Descansa uma grande defensora do criacionismo: Nair Ebling

Com pesar e profunda gratidão, registramos o falecimento, no dia 27 de janeiro de 2026, da professora Nair Elias dos Santos Ebling (1944-2026), uma das vozes mais respeitadas do criacionismo no Brasil. Educadora dedicada, cientista cuidadosa e cristã coerente, Nair Ebling marcou gerações de alunos e leitores ao unir fé bíblica e rigor acadêmico, mostrando que pensar cientificamente não é incompatível com crer no Deus Criador.

Nair formou-se em História Natural em 1966, em São José do Rio Preto, em uma faculdade que pertencia à Universidade de São Paulo (USP), e teve sólida atuação acadêmica na área de genética, educação e estudos sobre as origens, a professora Nair construiu uma trajetória acadêmica sólida, atuando por muitos anos no ensino superior e na formação de professores. Sua produção intelectual foi expressiva, com livros, capítulos e artigos voltados à defesa do criacionismo bíblico, à reflexão sobre as origens e ao diálogo honesto entre ciência e fé. Suas obras tornaram-se referência para estudantes, educadores e leitores interessados em compreender os limites do naturalismo e as evidências de um projeto inteligente na natureza.

O historiador Elder Hosokawa lembra que, “com o apoio de figuras como o pastor Nevil Gorski e a colaboração estreita do professor Admir Josafá Arrais de Matos, Nair aceitou o desafio hercúleo de escrever o próprio material didático. O processo não foi isento de batalhas. Durante a estruturação dos primeiros volumes destinados ao ensino fundamental, enfrentou resistências internas amargas, incluindo reuniões tensas em que colegas de profissão tentaram impedir a publicação do material por divergências conceituais. No entanto, sua resiliência e a de Admir Arrais prevaleceram. Em 1985, foi publicado pela Casa Publicadora Brasileira o livro Ciências, Programa de Saúde para a 5ª série, seguido por uma coleção completa que se estenderia até a 8ª série e, posteriormente, cobriria as quatro primeiras séries iniciais”.

“A publicação desses livros desencadeou uma tempestade na imprensa e na academia. Reportagens contundentes na Folha de S. Paulo e editoriais agressivos na Revista Ciência e Cultura, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, tentaram reduzir o trabalho de Nair e Admir. Contudo, o efeito foi o oposto do esperado pelos críticos. A polêmica gerou curiosidade e uma demanda sem precedentes. Professores de escolas públicas e particulares de todo o país passaram a buscar o material, e até mesmo o MEC, na época, chegou a adquirir edições completas. Nair assistiu, com surpresa e gratidão, como sua obra se espalhou como folhas de outono, levando a mensagem do Criador a lugares onde a fé raramente penetrava. Participou ativamente da abertura da Faculdade Adventista de Ciências em 1989″, completa Hosokawa.

Mais do que títulos e publicações, Nair Ebling deixa o legado de uma vida vivida com integridade, humildade intelectual e compromisso com a verdade. Sua contribuição ao criacionismo brasileiro permanece viva em seus escritos, em seus alunos e em todos aqueles que aprenderam com ela a pensar, questionar e crer. À família, amigos e à comunidade acadêmica e cristã, fica nossa solidariedade e a certeza de que sua obra continua falando, mesmo após seu descanso. Que a esperança da ressurreição por ocasião da breve volta de Jesus console a todos.

Entre as muitas histórias que revelam a estatura intelectual e moral da professora Nair, há uma que ouvi dela pessoalmente e que ilustra tanto sua honestidade científica quanto sua integridade de fé.

Nair costumava recordar sua convivência acadêmica com Theodosius Dobzhansky, um dos mais influentes geneticistas do século 20 e figura central na consolidação da genética evolutiva no Brasil. Em meio às tensões vividas por ela como jovem estudante adventista na Universidade de São Paulo (USP), dividida entre a fé criacionista e o ambiente universitário fortemente evolucionista, ocorreu um diálogo que marcaria profundamente sua vida.

Segundo seu próprio relato, em 1966, durante atividades de campo em São Paulo e em conversas informais, Dobzhansky fez repetidas referências ao “Criador” ao contemplar a natureza, sem ironia aparente. Em uma dessas ocasiões, ao serem confrontados pela complexidade e beleza do mundo natural, ele lhe perguntou se realmente acreditava que tudo aquilo pudesse ser fruto do acaso. Diante da resposta negativa de Nair, Dobzhansky a aconselhou de forma direta e surpreendente: que permanecesse criacionista e não abandonasse sua convicção por causa do que ele havia escrito ou ensinado.

Ainda segundo o testemunho de Nair, ao ser questionado sobre a influência que exercera – e continuaria exercendo – sobre gerações de estudantes, Dobzhansky encerrou a conversa com uma confissão carregada de peso pessoal: disse que ela era jovem, que não precisava seguir o caminho que ele havia trilhado, e que ele próprio já tinha ido longe demais para voltar atrás.

Esse relato, que por muito tempo foi tratado por alguns como “lenda urbana”, encontra eco no próprio texto mais famoso de Dobzhansky, publicado em 1973, no qual ele se declara simultaneamente criacionista e evolucionista, afirmando entender a evolução como o método de criação de Deus ou da natureza – ainda que, paradoxalmente, descreva esse processo como “criativo, porém cego”.

Ao compartilhar essa experiência, Nair nunca buscou sensacionalismo nem disputas ideológicas. Seu objetivo era testemunhar que a ciência, mesmo em seus mais altos níveis, não está imune a conflitos existenciais profundos, e que a fidelidade à consciência pode custar caro – mas vale a pena.

Para ela, essa vivência não enfraqueceu sua fé; ao contrário, ajudou a firmá-la. E é assim que sua memória permanece: como a de uma educadora que transitou com coragem entre ciência e crença, sem jamais abrir mão da honestidade intelectual nem da confiança no Criador.

