O mistério do relógio de Acaz

Relogio

De vez em quando, alguém pergunta o que exatamente Deus teria feito para efetuar o milagre do retrocesso de 10 graus na sombra no relógio de sol de Acaz (2 Reis 20:11). Temos alguma pista sobre isso?

O caso é bastante semelhante ao do dia longo de Josué, o qual, segundo evidências arqueológicas, foi um fenômeno mundial, pois correspondeu a uma noite longa nas Américas. Isso indica que a Terra parou de girar no caso de Josué e chegou a retroceder no caso de Acaz. Um contra-argumento comum é o de que um fenômeno assim seria catastrófico a ponto de provavelmente eliminar a vida na Terra. Para ter uma ideia em miniatura do problema, basta imaginar um carro viajando em alta velocidade por uma estrada e tendo sua velocidade reduzida a zero muito rapidamente ao bater contra uma rocha. O carro provavelmente seria destruído e seus ocupantes obviamente morreriam no processo. Portanto, alguma outra coisa deve ter ocorrido tanto no caso do relógio de Acaz quanto no dia longo de Josué, certo. Na verdade, esse é um argumento falacioso (enganoso).

Usaremos de um certo abuso de linguagem para tornar a explicação mais acessível.

Aproveitemos a analogia do carro para examinar o problema um pouco mais de perto em uma situação menos extrema. Imagine o carro viajando a uma velocidade de, digamos, 100 km/h. Quando o freio é acionado, ele faz com que surja uma força (torque, mais precisamente) que tende a fazer com que as rodas parem de girar. Por causa do atrito entre os pneus e a estrada, o efeito final é que o carro é afetado por uma força em sentido contrário a seu deslocamento, causando uma “desaceleração” (uma aceleração em sentido contrário ao do movimento).

Por causa da inércia (tendência natural a permanecer no mesmo estado de movimento), os ocupantes do carro tendem a continuar viajando com a mesma velocidade ao passo que o veículo tende a deslocar-se cada vez mais lentamente. Isso dá às pessoas a sensação de serem impulsionadas para a frente, pois sua percepção baseia-se no referencial do carro. Mesmo de olhos fechados, os ocupantes podem saber quando o carro aumenta ou diminui sua velocidade por causa desse efeito de inércia. Se a alteração de velocidade for muito abrupta, o resultado pode ser fatal. A causa do problema está nas forças que as partes do veículo impõem umas sobre as outras e sobre os passageiros. Isso ocorre porque a força de frenagem ou de aumento de velocidade é aplicada a uma parte do veículo e então transmitida, por meio dela a todas as demais partes bem como aos ocupantes. Se essas forças forem suficientemente grandes, podem destruir tudo.

O que aconteceria se a mesma aceleração aplicada ao eixo das rodas também fosse aplicada a cada partícula do veículo e de seus ocupantes? Nesse caso, não haveria tensão entre partes do veículo nem entre elas e os ocupantes. De fato, seria impossível perceber a aceleração sem observar o ambiente externo ao carro. A aceleração poderia ser altíssima ou muito baixa e os ocupantes do veículo não sentiriam a diferença.

Para frear ou acelerar um carro dessa maneira, seria necessário um “campo de forças” ou, mais precisamente, um campo de acelerações. Pode parecer ficção científica, mas a gravidade funciona exatamente assim. Um carro sobre uma rampa a uma velocidade suficientemente alta, ao terminar a subida, pode perder contato com a rampa e ter sua componente vertical da velocidade freada rapidamente pela gravidade sem que isso faça com que os ocupantes do veículo sejam projetados violentamente para o teto. Apenas tendem a acompanhar naturalmente o movimento do carro, uma vez que a mesma aceleração da gravidade que atua sobre o veículo, atua também sobre eles. Nenhum efeito catastrófico ocorre a não ser quando batem no solo.

Campos gravitacionais também podem atuar de outras maneiras. Existe, por exemplo, o efeito Lense-Thirring, previsto em 1918: um objeto com grande massa e em alta velocidade de rotação pode “arrastar” o espaço ao seu redor induzindo movimentos tangenciais em objetos ao seu redor, fazendo com que órbitas em torno do objeto central sofram precessão.

Após esse passeio por noções de Física básica, podemos voltar nossa atenção ao problema do relógio de Acaz e o do dia longo de Josué. Se o torque aplicado para deter ou mesmo inverter a rotação da Terra fosse aplicado na forma de um campo que afeta cada partícula da mesma forma, não haveria qualquer efeito perceptível a não ser a alteração no movimento em relação a referenciais externos. E Deus poderia fazer isso sem violar qualquer lei física.

(Eduardo Lütz é bacharel em Física e mestre em Astrofísica Nuclear pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul)

Éden: fato ou ficção?

eden

Seria o Gênesis um relato histórico das origens? Muitos entendem que não, que ali teríamos apenas uma alegoria similar a outras narrativas mitológicas do antigo Oriente Médio. Chegam a sugerir que “devemos cortar esses capítulos fora de qualquer evento especificamente histórico”. Autores clássicos como Teilhard de Chardin chegaram a supor que Adão seria o primeiro exemplar do homo sapiens ou de uma raça espiritual que se seguiu à cadeia evolutiva. O grande problema com esse tipo de abordagem é que seus proponentes se esquecem que a doutrina de Cristo está edificada sobre o conteúdo do Antigo Testamento, que, por sua vez, se apoia inteiramente sobre o relato do Gênesis. Ora, se a história do Éden não aconteceu de fato, então não houve a “queda de Adão” e a humanidade não se encontra contaminada por nenhum tipo de “pecado original”. Logo, não existe nenhuma transgressão da qual necessitássemos ser redimidos e a morte expiatória de Cristo não passa, na melhor das hipóteses, de um martírio sem significado.

