Criacionismo é racista?! Ok, vamos falar de racismo

Neste texto, vou comentar brevemente o artigo “As relações estreitas entre criacionismo, escravidão e racismo”, da historiadora Luciana Brito. Ela é professora da Universidade Federal do Recôncavo e também integra uma organização de mulheres chamada Rede de Mulheres Negras da Bahia. Luciana começa falando sobre o mito da criação na cultura do candomblé. Fala do papel de Yemanjá (deusa das águas), Obalatá (céu) e Oduduá (terra). E então afirma: “Esse é um mito, um dos vários que explicam a ‘criação’ e servem unicamente para explicar a origem do mundo sob uma determinada perspectiva religiosa. Mas e o criacionismo? Por que essa mitologia cristã que explica a criação do mundo tem, cada vez mais, se deslocado do lugar de metáfora para ser uma ideologia norteadora de governos conservadores, orientando políticas públicas, sobretudo na área da educação?”

Deixando de lado o aspecto político da coisa, é bom, antes de mais nada, lembrar uma das definições de criacionismo: estrutura/modelo conceitual que adota para o estudo da natureza a possibilidade da existência de um Criador. A vida teria sido criada inicialmente complexa, completa e funcional, em tipos básicos de seres vivos dotados do aporte necessário para sofrer diversificação limitada ao longo do tempo. Existem três principais ramificações distintas dentro do criacionismo: a religiosa, a bíblica e a científica. O criacionismo científico parte da pesquisa científica, no sentido de identificar evidências de design intencional na natureza – mais ou menos como fazem os investigadores criminais, que lidam com pistas em busca do culpado. Portanto, criacionismo nada tem que ver com mitos de criação ancestrais.

A Dra. Luciana Brito sustenta em seu artigo que “teorias como o criacionismo desde sempre foram utilizadas para justificar projetos políticos de organização da sociedade. Nos Estados Unidos do início do século 19, por exemplo, teorias criacionistas estavam de ‘mãos dadas’ com as teses que defendiam a escravidão e a segregação racial”. Então ela cita algumas pessoas que, de fato, defendiam ideias escravagistas, como Thomas R. Dew, professor universitário da Virginia que acreditava que “negros tinham hábitos e sentimentos de escravos, enquanto os brancos carregavam em si, naturalmente, o comportamento de senhores”.

Segundo ela, “teses baseadas no Antigo Testamento foram amplamente utilizadas para justificar a escravidão”. E cita outro historiador: George Fredrickson, autor do livro The Black Image in the White Mind (A Imagem Negra na Mente Branca, em tradução livre), que se vale da história de Cam (filho de Noé) para discorrer sobre a maldição usada para justificar “o eterno estágio de submissão e servidão à qual estariam submetidas as raças africanas”. (Neste texto há uma explicação do porquê essa associação é falsa.)

Logo, a Bíblia e o criacionismo nada têm que ver com as ideias defendidas por Dew nem por Fredrickson.

Luciana diz também que “foi na década de 1850 que um grupo de cientistas percebeu que havia outro caminho para justificar a escravidão que não ferisse as escrituras bíblicas: o poligenismo”. E lembra que o cientista Louis Agassiz “acreditava que existiam ‘zonas de criação’, que haviam produzido, em partes do mundo distintas, quase ao mesmo tempo, diferentes espécies. A raça branca, por exemplo, seria aquela mais avançada, única que descendia de Adão e Eva. Agassiz afirmava que os negros, por sua vez, haviam surgido de uma outra criação, que produziu uma raça inferior, oriunda das regiões tropicais”.

Mais uma vez pergunto: O que a Bíblia e o criacionismo têm que ver com essa insanidade racista?

Então Luciana conclui dizendo que “Agassiz e sua teoria criacionista/poligenista só caíram em descrédito quando confrontadas com a teoria da evolução de Charles Darwin, que acabou ofuscando o suíço”.

Ok. Já que ela mencionou Darwin, que tal averiguar quais eram as ideias do naturalista inglês a respeito dos negros?

Vale a pena dar uma olhada no que ele escreveu em seu livro pouco conhecido e muito constrangedor The Descent of Man (A Descendência do Homem). Nessa obra de 1871 (portanto, posterior ao aclamado Origem das Espécies), Darwin afirma que a lacuna atual entre antropóides e humanos se encontra entre o gorila, do lado do macaco, e o negro ou aborígene australiano, do lado humano: “A ruptura entre homem e seus mais próximos aliados será então ampliada, pois irá intervir entre o homem em um estado mais civilizado, como podemos esperar, mesmo que o caucasiano e alguns macacos tão baixos quanto um babuíno, ao invés de como agora entre o negro ou australiano e o gorila” (capítulo 6, “On the affinities and genealogy of man”).

E aí? Deixou Agassiz no chinelo no que diz respeito a racismo, hein!

E já que estamos falando em preconceito, que tal uma olhadinha também no que Darwin escreveu sobre homens e mulheres?

“A distinção principal nos poderes mentais dos dois sexos reside no fato de que o homem chega antes que a mulher em toda ação que empreenda, requeira ela um pensamento profundo ou então razão, imaginação, ou simplesmente o uso das mãos e dos sentidos. Se houvesse dois grupos de homens e mulheres que mais sobressaíssem na poesia, na pintura, na escultura, na música (trate-se da composição ou da execução), na história, nas ciências e filosofia, não poderia haver termos de comparação. […] podemos também concluir que, se em muitas disciplinas os homens são decididamente superiores às mulheres, o poder mental médio do homem é superior àquele destas últimas” (A Origem do Homem e a Seleção Sexual, p. 649).

No início dos anos 2000, houve uma grande discussão sobre a devolução de cadáveres de africanos e aborígenes “empalhados” e expostos em diversos museus da Europa. Hoje, pouco se fala que o motivo de empalharem essas pessoas e as exibirem em museus era o fato de os evolucionistas as considerarem como estando mais abaixo na cadeia evolutiva (confira). 