A declaração de Dobzhansky: “Only a creative but blind process could produce… the tremendous biologic success that is the human species… The organic diversity becomes, however, reasonable and understandable if the Creator has created the living world not by caprice but by evolution propelled by natural selection. It is wrong to hold creation and evolution as mutually exclusive alternatives. I am a creationist and an evolutionist. Evolution is God’s, or Nature’s method of creation. Creation is not an event that happened in 4004 BC; it is a process that began some 10 billion years ago and is still under way” (Dobzhansky, Theodore [1973], “Nothing in Biology Makes Sense Except in the Light of Evolution”, The American Biology Teacher, 3:125-129, March. p. 127). Portanto, o famoso cientista acabou por se declarar um evolucionista teísta.

O Experimento Nigeriano: darwinismo versus cristianismo e as consequências do domínio colonial

Qual é a melhor opção para o florescimento humano: a ideia darwiniana de que os humanos são produto de uma evolução cega, impulsionada por variações aleatórias e pela sobrevivência do mais apto, ou a ideia cristã de que os humanos de todas as cores, culturas e crenças são feitos à imagem de um Deus amoroso e racional que morreu por seus pecados? Poderíamos teorizar, é claro, e decidir com base nas implicações lógicas de cada visão de mundo, mas também seria útil realizar um experimento para ver como as ideias de cada posição se aplicam na prática. Idealmente, faríamos o seguinte: pegaríamos um país, o dividiríamos e o colocaríamos nas mãos de pessoas de fora, de uma cultura tecnologicamente mais avançada. Colocaríamos uma parte sob o controle de darwinistas e a outra parte sob o controle de cristãos. No experimento, escolheríamos darwinistas que de fato se comportassem de acordo com os princípios do darwinismo, e não segundo quaisquer princípios cristãos aos quais pudessem ter sido expostos na infância. Também procuraríamos líderes cristãos que se esforçassem para viver de acordo com os princípios explícitos das Escrituras, em vez de distorcê-las, interpretá-las erroneamente ou ignorá-las. Então, esperaríamos cem anos para ver o que aconteceria.

Foi basicamente isso que aconteceu com a Nigéria.

A partilha da África

No fim do século 19, a Grã-Bretanha, os Estados Unidos e doze nações europeias se uniram e dividiram a África entre si. As fronteiras foram traçadas de forma bastante aleatória, sem levar em consideração os grupos étnicos que já viviam na região e se autogovernavam. Como observou o primeiro-ministro britânico Lord Salisbury: “Estivemos empenhados em traçar linhas em mapas onde jamais pisaram os pés de um homem branco.”

Por que fizeram isso? Porque estavam ávidos pelos recursos naturais e pelos mercados da África. Isso ficou conhecido como a “Partilha da África”. A Grã-Bretanha assumiu o controle do que hoje é conhecido como Nigéria. Algumas partes do país foram colocadas sob o controle de cristãos, enquanto o norte da Nigéria foi entregue a agnósticos que seguiam explicitamente os preceitos do darwinismo social no desenvolvimento de suas políticas públicas.

O acadêmico e pastor nigeriano Olufemi Oluniyi discute esse experimento social massivo e não intencional, bem como seus resultados dolorosamente claros, em seu livro Darwin Chega à África: Darwinismo Social e Imperialismo Britânico no Norte da Nigéria.

Darwinismo social

Para entendermos o que aconteceu na Nigéria – e o que ainda está acontecendo lá e em outros lugares – precisamos compreender a conexão entre o darwinismo como teoria científica e o darwinismo social como um guia para interagir com outros grupos.

A teoria científica de Darwin sobre mutação aleatória e seleção natural aplica-se à biologia, a organismos simples como as células e a organismos mais complexos como os animais, incluindo os seres humanos. Na visão darwiniana, todos evoluíram de um ancestral comum e todos são moldados pela visão darwiniana do mundo biológico como, em sua essência, uma luta impiedosa pela sobrevivência, em que os fortes dominam e destroem os fracos. Existem muitas variações da teoria da evolução, mas, em linhas gerais, a teoria de Darwin incentivou amplamente as seguintes ideias na biologia:

• Existe uma escala evolutiva, e alguns organismos são mais evoluídos do que outros.

• Os organismos precisam competir por recursos limitados.

• Os mais fortes tendem a sobreviver e os mais fracos a desaparecer.

• Isso é bom. Quanto mais forte, melhor. O processo gera organismos mais aptos.

Aplicados à sociedade humana, esses princípios foram traduzidos da seguinte forma:

• Alguns grupos étnicos são mais evoluídos do que outros.

• Os grupos étnicos precisam competir por recursos limitados.

• Os grupos mais evoluídos sairão vitoriosos.

• Isso é bom. Cria seres humanos melhores. 

Isso é darwinismo social.

O darwinismo social justifica o imperialismo.

É moralmente errado invadir outros países, redesenhar suas fronteiras, colonizá-los à força e tomar o controle de seus recursos? Não, segundo o darwinismo social. O grande darwinista Karl Pearson escreveu em 1905: “Uma comunidade de homens está tão sujeita quanto uma comunidade de formigas ou uma manada de búfalos às leis que regem toda a natureza orgânica. Não podemos escapar delas; não adianta protestar contra o que alguns podem chamar de crueldade e sede de sangue. Podemos apenas estudar essas leis, reconhecer os benefícios que elas trouxeram ao homem e instar o estadista e o pensador a considerá-las e a utilizá-las.”

Em outras palavras, os países fortes têm todo o direito de explorar os mais fracos. Em termos darwinianos, a força faz o direito; os “vencedores” são evolutivamente mais avançados do que os “perdedores” – são mais fortes, mais inteligentes e têm maior capacidade de sobrevivência.

Em termos de darwinismo social, colonizar um país é uma ação relativamente branda. Considere que Pearson também escreveu: “Raças superiores e inferiores não podem coexistir; se as primeiras quiserem usar os recursos globais de forma eficaz, as últimas devem ser extirpadas.” Extirpadas, no sentido de completamente destruídas, mortas, literalmente, “arrancadas pela raiz”.