[Continue lendo.]

Gênesis e o boneco de barro

“É assim que Deus disse?”

adao

É muito comum ouvirmos em várias e distintas ocasiões, bem como lermos em diversas publicações de cunhos distintos, versões deterioradas do relato singelo, mas pleno de profundo significado, sobre a origem do ser humano que se encontra em Gênesis 2:7: “Então, formou o Senhor Deus ao homem, do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente.” De fato, nesse relato bíblico inserem-se preciosas informações inspiradas que muitas vezes passam despercebidas até mesmo de sinceros pesquisadores da verdade, dentre as quais algumas que serão consideradas neste breve texto. Entretanto, também deteriorações grotescas desse relato têm ocorrido e sido apresentadas, como, por exemplo, a que substitui o texto de Gênesis 2:7 pela expressão vulgar de que “Deus formou um ‘boneco de barro’ e soprou nele o fôlego da vida”.

Teria sido isso o que Deus realmente disse, ou essa expressão vulgar na realidade reflete mais uma investida velada e insidiosa contra a autoridade e a veracidade da revelação de Deus ao ser humano, da mesma forma como a que foi feita a respeito das condições estabelecidas para a continuidade da manutenção do fôlego de vida no ser humano recém-criado, com a afirmação de que “é certo que não morrereis!” (Gênesis 3:4)?

De fato, aquela expressão vulgar sobre o “boneco de barro”, que ouvimos e lemos, tem sido usada com bastante frequência tanto no meio secular – seja no âmbito educacional nos seus vários níveis (desde o pré-escolar até a pós-graduação), seja no âmbito eclesiástico cristão (em publicações escritas e na pregação do próprio púlpito, irradiada e televisionada), e seja ainda nos meios de comunicação em geral, incluindo hoje as indefectíveis redes sociais.

Comparando-se as duas expressões acima mencionadas, verifica-se inicialmente que ficou explícita na segunda expressão a substituição de “pó” por “barro” e a eliminação da informação de que “o homem passou a ser alma vivente”.

Com relação à substituição ocorrida, pode-se deduzir que ela foi necessária para que fosse forjada uma cena antropomórfica da criação do homem, em que se partisse de algo que pudesse ser comparado a uma “imagem” do ser humano tal qual o conhecemos hoje (na forma de um “boneco de barro”), para que então ele recebesse o “sopro de vida”. Deve-se lembrar, ainda, que o texto bíblico já tinha esclarecido que o homem foi formado “à imagem de Deus” (Gênesis 1:2). Assim, essa é mais uma razão para ser rejeitada a degradação do relato bíblico ocorrida com a introdução dessa “imagem do boneco de barro”.

Fica claro que a expressão “imagem” utilizada em Gênesis pouco tem a ver com o aspecto físico que teria sido atribuído ao “boneco” e sim com as características mentais e espirituais desse novo ser criado por Deus, que o próprio texto bíblico esclarece ter sido criado “um pouco menor do que os anjos” (Salmo 8:5) – outros seres também criados por Deus, conforme Seu desígnio e propósito, sem necessidade de algum suposto “boneco” protótipo feito a partir de qualquer outro material.

O seguinte texto reflete bem o que se deveria considerar como principal característica da “imagem de Deus” refletida no ser humano: “Sua natureza estava em harmonia com a vontade de Deus. A mente era capaz de compreender as coisas divinas. As afeições eram puras; os apetites e paixões estavam sob o domínio da razão. Ele era santo e feliz, tendo a imagem de Deus e estando em perfeita obediência à Sua vontade” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 44, 45).

Por outro lado, no relato bíblico da criação da mulher, é dito que “a costela que o Senhor Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher e a trouxe para ele” (Gênesis 2:22).

Como se vê, o relato bíblico não fala de uma “boneca” de qualquer material, mas permite inferir que deve ter ocorrido uma série de operações cirúrgicas efetuadas juntamente com transformações altamente complexas do tipo que hoje caracterizam os processos de “clonagem”, em conformidade com o planejamento estabelecido pelo Criador a partir de substâncias pré-existentes, para entregar a Adão uma “coadjutora”, com desígnio e propósito.

Assim, tanto no caso da criação do homem quanto no da mulher, ambos foram criados a partir de elementos e substâncias previamente existentes, que, por sua vez, haviam sido criados por Deus a partir do nada, mediante Sua Palavra – “Deus falou e tudo se fez” (Salmo 33:9) – já com desígnio e propósito para possibilitar a consecução das etapas seguintes de todo o processo criativo, incluindo o estabelecimento das condições ambientais e ecológicas necessárias para a criação e manutenção da intrincada interdependência entre a vida vegetal, animal e humana nesse novo mundo que estava sendo modelado.

Essa “matéria primordial” (elementos e substâncias químicas), criada a partir do nada, muito apropriadamente foi chamada no texto bíblico de “pó da terra” (Gênesis 2:7), em conformidade também com o que é descrito em Provérbios 8:28 nas considerações feitas a respeito do princípio de todas as coisas: “Ainda Ele não tinha feito a Terra, nem as amplidões, nem sequer o princípio do pó do mundo.” Essa expressão “princípio do pó do mundo” poderia hoje ser entendida como se referindo às estruturas atômicas e nucleares extremamente complexas constituintes da matéria original dos mundos galácticos, estelares e planetários, bem como das estruturas moleculares extremamente complexas constituintes dos seres vivos em geral, e do ser humano em particular.