“Há cinco anos, a mídia mundial concentrou sua atenção em Gaborone, no Botsuana, para assistir ao repatriamento de um cadáver. O corpo empalhado de um africano do século 19, que estava em exibição havia mais de um século em museus europeus, foi devolvido ao seu solo nativo. Populações indígenas fora da Europa, desde os ‘hotentotes’ do sul da África até os maori da Nova Zelândia, foram durante muito tempo objeto de investigação científica e antropológica europeia. Museus em todo o continente mantêm crânios, peles e órgãos dos povos que os impérios europeus dominavam. Grupos de aborígines na Austrália afirmam que pelo menos 8.000 conjuntos de aborígines permanecem sozinhos em instituições no exterior” (fonte). 

“Está registrado na história de Mackay, Queensland, que um colecionador estrangeiro fez um pedido a um soldado para que ele matasse um menino nativo para fornecer um exemplar completo com esqueleto, pele e crânio de um aborígene australiano” (The Sydney Morning Herald, 31 de janeiro de 1955, p. 2).

Viu só como ideias têm consequências? E essas aí não vieram da Bíblia nem do criacionismo.

No livro The Creationists, o pesquisador Ronald Numbers afirma que o criacionismo espalhou-se rapidamente durante o século 20, desde seu humilde começo “nos escritos de Ellen White”. Mark Noll também afirma que o criacionismo moderno emergiu dos esforços dos adventistas do sétimo dia. Portanto, um exercício interessante é o de comparar com as ideias de Darwin o que escreveu a contemporânea dele Ellen White, que, como sustentam Numbers e Noll, é uma das precursoras do criacionismo.

Sobre negros e brancos, ela escreveu: “O nome do homem de cor é escrito no livro da vida, ao lado do nome do homem branco. Todos são um em Cristo. Nascimento, posição, nacionalidade ou cor não podem elevar nem degradar os homens” (Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 342).

“Todos são um em Cristo.” Aqui Ellen ecoa as palavras do apóstolo Paulo, que escreveu: “Não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gálatas 3:28). Essa é a verdadeira visão antropológica criacionista bíblica.

E sobre mulheres e homens, Ellen escreveu: “Ao criar Eva, Deus pretendia que ela não fosse nem inferior nem superior ao homem, mas em todas as coisas lhe fosse igual. O santo par não devia ter nenhum interesse independente um do outro; e não obstante cada um possuía individualidade de pensamento e de ação” (Testemunhos Seletos, v. 1, p. 412).

Portanto, culpar o criacionismo pelas ideias e atitudes equivocadas de pretensos defensores do modelo é como culpar o cristianismo pela Inquisição católica, por exemplo. Para um criacionista, homens e mulheres têm o mesmo valor diante de Deus, pois foram criados assim por Ele, sendo ambos Sua imagem e semelhança. Para um criacionista, negros e brancos são uma só raça, a raça humana, pois descendem ambos do mesmo casal, Adão e Eva (que não eram brancos nem negros, pelo que se percebe no texto bíblico).

É lamentável quando o viés político se sobrepõe aos fatos criando distorções e aumentando o preconceito sobre algo que se desconhece.

(Michelson Borges é jornalista, pós-graduado em Biologia Molecular e mestre em Teologia)

Leia também: “Fermento racista” e “Humanidade sem raças”

Como a coruja consegue girar a cabeça 270º?

Cientistas da Universidade de Medicina Johns Hopkins, nos Estados Unidos, afirmam ter descoberto os “segredos” por trás da capacidade das corujas de girar a cabeça quase totalmente no corpo – até 270º, segundo o estudo. Usando tomografia computadorizada, angiografia e outras técnicas clínicas, os pesquisadores analisaram a anatomia de 12 corujas. Foram descobertas grandes adaptações biológicas [sic] que permitem que o animal não se machuque ao girar a cabeça. As adaptações estão ligadas à estrutura óssea e à rede de vasos sanguíneos dos animais, segundo o estudo, publicado nesta sexta-feira (1º) na renomada revista Science. Vasos sanguíneos na base da cabeça das corujas, logo abaixo da mandíbula, possuem espessura considerável conforme avançam no sistema circulatório, alguns chegando a ser bem grossos, e mantêm essa estrutura mesmo quando o animal gira a cabeça, diz o estudo.

O fenômeno é diferente do que acontece com os seres humanos, em que as artérias tendem a se “capilarizar” quanto mais extensas são nessa região, segundo os cientistas. Isso torna a estrutura vascular dos humanos muito mais frágil que a das corujas nesse ponto – um giro de cabeça de 270º em humanos tem efeitos extremamente nocivos e pode até levar à morte.

Em outra adaptação [sic], algumas artérias abaixo da cabeça das corujas possuem “reservatórios” que permitem que o sangue seja armazenado. A “vantagem” biológica permite que o sangue chegue ao cérebro e aos olhos do animal mesmo quando ele gira a cabeça. Essas adaptações [sic] ajudam a minimizar interrupções da circulação sanguínea das corujas, de acordo com o estudo.“

Manipular a cabeça de seres humanos é realmente perigoso, porque nós não temos as estruturas de proteção aos vasos sanguíneos que as corujas possuem”, disse o cientista Philippe Gailloud, um dos autores do estudo.

(G1 Notícias)

Nota: Outro sistema de complexidade irredutível que precisava funcionar perfeitamente bem desde o início, caso contrário, na primeira girada de cabeça, a coruja morreria. Mas os pesquisadores insistem em chamar de “adaptação”. [MB]

Como os terraplanistas explicam eclipses lunares totais

Esses dias tivemos um eclipse lunar total – mais especificamente, o fenômeno aconteceu na madrugada no dia 21 de janeiro e coincidiu com uma Superlua, evento que ocorre quando o satélite se encontra mais próximo do nosso planeta durante a fase de Lua Cheia, o que significa que também se tratou de uma Lua de Sangue. Como você sabe, os eclipses lunares se dão quando a Terra, o Sol e a Lua se alinham e o nosso planeta se posiciona entre os dois astros, impedindo que os raios solares cheguem até o satélite. Quem estava acordado para acompanhar o último eclipse pôde ver como a fiel companheira da Terra foi se tornando gradualmente mais escura conforme o nosso mundo ia ocultando o brilho solar, até a Lua apresentar um tom avermelhado, resultado de como a luz emitida por ela se dispersa na atmosfera.