Lembre-se de que Pearson não era um excêntrico qualquer, mas sim um professor altamente respeitado que se tornou o primeiro titular da Cátedra Galton de Eugenia no University College London. Um de seus admiradores era Frederick Lugard, o homem que a Grã-Bretanha colocou no comando do norte da Nigéria.

O darwinismo social justifica o racismo

Lugard, um agnóstico, admirava não apenas Pearson, mas também o franco darwinista social Benjamin Kidd, que argumentava que os brancos eram evolutivamente superiores aos negros. Lugard citou com aprovação a opinião de Sir Charles Eliot de que a mente do homem negro “está muito mais próxima do mundo animal do que a do europeu ou asiático, e exibe algo da placidez do animal e da falta de desejo de ascender além do estado em que se encontra”. Você leu certo. Essas pessoas acreditavam que os negros eram mais próximos dos animais do que os brancos.

A esposa de Lugard, uma jornalista muito influente que dedicou boa parte do seu tempo a proferir discursos na Inglaterra sobre a Nigéria, também comparou os negros a animais. Flora Lugard observou que no norte da Nigéria, “a raça [negra] é tão persistente que perdurou. Deixe-a ser preservada com um mínimo de cuidado, como se faz com elefantes e búfalos em certas regiões, e ela se multiplicará a uma taxa que poderá ser um perigo ou uma vantagem, dependendo de como for tratada pelo homem branco”.

Você leu certo. Flora aconselhou a tratar os nigerianos essencialmente como gado.

Os Lugards não eram exceções. Essas atitudes eram típicas da chamada elite intelectual da época. O racismo em si não era novidade, mas o darwinismo lhe conferia legitimidade, dando-lhe uma aparência de respeitabilidade científica. Assim, ouvimos ecos da teoria da evolução em muitos dos comentários racistas. O povo nigeriano, disse Lugard, por exemplo, eram “as raças infantis do mundo”, incluindo “muitos que ainda estão no estágio mais baixo de selvageria primitiva”.

Branco é tudo?

É claro que os europeus brancos (darwinistas) se consideravam o grupo humano mais evoluído. Ao avaliar tribos africanas, eles chegaram a considerar as tribos de pele mais clara como mais evoluídas do que as de pele mais escura. Lugard escreveu: “Todas as tribos nigerianas foram modificadas, em maior ou menor grau, pela miscigenação com sangue negro, o que produziu tipos raciais distintos entre si e bastante diferentes do tipo negro. Elas variam em suas características mentais e físicas de acordo com a quantidade de sangue negro em suas veias, que se mostrou extremamente potente em assimilar linhagens estrangeiras ao seu próprio tipo.”

Ele afirma isso sem provas, observe bem. E, coerente com sua visão de mundo darwinista social, Lugard elevou a posições de poder a tribo de pele mais clara do norte da Nigéria. Eles eram considerados “uma raça parcialmente branca”, disse Flora Lugard, enquanto seu marido observou que “tais raças formam um elo inestimável entre os funcionários britânicos e o campesinato nativo”.

Infelizmente, o grupo de pele mais clara era justamente o dos fulanis, uma tribo islâmica violenta conhecida principalmente por saquear e aterrorizar aldeias pacíficas pagãs e cristãs. “Esses fulanis chegaram tarde à África, nômades do gado sem pátria própria”, escreve Oluniyi. “Eles conquistaram certas regiões durante as jihads fulanis dos séculos 18 e 19, praticando intensamente a escravidão e o tráfico de violência.” Todos os temiam; muitos os desprezavam, argumentando que, se os fulanis fossem disciplinados e trabalhadores, produziriam seus próprios produtos em vez de roubar os de outros.

Mas, com os olhos vidrados do darwinismo firmemente colocados, Lugard ignorou tudo isso e declarou alegremente que “o domínio fulani foi mantido como um experimento, pois estou… ansioso para utilizar, se possível, sua maravilhosa inteligência, pois eles são governantes natos e incomparavelmente superiores às tribos negroides em habilidade”, exibindo “poderes de organização e desenvolvimento intelectual à frente da raça negra pura”.

Ninguém que realmente conhecesse os fulanis os via como tais exemplos de perfeição. Mas, como a maioria dos administradores darwinistas, os Lugards mantinham-se em grande parte separados dos habitantes locais “menos evoluídos”. Assim, a esposa de Lugard pôde concordar alegremente com sua avaliação: “Parece que estamos diante de um dos grandes fatos fundamentais da história: existem raças que nascem para conquistar e outras para persistir sob a conquista.”

O darwinismo social justifica a violência

Os resultados da ascensão dos fulanis ao poder foram, como qualquer pessoa livre das amarras do racismo científico poderia ter previsto, extremamente infelizes. Oluniyi escreve: “O missionário Walter Miller [que viveu décadas na Nigéria] observou que traços típicos dos fulanis, como ‘uma natureza naturalmente cruel e vingativa, os transformaram em tiranos em vez de governantes’.” Miller fornece detalhes explícitos de torturas horríveis impostas pelos fulanis. O domínio fulani era um exemplo de uma monstruosidade multifacetada e complexa, e seus funcionários fulanis eram precipitadores, promotores e perpetuadores de uma desumanização sem limites.

Curiosamente, Lugard não recrutou um único fulani para sua guarda pessoal de elite, observa Oluniyi. “Em vez disso, os cerca de setenta membros eram exclusivamente iorubás – homens de pele escura do sul, região desprezada. Em outras palavras, quando a situação apertava, era somente entre os iorubás que Frederick Lugard podia se sentir seguro e tranquilo.”

Dificilmente se poderia dizer que Lugard considerava o Islã pessoalmente atraente. Ele temia que “ao apoiar o domínio [Fulani], inevitavelmente encorajamos a disseminação do Islã, que, do ponto de vista puramente administrativo, tem a desvantagem de estar sujeito a ondas de fanatismo”.