Dessa forma, ao “Deus formar ao homem do pó da terra”, jamais estaria Ele fazendo um “boneco de barro” (o que seria inaceitável até mesmo como uma figura de linguagem) que se transformasse magicamente em um ser humano de forma independente de um planejamento coerente com desígnio e propósito previamente estabelecidos, visando à própria manutenção da complexa interdependência entre todos os tipos de vida que estavam sendo criados nesse novo planeta.

Assim, a atuação de Deus na formação do homem, mediante Seu poder e Sua sabedoria (como Deus onipotente e onisciente) teria sido procedida de acordo com um planejamento de sucessivas sínteses orgânicas em cadeia, da mesma forma como procedido na criação anterior de todos os demais seres vivos, de tal maneira que fossem processadas as reações químicas necessárias, em conformidade com leis anteriormente estabelecidas pelo próprio Criador, para tornar possível a formação de complexas moléculas que se organizassem na forma de substâncias orgânicas necessárias à formação de tecidos, órgãos e sistemas; dessa forma completando a elaboração de toda a estrutura corporal previamente idealizada.

Além do mais, para a finalização desse projeto da criação do ser humano, deveria ter sido incluída toda a informação necessária para a ativação final de toda essa estrutura elaborada como um sistema de alta complexidade, para que então recebesse o “sopro de vida” energizante, e se tornasse uma “alma vivente” formada à imagem de Deus!

Neste ponto, cabe rememorar o episódio relatado em Êxodo 3:5, em que a presença de Deus se manifesta a Moisés pronunciando as palavras: “Não te chegues para cá; tira a sandália dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa” (Êxodo 3:5). A terra ali era tornada santa pela presença do Deus santo que então Se manifestava a Moisés, da mesma forma em que aquele “pó da terra” (Gênesis 2:7) na presença do mesmo Deus santo constituiu a matéria-prima, santificada pela presença de Deus, a partir da qual foi criado o homem, “à imagem e semelhança de Deus” pelo Seu energizante sopro do fôlego de vida.

Com essas poucas considerações apresentadas neste texto, que destacaram algumas preciosas informações que muitas vezes têm passado desapercebidas até mesmo a sinceros pesquisadores da verdade, espera-se que pessoas, embora bem intencionadas, mas carentes de uma visão mais consentânea da majestosa concepção da criação do ser humano expressa nas palavras do relato de Gênesis, possam passar a compreender essa investida velada e insidiosa contra a autoridade e a veracidade da revelação de Deus ao homem, que apresenta um “boneco de barro” como grotesca deturpação do relato bíblico sobre a criação do ser humano.

(Dr. Ruy Carlos de Camargo Vieira é engenheiro e fundador da Sociedade Criacionista Brasileira)

Primeiro episódio de “Gênesis” expõe “teoria do intervalo”

Que tal aproveitar o momento para abrir e estudar sua Bíblia a fim de conhecer a história verdadeira e original?

genesis

Se levar as pessoas a conferir na própria Bíblia aquilo que está sendo exibido na tela, a novela “Gênesis”, da TV Record, terá produzido um efeito colateral positivo. Mas, como a maioria das pessoas não fará isso, infelizmente, em muitas mentes ficará a impressão de que Adão era um troglodita machista agressor e de que os dinossauros teriam sido extintos pela queda de Lúcifer e seus anjos rebeldes, ideia conhecida como “teoria do intervalo”, “teoria do caos e restauração” ou mesmo “teoria do Éden luciferiano”. Obviamente, uma interpretação muito equivocada do relato de Gênesis.

Segundo Moisés (autor inspirado dos cinco primeiros livros da Bíblia), antes de ser preparada para abrigar vida (terraformada), a Terra era sem forma e vazia. Quando Deus pronunciou as palavras “haja luz”, teve início a semana da criação, com seis dias literais e ininterruptos de 24 horas cada (veja o vídeo abaixo). No sexto dia foram criados os animais terrestres e o primeiro casal humano. Portanto, os dinossauros foram criados nesse dia e não muito tempo antes, numa tentativa de acomodar o relato bíblico com a visão evolucionista.

Os criacionistas bíblicos, em sua maioria (e essa é também a posição da Sociedade Criacionista Brasileira), acreditam que os dinossauros (ou pelo menos a imensa maioria deles) foram extintos por ocasião do dilúvio, daí a abundância de fósseis deles e de muitas outras espécies de animais e plantas – já que se sabe que o processo de fossilização depende de soterramento rápido sob água e lama (veja o vídeo abaixo).

Resumindo: a leitura do primeiro capítulo de Gênesis deixa claro que a Terra era sem forma e vazia antes de acolher vida, e não que se tornou sem forma e vazia no tempo dos dinossauros. A “teoria do intervalo” é, na verdade, uma aberração teológica semelhante à ideia da evolução teísta, pois coloca a existência da morte antes do pecado de Adão e Eva. Se a morte já existia, o salário do pecado não é ela, como explica o apóstolo Paulo em Romanos 6:3. Se a morte não é consequência do pecado de nossos primeiros pais, que dívida Jesus veio pagar na cruz? Deus passa a ser o culpado direto pela existência da morte e do violento processo evolutivo, e Jesus é despido de Sua missão messiânica, sendo encarado como mero revolucionário. Isso tudo atenta conta o caráter do Criador.

adao

Conforme escreveu Maurício Stycer no portal UOL, “o impacto visual de efeitos especiais não diminuiu em nada a sensação de que estava assistindo a uma aula sobre criacionismo. […] Driblando a teoria da evolução, a novela ‘ensina’ que foi Lúcifer quem causou a extinção dos dinossauros. […] No segundo capítulo, a punição a Adão e Eva se estendeu à família, que enfrenta uma vida de privações. Sob o olhar atento de Lúcifer, que aprecia o drama, todas as filhas de Adão abandonam o lar em protesto à rispidez e ao machismo do pai. Inflexível, Deus recusa uma oferta de Caim porque ele não ofereceu o melhor que tinha para dar”.