Não há nada de novo na breve explicação acima, e a verdade é que a humanidade vem acompanhando e compreende como os eclipses acontecem há milênios. Mas, para os defensores da Teoria da Terra Plana, aquele pessoal que está convencido de que o nosso planeta, em vez de esférico, parece uma panqueca, não acreditam nessa explicação, não – e inventaram uma explicação pra lá de criativa (e muito louca) para o fenômeno!

De acordo com Hanneke Weitering, do site Live Science, apesar de os terraplanistas acreditarem que a Terra é plana, eles aceitam (por alguma razão) que o Sol e a Lua sejam esféricos. Só que, para os defensores dessa teoria, os dois astros orbitariam sobre o Polo Norte terrestre – que, em seu planeta em forma de disco, ficaria no centro do mundo –, o que tornaria impossível a ocorrência de um eclipse.

Mas os eclipses acontecem, né? Então, os terraplanistas, depois de questionados, explicaram que o último eclipse ofereceu aos terráqueos uma rara oportunidade de observar um objeto que orbita o Sol e que, muito de vez em quando, passa diante da Lua, lançado uma sombra sobre ela. O engraçado é que os defensores da teoria não apresentaram qualquer dado sobre a composição, dimensão ou origem dessa coisa misteriosa, e acrescentaram que, quando não está rolando nenhum eclipse, o objeto se torna invisível, já que orbitaria próximo ao Sol.

Oi?

Nem precisamos falar que, em séculos de observações por meio de telescópios e décadas de exploração espacial, nada com essa descrição foi observado nas proximidades do nosso planeta, certo? E sobre o tal objeto se tornar invisível por orbitar pertinho do Sol, como é que Mercúrio, planetinha com 40% do diâmetro da Terra e que consiste no mundo do Sistema Solar que orbita mais próximo do nosso Astro-Rei, pode ser avistado?

Ainda sobre o objeto misterioso, segundo os terraplanistas, ele apresenta um ângulo de inclinação de 5,15 graus com respeito ao plano orbital do Sol – número que “coincide” com o ângulo de inclinação da órbita da Lua com respeito à da Terra –, mas não deram maiores explicações de onde tiraram essa informação.

E mais: os defensores da Teoria da Terra Plana disseram que o tal objeto poderia ser um astro conhecido que orbita ao redor Sol, mas que seria necessário realizar mais estudos para que esse dado seja confirmado. Aguardaremos ansiosos, mas com menos entusiasmo do que sentiremos enquanto esperamos pelo próximo eclipse – fenômeno celeste que só ocorre porque a Terra é esférica!

(Megacurioso)

Nota: Para ficar claro: esse fenômeno celeste em que a sombra da Terra é projetada na Lua só ocorre porque a Terra é esférica e o modelo correto é o heliocêntrico. Ponto. Ou estariam certos os terraplanistas modernos que muitas vezes não sabem a trigonometria básica sobre um triângulo esférico, quanto mais as relações e implicações entre a geometria e as leis do mundo físico? Terraplanistas negam a existência de referenciais relativos (a Terra não pode ser uma “bola molhada” girando rápido no meio do nada, caso contrário, nós perceberíamos). Quero ver pularem do vagão de um trem de luxo, onde todos os móveis aparentemente estão “parados”. Ou que pulem de um carrossel em movimento. Experimento simples.

Sobre os tais “orbis escuros” (objetos circulares e semitransparentes ou demônios vedas!) indetectáveis… Por que somente passam na frente da Lua quando ela é nova ou cheia? Se esses astros invisíveis são desconhecidos e indetectáveis, como conseguimos calcular exatamente quando ocorrem eclipses? Entendeu por que terraplanistas odeiam eclipses e matemática?

Resta ainda a carta na manga preferida deles: a culpa é da Nasa. Deve ser alguma projeção dos norte-americanos, ou algo dessa natureza. Bem, quando os terraplanistas apelam para supostas conspirações da Nasa, podemos pensar: Será que Copérnico, Galileu, Kepler, Isaac Newton (pais da ciência moderna, cristãos heliocentristas “globalistas” notáveis) e tantos outros faziam parte dessa conspiração também?

Assista a vários vídeos sobre terraplanismo. Clique aqui.

O design inteligente é uma teoria científica válida? SIM

Ciência é busca da verdade, que liberta de superstições. É confronto de hipóteses à luz dos dados. A Teoria do Design Inteligente (TDI) é ciência de detecção de design, que distingue efeitos de causas naturais daqueles de causas inteligentes. A TDI argumenta com leis (exemplo: biogênese) e critérios (complexidade irredutível, informação, antevidência e ajuste fino), segue o método científico (observação, hipótese, experimentos e conclusão) e se alicerça só em dados: da física, da bioquímica, da biologia, da cosmologia e de ciências afins.

É falseável, pois detalha suas teses; faz previsões acertadas, como a riqueza genética do “DNA ex-lixo” e a utilidade dos “órgãos vestigiais”, como o apêndice. É defendida por milhares de cientistas, alguns laureados com o Nobel, que publicam artigos e livros, como A Caixa Preta de DarwinSignature in the CellDarwin’s DoubtDarwin Devolves e Foresight. TDI é ciência, e em sua mais pura essência.

A TDI defende Deus? Falso! Se Ele é Deus, não carece de defesa. Defendemos a ciência. Aponta para um criador? Fato! Mas a evolução não aponta para a inexistência dele? O biólogo evolutivo Richard Dawkins não se declarou intelectualmente realizado como ateu após Darwin? Seria a evolução uma vertente do ateísmo? Cientistas, como Francis Collins, são criacionistas evolutivos. Eu, teísta, assim o fui. Seria a evolução uma vertente do criacionismo? Antony Flew – o maior ateu do século 20 – tornou-se um defensor da TDI. O astrônomo Fred Hoyle era ateu, mas optou pelos ETs como seu designer.