Mas ele minimizou o perigo, usando um raciocínio tipicamente racista: “Como religião, [o Islã] não evoca no negro puro o zelo ardente que desperta nas raças de sangue estrangeiro ou mestiço, e muitas vezes há pouca diferença entre o camponês ou o trabalhador que se autodenomina muçulmano e seu irmão pagão.” Além disso, disse ele, o Islã “é uma religião incapaz de atingir o seu pleno desenvolvimento, mas as suas limitações adequam-se às limitações do povo”. Outro administrador britânico concordou, explicando que “o grande mérito do Islã é que oferece ao africano uma explicação do Universo e um código de ética superior ao seu, mas não demasiado difícil ou muito diferente do seu”.

Em comparação, os princípios mais abstrusos do cristianismo, seu código de moralidade sexual mais rigoroso, sua exaltação da paz e da humildade, seu reconhecimento da fraternidade com o escravo, o cativo e o criminoso, não se adequam totalmente ao temperamento do negro, escreveu Lugard. Em suma, o islamismo era considerado “mais adequado do que o cristianismo para o homem negro violento e intelectualmente limitado”, escreve Oluniyi. Quase se pode vê-lo revirando os olhos diante dessa afirmação absurda. Alguns padres da Igreja eram africanos, destaca Oluniyi. O próprio cristianismo já estava bem estabelecido entre muitos grupos étnicos africanos muito antes da colonização europeia. De fato, em termos de moralidade e decência básica, os europeus brancos não se comparam muito bem a muitas das tribos africanas que Oluniyi descreve.

Um desastre total

As visões pseudocientíficas do darwinismo social produziram, como era de se esperar, uma série de problemas no norte da Nigéria. Os administradores britânicos, também adeptos do darwinismo social, conseguiram fomentar a discórdia entre grupos étnicos e religiosos, incentivar a violência e minar práticas comerciais e econômicas locais que antes eram bem-sucedidas. Mulheres e meninas sofreram sob um regime islâmico que as considerava propriedade. Pagãos e cristãos rapidamente se tornaram cidadãos de segunda classe.

E a educação sofreu, em grande parte porque os missionários cristãos, com a intenção de proporcionar oportunidades educacionais aos nigerianos, eram geralmente proibidos de entrar na região norte, para não desagradar os emires. Os poucos que tinham permissão para entrar enfrentavam regras bizarras e eram impedidos de abrir e administrar escolas. Em poucos anos, todos esses fatores colocaram o norte da Nigéria muito atrás de seus pares.

A outra metade

Enquanto os darwinistas sociais estavam ocupados destruindo o norte da Nigéria, as áreas do país sob governo cristão prosperavam. Nessas regiões, africanos ocupavam posições-chave na administração – por causa de suas habilidades, não pela cor de sua pele. Ao mesmo tempo, missionários cristãos tinham livre acesso para estabelecer escolas e promover métodos agrícolas modernos, práticas comerciais e sistemas de comunicação, o que beneficiou enormemente essas regiões. “Os missionários cristãos”, diz Oluniyi, “viam que o africano era tão capaz de compreender e abraçar o cristianismo quanto qualquer europeu, e tão capaz de aprender e implementar avanços em diversas outras áreas também.” Oluniyi apresenta uma longa lista de avanços que os missionários trouxeram e – o que é significativo – confiaram aos cuidados dos africanos.

Além disso, em nítido contraste com os darwinistas sociais, que não conseguiam conceber aprender nada com um africano “menos evoluído”, a maioria dos cristãos que vieram da Grã-Bretanha para a Nigéria trouxe consigo uma atitude de humildade, uma disposição para ver não apenas o que os africanos poderiam não ter, mas também o que eles poderiam oferecer. Por exemplo, William MacGregor, o governador britânico de uma região (e, como observa Oluniyi, um leitor diário da Bíblia), elogiou a indústria têxtil local e observou que os tecidos africanos eram superiores aos produtos britânicos. A esposa de um administrador cristão diferente escreveu sobre “saudações e cumprimentos sorridentes que me foram dirigidos por todos os lados” nas ruas movimentadas de Kano ou de qualquer outra cidade da Nigéria. “E isso não é de forma alguma um tributo a qualquer charme pessoal meu. Qualquer viajante, de pele negra ou branca, recebe o mesmo tratamento naturalmente.” E Oluniyi dá muitos outros exemplos. Essencialmente, esses eram cristãos da Grã-Bretanha que abordavam os africanos como outros seres humanos. Eles conversavam com eles, viviam entre eles e interagiam com eles respeitosamente.

Este é o resultado natural da cosmovisão cristã. O cristianismo vê todos os seres humanos como iguais, feitos à imagem de Deus e, como tal, dignos de dignidade e respeito. Não existe uma hierarquia evolutiva, ninguém acima ou abaixo de ninguém. E não há elogio à “sobrevivência do mais apto”. Em vez disso, os seguidores de Cristo são incentivados a proteger os fracos, defender os oprimidos, cuidar dos doentes e acolher os estrangeiros. “Tais visões diferentes da humanidade e das origens humanas são irreconciliáveis”, escreve Oluniyi.

Consequências da visão de mundo

O destino do norte da Nigéria demonstra como as pressuposições da visão de mundo têm consequências. O darwinismo não ofereceu nenhuma razão para valorizar o africano e todas as razões para explorá-lo. Embora a Nigéria forneça um estudo de caso dolorosamente claro, Oluniyi não é de forma alguma o único acadêmico a documentar os danos que o darwinismo causou às relações raciais e à sociedade humana. Notavelmente, o historiador Richard Weikart escreveu extensivamente sobre a conexão entre os princípios darwinianos e o Terceiro Reich de Adolf Hitler. Veja, por exemplo, De Darwin a Hitler e Racismo Darwiniano. John West explora os efeitos desumanizadores do darwinismo em O Dia de Darwin na América, e Benjamin Wiker explora a obscuridade ética no cerne do darwinismo em Darwinismo Moral. Muitos outros apresentaram argumentos semelhantes.

