, embriões de camundongos não sobrevivem além do estágio inicial de desenvolvimento (mórula com aproximadamente 16 células), pois apresentaram problemas na montagem do fuso, culminando em erros na divisão celular.[7] Isso demonstra o papel indispensável dessa proteína no processo de mitose.

MICROTÚBULOS

Microtúbulos são estruturas finas e tubulares formadas por proteínas chamadas tubulinas. Eles fazem parte do citoesqueleto, que dá suporte e forma à célula. Na divisão celular, os microtúbulos desempenham um papel crucial ao formar o fuso mitótico, uma estrutura que organiza e separa os cromossomos. Eles se conectam aos cromossomos por meio dos cinetocoros e ajudam a puxar as cromátides irmãs para os polos opostos da célula, garantindo que o material genético seja dividido igualmente entre as células-filhas.

Os microtúbulos irradiam dos centrossomos e ancoram no complexo cinetocoro, montado ao redor do centrômero de cada cromossomo. Durante a metáfase, os cromossomos são alinhados ao longo do plano equatorial da célula, ligados aos microtúbulos no cinetocoro. Na anáfase, as cromátides irmãs são separadas pelos microtúbulos, impulsionadas pelas forças do fuso polar.

Na ausência dos microtúbulos, a montagem do fuso mitótico seria severamente prejudicada, inibindo o alinhamento e a segregação dos cromossomos. Um estudo experimental com embriões de camundongos deficientes em γ-tubulina, (gama-tubulina) proteína essencial para a organização dos microtúbulos na célula, exibem uma parada mitótica que interrompe o desenvolvimento nos estágios de mórula/blastocisto.[8] 

O artigo ainda pontua a relevância de proteínas motoras (cinesina e dineína), sobre os pontos de verificação do ciclo celular e o papel das cinases dependentes de ciclina e das moléculas de ciclina na progressão do ciclo celular e conclui ponderando as evidências de complexidade irredutíveis no processo de divisão celular e sua incompatibilidade com o modelo evolucionista. Você pode ler o resumo aqui.

Nota: A análise dos componentes essenciais do aparato de divisão celular mitótica realizados pelo Dr. Jonathan McLatchie revela uma intricada rede de dependências mútuas, em que cada peça desempenha um papel indispensável para o funcionamento do sistema como um todo. Microtúbulos, cinetocoros, proteínas reguladoras, e outros elementos interativos precisam trabalhar em perfeita harmonia para garantir a segregação precisa dos cromossomos. Essa característica torna o processo de divisão celular mitótica um exemplo marcante de complexidade irredutível.

Na biologia, um sistema é considerado irredutivelmente complexo quando a remoção de qualquer um de seus componentes torna o sistema incapaz de cumprir sua função. Na divisão celular, a ausência de qualquer elemento essencial – como a γ-tubulina para a nucleação dos microtúbulos ou o complexo APC/C para a transição da metáfase para a anáfase – inviabiliza o processo, levando à falha celular e até à morte do organismo em alguns casos. Isso demonstra que a divisão celular não poderia ter surgido de forma incremental por meio de processos cegos, como proposto pelo modelo evolucionário clássico.

A existência de sistemas com essa complexidade requer não apenas interação, mas também coordenação e especificidade previamente organizadas. Tal nível de integração aponta para a necessidade de previsão e planejamento, sugerindo que explicações meramente mecanicistas podem ser insuficientes para abordar as origens da divisão celular eucariótica.

Por esse e outros motivos outrora abordados, como bióloga, creio no planejamento e nas intencionalidade da criação de todas as formas de vida existentes, especialmente representadas por sua unidade básica que é célula. A vida é a obra prima de um Deus Criador.

(Liziane Nunes Conrad é formada em Ciências Biológicas com ênfase em Biotecnologia [UNIPAR], especialista em Morfofisiologia Animal [UFLA] e mestre em Biociências e Saúde [UNIOESTE]. É diretora-presidente do Núcleo Cascavelense da SCB [Nuvel-SCB])

Acesse outros conteúdos sobre complexidade celular AQUIAQUI e AQUI

Referências:

1. McLatchie J (2024) Phylogenetic Challenges to the Evolutionary Origin of the Eukaryotic Cell Cycle. BIO-Complexity 2024 (4):1–19 doi:10.5048/BIO-C.2024.4.