Seria a TDI uma vertente do ateísmo ou da panspermia? O filósofo David Berlinski e o bioquímico Michael Denton são agnósticos e defendem a TDI. Seria a TDI uma vertente do agnosticismo? Sejamos honestos: tanto a evolução quanto a TDI, enquanto ciência, acomodam diferentes posições filosóficas e teológicas: é inevitável! É desonesto invocar essas posições no debate.

Um designer metafísico não pode ser estudado pela ciência? Fato! Mas a TDI não estuda o designer, nem se arrisca; avalia só a obra – o universo e a vida. A TDI é ciência análoga ao programa Seti (Busca por Inteligência Extraterrestre, na sigla em inglês), às ciências forenses e à arqueologia. Aplicaram a metodologia de detecção de design do Setiao DNA, e publicaram o artigo “The ‘Wow! signal’ of the terrestrial genetic code” (Icarus, 2013). Há Design Inteligente (DI) detectável no DNA.

A teoria da evolução é consenso e mais lei do que a gravidade? Falso! Veja os “Dissidentes de Darwin”: mais de mil bravos cientistas. Sociedades de DI se espalham pelo mundo. Quem ousaria desafiar Darwin, se absoluto fosse? Congressos tentam “salvar” a evolução, como o “New Trends in Evolutionary Biology” (Royal Society, 2016). Lá, disseram: “Não sabemos como a Evolução fez, só não foi por DI!”

Adaptações ocorrem? Fato! Mas são frutos de “DI genético” e se limitam às famílias, como experimentos equivalentes a “milhões de anos” demonstraram. Tentilhões continuam tentilhões; vírus, vírus; celacanto, celacanto. Mutações criam máquinas moleculares de novo e sofisticam a vida? Falso! Não há sequer um exemplo disso na literatura.

O registro fóssil confirma Darwin? Falso! A explosão cambriana – o surgimento repentino de diversos e complexos animais no período Cambriano – e a carência de formas transicionais demonstram que não.

Não se iluda com “discursos”. Ninguém desqualifica adversários como “hereges religiosos” se fosse possível refutar suas teses. A TDI é a maior novidade científica sobre nossas origens. Revigora a ciência; a resgata do dogma materialista. Cresce no mundo todo, pois é ciência pura. O filósofo Thomas Kuhn previu o “pânico acadêmico” de quebras de paradigmas, como esse que o Design Inteligente causa, e a dificuldade de desviar o “Titanic darwinista”. Mas estamos virando o leme! A verdade vencerá – quem viver, verá

(Marcos Eberlin é presidente da Sociedade Brasileira de Design Inteligente (TDI Brasil), doutor em química pela Unicamp e tem pós-doutorado pela Universidade de Purdue, EUA; texto publicado na Folha de S. Paulo)

Evolucionistas são nazistas e creem que viemos do macaco?

Você sabia que Adolf Hitler era “fã” de Charles Darwin, e que usou a ideia de seleção natural para levar avante seus planos eugenistas? Quem afirma isso é a secretária pessoal do führer, Traudl Junge, no livro Até o Fim (Ediouro). A obra foi escrita com base nos diários de Traudl, cujo objetivo foi alertar as pessoas para o fato de que jamais pode ser subestimado o poder sedutor de líderes fanáticos. Na página 140, a autora registrou a filosofia de vida do ditador e o que ele pensava sobre religião: “[Hitler] não tinha qualquer ligação religiosa; achava que as religiões cristãs eram mecanismos hipócritas e ardilosos para apanhar incautos. Sua religião eram as leis da natureza. Conseguia subordinar seu violento dogma mais facilmente a elas do que aos ensinamentos cristãos de amor ao próximo e ao inimigo. ‘A ciência ainda não chegou a uma conclusão sobre a raiz que determina a espécie humana. Somos provavelmente o estágio mais desenvolvido de algum mamífero, que se desenvolveu do réptil a mamífero, talvez do macaco ao homem. Somos um membro da criação e filhos da natureza, e para nós valem as mesmas leis que para todos os seres vivos. Na natureza a lei da guerra vale desde o começo. Todo aquele que não consegue viver, e que é fraco, é exterminado. Só o ser humano e, principalmente, a igreja têm por objetivo manter vivos artificialmente o fraco, o que não tem condições de viver e aquele que não tem valor.”

Assim, fica claro que o conceito de luta e de sobrevivência do mais apto moldou o pensamento do genocida, servindo de justificativa “moral” para suas decisões e ações. Hitler se julgava apto a decidir quem tinha valor e quem não tinha. Ele quis dar uma “mãozinha” para a seleção natural eliminando logo aqueles que ele considerava inferiores, como os judeus, os negros e os homossexuais.

Segundo o ditador, “somos provavelmente o estágio mais desenvolvido de algum mamífero, que se desenvolveu do réptil a mamífero, talvez do macaco ao homem”. Portanto, podemos concluir que, assim como Hitler, os evolucionistas creem que o homem veio do macaco e, pior: creem que o nazismo está correto, que a religião não presta e que devemos exterminar os fracos.

Antes que você proteste veementemente (e com razão), deixe-me dizer-lhe que obviamente eu não concordo com a conclusão acima. Obviamente entendo que não se pode julgar o todo pela parte, e que não se podem tirar conclusões gerais com base no que um ou outro pense a respeito do assunto – mesmo que esse um ou outro seja uma figura histórica famosa.

Não, evolucionistas não são nazistas, e afirmar isso com base no que um evolucionista pensa seria leviandade e mesmo maldade da minha parte. Nem todos os evolucionistas abominam a religião, e evolucionistas bem informados jamais diriam que o homem veio do macaco. O que eles dizem é que seres humanos e macacos tiveram um ancestral comum (desconhecido, é verdade).

Então por que resolvi escrever este texto? Porque tem gente fazendo com os criacionistas exatamente o que eu poderia ter feito com os evolucionistas, se eu fosse um canalha (para dizer o pior) ou simplesmente mal informado (para dizer o mínimo).