É claro que alguns darwinistas não são racistas, e alguns cristãos são. A diferença reside no seguinte: o racismo flui natural e logicamente da visão de mundo darwinista, enquanto os cristãos que praticam a opressão racista precisam racionalizar princípios fundamentais do cristianismo para fazê-lo. As Escrituras deixam claro que todos os homens e mulheres são feitos à imagem de Deus e, como tal, são igualmente dignos de dignidade e respeito. Jesus escandalizou seus contemporâneos ao Se associar com estrangeiros e mulheres (João 4); Paulo escreveu que “não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos vocês são um em Cristo Jesus” (Gálatas 3:28). E a carta de Paulo a Filemon, no Novo Testamento, é uma aula magistral sobre como encorajar um dono de escravos a tratar seu escravo fugitivo como um irmão amado em Cristo e a libertá-lo em seu retorno, em vez de puni-lo.

Tudo isso é relevante para nossas avaliações das tensões raciais e outras tensões interpessoais na atualidade. Qual é a visão de mundo subjacente? Essa visão de mundo reflete a crença de que todos nós, independentemente da cor da pele, somos feitos à imagem de Deus e iguais em valor? Ou coloca um grupo contra o outro, numa espécie de lei do mais forte, em que o poder é o bem supremo, ou melhor, o único bem?

Duas visões da humanidade

Então, voltando à nossa pergunta inicial: Qual visão de mundo melhor incentiva o florescimento humano? A ascensão da liberdade política, econômica e religiosa, juntamente com a invenção da ciência e a criação de hospitais e universidades na Europa cristã medieval e renascentista, sugere a resposta judaico-cristã, assim como o destino da Alemanha nazista e os grandes desastres comunistas do século 20, cada um moldado pelo uso do materialismo darwiniano por Karl Marx. Mas, como Oluniyi demonstra, não precisamos fazer uma pesquisa tão abrangente. O trágico experimento “natural” que foi a Nigéria colonial nos dá a resposta.

Na verdade, não há comparação. E, no entanto, em muitos lugares do mundo, o darwinismo, incluindo o darwinismo social, infiltra-se no direito, na política e nos negócios – em qualquer lugar em que um senso de superioridade pessoal, ou uma vontade de exercer poder sobre os outros, deseje se revestir com a aparência de respeitabilidade científica.

É por isso que Oluniyi quer que paremos de falar sobre raças. “Só existe uma raça humana”, diz ele, “da qual todos fazemos parte.” E talvez seja por isso que um jovem negro me abordou depois de ouvir falar do manuscrito de Oluniyi, de sua morte prematura e de seus assuntos inacabados que eu estava ajudando a concluir e publicar. “O que você está fazendo é bom”, disse ele, com lágrimas nos olhos. “A história desse homem é importante. Essas lições importam. Elas precisam ser ouvidas.”

Observação: Oluniyi enviou um rascunho do manuscrito ao Discovery Institute pouco antes de a Covid-19 lhe tirar a vida. Com a bênção de sua família, o Discovery Institute finalizou e publicou Darwin Chega à África. Eu fui um dos editores. Amanda Witt

A doutora é editora do Discovery Institute e autora de quatro romances distópicos e várias obras mais curtas, tanto de ficção quanto de não ficção. Antes de se dedicar à edição, lecionou como professora adjunta de inglês e humanidades.

(Revista Salvo)

O núcleo da Terra está girando ao contrário? É o fim do mundo?

Nos últimos tempos, manchetes alarmistas sugeriram que o núcleo interno da Terra teria “parado” e passado a girar no sentido oposto – o suficiente para alimentar temores apocalípticos. Mas o que as pesquisas realmente dizem? A resposta curta é: não é o fim do mundo (pelo menos não por causa disso). Trata-se de um fenômeno natural, cíclico e já esperado pelos geofísicos.

O estudo sobre a multidecadal variation of the Earth’s inner-core rotation, publicado na revista Nature Geoscience, analisou dados sísmicos acumulados ao longo de décadas. Terremotos fortes produzem ondas sísmicas que atravessam o planeta inteiro. Ao comparar o tempo de chegada e a forma dessas ondas em estações sismográficas ao redor do mundo, os cientistas conseguem “ver” o que acontece no interior da Terra – inclusive no núcleo interno, uma esfera sólida de ferro e níquel do tamanho aproximado da Lua.

Quando ondas sísmicas percorrem o mesmo trajeto em anos diferentes e chegam com diferenças mínimas de tempo, isso indica mudanças na posição e rotação do núcleo interno em relação ao manto e à crosta.

Ele parou mesmo?

Não exatamente. O que os pesquisadores observaram foi que o núcleo interno reduziu sua rotação relativa, atingindo um ponto de quase sincronia com o manto, e depois passou a girar levemente no sentido oposto. Isso não significa uma inversão brusca ou caótica, mas uma oscilação suave, como um pêndulo que desacelera, para, e muda de direção.

Por que isso acontece?

O núcleo interno não está isolado. Ele sofre a influência de forças gravitacionais do manto, interações eletromagnéticas com o núcleo externo líquido, e da própria dinâmica térmica do planeta. Essas forças geram ciclos naturais de aceleração e desaceleração da rotação, com períodos estimados em décadas (aproximadamente 60–70 anos). Ou seja, isso já aconteceu antes – e voltará a acontecer.

Há riscos para a vida na Terra?

Não. Nenhum risco conhecido. Essas variações não causam terremotos, não afetam o campo magnético de forma perigosa, não alteram o clima, não representam ameaça à vida.

O campo magnético da Terra, que nos protege da radiação solar, é gerado principalmente pelo núcleo externo líquido, não pelo núcleo interno sólido. As mudanças observadas são sutis demais para provocar qualquer colapso magnético ou ambiental.