2. Erwin D, Valentine J (2013) The Cambrian Explosion: The Construction of Animal Biodiversity. Roberts and Company (Greenwood Village, CO).

3. Meyer SC (2013) Darwin’s Doubt: The Explosive Origin Of Animal Life And the Case For Intelligent Design. HarperOne (New York).

4. Kumada K, Yao R, Kawaguchi T, Karasawa M, Hoshikawa Y, et al (2006) The selective continued linkage of centromeres from mitosis to interphase in the absence of mammalian separase. J Cell Biol. 172(6): 835-46.

5. Wirth KG, Wutz G, Kudo NR, Desdouets C, Zetterberg A, et al (2006) Separase: a universal trigger for sister chromatid disjunction but not chromosome cycle progression. J Cell Biol. 172(6): 847-60.

6. Wang J, Yin MZ, Zhao KW, Ke F, Jin WJ, et al (2017) APC/C is essential for hematopoiesis and impaired in aplastic anemia. Oncotarget. 8(38): 63360-63369.

7. Lu LY, Wood JL, Ye L, Minter-Dykhouse K, Saunders TL, Yu X, Chen J (2008) Aurora A is essential for early embryonic development and tumor suppression. J Biol Chem. 283(46): 31785-90. doi:10.1074/jbc.M805880200

8. Yuba-Kubo A, Kubo A, Hata M, Tsukita S (2005) Análise de nocaute genético de duas isoformas de gama-tubulina em camundongos.  Dev Biol. 282(2): 361-73.

Inventando a Terra plana

Colombo e os historiadores modernos

Terra Plana

O livro Inventando a Terra Plana (Sociedade Criacionista Brasileira, 2020), de Jefrey Burton Russel, historiador e pesquisador da Universidade da Califórnia, mostra convincentemente que a ideia da Terra plana foi uma elaboração mais ou menos recente. Embora hoje se saiba que os europeus renascentistas tenham supervalorizado a ideia de que houve um período de mil anos de trevas intelectuais entre o mundo clássico e o moderno, Russel acredita que o erro da Terra plana não havia sido incorporado à ortodoxia moderna antes do século 19. “[Russel] descobriu o fio da meada nos escritos do americano Washington Irving e do francês Antoine-Jean Letronne [responsáveis pela posterior propagação do mito da Terra plana]. Mas sua disseminação no pensamento convencional ocorreu entre 1870 e 1920, como consequência da ‘guerra entre a ciência e a religião”, quando para muitos intelectuais na Europa e nos Estados Unidos toda religião tornou-se sinônimo de superstição e a ciência tornou-se a única fonte legítima da verdade. Foi durante os últimos anos do século 19 e os primeiros anos do século 20 que a viagem de Colombo tornou-se então um símbolo amplamente divulgado da futilidade da imaginação religiosa e do poder libertador do empirismo científico. […] os pensadores medievais, da mesma forma que os clássicos que os antecederam, criam na redondeza da Terra” (p. 10).

Irving (1783-1859) retocou a história para parecer que a oposição à viagem de Colombo se deveu ao pensamento de que a Terra fosse plana. Isso foi provado falso. A oposição se deveu, na verdade, à preocupação com a distância que os navegadores teriam que percorrer. A esfericidade da Terra não foi tema de discussão naquela ocasião.

O fato é que nem Cristóvão Colombo, nem seus contemporâneos pensavam que a Terra fosse plana. Não há uma referência sequer nos diários do navegador (e de outros exploradores) que levante a questão da redondeza da Terra, o que indica que não havia contestação alguma a esse respeito, na época. Assim, segundo Russel, é comum a regra de Edward Grant de que no século 15 não havia pessoas cultas que negassem a redondeza da Terra. No entanto, esse mito permanece até hoje, firmemente estabelecido com a ajuda dos meios de comunicação e dos livros didáticos. Com que interesse?

Para Russel, o mito da Terra plana pode ser rastreado até o século 19, especialmente a partir de 1870, à medida que autores de livros-textos se envolveram na controvérsia em torno do darwinismo. “No início do século [20] a força dominante subjacente ao erro [da Terra plana] foi o anticlericalismo do Iluminismo no seio da classe média na Europa, e o anticatolicismo nos Estados Unidos” (p. 35).

Antes disso, na Divina Comédia, o poeta Dante Alighieri (1265-1321) já apresentava o conceito de uma Terra redonda. Os filósofos escolásticos, incluindo o maior deles, Tomás de Aquino (1225-1275), conhecedores de Aristóteles, igualmente afirmavam a esfericidade da Terra.