Recentemente, o criacionismo vem ocupando espaço nos noticiários e tendo suas premissas totalmente distorcidas. Há repórteres levianamente associando o criacionismo com a ideia absurda da Terra plana e a defesa da não vacinação. Existem criacionistas mal informados que defendem essas bandeiras? Sim, existem; assim como há evolucionistas que fazem o mesmo (aliás, o fundador da Flat Earth Society é evolucionista). Mas vamos julgar todos os criacionistas por causa daqueles? Se o fizéssemos, estaríamos cometendo o mesmo erro de chamar os evolucionistas de nazistas.

A Sociedade Criacionista Brasileira (SCB) já se manifestou a respeito do terraplanismo por meio de uma nota de repúdio (veja aqui). Por que repórteres e formadores de opinião não mencionam isso? Desconhecem o fato? Preferem convenientemente ignorá-lo? A SCB está há mais de 50 anos atuando no Brasil. Tem site e CNPJ. É fácil chegar até ela. Em meus blogs e em minhas redes sociais tenho denunciado a irresponsabilidade dos antivacinas. Não conheço uma entidade criacionista ou divulgador sério do criacionismo que defenda essa insanidade. Então por que a associação? Para denegrir os criacionistas e blindar Darwin? Para embarcar na onda e “lacrar”?

Uma das charges mais infelizes sobre esse assunto foi publicada no jornal gaúcho Zero Hora:

De um lado da ilustração há a tal associação de conceitos superficial e tendenciosa por meio de personagens caricatos; do outro está um senhor de jaleco branco (representante da ciência) acompanhado de uma moça e da frase “a burrice é ousada”. Sim, é mesmo ousada, e às vezes injusta.

Evolucionistas não são nazistas, tanto quanto criacionistas não são terraplanistas nem fixistas inimigos do bom conhecimento. Os pioneiros da ciência, como Isaac Newton, Galileu Galilei, Blaise Pascal e outros, criam na literalidade de Gênesis, mas nem por isso deixaram de legar à humanidade um patrimônio científico gigantesco. 

O assunto é mais sério e profundo do que a maioria pensa, e vem sendo tratado de maneira superficial, enviesada e politizada por pessoas que não têm compromisso com a verdade. Por causa disso, estamos assistindo à criação de novos campos de concentração ideológicos para os ditos fundamentalistas retrógrados, e a uma nova matança – de carreiras e reputações.

(Michelson Borges é jornalista, pós-graduado em Biologia Molecular e mestre em Teologia)

Olhar de gafanhoto evita que você bata o carro

O paradigma básico das pesquisas em visão artificial consiste em coletar imagens com câmeras e processar os arquivos digitais resultantes com algoritmos de reconhecimento de padrões. Como essa técnica tem limitações muito claras, os pesquisadores estão partindo para copiar – ou pelo menos imitar – o sistema visual de animais. Os gafanhotos foram os escolhidos de uma equipe multi-institucional europeia, liderada por Shigang Yue (Universidade Lincoln) e Claire Rind (Universidade de Newcastle). Segundo eles, o funcionamento do sistema visual único dos gafanhotos pode ser transferido para tecnologias que incluem sensores para evitar colisões entre veículos, inspeção de linhas de produção, vigilância, videogames e navegação de robôs. Os gafanhotos possuem uma forma de processamento das informações visuais extremamente rápida. Usando sinais elétricos e químicos, esses insetos conseguem evitar os choques uns com os outros e, como voam baixo, evitam igualmente chocar-se com obstáculos no solo.

Segundo os pesquisadores, esse sistema de processamento incorporado na própria biologia do animal pode ser recriado por meio de equipamentos e softwares adequados, e então incorporado em robôs e outros equipamentos. Para isso, eles criaram um “controle motor visualmente estimulado”, um dispositivo formado por dois tipos de detectores de movimento e um gerador de comandos motores. Cada detector processa as imagens e extrai informações relevantes que são então convertidas em comandos motores – desviar de um obstáculo, por exemplo.

“Nós criamos um sistema inspirado nos interneurônios sensitivos do movimento do gafanhoto. Esse sistema foi então usado em um robô para permitir que ele explore caminhos ou interaja com objetos, usando unicamente as informações visuais”, explicou o Dr. Yue. Os robôs normalmente fazem isso usando sensores de infravermelho e radares.

Essa foi a apenas a primeira demonstração do projeto. Os pesquisadores já dispõem de financiamento da União Europeia pelos próximos quatro anos, quando pretendem que o sistema esteja pronto para ser incorporado em sistemas anticolisão para carros. “Essa pesquisa demonstra que a modelagem de sistemas neurais visuais artificiais biologicamente plausíveis pode trazer novas soluções para a visão computadorizada em ambientes dinâmicos. Por exemplo, isso pode ser usado para permitir que veículos entendam o que está acontecendo à frente e tomar ações adequadas”, disse Yue.

(Inovação Tecnológica)

Nota: Releia: “O paradigma básico das pesquisas em visão artificial consiste em coletar imagens com câmeras e processar os arquivos digitais resultantes com algoritmos de reconhecimento de padrões.” Se eu lhe dissesse que essa coleta de imagens e esse processamento de arquivos digitais com algoritmos de reconhecimento de padrões se desenvolveu por acaso, ao longo de milhões de anos de mutações aleatórias filtradas pela seleção natural, você acreditaria nisso? Releia mais: “Como essa técnica tem limitações muito claras, os pesquisadores estão partindo para copiar – ou pelo menos imitar – o sistema visual de animais.” Muitos desses pesquisadores querem que creiamos que o sistema ultracomplexo que eles estão imitando foi fruto do acaso… [MB]

Astrofísica encontrou evidências de Deus ao estudar o Universo: conheça Sarah Salviander

A canadense Sarah Salviander tinha 29 anos e cursava um doutorado em astrofísica na Califórnia quando encontrou Deus. Ao aprender mais sobre as características essenciais do Universo, ela se convenceu de que os indícios apontavam para a existência de um Criador. Com o tempo, Sarah se tornou cristã e passou a dedicar sua carreira a educar o público a respeito do tema. Hoje ela se prepara para lançar um livro sobre grandes nomes da ciência que também eram pessoas de fé. Do Texas, onde mora atualmente, ela conversou com a Gazeta do Povo sobre sua jornada e apresentou o que acredita ser o melhor (e o pior) argumento a favor de Deus.