Há implicações práticas?

Sim, mas todas científicas, não catastróficas. Esses estudos ajudam a refinar modelos do interior da Terra, compreender melhor o comportamento do campo magnético, melhorar a interpretação de dados sísmicos, avançar no conhecimento sobre a história térmica do planeta. Em outras palavras, é ciência de ponta – não sinal de desastre iminente.

Então, por que tanto alarde?

Porque fenômenos complexos costumam ser simplificados (ou distorcidos) quando chegam ao público. “O núcleo da Terra mudou de direção” soa muito mais dramático do que “detectamos uma oscilação cíclica na rotação relativa do núcleo interno”.

O núcleo interno da Terra não entrou em colapso, não parou de funcionar e não ameaça o planeta. O que a ciência identificou foi mais uma peça no quebra-cabeça fascinante da dinâmica terrestre: mudanças lentas, previsíveis e cíclicas, que ocorrem muito abaixo de nossos pés.

O “segundo zero” da vida: quando a ciência observa a ordem no início da existência

Pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) conseguiram algo notável: observar com altíssima precisão o que acontece nos instantes iniciais após a fecundação. Não minutos depois, nem horas depois, mas logo no início, quando o óvulo fertilizado é ativado e o processo da vida começa. O que eles viram foi tudo, menos simples. Pouco após a fecundação, ondas bioquímicas percorrem o óvulo, como se um interruptor invisível tivesse sido acionado. Longe de qualquer reação aleatória ou caótica, os cientistas descrevem esse momento como um verdadeiro “segundo zero”: o instante em que os mecanismos fundamentais do desenvolvimento embrionário entram em funcionamento.

O aspecto mais impressionante da descoberta está no padrão dessas ondas. Elas não se espalham de maneira desordenada. Pelo contrário: seguem ritmos definidos, sequências estruturadas e até padrões em espiral, semelhantes àqueles observados em fenômenos naturais altamente organizados, como redemoinhos, galáxias ou sistemas químicos auto-organizados.

Isso revela que, desde o primeiro instante, o desenvolvimento embrionário obedece a regras precisas, cuidadosamente coordenadas. Já no estágio de uma única célula, o que se vê não é improviso, mas informação em ação. A observação direta desses processos reforça algo que a biologia moderna vem constatando há décadas: a complexidade da vida não surge gradualmente a partir do caos, mas se manifesta desde o início, de forma integrada e funcional. Uma única célula já contém sistemas de sinalização altamente sofisticados; coordenação espacial e temporal. Isso levanta uma questão inevitável: Como tamanha organização pode emergir sem direção, sem informação prévia, sem um princípio ordenador?

Os próprios pesquisadores descrevem o fenômeno com admiração científica. Ainda que não avancem para conclusões filosóficas, os dados observados dialogam diretamente com o debate sobre origem da vida e complexidade biológica.

Para o criacionismo bíblico, essa descoberta não é surpresa. A Bíblia descreve a vida como algo intencionalmente formado, não como produto do acaso: “Tu formaste o meu interior, Tu me teceste no ventre de minha mãe” (Salmo 139:13).

A ciência, ao olhar cada vez mais de perto, não encontra simplicidade primitiva, mas engenharia biológica em seu ponto de partida.

A ciência moderna está chegando cada vez mais perto do início – e quanto mais se aproxima, menos encontra acaso e mais encontra ordem. O chamado “segundo zero” da vida não revela um processo bruto esperando para ser moldado, mas um sistema finamente ajustado desde o primeiro instante.

Talvez a grande descoberta do nosso tempo não seja apenas como a vida começa, mas o quanto ela já começa extraordinariamente organizada.

Quando a vida valia pouco: infanticídio no mundo antigo e a revolução ética do cristianismo

Entre os papiros que sobreviveram ao tempo, há documentos que funcionam como espelhos incômodos de uma civilização. Um deles é a carta do soldado Hilárion à sua esposa Ális, escrita em 1 a.C. O conteúdo é direto e brutal: se o bebê que nascer for menino, deve ser criado; se for menina, deve ser descartada. Não se trata de um desvio moral isolado, mas de um retrato fiel da mentalidade dominante no mundo greco-romano.

Naquela cultura, o infanticídio não era visto como crime, mas como prática socialmente aceita, regulada por critérios econômicos, utilitários e patriarcais. A ordem de preservar o filho homem e eliminar a filha mulher revela valores profundamente arraigados: a primazia absoluta do pater familias, a desigualdade ontológica entre os sexos e a compreensão da vida humana como algo condicionado à utilidade social.

No direito romano, o pai detinha o ius vitae necisque, isto é, o direito legal de decidir sobre a vida ou a morte do recém-nascido. Crianças indesejadas, com deficiência, fruto de relações consideradas inconvenientes ou simplesmente do sexo feminino podiam ser “expostas” – abandonadas à própria sorte, geralmente à morte. O mais perturbador é que essa prática contava com respaldo intelectual. Filósofos respeitados como Aristóteles e Sêneca justificavam o descarte de crianças em nome da razão, da ordem social ou da estabilidade do Estado. A vida, portanto, não possuía valor intrínseco universal.

É nesse cenário que o cristianismo surge como uma ruptura ética e teológica sem precedentes. Desde seus primórdios, a fé cristã afirmou que todo ser humano é criado à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1:26, 27), o que confere dignidade inviolável à vida, independentemente de sexo, condição física ou status social. Essa não era apenas uma crença abstrata, mas um princípio com consequências práticas profundas.

Textos cristãos antigos confirmam isso. A Didachê, provavelmente escrita entre o fim do século I e o início do II, condena explicitamente o aborto e o infanticídio: “Não matarás o filho por aborto, nem o farás perecer depois de nascido.” Em poucas palavras, o documento desmonta a lógica dominante do mundo romano.