Eis aí os problemas: (1) a falsa impressão de que o que a novela apresenta seria a visão criacionista; (2) o preenchimento com excesso de imaginação das lacunas no relato bíblico e o abuso da licença poética; (3) a descaracterização dos personagens bíblicos ou mesmo a ideologização anacrônica deles; e (4) a imprecisão teológica, afinal, Caim não ofereceu “o melhor que tinha para dar”, ele recusou oferecer o símbolo da única coisa que poderia salvá-los: o cordeiro que apontava para o Cordeiro (João 1:29).

A novela contou com a ajuda de consultores como o arqueólogo Dr. Rodrigo Silva, mas isso não significa que eles tenham tido acesso ao roteiro dos episódios ou que pudessem interferir no texto. O consultor apenas presta informações técnicas sobre alguns aspectos que deverão constar na obra. E os roteiristas/produtores/diretores decidem o que vão considerar ou não.

Semana que vem a novela vai tratar do dilúvio. Vejamos o que vem por aí… Enquanto isso, que tal abrir e estudar sua Bíblia a fim de conhecer a história verdadeira e original?

Michelson Borges

Ser humano: uma espécie única

ser humano

Em outubro de 2006, a revista Time publicou o artigo “Como nos tornamos humanos”. O texto diz o seguinte: “As pequeníssimas diferenças [na verdade, hoje se sabe que não são tão pequenas assim], esparramadas por todo o genoma, têm feito toda a diferença. Agricultura, linguagem, arte, música, tecnologia e filosofia – todas as realizações que nos fazem profundamente diferentes dos chimpanzés e que fazem um chimpanzé num terno e gravata parecer tão profundamente ridículo – são de alguma forma codificadas em frações minuciosas de nosso código genético. […] Ninguém ainda sabe exatamente onde elas estão ou como elas funcionam, mas em algum lugar dos núcleos de nossas células estão bastantes aminoácidos, arrumados em ordem específica, que nos dotaram com a capacidade mental para suplantarmos em pensar e fazer aos nossos mais próximos parentes [meus parentes, não!] na árvore da vida. Elas nos dão a capacidade de falar, escrever, ler, compor sinfonias, pintar obras de arte, e aprofundarmos na biologia molecular que nos faz ser o que somos.”

Se para ser humanos dependemos de detalhes perfeitamente arrumados em ordem específica, a pergunta é: Quem os arrumou?

A origem dos sexos

É difícil (para não dizer impossível) explicar como a vida teria “surgido” de maneira espontânea. Esse é um mistério que tem acompanhado os cientistas ao longo dos anos. Mas a coisa fica ainda mais complicada quando se pensa naqueles seres vivos que dependem da reprodução sexuada para perpetuar sua espécie. É o caso dos seres humanos. Quando, como e por que teria surgido um tipo de reprodução que depende de dois organismos diferentes, mas perfeitamente compatíveis? Seria possível que duas mutações distintas em dois seres distintos, numa mesma época e mesma região (afinal, eles tinham que se encontrar) tivessem dado origem a dois órgãos reprodutores diferenciados, mas compatíveis – e mais: capazes de dar origem a outro ser da mesma espécie?

Mas ainda que todas as etapas milagrosas que levaram à reprodução sexuada tivessem ocorrido, haveria outro desafio: o nascimento. Detalhe: a pelve feminina tem formato mais circular que a do homem e uma cavidade pélvica maior que facilita a passagem do bebê no parto. Vamos dar uma chance ao acaso: digamos que um primeiro bebê fosse gerado, superando todas as dificuldades descritas acima. Se os ossos da bacia da mulher não fossem como são, esse primeiro bebê teria morrido. Adeus, humanidade!

Linha de montagem automatizada

Em certos aspectos, o corpo humano mais se parece com uma linha de montagem automatizada que, obviamente, precisou de alguém muito inteligente para programar tudo. Veja alguns exemplos disso:

1. O ribossomo é uma organela que fabrica proteínas e enzimas para os seres vivos – ele faz isso juntando aminoácidos. É uma máquina molecular natural encontrada em todas as células vivas. A título de comparação, o ribossomo produz 20 blocos de proteínas por segundo, enquanto a máquina molecular artificial mais moderna criada pelo ser humano produz apenas quatro blocos a cada 12 horas. A imitação é bem inferior e foi criada. O que dizer do original?

2. Quinesina é um motor proteico que “caminha” ao longo do microtúbulo (estrutura que forma o “esqueleto” das células). Ela é responsável pela estruturação e alocação de organelas membranosas, como o complexo de Golgi e o retículo endoplasmático rugoso, entre outros componentes das células. Máquinas poderiam surgir do nada? E você tem trilhões delas trabalhando automaticamente em seu corpo neste instante!

3. Hidrelétricas são equipamentos de conversão da energia cinética da água para uma forma de energia que é melhor para ser utilizada pelo ser humano: a energia elétrica. A mitocôndria faz algo parecido: converte a energia estocada na forma de açúcares e gordura em moléculas de adenosina trifosfato (ATP). A gigante Itaipu possui apenas 20 turbinas. Cada mitocôndria possui milhares, e cada célula possui milhares de mitocôndrias!