É correto dizer que você encontrou Deus enquanto tentava aprender astrofísica?

Sim, de fato. Tive essa experiência quando estava aprendendo a fazer pesquisa na Universidade da Califórnia em San Diego, e foi isso que definitivamente me levou a acreditar em Deus.

Especificamente, o que a levou a reavaliar seu ateísmo?

Eu diria que foi a teleologia: aquilo que me pareceu ser o design do Universo, e a mera ideia de que podemos ter um projeto de pesquisa e fazer perguntas sobre o Universo, e que o Universo produziria a resposta. Para mim isso parece algo espetacular. O fato de que temos uma atmosfera transparente para que possamos ver o Universo, o fato de que temos leis imutáveis ​​da natureza, que elementos químicos têm assinaturas específicas imutáveis, as impressões digitais de cada elemento serem únicas, o fato de que estamos olhando muito longe no Universo para tentar descobrir a química do Universo primitivo e o fato de que esse tempo é igual à distância para que pudéssemos ver diretamente o passado do Universo, o fato de que as nuvens químicas que estávamos observando para tentar fazer essas medições —precisávamos de algo que estivesse ainda mais atrás delas para iluminá-las para que pudéssemos vê-las. E elas precisavam ser extremamente brilhantes porque estavam muito distantes, e precisavam ter certas características. Todas essas coisas funcionavam. E, para mim, parecia tão estranho que tudo isso fosse por acidente. Quão lindamente o Universo parecia projetado. Isso tudo clamava por um Criador.

Como você vê os argumentos a favor da existência de Deus baseados na cosmologia? Eles são a causa da conversão de muitas pessoas ou apenas ajudam a preparar o terreno para conversões que têm outras causas?

Essa é uma boa pergunta, porque muitas pessoas me enviam mensagens privadas pelas redes sociais ou falam comigo pessoalmente para dizer que tiveram uma experiência pessoal com o tipo de material que produzo. E algumas pessoas me disseram que, como resultado das coisas que postei, elas se tornaram cristãs, como se houvesse uma espécie de barreira final que precisava cair. Elas estavam preparadas para aceitar Cristo, mas queriam ter certeza de que não estavam sendo enganadas, de que havia boas razões científicas também para acreditar no que queriam acreditar. E uma vez que isso se encaixou, então elas aceitaram Cristo de todo o coração. Outras disseram que esse tipo de conteúdo realmente abriu a porta, e que depois elas foram adiante e começaram a ler a Bíblia, a ler outros teólogos, e esse foi o ponto em que elas se converteram. Parece que há um efeito multifacetado nas pessoas. Ou elas encontraram nesse material uma forma de superar essa última barreira, ou isso abriu as portas para a fé, ou ainda isso ajudou alguns cristãos que estavam um pouco vacilantes. Descobrir que existem fortes argumentos científicos para Deus os fez se sentirem mais seguros e se apegarem a uma fé que estava se enfraquecendo.

Então algumas pessoas começam com a Bíblia e depois passam a entender melhor a natureza, mas algumas pessoas começam com a natureza e só depois chegam à Bíblia. No seu caso, tudo começou com a natureza?

Sim. Mas também havia um componente moral, porque eu tinha certas crenças sobre o certo e o errado, sobre o que era moral e o que não era. Comecei a pensar que precisava haver uma base para isso. Você não pode simplesmente dizer: “Bem, isso é certo e isso é errado porque é o que eu sinto.” Por exemplo: se a natureza é tudo o que existe e você procura uma razão pela qual é errado assassinar pessoas, você não vai encontrá-la. E isso foi realmente perturbador. Naquela época, quando eu estava fazendo pesquisa, e estava chegando à conclusão de que Deus era a melhor explicação para tudo isso, também foi a época em que eu estava em um ponto baixo da minha vida, tentando descobrir uma base para a moralidade. Essas duas coisas se juntaram e é por isso que comecei a acreditar em Deus. Isso explicava não só por que o Universo é tão lindamente projetado, mas também qual é a fonte da moralidade. Tudo se encaixou perfeitamente.

Alguns ateus gostam de compartilhar uma citação de Carl Sagan dizendo que o Universo é indiferente à nossa existência. Mas se ele é indiferente e não há Deus, parece haver um problema, certo? Se o Universo não se importa com o que fazemos, então não há moralidade objetiva.

Exatamente. E há um problema ainda maior com isso. Eu ensinei astronomia várias vezes na universidade, para uma grande variedade de alunos. No começo do semestre, eu sempre pedia para eles me dizerem qual era o maior desafio filosófico deles com a astronomia. E eu honestamente esperava que a maioria deles dissesse que tinha algum tipo de problema religioso com as implicações da astronomia moderna. Quase ninguém diz isso. O que eu percebo é que na maioria das vezes eles se sentem insignificantes comparados com a vastidão do Universo e com quão antigo ele é. As pessoas que acreditam, como Carl Sagan, que o Universo é indiferente, se sentem sem esperança e insignificantes. Eu acho que isso é um grande problema. […]

Se você pudesse apontar para um argumento que é seu favorito ou o que você considera o argumento mais forte para a existência de Deus de uma perspectiva científica, qual seria? Você tem um favorito?

Eu tenho. Na verdade, é algo que eu acho que precisa receber mais atenção. Paulo diz: “Examine todas as coisas, retenha o que é bom.” Somos instruídos a colocar as coisas à prova. Gênesis 1 tem 26 declarações testáveis sobre a criação e o desenvolvimento do Universo e da Terra. Cada uma dessas 26 declarações está correta, e elas estão na ordem certa. Então, se você olhar para a probabilidade de alguém da Idade do Bronze, quando Gênesis teria sido escrito, ser capaz de chegar à sequência correta de eventos 26 vezes, é algo tão ínfimo quanto ganhar na loteria umas três vezes seguidas. E para mim isso é tão poderoso que uma vez que eu percebi que Gênesis tinha realizado essa coisa incrível, para mim isso foi praticamente uma prova da existência de Deus.

