Fotoreceptores “híbridos”: nova prova da evolução ou mais um salto interpretativo?

Um artigo recente publicado na revista Science Advances descreve uma descoberta científica interessante: larvas de algumas espécies de peixes de águas profundas possuem fotoreceptores “híbridos” – células que combinam características moleculares de cones com morfologia de bastonetes – o que poderia representar uma trajetória alternativa de desenvolvimento visual em ambientes de luz intermediária. Do ponto de vista estritamente evolucionista, os autores interpretam esses achados como evidência de plasticidade adaptativa e evolução de um novo tipo de célula visual em resposta a pressões ambientais específicas no habitat mesopelágico. No entanto, uma análise crítica criacionista pode relativizar essa conclusão por várias razões:

1. Inserção de uma narrativa evolucionista além dos dados. Embora os pesquisadores descrevam diferenças no desenvolvimento de fotoreceptores, isso não é evidência direta de macroevolução no sentido de que uma espécie “transforma-se” em outra por mutações e seleção natural ao longo do tempo. O estudo documenta variação dentro de um grupo de peixes e adaptações à ecologia do ambiente – algo que a biologia criacionista reconhece como fenômeno de ajustamento biológico ou plasticidade ecológica, não necessariamente evolução de novas espécies ou linhas de descendência comum.

2. Assumir evolução adaptativa como explicação padrão. Os autores interpretam a existência de fotoreceptores híbridos como “evolução de uma estratégia alternativa de desenvolvimento visual” (i.e., evolução de um novo tipo de fotoreceptor). Contudo, sob a ótica criacionista, a presença de variações estruturais ou funcionais dentro de um grupo de organismos não prova evolução em grande escala. Variações filogenéticas em estruturas sensoriais podem refletir design funcional dentro dos limites de cada “espécie criada”, sem exigir uma explicação evolutiva para a origem fundamental dessas estruturas.

3. Universalizar interpretações sem considerar causas alternativas. A evolução é frequentemente apresentada como a única explicação possível para tais adaptações, mas outras explicações funcionais e mecanicistas também são plausíveis – por exemplo, diferenças no padrão de ativação gênica em resposta a ambientes variáveis. A biologia criacionista argumenta que programas genéticos complexos podem ter sido originalmente configurados para permitir respostas adaptativas dentro de cada tipo biológico sem necessidade de mudanças evolutivas profundas.

4. Limitações do estudo. O artigo é valioso como descrição científica de variações anatômicas e genéticas em peixes, mas não constitui evidência conclusiva de evolução em larga escala – o tipo de macroevolução que postulados como a ancestralidade comum exigem. Adaptabilidade, plasticidade e diversidade funcional dentro de tipos criados podem explicar os achados sem recorrer à evolução darwiniana como narrativa unificadora.

Apesar da utilidade dos dados sobre o sistema visual de peixes, conclusões evolucionistas amplas não são justificadas apenas com base nesses achados. Para uma compreensão coerente com a fé e com uma interpretação bíblica da origem da vida, tais pesquisas devem ser interpretadas com cuidado, reconhecendo a diferença entre variação funcional dentro de um tipo criado e suposta evolução de um tipo para outro.

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