O quilo e meio de matéria mais complexa do Universo

John McCrone, em seu livro Como o Cérebro Funciona, escreveu: “[O cérebro] é o objeto mais complexo que o homem conhece. Dentro dessa massa aparentemente grosseira e disforme há o maior projeto de design já visto. [Ele] tem aproximadamente 100 bilhões de neurônios, células nervosas cerebrais. Cada um desses neurônios pode fazer entre mil e várias centenas de milhares de sinapses. Uma sinapse é a junção entre dois neurônios. Logo, o seu cérebro é capaz de produzir cerca de mil trilhões de conexões. Se a substância branca de um único cérebro humano fosse desenrolada, formaria um cordão longo o suficiente para dar duas voltas ao redor do globo terrestre. Então, imagine só… Tudo isso, os neurônios e suas conexões, as células de apoio, o cabeamento, fica emaranhado dentro de seu crânio.”

E na revista Veja do dia 28 de fevereiro de 2008, há a seguinte informação: “Com a tecnologia hoje disponível, seria necessário um supercomputador que ocuparia uma área aproximada de quatro Maracanãs para reproduzir de forma digital a capacidade de processamento dos 100 bilhões de neurônios do cérebro humano.” 

Computadores e processadores surgem do nada? E o que dizer do cérebro, um computador superavançado, à prova d’água, que pesa apenas aproximadamente um quilo e meio? O cérebro é a porção de matéria mais complexa do Universo!

(Michelson Borges é jornalista, escritor, mestre em teologia e pós-graduando em Biologia Molecular)

O que há de errado com a evolução teísta?

A evolução teísta, como é geralmente definida, é a crença de que os processos naturais, sustentados pela providência ordinária de Deus, foram os meios pelos quais ele trouxe a vida e a humanidade. Frequentemente, envolve uma ancestralidade comum para todas as coisas vivas, macroevolução e alguma versão de poligênese.

William Dembski explica: “Para os criacionistas da Terra jovem e da Terra velha, os humanos que carregam a imagem divina foram criados do zero. Em outras palavras, Deus fez algo radicalmente novo quando nos criou – não emergimos de organismos pré-existentes. Segundo essa visão, hominídeos em pleno funcionamento, com corpos totalmente humanos, mas sem a imagem divina, nunca existiram. Para a maioria dos evolucionistas teístas, em contraste, os ancestrais primatas evoluíram ao longo de vários milhões de anos até hominídeos com corpos totalmente humanos” (God and Evolution, p. 91).

De acordo com alguns proponentes da evolução teísta, Gênesis 2:7 é uma referência à obra de Deus na história, pela qual ele transformou Adão em um ser espiritual à imagem de Deus, em vez do tipo inferior de ser que ele era antes. Essa abordagem ainda insiste na historicidade de Adão e Eva e sua queda real no Jardim. Mas, nessa visão, Adão pode não ter sido o primeiro humano:

“De acordo com o modelo preferido de [Denis] Alexander, os humanos anatomicamente modernos surgiram há cerca de 200 mil anos, com a linguagem tendo se desenvolvido há 50 mil anos. Então, por volta de 6.000-8.000 anos atrás, Deus escolheu alguns agricultores neolíticos e então Se revelou pela primeira vez, constituindo-os assim como Homo divinus, os primeiros humanos a conhecer Deus e a estar espiritualmente vivos” (Should Christians Embrace Evolution?, p. 47).

E o que há de errado com essa abordagem? Por que não podemos dizer que Adão foi uma pessoa real e a primeira pessoa a conhecer Deus, mas não o único humano no planeta? Não estamos ainda no reino da ortodoxia histórica, mesmo se Adão tivesse evoluído de outros seres e não tivesse sido o pai físico de todas as pessoas vivas? Estou levantando essas questões não para sugerir uma postagem unilateral no blog e algumas citações visando obliterar a evolução. Em vez disso, o ponto é examinar se a evolução total pode ser reconciliada com a fidelidade total à autoridade bíblica.

Listados abaixo estão oito problemas que Wayne Grudem encontra com a evolução teísta. Eu reconheço que ele pode não ser uma autoridade nesses assuntos, mas de maneira típica ele destila os pontos principais muito bem, e explica sucintamente a quais conclusões antibíblicas devemos chegar para que a evolução teísta seja verdadeira.

  1. Adão e Eva não foram os primeiros seres humanos, mas eram apenas dois agricultores neolíticos, entre cerca de dez milhões de outros seres humanos na Terra naquela época, e Deus escolheu revelar-Se a eles de uma forma pessoal.
  2. Esses outros seres humanos já haviam procurado adorar e servir a Deus ou aos deuses por suas próprias maneiras.
  3. Adão não foi especialmente formado por Deus do “pó da terra” (Gn 2:7), mas teve dois pais humanos.
  4. Eva não foi feita diretamente por Deus de uma “costela que o Senhor Deus tirou do homem” (Gn 2:22), mas ela também tinha dois pais humanos.
  5. Muitos seres humanos, tanto da época como de agora, não são descendentes de Adão e Eva.
  6. O pecado de Adão e Eva não foi o primeiro pecado.
  7. A morte física humana já ocorria por milhares de anos antes do pecado de Adão e Eva – era parte da forma como seres vivos sempre existiram.
  8. Deus não impôs nenhuma alteração no mundo natural quando amaldiçoou a Terra por causa do pecado de Adão (Should Christians Embrace Evolution?, p. 9).