No entanto, como os escolásticos e filósofos medievais se baseavam em Aristóteles e este defendia a esfericidade da Terra, os iluministas tiveram que arranjar outros referenciais para dizer que o mito se baseava neles. E os encontraram em Lactâncio (245-325 d.C.) e Cosme Indicopleustes, autor de Topografia Cristã (escrito entre 547 e 549 d.C.). Só que, segundo Russel, Lactâncio tinha ideias muito estranhas sobre Deus e não foi levado em consideração na Idade Média (na verdade, foi considerado herege) – até que os humanistas da Renascença o “ressuscitassem”, apregoando sua suposta influência. Indicopleustes, partindo de escritos de filósofos pagãos e interpretando erroneamente textos bíblicos poéticos, defendeu a ideia da Terra plana. Era ignorado, ao invés de seguido.

Detalhe: a primeira tradução de Cosme para o latim não foi feita senão em 1706. Portanto, como poderia ele ter tido influência sobre o pensamento ocidental medieval?

Russel arremata: “[Lactâncio e Cosme] foram símbolos convenientes a serem usados como armas contra os antidarwinistas. Em torno de 1870, o relacionamento entre a ciência e a teologia estava começando a ser descrito através de metáforas bélicas. Os filósofos (propagandistas do Iluminismo), particularmente [David] Hume, haviam plantado uma semente ao implicar que estavam em conflito os pontos de vista científicos e cristãos. Augusto Comte (1798-1857) havia argumentado que a humanidade estava laboriosamente lutando para ascender em direção ao reinado da ciência; seus seguidores lançaram o corolário de que era retrógrado tudo o que impedisse o advento do reino da ciência. Seu sistema de valores percebia o movimento em direção à ciência como ‘bom’, de tal forma que o que atrapalhasse esse movimento era ‘mau’. (…) O erro [da Terra plana] foi, desta forma, incluído no contexto de uma controvérsia muito maior – a alegada guerra entre ciência e religião” (p. 67, 77).

O próprio Copérnico (1453-1543), no prefácio de seu clássico trabalho De Revolutionibus, usou Lactâncio para ilustrar como a ignorância dos opositores à ideia da Terra esférica era comparável à dos que insistiam no geocentrismo. Curiosamente, Copérnico não diz que Lactâncio era típico do pensamento medieval. Esse prefácio foi enviado para o papa a fim de obter aprovação eclesiástica. Copérnico não atacaria Lactâncio e sua ideia da Terra plana, se a igreja estivesse de acordo com esse pensamento. O problema, como já vimos, teve que ver com o geocentrismo aristotélico versus heliocentrismo, e não com o formato da Terra.

Michelson Borges

Clique aqui e adquira o seu.

Um cientista resgatado por Deus

O criacionismo foi para ele a resposta

rodrigo

Olá, meu nome é Rodrigo Mello Gomes, sou casado com Wanessa Gomes, e hoje moramos com nosso filho, na cidade de Goiânia, GO. Escrevo esta “carta” para contar um pouquinho sobre minha vida e dar meu testemunho de como retornei para os braços de nosso Criador. Fui criado em um lar adventista e meus pais sempre investiram em minha educação, dentro de suas limitações, é claro. Nunca deixaram faltar a Lição da Escola Sabatina, minha e de minha irmã, e sempre fizeram a assinatura da revista Nosso Amiguinho. Quando aprendi a ler, meu primeiro livro foi uma Bíblia. Creio que eles levavam muito a sério o texto bíblico de Provérbios 22:6, e sou muito grato a eles por isso. Bom, acontece que eu cresci e me tornei um jovem “esquenta banco”. Frequentava a igreja, mas não tinha nenhum envolvimento com a rotina da congregação. Acredito que esse seja o motivo de muitos jovens abandonarem a fé.