De certa forma, isso nem seria necessário. Imaginando que a Bíblia começasse com o livro Êxodo, sem o relato de Gênesis. Você ainda poderia argumentar a favor de Deus como os gregos antigos costumavam fazer, certo? Mas ter isso no primeiro livro da Bíblia dizendo, de forma consistente, é ainda mais poderoso.

Com certeza. A Bíblia começa na página 1 com um grande milagre também. Eu gostaria de dizer às pessoas: “Vocês querem ver um milagre todos os dias da sua vida? Abram na primeira página da Bíblia.” Está bem ali. É uma coisa tão incrível. E foi isso que Jesus fez para convencer as pessoas de Sua divindade: ele realizou muitos milagres. Deus realizou um milagre para nós em Gênesis 1. Para mim isso estabelece muita confiança, mas também diz muito claramente que Deus é soberano e tudo o que se segue depois disso só pode ser importante se Deus existir e se Deus for soberano. Thomas Huxley, que era considerado o “buldogue de Darwin” e foi um grande oponente do Cristianismo nos anos 1800, entendeu isso muito bem: ele disse que se você não tem Gênesis, você não tem Jesus. E é por isso que ele estava tão focado em atacar a credibilidade de Gênesis de uma perspectiva científica. Porque ele sabia que se ele minasse isso, então tudo o que se segue não importaria mais.

Você falou sobre milagres. É correto dizer que a própria ideia de um milagre só pode ser concebível em um Universo ordenado, no qual os mortos não estão voltando à vida o tempo todo e onde há uma expectativa de previsibilidade?

O milagre quebra algo nessa ordem, e, portanto, ele só pode acontecer quando há uma ordem que o antecede. Isso é correto. E vejo que muitas pessoas se opõem a essa ideia. Eles vão perguntar sobre a física dos milagres, e há duas coisas interessantes que você pode dizer sobre milagres de uma perspectiva física. Uma é que os milagres não são estritamente proibidos de acordo com as leis da física. Porque muito da física é baseado em probabilidade. Então, por exemplo, Jesus andando sobre as águas ou a abertura do Mar Vermelho não são estritamente proibidos pelas leis da física. Mas seriam tão improváveis ​​que as chances de eles acontecerem naturalmente são, na prática, zero. Então, esses definitivamente são milagres. Como você disse, você tem que ter um Universo ordenado que opere por regras confiáveis ​​para que saibamos qual é o curso normal das coisas. E a única maneira de reconhecermos os milagres é se soubermos que isso está indo contra o curso normal das coisas. Essa é literalmente uma definição da palavra milagre da Bíblia: transgredir a ordem usual das coisas.

Nem todos os argumentos para a existência de Deus são igualmente válidos. O que seria um exemplo de mau argumento?

Geralmente, os tipos de argumentos ruins que vejo são quando as pessoas tentam argumentar a partir de suas experiências pessoais. É claro que nossas experiências pessoais realmente nos ajudam em nossa própria caminhada com Jesus. Mas não acho que elas sejam muito convincentes para outras pessoas. A menos que estejamos falando sobre experiências de quase morte, apenas dizer: “Bem, eu simplesmente sei que Deus esteve na minha vida” —  é maravilhoso, mas poucos não cristãos acham isso convincente. Além disso, qualquer coisa que seria verdadeiramente um argumento do “Deus das lacunas”. Isso ocorre quando não entendemos como algo acontece na natureza e simplesmente atribuímos a Deus. E, então, muitas vezes, há mecanismos que eventualmente descobrirão tudo o que explica aquela lacuna. Agora, há algumas coisas que realmente nunca serão explicadas pela ciência, como de onde o Universo veio. Nunca seremos capazes de testar isso cientificamente. Mas há algumas coisas na natureza que podemos explicar por leis naturais. Então, eu não usaria uma falta de compreensão atual de como as coisas funcionam para dizer que isso é evidência de Deus. Acho que esse é um argumento terrível.

E você acha uma boa ideia falar em “prova científica” quando se trata da existência de Deus? Ou este é um termo inadequado?

Falando de modo geral, cientistas evitam usar a palavra “prova” porque a ciência está principalmente tentando falsear, ou desprovar coisas. Nós temos teorias, nós temos leis, e essas são coisas que foram muito, muito bem testadas. Elas passaram nesses testes, elas previram coisas com sucesso. E, mesmo assim, cientistas cuidadosos nunca dirão que essas coisas foram provadas, porque tudo o que é preciso é uma contradição séria e sua teoria pode estar acabada. Mas, para mim, as 26 declarações testáveis ​​em Gênesis chegam o mais perto possível do que você poderia chamar de prova, porque as chances absolutas de aquilo acontecer naturalmente são muito, muito baixas.

Num nível mais popular, o termo “prova” é interpretado como “100% de certeza”. Mas não se tem 100% de certeza de quase nada. Não sabemos com total certeza se a pessoa no comando da Casa Branca é de fato Donald Trump ou se ele na verdade foi substituído por um sósia. Mas é muito improvável, certo?

Certo. E este é o ponto que eu gostaria de enfatizar: o quanto estamos conscientes de que recorremos à fé em nossas vidas cotidianas.

Os ateus com quem você debate afirmam que o Deus cristão é apenas um de uma lista infindável de divindades. Eles dizem que, de certa forma, os cristãos são “ateus” de todos esses deuses. Como você costuma responder?

Sim, isso é algo que eu encontro muito. Eles não distinguem entre Deus com D maiúsculo e deus com d minúsculo. Essas são duas categorias completamente diferentes. Alguns ateus me perguntam: “Por que você escolheu o Deus da Bíblia e não um dos outros milhares de deuses lá fora?” E eu digo a eles: “Bem, eu estou realmente procurando, com base no que eu sei através da física, um Deus que pode criar um universo inteiro.” Isso realmente reduz a uma lista muito pequena dos deuses que podem fazer isso. E então você tem que olhar mais a fundo e tentar distinguir entre os deuses que sobraram, e as melhores evidências sugerem o Deus da Bíblia.