Essas são outras questões que a evolução teísta levanta para o cristão que crê na Bíblia. Como podemos manter a dignidade e majestade especiais que a Bíblia concede aos seres humanos, quando somos apenas qualitativamente diferentes de outras formas de vida e continuamos com o restante do mundo animal? Como Deus pode imputar o pecado e a culpa a todos os humanos ao longo da linhagem do representante federal, quando alguns de nós não têm nenhuma conexão física com Adão? Da mesma forma, se nem todos descendemos literalmente de um casal, como podemos todos ter uma conexão ontológica com Cristo que assumiu a carne da raça de Adão?

Claro, se não precisasse encaixar na Bíblia, esses problemas não seriam problemas (conceitualmente). Mas a evolução teísta pretende reunir o consenso evolucionista com a doutrina fiel da criação. Esse é todo o apelo. E, no entanto, não vejo como os dois possam ser compatíveis, tenha Adão realmente existido ou não.

(Kevin Deyoung; Coalizão Pelo Evangelho; Tradução Paulo Reiss Junior)

Leia também: O avanço do evolucionismo-teísta no Brasil, Instituição evoteísta faz ataque silencioso ao criacionismo, As incoerências do evolucionismo teísta, Vaticano assume evoteísmo e deve reabilitar padre evolucionista

Arqueologia e fake news

Especialista fala sobre a importância dos achados arqueológicos para a compreensão da Bíblia e acerca do problema das fraudes nessa área

Carina-entrevista-arqueologia-e-fakenews

Carina Pereira de Oliveira Prestes é graduada em Arquitetura pela UFPR (2004) e atuou como arquiteta por alguns anos. Ela e o esposo, Flávio Prestes Neto, decidiram ir para a Universidade Andrews, nos Estados Unidos, e se preparar para servir a Deus em tempo integral como professores. Ela começou os estudos em Arqueologia Bíblica em 2010. Desde então, completou o mestrado em Arqueologia do Antigo Testamento, participou de escavações na Jordânia, em Israel e na Itália, e proferiu palestras em diversos países. Também escreveu artigos e apresentou vídeos de arqueologia publicados nos Estados Unidos. Atualmente, Carina está escrevendo sua tese doutoral com foco na arqueologia do Novo Testamento e do cristianismo primitivo.

[Leia aqui a entrevista.]

Floresta habitada por dinossauros na Antártica?

Quando consideramos o modelo criacionista, a contradição desaparece.

antartica

No dia 1º de abril de 2020, a renomada revista Nature publicou um artigo científico[1] que registra, de forma inédita, a ocorrência de uma floresta tropical temperada no lado ocidental da Antártica, há 90 milhões de anos [segundo a cronologia evolucionista], durante o período Cretáceo, época dos dinossauros. Os cientistas envolvidos nessa pesquisa, do Alfred Wegener Institute (AWI), da Alemanha, se utilizaram de uma nova técnica de perfuração do solo para extrair testemunhos (amostras de rocha ou solo) a uma profundidade aproximada de 30 metros abaixo do fundo do mar. No material analisado, encontraram vestígios de solos antigos, além de pólens e raízes fósseis.[2] Testemunhos como esses podem registrar muita informação sobre o clima passado, funcionando como “cápsulas do tempo” para parâmetros como temperatura média, pluviosidade e vegetação.[3]

De acordo com a pesquisa realizada, os cientistas concluíram o seguinte: (1) a temperatura média anual na Antártica há 90 milhões de anos [segundo a cronologia evolucionista] seria 13 °C, com um pico de 18,5 °C durante o verão (muito contrastante com o cenário atual no qual a temperatura dessa região varia de -60 °C a -10 °C); (2) a temperatura da superfície de lagos e rios da floresta poderia alcançar 20 °C; (3) a floresta que cobria a Antártica nessa época era densa e do tipo tropical temperada, com algumas áreas pantanosas, muito similar a florestas que hoje ocorrem na Nova Zelândia; (4) muito provavelmente não havia cobertura de gelo na Antártica; (5) a paleolatitude do oeste da Antártica (onde as amostras foram coletadas) era de 81,9°S, o que significa que o continente antártico não se encontrava em uma posição consideravelmente diferente da atual há 90 milhões de anos [idem] – hoje a costa ocidental da Antártica situa-se a uma latitude aproximada de 75°S.[1, 2, 3]

Exponho a seguir três pontos relevantes, do ponto de vista criacionista, concernentes às descobertas feitas na pesquisa em questão.

Em primeiro lugar, o que chama a atenção é a boa preservação das raízes fósseis encontradas. Elas estavam tão bem preservadas que foi possível identificar estruturas celulares.[3] Um dos pesquisadores chegou a afirmar maravilhado: “É como se nós tivéssemos perfurado um ambiente pantanoso moderno e você estivesse vendo o sistema de raiz vivo, pequenas partículas de plantas e pólen – mas tudo isso está preservado há 90 milhões de anos [idem]. É surpreendente.”[2]

O alto grau de preservação desses fósseis contrasta marcadamente com a ideia de que eles possuiriam 90 milhões de anos. Se considerarmos ainda que troncos de árvores muito bem preservados (a ponto de ser possível até mesmo extrair aminoácidos de proteínas das células deles) também foram descobertos em outra localidade da Antártica, fica ainda mais evidente que estamos diante de fósseis vegetais recentes.[4]

Outro ponto importante, segundo a cosmovisão criacionista, é que, de acordo com os cientistas envolvidos nessa pesquisa, dinossauros habitaram as florestas tropicais temperadas da Antártica.[2] Fósseis de diferentes espécies de dinossauros (inclusive do maior predador do começo do Jurássico, o Criolofossauro) e de répteis marinhos contemporâneos a eles já foram encontrados em diferentes localidades da Antártica.[5] Fósseis são o resultado de processos hídricos catastróficos nos quais animais ou vegetais são rapidamente sepultados por lama transportada por água. Portanto, a presença de fósseis (tanto de animais quanto de vegetais) em várias localidades do continente antártico aponta para uma grande inundação que devastou e soterrou (provavelmente depois de algum transporte) árvores, plantas e animais.