Comecei a faculdade de Engenharia Civil na Universidade Estadual de Maringá (UEM), em 2001. Aos trancos e barrancos, levei o curso até 2004, e esses quatro anos não foram muito significativos na minha vida. Mas, em 2004, aconteceu algo que, eu ainda não sabia, mudaria minha vida no futuro. Naquele ano, foi realizado um encontro para jovens universitários organizado pela Igreja Adventista do Sétimo Dia na cidade de Maringá. Não me lembro do título do evento, mas lembro do local: foi no antigo shopping Aspem Park. Não dei muita atenção ao que foi dito lá, mas ganhei um livro de um jovem jornalista chamado Michelson Borges, intitulado Por Que Creio. Como curioso que sempre fui, li o livro, gostei da série de entrevistas detalhadas que trazem informações muito legais sobre o criacionismo, mas isso não acrescentou muito ao coração de um jovem “esquenta banco”. Pelo menos não naquele momento.

No fim de 2004, comecei a tomar decisões que mudariam minha vida. Decidi abandonar o curso de Engenharia e começar Educação Física. Passei no vestibular de novo e comecei a faculdade em 2005, também na UEM. Logo de cara terminei o namoro de seis anos com uma jovem adventista e me envolvi com outra jovem, não adventista. Além disso, abandonei totalmente minhas crenças religiosas. Depois de três anos, tivemos uma filhinha e eu terminei com essa moça também. Nesse meio tempo, “sabendo bem” o que eu queria da vida, comecei um estágio em um laboratório que se destaca no cenário nacional na área de fisiologia e bioquímica; o ano era 2007. De repente, coloquei na cabeça que seria um cientista e comecei a me dedicar dia e noite para isso. Nessa época, me envolvi com outra mulher e tive outra filha, em 2010. Depois de muitas brigas, também concluí que ela não era a “pessoa certa”. Pergunto: Com quem estava o problema?           

Durante a graduação, tive muita influência de pessoas não cristãs, e procurava apenas coisas prejudiciais para me divertir. Mas agora eu me achava dono da “verdade”, “superinteligente”, e deixei de acreditar em um Deus criador. Comecei a achar que o evolucionismo fazia muito mais sentido dentro do contexto científico do que acreditar que foi Deus quem criou tudo. Me preparei com um foco incrível para a seleção de mestrado, o que me rendeu o primeiro lugar. Imagine: eu já “me achava”, agora “eu tinha certeza” de que eu era “o cara”.           

Mas minha arrogância começou a incomodar as pessoas ao meu redor. Eu enfrentava todos achando que era melhor que todo mundo. Para “ajudar”, até certo ponto meu orientador “enchia mais ainda minha bola”. Até que eu decidi experimentar até onde ia meu “poder de influência”. Quebrei a cara! Criei uma guerra no laboratório e meu orientador me convidou a sair de lá. Não fiquei muito preocupado porque muitos outros pesquisadores tinham mostrado interesse em me orientar. Procurei cada um deles e todos “fecharam a porta na minha cara”. Até que uma única pesquisadora aceitou o desafio. Fiquei um pouco mais humilde, mas ainda longe de Deus e “crente” na evolução.

Academicamente, continuei me destacando, entrei também em primeiro lugar no doutorado, publiquei alguns artigos e tinha um grande projeto de pesquisa. Mas minha vida pessoal não estava nada bem. Eu já conhecia minha atual esposa, que pertencia a uma denominação evangélica pentecostal, mas não queria saber de igreja. Ainda me considerava o dono da “verdade” e resolvia tudo de acordo com meus julgamentos. Adivinha: tudo na minha vida dava errado. Resolvemos morar juntos e isso foi para a nossa ruina total. Terminamos o relacionamento e fomos cada um para o seu lado. Aí me afundei em uma vida de perversidade e festas todas as noites.           

Mas como todos os que buscam esse tipo de diversão, não me sentia realizado. E digo mais: quanto mais fundo você vai, maior é o vazio que você encontra. Dessa forma, eu me realizava profissionalmente durante o dia e me afundava na escuridão da noite. Só que eu não estava sozinho. Creio de todo o meu coração que meu anjo e meu Deus nunca me abandonaram. Vou lhe contar por quê. Em casa eu tinha uma senhora que orava dia e noite pelo filho e que pedia para as amigas da igreja fazer o mesmo. Ah, meu querido amigo, você não sabe o quanto a oração de uma mãe por um filho tem poder!           

Para resumir um pouco a história, em meados de 2013, deitado na cama, olhei para minha estante de livros e vi um livrinho. Adivinhe qual era? Por Que Creio. Peguei o livro e devorei em um dia. Comecei a assistir os vídeos do autor (Michelson Borges) e de outros criacionistas, e comecei a pôr em cheque minhas convicções evolucionistas. Adquiri o livro A Caixa-Preta de Darwin, de Michael Behe, um dos entrevistados pelo Michelson, em seu livro. Behe é bioquímico, assim como eu, na minha formação de pós-graduação (mestrado e doutorado). No livro ele mostra muitas evidências bioquímicas de um Criador. Nesse momento, eu já estava crendo no Deus da Bíblia, mas continuava fazendo as mesmas coisas.           