No centro dessa revolução está a própria encarnação. Em Jesus Cristo, Deus assume a fragilidade humana desde o ventre, passando pela infância e pela vulnerabilidade social. Ao acolher crianças e afirmar que “dos tais é o Reino de Deus” (Marcos 10:14), Jesus subverte frontalmente o utilitarismo romano. No cristianismo, o valor da pessoa não depende de força, sexo, produtividade nem cidadania, mas da graça.

Essa nova visão não ficou restrita ao discurso religioso. Historicamente, comunidades cristãs passaram a recolher crianças abandonadas, criando uma prática contracultural de cuidado, adoção e proteção dos mais vulneráveis. Com o avanço do cristianismo no Império Romano, especialmente a partir do século IV, começaram a surgir leis que restringiam ou proibiam a exposição de bebês. Ainda que de forma gradual e imperfeita, estava em curso uma transformação moral profunda.

O contraste é inescapável. Onde o mundo antigo via vidas descartáveis, o cristianismo passou a enxergar imagem de Deus. Onde havia cálculo utilitário, surgiu o valor intrínseco da pessoa. Assim, o cristianismo não apenas denunciou o infanticídio como pecado, mas reconfigurou a própria compreensão do que significa ser humano. É uma herança ética que continua a desafiar qualquer cultura que tente, novamente, medir o valor da vida por critérios de conveniência.

Especialista comenta estudo sobre dinossauros na Bolívia

Pesquisa realizada por adventistas no país sul-americano traz mais dados sobre os curiosos animais, a partir de pegadas que estão sob estudo.

Instituto de Pesquisa em Geociências (GRI) anunciou recentemente a publicação de um estudo de grande relevância conduzido por Raúl Esperante, cientista sênior do instituto, na revista de acesso aberto PLOS One. Foram documentadas mais de 16.000 pegadas de dinossauros no sítio Carreras Pampas, na Bolívia, atualmente considerado o maior sítio de pegadas de dinossauros já registrado.

A descoberta registra uma ampla variedade de atividades desses animais ao longo de uma antiga linha costeira, incluindo caminhada, corrida, natação, curvas acentuadas e marcas de arrasto de cauda. A pesquisa descreve pegadas que variam de menos de 10 centímetros a mais de 30 centímetros, deixadas principalmente por terópodes tridáctilos.

Para entender o que significa essa descoberta, a Agência Adventista Sul-Americana de Notícias (ASN) conversou com Michelson Borges. Ele é pastor, jornalista e pós-graduado em Biologia Molecular pela Universidade Cândido Mendes. É autor de vários livros sobre criacionismo, história e mídia e é editor da revista Origens, além de manter desde 2005 o blog www.criacionismo.com.br.

[Continue lendo.]

Leia também: Criacionistas fazem pesquisas sobre dinossauros na Bolívia

Arqueólogos encontram templo que confirma história de Paulo

Arqueólogos anunciaram a descoberta de ruínas de uma igreja antiga na antiga cidade de Listra – hoje sítio arqueológico na Turquia – que, segundo os pesquisadores, pode ser um dos vestígios físicos das viagens missionárias do apóstolo Paulo. A edificação mede cerca de 30 metros de comprimento, com mosaicos dourados e paredes ornamentadas, e estaria erguida desde o fim da Antiguidade (século V). Essa descoberta assume enorme importância porque Listra é mencionada diversas vezes no Novo Testamento como palco das pregações de Paulo – inclusive nos relatos em que ele e seu companheiro Barnabé são confundidos pelos moradores com deuses gregos, após praticarem milagres.

Por que esse achado interessa aos cristãos

  • Validação histórica da narrativa bíblica: Encontrar uma igreja cristã antiga exatamente no local onde as Escrituras situam Paulo fortalece a confiabilidade dos relatos bíblicos. Para quem defende a historicidade da Bíblia esse tipo de evidência reforça o argumento de que os eventos narrados não são meras lendas, mas aconteceram de fato.
  • Cristianismo primitivo concreto: A igreja não é um artefato isolado; a presença de mosaicos, ornamentos e sua dimensão indicam que Listra não era um ponto secundário, mas sim um centro de comunidade cristã antiga – o que confirma que o cristianismo se espalhou rapidamente e de forma organizada, desde os primeiros séculos.
  • História real por trás da fé: Muitos críticos afirmam que a fé cristã se baseia unicamente em tradições orais ou textos. Este achado mostra que há registros arqueológicos palpáveis que dialogam com os relatos escritos na Bíblia, mostrando que fé e história podem caminhar juntas.

Além disso, essa descoberta soma-se a outras recentes – como a de igrejas antigas no Egito, descobertas por arqueólogos e datadas de mais de 1.600 anos.

Fé confirmada, apologética fortalecida

Para nós que defendemos uma cosmovisão criacionista, a arqueologia é uma aliada poderosa – não porque dependa dela, mas porque, quando confirma relatos bíblicos, ela dá ainda mais confiança de que a Escritura retrata realidades históricas e fatos concretos.

Esse tipo de evidência arqueológica ajuda a combater a narrativa de que a Bíblia seria mera mitologia ou metáfora. Ajuda a mostrar que os eventos da vida dos primeiros cristãos – as viagens missionárias, os testemunhos, a fundação de igrejas – realmente aconteceram. E, por isso, fortalece a fé, reforça a credibilidade da Palavra de Deus e dá base racional ao criacionismo histórico.

Se a fé já é companheira da esperança, da convicção espiritual e da confiança no Criador, quando arqueologia e ciência corroboram a historicidade dos textos sagrados, a fé se torna também uma convicção informada e consciente.

Cada ruína, cada mosaico, cada descoberta arqueológica que confirma a Escritura é uma pontada de esperança. É um lembrete de que não vivemos de mitos, mas de verdades reais, que atravessam séculos. E que a história que cremos – do Gênesis até a nova criação – continua sendo registrada, fragmento a fragmento, evidência a evidência.