Por fim, algo que merece ser destacado trata-se de um evidente paradoxo que surge a partir das interpretações dos pesquisadores dos dados obtidos. Eles concluíram que na época em que a floresta tropical temperada cobria a superfície do continente antártico, há supostos 90 milhões de anos (durante o período Cretáceo), ele estaria em uma latitude próxima da atual, o que significa que já estaria sujeito naquela época, como ocorre hoje, a um período de mais de quatro meses de completa escuridão a cada ano durante o inverno. A questão paradoxal aqui é: Como seria possível uma floresta sobreviver a um período tão extenso de ausência da luz solar? Os cientistas buscaram solucionar esse problema adotando um modelo no qual a concentração de gás carbônico (CO2) na atmosfera naquela época seria cerca de três a quatro vezes superior à concentração atual. Como esse gás é responsável pelo efeito estufa, eles acreditam que sua maior concentração na atmosfera teria promovido um clima quente, mesmo durante os longos invernos escuros, possibilitando a sobrevivência da vegetação.[1, 3]

A contradição em questão surge em função dos pressupostos evolucionistas/uniformitaristas adotados pelos cientistas. Para a geologia convencional, tanto a separação dos continentes quanto a formação das rochas que compõem a coluna geológica demandam centenas de milhões de anos. Logo, para eles, faz sentido pensar que as rochas nas quais os fósseis de raízes foram encontrados possam ter 90 milhões de anos, e que mesmo após todo esse tempo a placa Antártica não tenha se movido consideravelmente. No entanto, ao admitirem tais ideias para interpretar os dados obtidos, que apontam para a presença de uma rica floresta na Antártica, o paradoxo mencionado aparece.

Embora tenham sugerido uma forma de resolver o dilema, a hipótese proposta não parece resolver todos os pormenores da questão. Por exemplo, em um estudo feito em 2011, pesquisadores analisaram microestruturas de ossos de dinossauros também do período Cretáceo, encontrados na Austrália – a qual estaria (de acordo com as premissas evolucionistas) dentro do Círculo Antártico nessa época –, em busca de evidências de hibernação desses animais, haja vista os extensos invernos escuros que eles teriam que suportar, e concluíram que eles não hibernavam – notaram que os ossos dos dinossauros que habitavam próximo à região polar sul não eram diferentes dos ossos de dinossauros de outras latitudes.[5, 6]

Quando consideramos o modelo criacionista, a contradição mencionada desaparece. Segundo esse modelo, a Antártica faria parte, há alguns milhares de anos, de um supercontinente formado por todos os continentes hoje existentes. Naquela época, o continente antártico se situaria em uma latitude bem menor, o que lhe permitiria abrigar uma rica floresta e uma fauna diversa. O dilúvio, que foi a maior catástrofe hídrica do planeta, e também o momento em que as placas tectônicas foram formadas e começaram a se mover rapidamente, explica tanto a vasta ocorrência de fósseis nessa região quanto a posição atual da Antártica.

(David Ramos Pereira é geólogo pela Universidade Federal do Pará e mestre em Geologia e Geoquímica pela mesma universidade)

Referências:

[1] Klages, J. P., Salzmann, U., Bickert, T., Hillenbrand, C. D., Gohl, K., Kuhn, G., … & Bauersachs, T. (2020). Temperate rainforests near the South Pole during peak Cretaceous warmth. Nature580(7801), 81-86.

[2] Dinosaurs walked through Antarctic rainforests. https://www.bbc.com/news/science-environment-52125369; acessado em 04/04/2020.

[3] Evidence of ancient rainforests found in Antarctica. https://edition.cnn.com/2020/04/01/world/antarctica-ancient-rainforest-scn/index.html; acessado em 04/04/2020.

[4] Stumped by Forests in Antarctica. https://answersingenesis.org/the-flood/stumped-forests-antarctica/; acessado em 04/04/2020.

[5] Antarctic Dinosaurs. https://www.britannica.com/topic/Antarctic-Dinosaurs-1812725; acessado em 05/04/2020.

[6] Dinosaurs did not hibernate. https://www.sciencealert.com/shedding-light-on-australias-dinosaurs-of-darkness; acessado em 05/04/2020.

Inteligência artificial traz constrangimentos à teoria da evolução

Na verdade, vários outros aspectos do modelo precisariam de uma revisão.

inteligencia-artificial-teoria-evolucao

Os cientistas há muito acreditam que as extinções em massa de formas de vida na Terra criam períodos muito produtivos de evolução das espécies, ou “radiações”, um modelo conhecido como “destruição criativa”. No entanto, uma nova análise com uma amplitude nunca feita mostrou resultados bem diferentes. Cientistas do Instituto de Tecnologia de Tóquio usaram o aprendizado de máquina para examinar a co-ocorrência de espécies fósseis e descobriram que radiações e extinções raramente estiveram conectadas na história da vida na Terra. Em outras palavras, as extinções em massa geralmente não causam radiações em massa, o que é um grande problema para o neodarwinismo.