Até que em certo dia minha mãe me convidou, mais uma vez (perdi a conta!), para ir com ela à igreja e, diferentemente das outras vezes, eu aceitei. Gostei, mas não me sentia muito bem. Eu tinha um sentimento forte de que não havia mais como voltar. Sentia que tinha ido longe demais. Parecia que alguém me acusava o tempo todo, jogando em minha cara que eu não tinha mais jeito. Mas, como eu continuava buscando a verdade, li o livro Caminho à Cristo, de Ellen White. Nesse livro eu encontrei a resposta de que precisava. Em certo trecho, Ellen diz que quando alguém busca mudar de vida, Satanás passa a acusar essa pessoa e plantar nela o sentimento de indignidade. Depois de ler isso, senti que devia tomar a decisão de ser rebatizado, e foi o que fiz. No sábado, 29 de junho de 2013, aniversário da minha mãe, fiz a maior surpresa que ela poderia ter. Dei o testemunho público de que creio no Deus criador de todo o Universo e que, daquele dia em diante, eu viveria para servi-Lo e adorá-Lo.           

Esqueci de falar, mas no momento em que comecei a mudar meu comportamento, procurei minha ex e atual esposa para voltarmos a namorar. Ela estava no meu batismo e começou a fazer estudos bíblicos. Nesse meio tempo, foi realizado um encontro criacionista no Instituto Adventista Paranaense. Adivinha quem estava lá? Meu querido irmão Michelson, e eu estava lá com minha ex e hoje esposa – mas naquele momento namorada (rsrs). Naquela ocasião, não pude conversar com o Michelson, por isso escrevo essa “carta” (testemunho). Mas deu para pedir que ele assinasse meu exemplar do Por Que Creio.           

Em outubro de 2013, a Wanessa foi batizada, e em 8 de novembro nos casamos, para a honra e glória de Deus! Temos buscado servi-Lo desde então. Até abril deste ano (2016), eu era ancião e ela, diretora do Ministério Infantil na Igreja Adventista da Vila Operária, em Maringá. Como passei no concurso para professor da Universidade Federal de Goiás, hoje moramos em Goiânia e frequentamos a Igreja Adventista do Jardim Pompeia. Tenho procurado com todas as forças do meu ser, com o auxílio divino, ser uma luz por onde quer que eu for, principalmente no meu trabalho.

(Rodrigo Mello Gomes é mestre, doutor e tem um pós-doc em Ciências Biológicas; é professor do Departamento de Ciências Fisiológicas da Universidade Federal de Goiás [UFG]; também é membro do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira [NUMAR-SCB])

Nota: Lembro-me bem desse encontro de universitários realizado em Maringá, em 2004. Estava lá com minha esposa e minha filha mais velha, na época com dois anos de idade (veja as fotos abaixo). O testemunho do Rodrigo me levou às lágrimas e me fez, mais uma vez, agradecer a Deus por fazer germinar a semente que plantamos, às vezes sem ter noção do que vai dar e muitas vezes sob forte oposição. Deus é bom e nunca desiste de Seus filhos! E que esse testemunho sirva de motivação para os líderes de jovens, pastores, líderes de grupos de universitários, enfim, para todos aqueles que trabalham em favor dos jovens que frequentemente são bombardeados nos campi seculares com ideologias antibíblicas e com os apelos dos prazeres vazios. Cada vida salva ou resgatada terá valido todo esforço! Rodrigo, você sabe por que crê. Permaneça sempre firme ao lado dEle. [MB]

Deus e as leis físicas

leis

A Bíblia ensina que Deus é o autor e mantenedor de tudo o que existe de fundamental, inclusive das leis físicas. Em Hebreus 1:2 e 11:3 (no original grego), Ele é retratado como Construtor do próprio tempo; o que exatamente isso significa está além da intuição humana e passa por assuntos como a dependência lógica que desempenha na eternidade o papel que a causalidade desempenha no tempo.