Você pode falar um pouco sobre o trabalho que você tem feito nos últimos anos?

Eu gradualmente me afastei da pesquisa em Física porque agora tudo gira em torno de bolsas de pesquisa, e eu não estava realmente interessada em fazer isso. Ficou muito burocrático. Então, me mudei mais para a produção de artigos. Estou muito ativa nas redes sociais e na minha newsletter. Estou escrevendo um livro agora, e também dou aulas em uma faculdade na região de Austin.

Qual é o tema do seu próximo livro?

Esse livro foi inspirado por muitas citações que eu tinha visto de cientistas famosos ao longo da história — homens como Johannes Kepler, Isaac Newton, James Clerk Maxwell. Esses foram grandes homens da física, pioneiros, e também foram grandes homens de fé. Eles escreveram declarações poderosas sobre Deus, sobre Jesus, sobre fé, e muitas pessoas não estão cientes disso. Por exemplo, Francis Bacon tinha essa citação maravilhosa dizendo que basicamente um pouco de conhecimento tenderá a tornar alguém ateu, mas muito conhecimento o fará voltar para Deus. Eu pego cada citação e então escrevo um capítulo inteiro sobre o que isso significa.

Algo do seu material já foi traduzido para o português?

Não, mas ficarei muito feliz se as pessoas quiserem traduzir as coisas que escrevo para outros idiomas. Não sei se a editora com quem estou trabalhando planeja fazer alguma tradução, mas espero que sim. O que é interessante é que, porque eu consigo rastrear o tráfego para o meu blog, para minha newsletter e meu perfil no X, e vejo que recebo muitos visitantes do Brasil.

(Gazeta do Povo)

Moscas com “neurônios Jedi”

Estudo recentemente publicado na revista Nature aponta que neurônios vizinhos em uma antena de mosca das frutas podem parar (ou “bloquear”) um ao outro mesmo quando não compartilham uma conexão direta. Isso ajuda o inseto a processar cheiros. Esse tipo de comunicação, chamada acoplamento efáptico, acontece quando o campo elétrico produzido por um neurônio silencia o seu vizinho, em vez de enviar um neurotransmissor por uma sinapse. “O acoplamento efáptico já está na literatura científica há um bom tempo, mas existem poucos casos nos quais estas interações afetam o comportamento de um organismo”, aponta John Carlson, biólogo da Universidade de Yale (Connecticut, Estados Unidos), primeiro autor do estudo. A presença dessas interações em órgãos de sentido foi prevista em 2004, mas conseguir demonstrar que elas realmente aconteciam exigia um experimento difícil, engenhoso e completo.

Nas antenas da Drosophila melanogaster, os neurônios olfativos estão agrupados em pelos preenchidos por fluidos, chamados sensilas. Cada um contém dois a quatro neurônios, que estão todos sintonizados em diferentes cheiros e agrupados de formas específicas. “Um neurônio para o morango é sempre pareado com um neurônio para a pera, por exemplo”, explica Carlson. “Todos esses neurônios já foram bem caracterizados, então sabemos como são organizados.”

O estudo focalizou uma sensila chamada ab3, que contém dois neurônios: o ab3A, sensível ao metil-hexanoato das frutas, e o ab3B, que detecta o 2-heptano do cheiro da banana. Quando os pesquisadores expuseram as moscas a um fluxo constante de metil-hexanoato, o neurônio A disparou continuamente. Se as moscas eram expostas a uma breve explosão de 2-heptanona, o neurônio B entrava em ação, e o A de repente desligava. O contrário também aconteceu: uma breve explosão de atividade em A silenciou a atividade constante de B.As mesmas interações foram vistas em quatro outros tipos de sensilas na mosca da fruta, bem como no mosquito da malária Anopheles gambiae. Apesar dessas interações claras, os neurônios em uma sensila não compartilhavam nenhuma sinapse. O comportamento se repetiu mesmo que fosse usado um químico bloqueador de sinapse, mesmo quando os padrões de disparo não se coordenavam, e mesmo se as antenas fossem decepadas, separando-as do contato com qualquer neurônio central.

A conclusão é de que, em vez de sinapses, os neurônios provavelmente se comuniquem através do fluido que os cerca. Quando um deles dispara, cria um campo elétrico que muda o fluxo dos íons até o outro e desliga a sua atividade elétrica.

O experimento ainda mostrou que essa atividade é forte o suficiente para alterar o comportamento da mosca. Para tanto, os cientistas usaram uma sensila com dois neurônios: um que leva à atração de uma mosca por vinagre de maçã, e outro que a faz evitar dióxido de carbono. Em seguida, a equipe bloqueou o neurônio da atração por vinagre, mantendo o da repulsão por dióxido de carbono. As moscas foram colocadas em um labirinto com duas vias que cheiravam a dióxido de carbono, mas somente uma que também cheirava a vinagre. As moscas escolheram o lado aromatizado com vinagre. Porém, não escolheram o cheiro de vinagre na ausência do cheiro de dióxido de carbono.

Isso sugere que o neurônio da atração ao vinagre, mesmo bloqueado no cérebro, podia ainda inibir o neurônio de dióxido de carbono vizinho. Quando ambos os produtos químicos estavam no ar, as moscas não se sentiam mais repelidas pelo dióxido de carbono.

Segundo os cientistas, esse tipo de interação neuronal é importante para a mosca, que pode estar com o olfato inundado com um cheiro forte, mas ainda assim precisar perceber um odor de comida, por mais fraco que seja.

Outra coisa que o experimento mostrou é que o cérebro não é o único responsável pelo sentido do olfato: os neurônios que fazem sua detecção também têm papel importante. Isso, possivelmente, também acontece com os seres humanos – mas tal implicação ainda não foi investigada.

(Hypescience)

Nota: Um mecanismo com tamanha complexidade e tão necessário seria fruto de mutações casuais filtradas pela seleção natural? [MB]