A destruição criativa é central para os conceitos clássicos de evolução. Parece claro pelo registro fóssil que há períodos em que muitas espécies desaparecem repentinamente, e muitas espécies novas aparecem de repente. O “de repente” sempre foi uma pedra no sapato dos teóricos, uma vez que o mecanismo de surgimento de novas espécies está longe de ser claro – sem teorias razoáveis para esse mecanismo até agora, os biólogos tipicamente deixam o problema em compasso de espera afirmando que novas espécies surgem “ao longo de milhões de anos”, e não “de repente” [o que se trata de especulação filosófica, diga-se].

De fato, radiações (emergências de vida) de uma escala comparável às extinções em massa – que os autores deste novo estudo chamam de radiações em massa – têm sido muito menos estudadas do que os eventos de extinção, que estão claros no registro paleontológico [na verdade. o registro fóssil mostra um grande evento de extinção em massa que pode ser associado ao dilúvio bíblico, mas, infelizmente, essa catástrofe não é levada em conta pelos evolucionistas, por puro preconceito].

A equipe usou um programa de aprendizado de máquina para examinar a co-ocorrência temporal de espécies no registro fóssil fanerozóico, examinando mais de um milhão de entradas em um enorme banco de dados público que inclui quase duzentas mil espécies. Os resultados sugerem que a destruição criativa não é uma boa descrição de como as espécies se originaram ou foram extintas durante o Fanerozóico.

O método objetivo de inteligência artificial identificou nos dados os “cinco grandes” eventos de extinção em massa já descritos pelos paleontólogos, mas demonstrou que eles estão entre os 5% principais eventos de perturbações significativas em que a extinção ultrapassou a radiação ou vice-versa.

Na verdade, muitos dos momentos mais notáveis da radiação evolutiva ocorreram quando a vida entrou em novas arenas evolucionárias e ecológicas, como durante a explosão cambriana [veja o vídeo abaixo] da diversidade animal e da expansão carbonífera dos biomas florestais. [Fico pensando se os computadores não fossem alimentados com a informação de que a vida na Terra evoluiu ao longo de supostos milhões de anos; que resultados se obteriam…]

O programa também identificou sete extinções em massa adicionais nunca descritas, dois eventos combinados de extinção em massa e radiação, e quinze radiações em massa – em outras palavras, a emergência de vida em massa superou as extinções em massa por um placar de 15 a 12. [Identificação baseada em dados fornecidos.]

Surpreendentemente, em contraste com as narrativas anteriores, que enfatizam a importância das radiações pós-extinção, o estudo demonstrou que as radiações em massa e as extinções mais comparáveis raramente estiveram acopladas no tempo, o que refuta a ideia de uma relação causal entre elas.

Esses são resultados marcantes para a teoria da evolução, trazendo desafios para biólogos e paleontólogos, que agora terão que se deparar com a época em que suas teorias precisam dar um salto evolutivo. [Na verdade, vários outros aspectos da teoria da evolução precisariam de uma revisão, especialmente depois do desenvolvimento de áreas de pesquisa como a biologia molecular e a bioquímica.]

(Inovação Tecnológica)

Local de execução de João Batista foi encontrado por arqueólogos

trono de Herodes Antipas
Arqueólogos acreditam que este nicho representa os restos do trono de Herodes Antipas. A partir daqui, a decisão de executar João Batista pode ter sido tomada. (Crédito da imagem: Győző Vörös)

Arqueólogos afirmam ter identificado a pista de dança mortal onde João Batista — um pregador itinerante que previu a vinda de Jesus — foi condenado à morte por volta de 29 d.C. A Bíblia e o antigo escritor [judeu] Flávio Josefo (37-100 d.C.) descrevem como o rei Herodes Antipas, filho do rei Herodes, havia executado João Batista. Flávio especificou que a execução ocorreu em Maquiaéreos, um forte perto do Mar Morto na atual Jordânia.

Herodes Antipas temia a crescente influência de João Batista entre a população e assim ele o executou, escreveu Josefo. A Bíblia, por outro lado, conta de modo muito mais elaborado, alegando que Herodes Antipas mandou executar João Batista em troca de uma dança.

A história bíblica afirma que Herodes Antipas estava prestes a se casar com uma mulher chamada Herodias, e ambos eram divorciados, algo a que João Batista se opôs. Em seu casamento, a filha de Herodias, chamada Salomé, fez uma dança que tanto encantou Herodes Antipas que o rei prometeu tudo o que ela quisesse como recompensa. Salomé, instigada por Herodias, pediu a cabeça de João Batista. Herodes Antipas estava relutante em conceder o pedido, de acordo com a Bíblia, mas ele finalmente decidiu cumpri-lo e a cabeça de João Batista foi trazida para Salomé em uma bandeja.

Um pátio descoberto em Maquiaéreos é provavelmente o lugar onde a dança de Salomé foi realizada e onde Herodes Antipas decidiu decapitar João Batista, escreveu Győző Vörös, diretor de um projeto chamado Escavações e Pesquisas de Maquiaéreos no Mar Morto, no livro Arqueologia da Terra Santa em ambos os lados: Ensaios arqueológicos em honra de Eugenio Alliata (em tradução livre; Fondazione Terra Santa, 2020). O pátio, disse Vörös, tem um nicho em forma de apsidal que provavelmente sejam os restos do trono onde Herodes Antipas se sentou.

cidadela morte joão batista
Uma reconstrução da cidadela superior de Maquiaéreos. (Crédito da imagem: Győző Vörös)

A equipe arqueológica vem reconstruindo o pátio e publicou várias imagens no livro mostrando como era na época da execução de João Batista. […]

(Live Science, via Hypescience)