Trata-se de um assunto vasto, complexo, bastante longe do cotidiano humano e, portanto, na faixa de temas em que a “razão” humana e, por conseguinte a Filosofia, costumam falhar. Felizmente, porém, desde a descoberta da Ciência como metodologia matemática, as limitações da mente humana não são mais desculpas para a ignorância. Ao utilizarmos as ferramentas matemáticas da Ciência para entender tanto textos bíblicos quanto o mundo natural, todo um novo mundo descortina-se diante de nós e descobrimos que vários assuntos antes misteriosos tornam-se claros e acessíveis. Um desses assuntos é o da relação de Deus com Suas leis.

Questões importantes

Deus não pode ser limitado por leis físicas. Como criador e mantenedor, Ele não depende delas para existir. Diante dessas considerações, surgem algumas questões interessantes.

Será que Deus viola Suas leis físicas de vez em quando? Em que circunstâncias isso poderia ocorrer?

Os milagres mencionados na Bíblia seriam violações de leis físicas? Por exemplo, a ressurreição de Lázaro teria violado a segunda lei da Termodinâmica? A multiplicação de pães e peixes teria violado a lei da conservação de massa?

Precisamos conhecer todas as leis físicas para responder essas perguntas?

Até que ponto podemos usar conhecimentos de leis físicas para entender a ação de Deus no mundo natural?

Noções equivocadas sobre o que são leis físicas, como funcionam e como as descobrimos têm levado até mesmo pensadores famosos a conclusões incorretas sobre essas questões. Sabemos que essas conclusões são incorretas por gerarem consequências incompatíveis com fatos fundamentais conhecidos.

É importante entender que leis físicas não são acessórios opcionais do Universo, mas são as regras que definem a existência e o comportamento básico de tudo. Esse é um assunto muito mais profundo e com repercussões tremendas, tanto do ponto de vista físico quanto do ponto de vista teológico.

Entretanto, existem regularidades circunstanciais, muitas vezes também chamadas de leis, que mudam de acordo com as circunstâncias. Por outro lado, existem regras mais fundamentais que não mudam. São essas últimas que merecem nossa atenção especial.

Além disso, essas leis fundamentais não se prestam a ser completamente expressas em palavras, mas é possível expressá-las de maneira aproveitável em algumas linguagens formais (popularmente conhecidas como “linguagens matemáticas”). Raciocinar e obter conclusões com base em expressões verbais é um procedimento errado, pois induz uma série de erros.

Outro aspecto importante é o das maneiras que temos para descobrir leis físicas. Não se trata apenas de observar fenômenos, perceber regularidades e então imaginar generalizações (abordagem indutiva). Essa é a abordagem pré-científica. Desde o século 18, utilizamos uma abordagem dedutiva, isto é, partindo de um princípio geral mencionado na Bíblia, para obter as equações das leis físicas. Quem não conhece esses métodos da ciência tem uma ideia completamente falsa de como podemos conhecer e lidar com leis físicas, e tal desconhecimento aparece com frequência em argumentos que tocam no assunto do relacionamento de Deus com Suas leis, bem como supostas “escapadinhas” para violá-las de vez em quando.

Assim, antes de tentar responder diretamente às perguntas acima, é preciso lidar com outras mais básicas:

O que são leis físicas básicas?

Como podemos conhecer essas leis e com que grau de segurança?

Como podemos expressar essas leis de maneira aproveitável?

Como funcionam leis físicas e qual a principal diferença entre seu comportamento real e o imaginário popular?

Como umas poucas leis básicas podem gerar uma infinidade de comportamentos, incluindo leis dependentes de circunstâncias?

Qual o significado da violação de uma lei física básica?

A título de spoiler: não é possível um entendimento genuíno de leis físicas e seu funcionamento sem um domínio de equações diferenciais, mas é possível traduzir para uma linguagem qualitativa simples diversas informações sobre esse assunto.

A título de introdução a este tema, escrevemos um artigo avulso para livre distribuição com diversos esclarecimentos nessa área, o qual responde diretamente ou provê elementos para que o próprio leitor encontre respostas às questões que colocamos.

Clique aqui e leia o artigo.