A parte do corpo humano que os evolucionistas não conseguem explicar

A narrativa evolucionista costuma apresentar o corpo humano como uma máquina montada “aos trancos e barrancos” ao longo de bilhões de anos. Segundo essa visão, cada detalhe – das células aos órgãos complexos – teria surgido de adaptações acumuladas ao acaso. No entanto, quando analisamos características específicas do corpo humano, percebemos que algumas delas permanecem profundamente enigmáticas, mesmo para os cientistas mais comprometidos com o paradigma evolutivo. Uma delas é o queixo humano, uma estrutura única entre todos os mamíferos e que até hoje não encontra uma explicação convincente dentro da biologia darwinista.

Mesmo com avanços consideráveis, pesquisadores admitem que ainda existem enormes lacunas sobre o porquê de muitas características terem surgido. O professor Max Telford, da University College London, destaca isso em seu livro A Árvore da Vida: embora se pense que é possível reconstruir a suposta “ordem histórica” em que certas estruturas teriam surgido – intestino antes de coluna vertebral, pelos antes de unhas, etc. -, explicar o propósito evolutivo de cada traço continua sendo um desafio persistente.

Convergência: quando a evolução repete a história (ou deveria repetir)

Os evolucionistas contam com um recurso chamado evolução convergente para tentar explicar certas características. Se uma mesma estrutura aparece em espécies de ramos diferentes, supõe-se que ela tenha evoluído repetidamente devido a pressões semelhantes. Isso serviria como uma “experiência natural” para testar hipóteses.

Um exemplo frequentemente citado é o tamanho dos testículos entre primatas e outros mamíferos.
Espécies mais promíscuas tendem a ter testículos maiores; espécies monogâmicas, menores. Chimpanzés e bonobos têm testículos volumosos e práticas sexuais grupais; gorilas, mais reservados, possuem testículos pequenos. Golfinhos chegam ao extremo – até 4% do peso corporal! A suposta relação entre comportamento sexual e tamanho dos testículos só pôde ser feita, segundo eles, pela repetição desse padrão em grupos distintos.

No entanto, esse mesmo método não funciona para algo como o queixo humano, porque ele simplesmente não existe em nenhuma outra espécie. Não há convergência. Não há “repetição” que permita comparação. Não há experimento natural. Não há como testar hipóteses evolutivas.

E é por isso que o queixo permanece um “mistério evolutivo”.

O que o queixo humano sugere?

Existem inúmeras hipóteses dentro da literatura evolucionista:

  • teria surgido para fortalecer a mandíbula em combates pré-históricos;
  • seria uma adaptação sexual (possivelmente realçando barba ou imponência);
  • seria um subproduto surgido sem função específica, ligado ao amolecimento dos alimentos com o advento da culinária;
  • seria apenas uma consequência de mudanças no crânio, sem qualquer propósito real.

O problema? Nenhuma dessas hipóteses pode ser comprovada. E mais: nenhuma outra criatura apresenta nada sequer semelhante ao nosso queixo projetado.

Se a evolução realmente funciona como um processo natural recorrente, por que ela não produziu nada parecido nenhuma única vez em outros ramos mamíferos? Por que uma característica tão marcante aparece somente no ser humano?

Do ponto de vista criacionista, porém, o queixo não é um acidente nem um subproduto. Ele faz parte de um projeto anatômico único, coerente com a ideia de que o ser humano não é apenas mais um primata, mas uma criatura singular, criada à imagem de Deus.

O ser humano continua sendo um caso à parte

Enquanto exemplos como o tamanho dos testículos permitem aos evolucionistas construir narrativas plausíveis (mas ainda assim especulativas), características únicas como o queixo humano expõem os limites explicativos da teoria.

E esse não é o único caso. Poderíamos citar:

  • nossa capacidade simbólica sem paralelos
  • nossa linguagem articulada
  • nossa postura totalmente ereta
  • nosso cérebro desproporcionalmente grande
  • e até nossa espiritualidade intrínseca

Todos esses elementos convergem para o quadro de uma espécie cuja origem não se encaixa facilmente nos mecanismos naturalistas.

Mistério para uns, evidência para outros

O texto do professor Telford termina com a conclusão de que algumas características humanas talvez “estejam destinadas a permanecer um mistério”. Mas, da perspectiva bíblica, elas não são mistério – são assinatura. São marca. São identidade.

O que aparece como enigma evolutivo é, para o criacionismo, mais um lembrete de que a complexidade e singularidade do ser humano apontam para um Criador inteligente, não para uma sequência de acidentes acumulados.

A ciência honesta continua observando o que muitos preferem não admitir: a evolução não explica tudo. E quanto mais estudamos o corpo humano, mais percebemos que ele reflete propósito, intenção e design, não acaso.

Origem da vida: um reexame crítico da retomada da Teoria Cosmozoica

A origem da vida continua sendo um tema enigmático e controverso. Estudos recentes têm questionado as hipóteses que sustentam a viabilidade de fatores abióticos para o surgimento, a manutenção e a evolução da vida no planeta, considerando os inúmeros fracassos nas simulações. Nesse contexto, observa-se a crescente retomada da Teoria Cosmozoica, ou Panspermia Cósmica, cujas propostas avaliam a possibilidade de que a vida tenha se originado em algum ponto do espaço e, posteriormente, precursores da vida, ou cosmozoários, tenham chegado à Terra em meteoros, asteroides e planetoides. O objetivo deste ensaio é analisar, por meio de revisão de literatura, o contexto pelo qual a Teoria Cosmozoica tem sido retomada, considerando a complexidade dos aspectos bioquímicos da vida e as dificuldades enfrentadas pelos pesquisadores na tentativa de compreender e explicar a origem abiótica da vida na Terra. A partir dessa análise, infere-se que a retomada da Teoria Cosmozoica evidencia a fragilidade dos modelos que sustentam a origem da vida exclusivamente por fatores abióticos.

[Leia o artigo completo aqui.]