(Eduardo Lütz é bacharel em Física e mestre em Astrofísica Nuclear pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul)

Seis diferenças físicas entre o homem e a mulher

A despeito do viés darwinista que impregna o texto a seguir, uma coisa salta das entrelinhas: homem e mulher foram maravilhosamente projetados em suas diferenças.

man-and-woman

[Meus comentários seguem entre colchetes. – MB] “Dimorfismo sexual” é o termo científico para as diferenças físicas secundárias na reprodução entre os machos e fêmeas de uma espécie. Existem alguns exemplos extremos de dimorfismo, como o macho pavão, que tem caudas coloridas que são ausentes nas fêmeas – que por sua vez são atraídas pelas mais belas plumagens [O que teria evoluído primeiro, a plumagem diferenciada do macho ou a atração da fêmea pela plumagem diferenciada?]. Ao contrário desses animais completamente desiguais de acordo com o sexo, os homens e mulheres são fisicamente mais semelhantes do que diferentes. No entanto, existem algumas distinções fundamentais em nossos corpos. Algumas delas são projetadas [Se há um projeto, há por trás dele um ………….. (complete)] para atender as necessidades de cada sexo no papel que desempenham na reprodução, enquanto outras servem para nos ajudar na atração mútua [Quando teria surgido essa atração mútua, levando-se em conta que todos os seres vivos teriam sido, inicialmente, assexuados?]. Descubra abaixo o motivo das principais diferenças entre o corpo dos homens e das mulheres.

1. Seio x peito. As mulheres são as únicas primatas [sic] que ficam “peitudas” o tempo todo, mesmo quando não estão amamentando. A maioria dos cientistas acredita que os seios são um truque evolucionário [!] para atrair os homens – embora eles estejam cheios de gordura, e não de leite, eles sinalizam a capacidade de uma mulher de alimentar seus filhos. Seios também ajudam os homens a descobrir com quem podem alcançar sucesso na reprodução. Meninas que ainda não passaram pela puberdade não desenvolveram os seios, e os seios das mulheres pós-menopausicas muitas vezes são encolhidos ou caídos. Seios fartos podem, portanto, demonstrar fertilidade.

Os homens não precisam tentar enganar as mulheres fazendo com que elas acreditem que eles vão amamentar seus filhos, por isso não têm mamas. Mas, então, por que é que eles têm mamilos? Isso acontece porque os genes que codificam o desenvolvimento dos mamilos no útero fazem isso em um estágio embrionário muito precoce – antes mesmo dos genes que nos transformam em homens ou mulheres entrarem em ação.

2. Vozes finas x grossas. Homens e mulheres têm cartilagem ao redor da laringe, mas como os homens têm a laringe maior (por isso tem a voz mais grossa), os pedaços de cartilagem se projetam mais. Com isso surge uma saliência no pescoço, conhecida como pomo-de-adão. Mas por que os homens têm a voz mais grossa? O tom de voz de um homem se relaciona com a quantidade do hormônio masculino testosterona que ele tem, e seu nível de testosterona por si só indica a sua qualidade genética e sua aptidão sexual.

Como as mulheres evoluíram [sic] para procurar homens com todos os indicadores de aptidão sexual e de saúde, para poder produzir filhos saudáveis, vários estudos demonstram que elas tendem a ser mais atraídas por homens que não têm voz fina.

3. Rostos de todas as formas. Os hormônios sexuais controlam as divergências de nossas características faciais. Quanto mais testosterona um homem tem, mais robusta é sua testa, maçãs do rosto e o queixo. Enquanto isso, quanto mais estrogênio uma mulher tem, maior é seu rosto, mais cheios são seus lábios e maior sua sobrancelha.

Níveis elevados de testosterona também são relacionados com força muscular e agressividade, assim como vigor energético. Talvez por isso estudos mostrem que as mulheres julgam os homens com rostos mais angulares mais dominantes do que os homens com rostos mais redondos e afeminados.

Elas também tendem a taxar homens com traços mais brutos como mais atraentes, especialmente quando estão ovulando e (inconscientemente pelo menos) procuram um parceiro sexual que vai produzir bons filhos.

Quando elas estão à procura de um parceiro de longo prazo, por outro lado, estudos mostram que as mulheres preferem homens com características mais efeminadas, que têm menos testosterona e são mais susceptíveis a ser parceiros leais e pais dedicados. [Ainda bem que o homem foi projetado para ter os níveis de testosterona reduzidos quando se torna pai. Assim, a mulher não precisa procurar outro homem (efeminado) para cuidar de sua prole. O Criador fez tudo perfeito.]

4. Questão cabeluda. Enquanto a maioria das mulheres odeia pelos em excesso pelo corpo e faz o máximo para acabar com eles, nos homens esse fator pode atrair parceiras e indicar masculinidade. A partir da puberdade, os pelos começam a aparecer no corpo dos meninos em uma quantidade realmente grande, ainda mais do que nas mulheres. Isso acontece porque o hormônio sexual chamado andrógeno, que estimula o crescimento dos cabelos, está presente em maior quantidade nos homens.

Mas quando o assunto é pelo e cabelos pelo corpo, o que mais diferencia os homens sem dúvida é a barba. A maioria dos evolucionistas acredita que a barba se tornou predominante porque, no passado, as mulheres achavam os homens com pelos faciais mais atraentes. Os barbudos tinham mais chances de se acasalar dos que os homens de rosto liso. [Por que essa característica ainda não foi perdida, com tanta valorização do rosto liso e tanto comercial de lâmina de barbear? Se a maior parte das mulheres prefere um homem barbeado (pelo menos imagino que assim seja), por que a seleção natural ainda não eliminou a barba?]

Essa atração pode surgir por dois fatores: primeiro porque barbas significam altos níveis de testosterona, e segundo porque elas significam maturidade sexual – da mesma forma que os seios nas mulheres. Barbas encorpadas também podem dar a impressão de que a mandíbula de um homem é maior.

Mas nem tudo são flores para os barbudos. A mesma testosterona que faz surgir cabelo e pelos por todo corpo também os leva a ficar careca um dia. [Maldita “evolução”!]

5. Eles preferem as loiras, elas os negros. Será? Já ouviu a história de que homens bonitos são negros e que o estereótipo de mulher perfeita é aquela loira de pele clara? Parece que esse é o gosto das culturas anglo-europeias, mas esses estereótipos não estão limitados a esses locais. Essas preferências podem refletir do fato que, a partir da puberdade, as mulheres tendem a ter a pele, cabelo e olhos mais claros que os homens. Assim, os ideais que surgem sobre como deveria ser cada gênero podem decorrer das pigmentações mais comuns em cada um deles.

A clareza da pele de uma mulher está relacionada também com a quantidade de estrogênio à qual ela foi exposta no útero. Estudos sugerem que esse hormônio também pode clarear o cabelo. [Ficou clara para você essa tentativa de darwinização de uma preferência altamente questionada que parece ser puramente cultural? Curiosidade: Sabia que pouco mais de 15% das mulheres nascem loiras e que há 33% de loiras? Seleção artificial?]

6. Músculos x curvas. Existem mulheres incrivelmente musculosas, mas, em geral, os homens são mais musculosos que as mulheres. As mulheres costumam ter apenas pouco mais da metade da força dos homens na parte superior do corpo, e cerca de dois terços de força nos membros inferiores. Enquanto o metabolismo masculino queima calorias mais rápido, o metabolismo feminino tende a converter mais alimento em gordura. Elas armazenam a gordura extra em seus seios, coxas, nádegas e na camada inferior da pele – dando à pele feminina uma sensação de maciez.

Os corpos de homens e mulheres representam bem o papel de cada sexo nas sociedades primitivas [quer dizer que na sociedade “moderna” essas diferenças acabarão desaparecendo? Que tal viver num mundo povoado por homens-mulheres e mulheres-homens? Tô fora!]. Mulheres têm o corpo preparado [Preparado por quem? E antes de estar preparado, como sobreviviam e garantiam a sobrevivência da prole? O que dizer da maravilha do projeto da gestação, que tinha que funcionar bem desde a primeira vez?] para transportar uma criança e para seu nascimento, e têm os quadris mais largos para manter gordura extra para a gravidez. Homens, livres das exigências do parto, têm o benefício de serem tão fortes e ágeis quanto possível, pois precisavam ir em busca de alimento e competir por ele com outros homens. [A teoria da evolução tenta nos explicar o porquê das diferenças, mas nunca consegue explicar adequadamente – sem se valer de hipóteses mirabolantes – o como. Como teria surgido a diferenciação entre os sexos?]

(Hypescience)

Nota: A despeito do viés darwinista que impregna o texto acima, uma coisa salta das entrelinhas: homem e mulher foram maravilhosamente projetados em suas diferenças plenamente compatíveis e desejadas. Tanto é assim que, uma vez unidos, tornam-se uma só carne, segundo o livro de Gênesis. Deus seja louvado por essas diferenças! [MB]